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Examining the Host

Dans le document Computer Viruses Black Book GIANT (Page 60-64)

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, depois de trabalhar bem o termo Pós-

Modernidade, prefere usar a expressão "modernidade líquida" , se referindo à realidade

confusa, desconexa que vivemos hoje. No seu livro Modernidade Líquida, Bauman propõe uma nova visão sobre a modernidade, voltada à fluidez das relações, ao individualismo pregando o dinamismo. Inicia seu estudo discutindo a ideia de liquidez e fluidez. Por se tratar de um conceito voltado à mudança de formas para acomodação nos mais diversos encaixes, é inevitável a analogia à nossa atual e imediatista sociedade pois, “assim, para eles, o que conta é o tempo, mais do que o espaço que lhes toca ocupar; espaço que, afinal, preenchem apenas „por um momento‟ [grifo do autor]” (BAUMAN, 2001, p. 8).

Para Bauman (2001), os tempos modernos encontraram sólidos pré-modernos em estado avançado de desintegração; e um dos motivos mais fortes por trás da urgência de derretê-los era o desejo de, por uma vez, “descobrir ou inventar sólidos de solidez duradoura, solidez em que de pudesse confiar e que tornaria o mundo previsível e, portanto, administrável” (p.10).

Bauman acredita que a pós-modernidade é o resultado de se soltar o freio: da desregulamentação, da liberalização, da flexibilização, da fluidez crescente, do descontrole dos mercados financeiro, imobiliário e de trabalho.

E segue, afirmando que o derretimento dos sólidos, traço permanente da modernidade, adquiriu, portanto, um novo sentido e, mais que tudo, foi redirecionado a um novo alvo; e dos

principais efeitos desse redirecionamento foi a dissolução das forças que poderiam ter mantido a questão da ordem e do sistema na agenda política.

Os sólidos que estão para ser lançados e que estão derretendo neste momento, o momento da modernidade fluida, são os elos que entrelaçam as escolhas individuais em projetos e ações coletivas – os padrões de comunicação e coordenação das entre as políticas de vida conduzidas individualmente, de um lado, e as ações políticas de coletividades humanas, de outro. (BAUMAN, 2001, p.12)

Na visão de Bauman, o tempo adquire história uma vez que a velocidade do movimento através do espaço (diferentemente espaço eminente inflexível, que não pode ser esticado e que não encolhe) se torna uma questão do engenho, da imaginação e da capacidade humanas. Ao falar de velocidade em tempos de pós-modernidade o autor afirma que

(...) a própria de ideia de velocidade (e mas ainda a de aceleração), quando se refere à relação entre tempo e espaço, supõe sua variabilidade, e dificilmente teria qualquer significado e se não fosse aquela uma relação verdadeiramente variável, se fosse um atributo da realidade inumana e pré- humana e não uma questão de inventividade e resolução humanas, e se não fosse para muito alem da estreita gama de variações a que as ferramentas naturais da mobilidade – as pernas humanas ou equinas – costumavam confinar movimentos dos corpos pré-modernos. Quando a distancia percorrida numa unidade de tempo passou a depender da tecnologia, de meios artificiais de transporte, todos os limites à velocidade do movimento, existentes ou herdados, poderiam, em principio ser transgredidos. Apenas o céu era agora o limite, e a modernidade era um esforço contínuo, rápido e irrefreável para alcançá-lo. (BAUMAN, 2001, p. 16)

Ao se referir ao tempo na pós-modernidade, Bauman afirma que graças a sua flexibilidade e expansividade recentemente adquiridas, o tempo moderno se tornou, antes e acima de tudo, a arma na conquista do espaço. Na moderna luta entre tempo e espaço, afirma o autor,

(...) o espaço era o lado sólido e impassível, pesado e inerte, capaz apenas de uma guerra defensiva, de trincheiras – um obstáculos aos avanços do tempo. O tempo era o lado dinâmico e ativo na batalha, o lado sempre na ofensiva: a força invasora conquistadora e colonizadora. A velocidade do movimento e o acesso a meios rápidos de mobilidade chegaram nos tempos modernos à posição de principal ferramenta do poder e da dominação (BAUMAN, 2001, p. 16)

Na visão de Zygmunt Bauman (2001), o que leva a tantos a falar do fim da historia, da pós-modernidade, da segunda modernidade e da sobre-modernidade, ou articular a intuição de uma mudança radical no arranjo do convívio humana e nas condições sociais sob as quais a

política-vida é hoje levada, é o fato de que o longo esforço para acelerar a velocidade do movimento chegou ao seu limite natural. Para o autor, o poder pode se mover com a velocidade do sinal eletrônico, e assim, o tempo requerido para o movimento de seus ingredientes essenciais se reduziu a instantaneidade.

Instantaneidade essa que, para Bauman, aparentemente se refere a um movimento muito rápido e a um tempo muito curto, mas de fato denota a ausência do tempo como fator do evento e, por isso mesmo, como elemento no cálculo do valor. “O tempo não é mais o desvio na busca, e assim não mais confere valor ao espaço. A quase-instantaneidade do tempo do software anuncia a desvalorização do espaço” (BAUMAN, 2001, p. 136).

Para o sociólogo polonês, o tempo instantâneo e sem substancia do mundo do software é também um tempo sem consequências. Instantaneidade significa realização imediata, no ato – mas também exaustão e desaparecimento do interesse.

A distancia em tempo que separa o começo do fim esta diminuindo ou mesmo desaparecendo, as duas noções, que outrora eram usadas para marcar a passagem do tempo e, portanto, para calcular o seu valor perdido, perderam muito do seu significado – que, como todos os significados, derivava de sua rígida oposição. Há apenas momentos – pontos sem dimensões. Mas, será ainda um tal tempo – tempo com a morfologia de um agregado de momentos – o tempo como conhecemos A expressão momento de tempo parece, pelo menos em certos aspectos vitais, um oximoro. Teria o tempo cometido suicídio. Não teria sido o espaço apenas a primeira baixa na corrida do tempo para a autoaniquilação. (BAUMAN, 2001, pp. 137-138)

A instantaneidade, ainda de acordo com Bauman, faz com que cada momento pareça ter capacidade infinita; e a capacidade infinita significa que não há limites ao que pode ser extraído de qualquer momento – ou mais breve e fugaz que seja.

O longo prazo, ainda que continue a ser mencionado, por hábito, é uma concha vazia sem significado; se o infinito, como o tempo, é instantâneo, para ser usado no ato e descartado imediatamente, então mais tempo adiciona pouco ao que o momento já ofereceu. O curto prazo substituiu o longo prazo e fez da instantaneidade seu ideal último. (BAUMAN, 2001, p. 145)

O sociólogo segue seu raciocínio dizendo que “Agora é a palavra-chave da estratégia de vida, ao que quer que essa estratégia se aplique e independente do que mais possa sugerir”, (2001, p. 187).

Para ele, nos tempos atuais há um enfraquecimento e decomposição dos laços humanos, das comunidades e das parcerias. Compromisso do tipo “até que a morte os separe”

se transformam em contratos do tipo “enquanto durar a satisfação”, temporais e transitórios por definição, por projeto e por impacto pragmático – e assim passíveis de ruptura unilateral, sempre que um dos parceiros perceba melhores oportunidades e maior valor fora da parceria do que em tentar salvá-la a qualquer - incalculável – custo.

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