2.3 Evaluatives from a metanormative point of view
2.3.1 Action-guidance
2.1. Caracterização Geográfica
O espaço geográfico, do território em estudo, abriu portas em 1980 e constituiu núcleos residenciais de habitação social. Anos mais tarde surgem as cooperativas. O território foi projectado em linhas arquitectónicas comunitárias que deram lugar a espaços comuns. Porém, nos edifícios geridos pelo IRHU a degradação física dos edifícios é evidente. A rede escolar existe desde 1983, lecciona o 1º e 2º ciclo, e procura trabalhar em parceria com as associações e instituições locais com vista a melhoria da qualidade de vida da comunidade. A rede desportiva é assegurada pelas instalações do Polidesportivo gerido pela Junta de Freguesia, aberto à comunidade e á freguesia. A rede de saúde é assegurada por um serviço de proximidade efectuado pelas duas farmácias locais e pela unidade de saúde familiar. A actividade económica baseia-se no pequeno comércio: cafés, restaurantes, mercearias, supermercados, padarias, talhos, vendedores ambulantes de peixe, cabeleireiros, mecânicos, actividades ilícitas.
2.2. O Centro de Desenvolvimento Comunitário
Em 1982, surge o Centro de Desenvolvimento Comunitário com o objectivo de iniciar um processo de desenvolvimento local e comunitário contribuindo para uma consciência colectiva das necessidades do bairro e para a capacidade organizativa e relacional entre os moradores. Durante as décadas de 80 e 90, a intervenção tinha como palco a rua e uma sala para actividades sociocomunitárias com reformados, mulheres desempregadas e jovens. Em parceria com a Escola do primeiro ciclo também deu resposta ao ATL.
Em 1998 o Centro de Desenvolvimento Comunitário apoiou um grupo de moradores a constituírem-se como Associação preocupado em participar no desenvolvimento social e
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urbanístico do Bairro. Em 2004, esta constituiu-se como uma IPSS, criando a resposta social de Creche e Jardim-de-Infância, num espaço cedido pela Camara Municipal de Lisboa (CML). Esta resposta social adopta métodos de intervenção pedagógica participativos com toda a população que trabalha.
Em 2011, apoia um grupo com idades compreendidas entre os 18 e 72 anos a constituir-se como Associação Intergeracional que baseado no princípio da solidariedade entre gerações desenvolve actividades de animação sociocomunitária, desportiva e lúdica para todas as idades. As actividades decorrem em espaços abertos a todas as idades cedidos pelo Centro de Desenvolvimento Comunitário.
Desde 2003, as áreas de intervenção do Centro de Desenvolvimento Comunitário são o Espaço Jovem, o Espaço de desenvolvimento e inclusão digital, a Dinamização de Parcerias e Apoio à Organização da Comunidade, a Inserção Profissional e o Espaço GerAcções e decorrem numas instalações cedidas pela CML. O Centro é espaço de ativação de capacidades individuais, de solidariedades e de promoção de formas de organização facilitadoras de participação ativa. Na sua intervenção, tenta desenvolver o potencial que existe em cada um, fomentar a autoafirmação, a autonomia, a autodeterminação, a capacidade e liberdade para assumir responsabilidades, para expressar interesses e desejos, para tomar decisões e influenciar políticas. Esta intervenção visa todas as dimensões do ser humano: social, física, mental, espiritual, cultural, económica e política. Os profissionais partilham o poder incluindo os participantes no processo de tomada de decisão.
2.2.1 O Espaço GerAcções
2.2.1.1 Breve caracterização
O Espaço GerAcções, onde estão integradas estas mulheres tem um número de 236 inscritos (COP, 2011), dos quais 61% do género feminino e 39% do género masculino; 26% analfabetos e 55% 1º ciclo. 91% da população inscrita é de nacionalidade portuguesa destacando-se o distrito de Viseu com 25% de naturais, Lisboa com 13%, Vila Real com 11% e Braga com 5%. As profissões de dona de casa (19%) e pessoal de serviço auxiliar (28%) evidenciam-se. Curiosamente, apenas 19% dos inscritos vivem sós e dos 81% que
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vivem acompanhados, 35% em casal e 17% em casal com filhos. O Espaço Geracções é uma resposta de Centro de Dia atípica em que os participantes não têm uma comparticipação fixa, apenas pagam pelo serviço de Restaurante Social e Lanche Social. Os cuidados básicos de higiene pessoal são gratuitos e as actividades de animação sociocultural e educativas que são desbrucratizadas e de livre participação. É um espaço de convivência intergeracional por natureza, tem 24% de pessoas com menos de 65 anos, 39% entre 65 e 74 anos, 32% entre 75 e 84 anos e 5% de pessoas com 85 e mais anos. Neste sentido, a gestão das atividades é feita de uma forma participada, através do Grupo de Gestão, que se reúne semanalmente com a equipa, através de Assembleias- gerais onde se debatem e votam atividades de interesse comum, através de reuniões de programação e avaliação com os vários grupos de interesse.
A experiência adquirida ao longo dos anos e o perfil dos elementos fazem com que os grupos apresentem uma grande capacidade de organização e elevado sentido de responsabilidade.
O nível de participação no Espaço GerAcções é elevado devido à metodologia de trabalho participativo que permite uma gestão participada e ao nível de competências adquiridas e experiência acumulada de participação sendo 99 utentes os que frequentam o Centro há mais de 10 anos.
2.3. As Práticas Intergeracionais do Território Multigeracional de Lisboa Oriental
As práticas intergeracionais do território multigeracional de Lisboa Oriental desenvolvem-se através de projectos formais e informais promovidos em parceria com as instituições e associações locais. Os profissionais e a comunidade acreditam no diálogo intergeracional como promotor do desenvolvimento social e comunitário. Há 30 anos que se desenvolvem laços de solidariedade intergeracional que permitem a equidade entre todas as gerações. O projeto intergeracionais 100 Ideias Sem Idade desenvolve-se bisemalmente, na sala de aulas das turmas do 3º ano, na Escola E1. Através de material de desperdício e trocas de
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saberes as crianças tem a oportunidade de trabalhar em conjunto com seniores do Espaço GerAcções comemorando dias festivos bem como dinamizando worshops do seu interesse. O projecto intergeracional Um Tempo Sem Idade desenvolve-se no Jardim de Infância da Associação de Moradores, tem periodicidade bimensal e envolve os seniores do Espaço GerAcções na programação, execução e avaliação nas reuniões de técnicos, monitores e auxiliares. As crianças do Jardim de Infância juntamente com os seniores constroem fatos de carnaval, promovem desfile de carnaval, comemoram, o magusto, o natal e a páscoa, praticam ginástica, dança e expressão em movimento, experienciam momentos na sala de informática, plásticas e teatro. Os seniores são considerados mediadores do conhecimento não podendo deixar de existir o contador de histórias como a figura mítica e tão desejada pelas crianças. As actividades ocorrem em ambas as instalações.
Os próprios Espaços de intervenção do Centro de Desenvolvimento Comunitário são per si compostos de várias gerações e intervém sempre numa linha de participação livre e democrata. O Espaço Jovem acolhe jovens dos 10 aos 25 anos e o Espaço GerAcções adultos dos 26 aos 90 e mais anos. O Projeto Mix G que visa promover encontros entre estes e adultos dinamizando passeios intergeracionais, culinária intergeracional, Karaok intergeracional, Cuidados de Beleza, entre outros que surgem da vontade de cada grupo.
O Centro de Desenvolvimento Comunitário através do Projeto 2 Ts, O Banco do Tempo e a Hora da Troca destinado a todas as idades, promove redes de solidariedade na comunidade. O Restaurante Social, resposta social do Espaço GerAcções, decorre nas instalações da Associação de Moradores e as crianças do jardim-de-infância almoçam em simultâneo com os seniores.
A Cafetaria In, da Associação Intergeracional, que tem sede nas instalações do Centro de Desenvolvimento Comunitário é um espaço privilegiado para o diálogo intergeracional, para activação de potencialidades e capacitação individual e colectiva, uma vez que está aberta a todas as idades.
Os Eco Estilistas também têm um papel preponderante no diálogo intergeracional uma vez que recorre a costureiras desempregadas e reformadas para a construção dos fatos e a crianças e jovens para manequins.
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