A primeira categoria encontrada ―utilização de plataformas de aprendizagem (LMS)‖ está relacionada com aspectos ligados à acessibilidade a este recurso assim como a sua funcionalidade. Subdivide-se em duas subcategorias: ―situações em que recorre à plataforma LMS‖ e ―facilidade de utilização e eficiência do recurso‖.
A subcategoria ―situações em que recorre à plataforma LMS‖ permite obter informação qualitativa relativamente às situações em que os participantes habitualmente recorrerem a esta ferramenta informática, sendo impossível neste contexto ignorar o facto de que o conceito de ensino aprendizagem evoluiu, assumindo, neste início do século XXI, a auto-aprendizagem um papel preponderante. Sobre este novo paradigma, o Conselho Nacional de Educação alerta para o seguinte:
―A construção de um novo modelo de aprendizagem, não segmentado, em que a auto- aprendizagem terá um peso importante, em que se torna necessário reforçar as parcerias, em que tem de se prestar uma especial atenção ao reconhecimento, validação e certificação das aprendizagens, em que o financiamento obedece a critérios diferentes dos anteriormente praticados, em que se vai acentuar o recurso às novas tecnologias de informação e conhecimento e às modalidades de ensino a distância, em que as competências básicas têm um entendimento diverso do presente, em que os direitos e deveres à aprendizagem terão de ser encarados de forma mais responsável, não será fácil nem pode ser concretizado abruptamente e de forma radical‖ (Conselho Nacional de Educação, 2001:4).
A maioria das respostas obtidas, deram particular ênfase ao paradigma da auto- aprendizagem, destacando o importante papel dos recursos tecnológicos para colmatar as dificuldades inerentes à assiduidade, o que acabou por associar a ausência às aulas, por motivos profissionais, a uma maior procura destes recursos, neste caso em particular, a plataforma LMS Dokeos:
I – Habitualmente, em que situações recorre à plataforma?
E4 – Normalmente quando não venho à escola porque fico a trabalhar... para ver se há
trabalhos e assim...
E8 – Normalmente é quando falto às aulas... como não tenho tempo... como sou
estudante-trabalhador e quando tenho oportunidade de estar no computador com calma... geralmente é quando estou lá no computador (no local de trabalho) ou nas vésperas de ponto... ou assim... para estudar alguma coisa ou assim... memorizo melhor...
Para além da referência aos problemas de assiduidade como uma das razões para utilização de uma plataforma de aprendizagem, verificamos também a existência de um conjunto de respostas que nos remetem para o conceito de complementaridade dos estudos, quando temos participantes que referem o facto de usarem esta ferramenta quando estão a estudar para um exercício de avaliação, se preparam para a prova de aptidão tecnológica ou ainda quando necessitam de um documento de trabalho para uma qualquer disciplina, sabendo que este lhes está acessível na plataforma.
I – Habitualmente, em que situações recorre à plataforma?
E3 – Quando preciso de... quando há algum exercício... ou por exemplo, para tirar uma
cópia de uma ficha... ou uma ficha de leitura... ou algum trabalhito extra que surja por lá no âmbito de algum tema para o portefólio... ou que esteja a ser tratado... Agora com o projecto para a PAT também tem sido importante... e pronto... basicamente é só isso.
Encontramos ainda participantes que para além das utilizações já referidas, recorrem à plataforma para a realização de diversos trabalhos e também para os fazerem chegar tanto a professores como a colegas quando, por motivos profissionais ou de saúde se encontram impedidos de frequentar as aulas.
I – Utiliza a plataforma de aprendizagem para entregar trabalhos ou exercícios? E6 – Eu já entreguei e considero a plataforma uma grande ajuda para fazer isso... I – Que actividades realizou na plataforma?
E6 – Nos meses de Fevereiro e Março... quando não vinha à escola, fazia tudo na
plataforma. Foram trabalhos individuais...
Na subcategoria ―facilidade de utilização e eficiência do recurso‖ constatamos que, tanto os alunos que recorrem habitualmente à plataforma de aprendizagem em contexto das disciplinas técnicas, quanto os estudantes que apenas tomaram conhecimento da existência deste recurso nas aulas TIC, o consideram de fácil
utilização e, de acordo com a maneira de ser de cada um, mais ou menos hábil para as questões informáticas, conseguem usar este recurso, que consideram eficiente.
I –As plataformas de aprendizagem parecem-lhe acessíveis a qualquer utilizador? E1 – Sim, penso que sim... desde que as pessoas saibam minimamente... hmmm, portanto,
mexer no computador conseguem, portanto, aceder aos conteúdos.
I – E parece-lhe que é um recurso atraente?
E1 – Para mim, a Dokeos é mais atraente... não sei se foi por eu ter usado mais a Dokeos,
para mim os conteúdos... parece-me mais fácil a Dokeos.
I – E acha que é eficiente?
E1 – Eu penso que sim. Pelo menos para mim foi... não é, mas depende das pessoas
também...
Esta opinião, revelada pelos estudantes, vai ao encontro da perspectiva de aprendizagem defendida pela Comissão europeia, na qual se considera que a o eliminar de barreiras ao nível do acesso ao conhecimento passa por:
―Colocar o potencial da inovação das novas tecnologias ao serviço das exigências e da qualidade da formação ao longo da vida, da evolução das práticas pedagógicas, representa um desafio de primeira importância. Pode ser criada uma nova envolvente da aprendizagem ao favorecer a autonomia, a flexibilidade, a eliminação das barreiras entre as disciplinas, o estabelecimento de relações entre centros de cultura e de saber e ao facilitar o acesso de todos os cidadãos aos recursos da sociedade do conhecimento‖ (Comissão Europeia, 2000-b: 4).
Por outro lado, a possibilidade de realização de exercícios de auto-avaliação é um dos atributos de eficiência mais referido pelos estudantes, além de ser para alguns um dos aspectos mais atraentes deste recurso, pois permite-lhes estudar de uma forma quase de auto-gestão, sabendo contudo que, em caso de dúvidas podem sempre colocar as questões ao professor que recorrendo a uma forma de comunicação assíncrona, mais tarde ou mais cedo, lhe dará resposta às dúvidas. Estamos perante um trabalho colaborativo na construção da aprendizagem, quase poderíamos afirmar uma comunidade virtual de aprendizagem onde, como refere Figueiredo (2002:41) o aluno
toma consciência da importância do trabalho conjunto, sendo de particular relevo a ligação ao outro.
―Nos ambientes em rede, os aluno-nós-de-rede, membros de comunidades, sentem que a construção do seu conhecimento é uma aventura colectiva – uma aventura onde se constroem os seus saberes, mas onde contribuem, também, para a construção dos saberes dos outros. E, à medida que a aventura se renova, vão aprendendo que cada um vale, não apenas por si, mas pela forma como se relaciona com os outros – como com eles constrói o que nunca ninguém conseguiria fazer sozinho” (Figueiredo, 2002: 41).
Afirmando os estudantes, sobre esta noção de trabalho individual e colectivo o seguinte:
I – As plataformas de aprendizagem parecem-lhe acessíveis a qualquer utilizador? E8 – São, são bastante didácticas... dinâmicas... porque parecem que nos ensinam a
resposta... porque respondendo uma vez errado a pessoa vai ser obrigada a saber qual é a resposta certa... passado um bocadinho, não é?
I – É atraente a forma como está organizada? E8 – Está bastante acessível e bastante atraente. I – É eficiente?
E8 – Nota-se que é eficiente porque me permite corrigir os nossos erros, ou seja, nós
estamos a ponderar a questão, vamos respondendo e depois logo, a seguir temos o... a res... o... esta, a solução ou a resposta se qual é a percentagem de erro, ou se é 20% ou 10%, onde é que falhamos...
A facilidade de utilização e eficiência do recurso aparece também associado, por um lado ao aspecto inovador que os estudantes encontram neste recurso quando associado às actividades de ensino-aprendizagem que, na perspectiva da maior parte dos estudantes estão sempre associadas a aulas demasiado expositivas e por vezes repletas de actividades monótonas e enfadonhas. Por outro lado, há alunos que vêm na utilização deste recurso um factor de modernidade e relação com a realidade exterior à escola, pois hoje em dia é impossível vivermos ou concebermos o mundo sem o recurso às TIC
I – As plataformas de aprendizagem parecem-lhe acessíveis a qualquer utilizador? E10 – Sim, penso que sim... sei lá... para o futuro é uma coisa boa... penso eu... porque
quando programas desses existem... mais a gente... as pessoas conseguem fazer as coisas... não só para a escola... para tudo... para essas coisas todas... eu penso isso..
I – E parece-lhe que é um recurso atraente?
E10 – Sim, stora... eu falo por mim... eu posso me sentir atraído... outros podem não
sentir... isto é assim, eu gosto de experimentar... de tudo o que é novidade... de fazer isso nos computadores, essas matérias que a gente dá... mas pode também haver outros que não gostem...
I – E acha que é eficiente?
E10 – Sim. Penso que tudo o que está ligado aos computadores... quase tudo tem muita
eficiência... pelo menos para mim... eu falo por mim stora.
Como refere Bromley, a preocupação em encontrar nas aprendizagens escolares uma relação mais directa com o mundo do trabalho é uma constante e um factor de motivação para os estudantes e mudança da escola no sentido de uma maior proximidade da sociedade de informação.
―Uma das razões pelas quais esta retórica foi tão eficaz é que os pais estão legitimamente preocupados sobre as perspectivas de emprego dos seus filhos. […] A opinião comum é que as competências em computadores serão crescentemente necessárias para a qualificação do trabalho e ninguém quer ser deixado para trás.‖ (Bromley, 1998: 11)
Conscientes da importância das tecnologias da informação e comunicação na sociedade e, em particular, na vida dos cidadãos, assistimos nos últimos anos a uma preocupação crescente por parte de todos os envolvidos no processo ensino- aprendizagem – estudantes, professores, encarregados de educação e escola / instituição – no sentido de possibilitar uma maior formação ao nível da informática a todos os agentes envolvidos no processo, assim como equipar as escolas com o maior número possível de recursos, de modo a facilitar e possibilitar a todos esta preparação imprescindível a todos, tanto os que pretendem prosseguir estudos no ensino superior quanto os que pretendem entrar no mundo do trabalho.