3. Dispositif exp´ erimental
3.2 Choix des conditions exp´ erimentales
3.2.1 Vitesses d´ ebitantes de m´ ethane et d’air
O compromisso entre o preço do alojamento, a experiência social incorporada, o ambiente informal e a conveniência da localização, têm contribuído para que estas unidades reúnam condições de atractividade para uma procura turística mais heterogénea.
Hannam e Diekmann (2010, pp. 3) identificam um segmento-alvo emergente na procura de hostels: o segmento “flashpacker” é a nova versão do turista “backpacker”, situa-se numa faixa etária entre os 20 e os 35 anos e é composto por jovens activos de um nível socioeconómico elevado e caracterizam-se por estadas mais curtas: “Older backpackers with higher levels of disposable income, travelling on a career break (…) up-market backpacking has developed through changing in demographics and motivations”.
O comportamento “budget conscious” que o caracteriza é acompanhado, contudo, por uma atenção e exigência acrescidas pelo conforto e sofisticação dos serviços, bem como uma maior propensão para escolher destinos na moda e atribuir maior importância a actividades mais sofisticadas (Scheyvens, 2002, Hampton, 1998, citados por Brenner & Fricke, 2007). A motivação para a escolha do hostel continua a ser a informalidade e o seu ambiente íntimo, ainda que a atenção destes turistas passe, igualmente, pela originalidade e decoração das unidades, os serviços oferecidos, o pequeno-almoço incluído, a dimensão das unidades, a disponibilidade de quartos privados. O hostel já não é apenas uma unidade com cozinhas equipadas, lavandaria e dormitórios com preços de cama reduzidos (Gillmore, 2011).
“Backpackers are figuratively and literally growing up, hostels must grow with them or risk becoming extinct. The manner in which Backpackers picked hostels in previous decades has changed dramatically (…) hostels for backpackers must change their concepts, products and services to match the ever-changing needs and services preferences of the key market segments” (Hetch e Martin, 2006, pp. 76)
Com efeito, a menor duração das viagens e a realização de gastos mais elevados dos turistas jovens tem vindo a tornar este segmento turístico mais aliciante. Esta penetração de mercado tem contribuído
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para a reformulação do conceito de alojamento turístico, do modelo de negócio e da adaptação a estratégias comerciais com explorações mais rentáveis.
“With this professionalization of the backpacker industry more generally, so hostels have tended to become larger and more professional (…) Sidney Central YHA opened in 1996 with 570 beds, a travel agency, information desk, bar, shop, swimming pool, sauna, games room, cinema, book exchange, kitchens, laundries, public telephones, barbecues and a general manager.” (Wilson et al., 2008, pp. 208)
Cave et al. (2008) identificou as principais alterações na procura de hostels que têm contribuído para uma reformulação do conceito das unidades hostel:
a) Aumento de viagens short-breaks
O padrão de procura de hostels é, desta forma, mais diversificado, composto por turistas em “gap years”, férias regulares e “short-trips”. A partilha quase ininterrupta de espaço promovida pela estrutura do hostel e a importância da experiência social torna particularmente relevante acautelar a conflitualidade subjacente a usos turísticos diferentes.
O planeamento dos espaços e a arquitectura do hostel devem garantir a separação entre os espaços comuns e zonas de descanso; criando-se espaços alternativos, como o exemplo de sala de leitura, sala de estar, sala de filmes, terraço, etc, por forma a oferecer aos hóspedes uma fruição do hostel mais consentânea com as suas preferências. Como referem Obenour et al. (2006), citado por Cave (2007, pp. 6) “Backpacker accommodation manager can decide to enhance either social interaction or social distance as desired by different travelers by the design of the facility and its service provision”.
b) Perfil etário mais heterogéneo
Segundo Hetch e Martin (2006) 15% do segmento “backpacker” tem mais de 55 anos e o próprio guia turístico Lonely Planet criou fóruns de conversação destinados a turistas mais velhos. A heterogeneização etária complexifica a capacidade de satisfazer necessidades e preferências mais díspares. Cave et al. (2008) salienta algumas diferenças entre hóspedes com menos de 30 anos e com mais de 50 anos: (1) Os hóspedes com idade inferior a 30 anos procuram diversão, hostels temáticos, bares e restaurantes no interior ou próximos do hostel, valorizam o consumo de álcool dentro das unidades, a organização de actividades para os hóspedes e o aluguer de equipamento, como bicicletas, pranchas de surf; (2) os hóspedes com mais de 50 anos privilegiam hostels que ofereçam quartos mais pequenos, facilidades ensuite e espaços partilhados, como a cozinha ou a sala de jantar – que estabeleçam um equilíbrio funcional entre a privacidade e a socialização
O público mais jovem procura um hostel que tenha um ambiente descontraído, privilegiando a interacção com outros “backpackers”, encara o hostel como uma extensão da sua experiência turística, mais do que uma forma de alojamento (Hetch e Martin, 2006). Em idades mais avançadas, é
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valorizada uma oferta diversificada de tipologias de quarto, que permitam um maior ajuste em função do orçamento de viagem, sendo priorizados os aspectos funcionais, em detrimento da experiência vivida no hostel.
c) Requisitos mais exigentes de serviço e instalações de hostel e reforço do elemento individual As unidades hostel são valorizadas pelo seu preço reduzido e localização conveniente, o que contribuiu em boa parte para uma proliferação de unidades que, cumprindo estes requisitos, subalternizam a qualidade dos seus serviços e instalações, contribuindo para uma má reputação das unidades hostel. Existe uma grande variabilidade nos níveis de serviço e características das unidades do sector de hostels, bem como nas instalações oferecidas e qualidade dos espaços.
Contudo, Arramberri (1991), citado por Cave et al. (2008, pp. 235) afirma que “this market may be moving more in line with the mainstream tourists in respect to their accommodation demands, proposing that a greater degree of comfort is now sought than previously thought”.
As mudanças mais significativas na oferta de hostel dizem respeito a uma redução de densidade de camas nos dormitórios, maior oferta de quartos privados e instalações ensuite; uma diversificação de serviços incluídos, como cacifos no interior do quarto, lençóis gratuitos, pequeno-almoço (Cave e Ryan, 2005, Mohsin e Ryan, 2003, citados por Cave et al, 2008), contrariando o modelo básico e “standard” do hostel. A atribuição de novos rótulos aos hostels, nomeadamente “luxury hostels”, “boutique hostels” ou “design hostels” evidenciam o “upgrade” do desempenho das unidades hostel e
uma maior convergência entre unidades hostels e unidades bed and breakfast ou guesthouse.
Como refere Moisa (2010b, pp. 644) a oferta hoteleira de baixo custo tem inclusivamente ganho maior quota de mercado na procura turística jovem: “It’s interesting that even a proportion of respondents who checked-in at a hotel has increased, indicating a growing convergence between cheap hostels and hotels on the youth travel market”.
Nesta medida, estas alterações podem contribuir para uma descaracterização da oferta de hostel, através de uma progressiva perda de importância do elemento comunitário dos hostels, substituída por uma oferta mais individualizada, mais instalações privadas, tornando pertinente compreender qual o actual posicionamento e proposta diferenciadora das unidades hostel (O’Regan, 2010).