Circula em São Paulo, desde o dia 7 de maio de 2007, o Metro, edição brasileira do
“maior jornal internacional do mundo”, slogan do Metro que é resultado de uma aliança estratégica do Grupo Bandeirantes de Comunicação com a Metro Internacional, empresa do grupo sueco Investment AB Kinnevik, criado em 1936 e que atua em diversas áreas da comunicação como Telecom, canais de televisão e telefonia móvel. A Metro Internacional é responsável pela edição do jornal em 21 países da Europa, Américas e da Ásia totalizando mais de 22 milhões de leitores diários em todo o mundo.
10 Informação obtida no site da emissora, www.grupobandeirantes.com.br. Acessado em 10 de novembro de
O lançamento do primeiro jornal diário do Grupo Bandeirantes, formado por duas redes de TV aberta, três canais por assinatura, cinco redes de rádio, TV a cabo, e o jornal de classificados Primeiramão, aconteceu no ano em que o Grupo completou 70 anos. “De olho no “mundo plano” e sem barreiras, resultado da globalização e avanços tecnológicos, a chegada do jornal internacional reforça a atuação multimídia do Grupo Bandeirantes”, afirmou o jornalista Ricardo Anderáos, diretor editorial do jornal à época do lançamento. Segundo João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, a fórmula do jornal – formato
berliner e gratuito - segue uma tendência mundial e encontra semelhanças no modelo
consagrado pela internet: “O Metro oferece informação rápida, de qualidade, ilustrada e dirigida a um público jovem, gratuitamente”, afirmou.
Com tiragem de 150 mil exemplares diários – exceto às sextas-feiras que o jornal circula com 300 mil exemplares -, o Metro chegou a São Paulo distribuído de segunda a sexta-feira em mais de 300 pontos vitais da cidade. É fácil o leitor reconhecer os promotores do jornal; jovens - moças e rapazes - devidamente identificados com seus uniformes verde- limão. “Os promotores estarão sempre nos mesmos locais, queremos que o público se habitue a começar o dia com o Metro na mão”, ressaltou Ricardo Anderáos, ex-editor da publicação e atual editor de tecnologia11. Segundo ele, o jornal tem diagramação diferenciada e pode ser lido rapidamente, num tempo médio estimado de 17 minutos. “O perfil do leitor do Metro é o de uma pessoa dinâmica, urbana, que está em trânsito, se dirigindo ao trabalho, faculdade ou academia e que precisa ganhar tempo”, explicou.
4.1 A missão
“No cotidiano cada vez mais acelerado das grandes cidades, quem tem tempo de ler um jornalão tradicional? E para nós, que vivemos conectados em rede, qual o sentido de pagar para receber informação?”, interroga o jornalista Ricardo Anderáos, ex-editor do Metro. E acrescenta
A melhor resposta a essas perguntas foi dada em 1995 por uma empresa sueca que criou a primeira edição do Metro. Um jornal para ser lido rapidamente, com alta qualidade gráfica e jornalística e que, de quebra, era entregue gratuitamente, logo de manhã, na rede de transportes de Estocolmo (informação verbal).
11 O depoimento foi obtido durante entrevista concedida no Café Intercom, evento realizado na Livraria Saraiva
Então seria essa a missão do Metro: informar de maneira rápida, breve, com notas curtas por que na nova era ninguém tem mais tempo para ler os jornais da chamada mídia tradicional? Oferecer notícias 100% gratuitas já que ninguém quer mais pagar por informação já que a internet disponibiliza notícias gratuitas 24h?
De acordo com o site do Metro12, “o jornal consiste na fórmula perfeita para um público jovem e qualificado, que não tem o hábito de ler diariamente os jornais tradicionais. Os mesmos jovens que começaram a se ligar na tripla revolução que sacudiu os anos 90 com a popularização da tv a cabo, da telefonia celular e da internet”.
Em pouco tempo do seu surgimento o Metro começou a se espalhar pela Europa e depois pelo resto do mundo. A sua expansão coincidiu exatamente com o momento em que os jornais tradicionais mergulhavam na pior crise de sua história, enquanto o tablóide gratuito remava contra a corrente, transformando-se num dos mais revolucionários fenômenos de mídia deste início do século XXI.
Como toda boa ideia, a receita do Metro é simples. Começa com um bem elaborado resumo das principais notícias locais, nacionais, internacionais. A esses assuntos que também recheiam os noticiários da televisão, rádio, jornais e internet, os editores do Metro adicionam histórias de interesse direto de seus leitores, que não aparecem na mídia tradicional. (informação verbal),
Com 500 jornalistas espalhados por 21 países, o Metro oferece uma grande rede de correspondentes nas principais cidades do mundo. Anderáos acrescenta ainda que
(...) mais do que notícias, os jornalistas do Metro trazem informações únicas. Enquanto o Metro Milão vai nos manter em dia do o mundo da moda, por exemplo, o Metro Helsinki vai antecipar as próximas tendências da telefonia celular. Mas apesar de pensar globalmente, o Metro age aqui e agora. Ele é um jornal local, um veículo da cidadania. Sua missão aqui em São Paulo como no resto do mundo, é ajudar cada um de nós a viver melhor em nossas cidades. (informação verbal).
4.2 O Jornal
Ao analisarmos o Metro, primeiramente percebemos tratar-se de um veículo de fácil manuseio – formato berliner –, layout leve, jovem, forte presença da publicidade, com muitas cores (as chamadas de capa trazem cores nos tons azul turquesa, pink, laranja e verde). Possui 16 páginas (exceto às quintas e sextas-feiras com 30 páginas recheadas de muitos anúncios), muitos infográficos e fotografias. Suas notas e textos são curtos, no estilo drops, para que seja lido rapidamente, ou em poucos minutos, no trajeto de casa ao trabalho ou vice-versa.
Sempre em todas as edições analisadas aparece logo ao lado do logotipo do jornal, na parte bem superior da primeira página, uma chamada em destaque para editoria Diversão, deixando claro logo qual conteúdo e público-alvo priorizado pelo jornal: o jovem. Divide-se em cinco editorias fixas, que são: Em foco, Mundo, Economia, Esporte e Diversão, sendo que esta última – por tratar-se da principal editoria do jornal – ocupa seis páginas.
Na capa sempre uma manchete com a matéria principal e uma média de cinco fotografias de boa qualidade. Em meio a tantas cores e fotos, as chamadas das editorias aparecem bem curtinhas, em sua maioria, representadas apenas por uma frase. Apesar de o jornal priorizar os assuntos relacionados à diversão, lazer e cultura, a matéria principal é sempre sobre um assunto que esteja sendo discutido e/ou bastante repercutido no momento. Essa matéria principal sempre vem na página 02, editoria Em foco.
Na editoria Em foco (cor azul) são trabalhados os assuntos que estão sendo discutidos no momento pela grande mídia; essa editoria contempla assuntos de política, polícia, cidades, nacional, etc.
A editoria Mundo (cor azul em tom mais escuro) aparece logo em seguida. Ocupa geralmente uma ou duas páginas e traz um resuminho das principais notícias do mundo fornecidas pelos jornais da rede Metro Internacional, presente em vários países.
Em seguida aparece a editoria de Economia (cor verde-limão) que ocupa uma página sendo que, na semana analisada, metade desta página era ocupada pela publicidade.
Depois aparece a editoria de Esportes (cor laranja) que também ocupa apenas uma página. As notícias aparecem bem compactas para que a publicidade, ou seja, os anúncios sejam bem acomodados.
Por último a editoria Diversão (cor rosa pink) que ocupa diariamente, de cinco a seis páginas. Nela são abordados assuntos relacionados a estrelas internacionais, filmes, dicas culturais, roteiro de cinema, shows, festas, homenagens, destaques da TV, horóscopo, palavra cruzada, tempo, cartas dos leitores, erramos, o expediente do jornal e, claro, a publicidade.
O Metro possui colunas fixas, de acordo com os dias da semana. Na segunda-feira é publicada a coluna Viagem, editada por Maurício Xavier. Nela aparecem dicas de viagens, com sugestão de saídas, roteiro turístico, o que comprar, o que comer, entre outros.
Já na terça-feira circula a coluna Casa, assinada por Cínthia Rodrigues. Publicada na página 7, metade é ocupada por anúncio publicitário.
Toda quarta-feira é publicada na página 12 a coluna Motor, assinada por Maurício Xavier. Ela ocupa apenas metade da página; a outra metade é ocupada por publicidade.
Na quinta-feira o Metro circula com a coluna Conexão, escrita pelo jornalista Ricardo Anderáos, ex-editor-geral do Metro, trazendo as novidades da área das novas tecnologias. A coluna fica na página10 e ocupa apenas metade dela, já que a outra metade vem com um anúncio. Na quinta o jornal circula com 30 páginas (segunda, terça e quarta ele tem 16 páginas) e uma capa falsa. A tiragem é de 150 mil exemplares.
Sexta-feira, último dia da semana que o Metro circula, ele também tem 30 páginas e uma capa falsa. Sexta é o único dia que o jornal tem uma tiragem de 300 mil exemplares.
Na sexta também tem o Caderno Metro +, editado por Cínthia Rodrigues. O Caderno possui seis páginas e traz dicas de moda, comportamento, gastronomia e cultura.
Apesar de o Metro ser o único jornal impresso do Grupo Bandeirantes (o outro veículo impresso da Band é o jornal de classificados Primeira Mão) ele não vem recheado de anúncios institucionais como poderíamos imaginar; apenas na quinta e sexta-feira encontramos anúncios referentes ao Grupo13.
13
Na quinta-feira, 12 de novembro, foi publicado um anúncio da Rádio Bandeirantes (meia página) e do próprio
Metro (página inteira). Na sexta, um anúncio de página inteira do programa “No Pulo do Gato”, da Rádio
Bandeirantes e uma matéria do programa “Zero Bala”, exibido na TV Bandeirantes e apresentado por Daniela Cicarelli e Otávio Mesquita.