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2. Influence de la dilution sur la flamme non-pr´ em´ elang´ ee

2.2 R´ eponses de la flamme lors de l’ajout d’un diluant

2.2.1 Stabilisation

Para Barros (1997) as características da idade jovem, como o contacto fácil e a ansiedade de conhecer contêm um potencial turístico relevante e original, propício à valorização de experiências interactivas, ao envolvimento com o local visitado e a apreciação da componente de animação.

Segundo Ferreira (2009), o segmento turístico jovem encontra-se matizado em modelos de fruição turística diversificados, ressaltando as experiências turísticas que conferem novas competências para o turista, através de aprendizagens formais ou informais. “The desire of self-culture outside the educational environment created the premises of a new form of tourism – creative tourism – defined as being related with the participating activities within the culture of the host country through interactive workshops and informal learning experiences” (Moisa, 2010a, pp.579).

O plano turístico para o segmento turístico jovem “Inbound Youth Tourism Action Plan 2011-2014”, da região de Sidney e New South Wales, na Austrália, identifica três segmentos de visitantes internacionais relevantes: o segmento estudantil - “Student Travel & Education Market”, o segmento de jovens em busca de uma experiência profissional - “Working Holiday Makers –visa grants” e os turistas de recreio e lazer - “Young Independent & Adventurous Travelers (backpackers)”.

Segundo o relatório “Young Independent Traveler 2007”, em 2007 registou-se uma prevalência dos movimentos turísticos internacionais de recreio e lazer (79%), tendo os turistas mostrado interesse em “explorar outras culturas” (34%), “relaxar e diversão” (28%) e “visitar amigos e familiares” (17%). Mais de metade da amostra inquirida justificou a sua viagem como forma de progredir nos conhecimentos, experienciar o quotidiano, interagir com a população local, desfrutar do tempo livre, pela oportunidade de fazer novas amizades, visitar amigos, pela realização pessoal, ou para contribuir de forma positiva no local visitado (OMT, 2008).

Evidencia-se uma propensão para a socialização e a valorização de experiências partilhadas entre indivíduos com a mesma idade, ou com interesses em comum. A estruturação de produtos turísticos destinados a este segmento-alvo enfatizam, precisamente, os espaços sociais e as oportunidades de contacto. Contudo, Richards e Wilson (2003, pp. 2) notam no seu estudo “New Horizons in Independent Youth and Student Travel” que este comportamento difere com a idade: “younger travelers (under 26) place more emphasis on social contact and excitement, while slightly older travelers are seeking more individualized experiences, and are less in search for extreme experiences”.

Relativamente às actividades turísticas mais procuradas, Richards e Wilson (2006) destacam a preferência pela aventura e o risco, embora outros autores identifiquem motivações turísticas mais

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convencionais, ligadas à apreciação da cultura, história, ambiência local e procura de elementos de diversão (ver Tabela 5). “There is a growing importance of the tourism leisure activities aimed at young people with an active lifestyle and who are believers in original and authentic products” (Moisa, 2010a, pp.576).

Tabela 5 - Actividades preferidas nos destinos na viagem mais recente, 2007

Actividades %

Visita a atracções turísticas 46

Visita a atracções culturais (monumentos, galerias, museus) 45

Conhecer população local 45

Comer e beber 43

Visitar locais menos turísticos ou “off the beaten track” 37

Relaxar na praia 27

Festivais e eventos 25

Aprender uma língua 19

Hikking/trekking 19

Visitar amigos e familiares 18

Desporto (surf, ski, desportos aquáticos, etc) 16 Experiência de trabalho/ desenvolvimento de competências 10

Fonte: adaptado de OMT (2008)

O estudo da IPK “Youth Outbound Travel of the Germans, the British and French” (OMT, 2002) caracteriza o segmento turístico jovem dos três mercados emissores europeus que geraram mais receitas turísticas em 2002. Conforme a Tabela 6, os produtos turísticos sol e mar, city break, turismo rural/montanha/neve e o touring foram os mais procurados.

Tabela 6 - Distribuição da procura por produtos turísticos nos turistas dos 15-25 anos, em 2002

Type of holiday German British French

Sun, beach 40% 43% 37%

City Break 25% 19% 20%

Recreational holiday in countryside/mountains/snow 12% 15% 16%

Touring 5% 13% 19%

National holiday in the country 4% 0% 0%

Trip for a special occasion 3% 0% 7%

Sport 3% 0% 0%

Other 8% 10% 1%

Fonte: OMT (2002)

A permanência prolongada nos destinos de visita é uma das características dos movimentos turísticos do segmento jovem, sendo que em 2007 a duração média de viagem da amostra inquirida foi de 60 dias (OMT, 2008). Contudo, a representatividade deste indicador deve ser apreciada com alguma reserva, uma vez que resulta de um cálculo médio referente a deslocações com características muito diferentes entre si e, como anteriormente referido, no caso dos estágios profissionais não devem ser incluídas no seu cálculo.

As deslocações académicas, os estágios profissionais, as experiências de voluntariado e frequentação de cursos de línguas, naturalmente aquelas que exigem permanências mais prolongadas, originaram 21% do total de movimentos turísticos em 2007 (OMT, 2008). “The specific of youth travel is a longer

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period of stay associated with school vacations or, sometimes, with the periods of learning a foreign language, of the work and travel programs, etc” (Moisa, 2010, pp. 578).

Relativamente às viagens de recreio e lazer, 45% tiveram uma duração inferior a duas semanas e 25% entre 15 a 30 dias. Observou-se que 8% das viagens tiveram uma duração igual ou superior a seis meses, dizendo respeito a viagens realizadas durante o “gap year” (OMT, 2008). Segundo Ferreira (2009, pp. 273) o “gap year” corresponde a um período de habitualmente um ano, em que sobretudo os jovens na transição entre os ciclos de vida (da escola para a universidade ou da universidade para a vida activa) ocupam em projectos de valorização pessoal, incluindo viajar e participar em acções de voluntariado. Como refere, é “ uma tradição com forte implementação nos países anglo-saxónicos e que corresponde a um período “sabático” de aprendizagem, conhecimento individual e, por vezes, do mundo, através da realização de uma ou mais viagens (retomando assim algumas das premissas do “Grand Tour” do século XVIII)”. Segundo Moisa (2010a) este segmento turístico tem uma dimensão estimada de 1 a 1.5 milhões de chegadas por ano e a maioria das viagens é organizada individualmente.

Assim é possível constatar a polimorfia do turismo jovem, o que se reflecte em padrões turísticos muito heterogéneos.

Outra característica comportamental relevante é a sensibilidade ao preço, que se reflecte em gastos médios diários baixos. Embora a definição de “low budget” seja fundamentada com a utilização de critérios diferenciados, vários estudos empíricos evidenciam os gastos reduzidos: Richards e Wilson (2003) constataram que um terço da amostra de inquiridos gastou um valor inferior a 20 dólares por dia, Niggel e Benson (2008) referem que o “backpacker” na África do Sul gastou em média 19 libras, Labben et al. (2009) refere que 43% da amostra gastou um valor inferior a 100$ e segundo Moisa (2010a) o gasto médio por turista jovem é de 50$.

Tendo presente este facto, os meios de alojamento, transporte e a generalidade dos serviços turísticos orientados para o segmento jovem expressam uma lógica de preços condicionados. A prática de tarifas especiais para estudantes ou em função da idade, têm sido implementadas como salvaguarda da acessibilidade económica a bens culturais, históricos e naturais, que beneficiam também os turistas jovens nas suas deslocações (OMT, 2008). A utilização de descontos para estudantes é recorrente, tendo em conta que mais de metade da amostra ter utilizado o “International Student Identity Card” (ISIC), “International Youth Hostel Federation” (IYHF), “International Youth Travel Card” (IYTC), o “European Youth Card” (EYC), ou descontos locais. Segundo o mesmo estudo, a redução dos custos de viagem foi particularmente evidente no transporte aéreo (46%), transporte terrestre (43%) e no alojamento (40%). De referir outros esquemas tarifários, como o passe de comboio “EuroRail Pass” e os descontos em youth hostels, agências de viagens escolares, programas de voluntariado ou seguros de viagem (OMT, 2008).

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Moisa (2010b, pp. 644) identifica um comportamento discricionário nos gastos, coexistindo duas lógicas de consumo distintas, repartidas entre uma preferência predominante por opções económicas no alojamento turístico e no transporte e uma propensão para realizar gastos mais elevados em actividades recreativas e de entretenimento, “which means a large portion of the budget that is allotted to practice tourism is spent at local leval, having a positive impact over the local economy and community and not over large traders (for example, national or international hotel chains).

Conforme a Tabela 7, a distribuição de consumos turísticos evidencia uma contribuição quase tão relevante dos gastos em “alimentação e bebidas” ou “actividades e entretenimento” com as despesas realizadas em “alojamento”.

Tabela 7 - Distribuição das despesas na viagem mais recente, em 2007

Despesa %

Transporte até ao destino 31,5

Alojamento 18,1

Alimentação e bebidas 15,1 Actividades e entretenimento 11,2 Transporte entre destinos 9,5

Comunicação 4,1

Outro 10,6

Fonte: OMT (2008)

A preparação da viagem é influenciada principalmente pelo “preço”, a “qualidade de informação e dos serviços oferecidos” e a “reputação e qualidade do produto”. A moda e a preferência por serviços e produtos que sejam positivamente percepcionados e globalmente aceites, os juízos produzidos por terceiros, nomeadamente amigos próximos ou divulgados através de redes sociais, blogs e páginas de internet, são muitos influentes nos consumos turísticos do segmento jovem (OMT, 2008).

O “hostel” foi o meio de alojamento mais frequente na amostra, observando-se ainda o “hotel” e “casa de amigos e familiares”, como opções relevantes para mais de metade da amostra (ver Tabela 8).

Tabela 8 - Meios de alojamento utilizados na viagem mais recente, em 2007

%*

Hostel 61,5

Hotel 47,6

Casa de amigos e familiares 36,1 Guesthouses, pensões, etc 19,9 Bed&Breakfast ou quarto privado 18,9 Campismo/Caravanismo 12,1 Alojamento “self-catering” 11,5

Outro 12,6

Fonte: OMT (2008)

*A soma das percentagens não é 100% uma vez a uma pergunta permitiu mais do que uma resposta

Para Horak e Weber (2000), citados por Labben et al. (2009) a escolha do meio de alojamento reflecte perfis turísticos distintos, pois os turistas jovens que optam por estabelecimentos hoteleiros não diferem muito de outros segmentos turísticos, em termos de despesas e comportamento; os turistas que ficam hospedados em hostels minimizam as despesas de alojamento e realizam gastos superiores em

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serviços turísticos locais e procuram experiências sociais marcantes; os turistas que pernoitam em casa de amigos e conhecidos valorizam essencialmente o contacto com amigos e conhecidos. Por isso “the travelling style of young people tends to have a big impact over the choice of accommodation” (Moisa, 2010b, pp. 644).

Moisa (2010a) constata que as despesas em alojamento turístico são mais reduzidas que por comparação a outros segmentos turísticos. A preferência por opções de alojamento gratuito ou de tarifas reduzidas, que implicam uma dispensa de conforto e de privacidade, traduz-se numa maior afectação do orçamento de viagem a outros aspectos que não o transporte e alojamento, no acesso a mais destinos, visitas mais prolongadas ou mais regulares, o que não seria possível com outro nível de preços. Moisa (2010b, pp. 644) acrescenta que “those who are lodged in dorms for backpackers are motivated by the search of thrills and adventures and by the desire to socialize with their travel companions”.

A internet é a principal fonte de informação na preparação da viagem, seguida da opinião de amigos e familiares, bem como o site oficial dos destinos turísticos.

Tabela 9 - Fontes de informação consultadas para a viagem mais recente, em 2007 Fonte de informação %

Internet 80

Família e amigos 70

Site oficial de turismo/balcão turismo 55

Agência de viagem 43

Guia turístico 38

Visita anterior 29

Brochuras de operadores e sites 15 Fonte: Adaptado de OMT (2008)

A elevada propensão para a utilização da internet torna este segmento um dos mais preparados a aderir as novas formas de e-commerce e marketing digital, utilizar “rating systems” e “reviews” disponíveis nos canais de reserva virtuais, que aumentam a segurança nas decisões de compra turística dos potenciais turistas.

Segundo o estudo “New Horizons in Independent Youth and Student Travel”, com base numa amostra de 2.300 respondentes, em 2002 cerca de 65% da amostra realizou a reserva da viagem através de uma agência de viagens, ainda que se tenha constatado que “as they get older, they tend to prefer making their own travel arrangements rather than using travel agencies” (Richards e Wilson, 2003, pp. 3). Em 2007 a utilização de agências continuou a ser predominante, contudo menos importante no transporte terrestre (46,8%), o alojamento (46,4%) e cursos de línguas (47,8%), onde é favorecida a compra directa. Ainda assim, as agências de viagens são particularmente relevantes em nichos de mercado orientados para viagens “backpacker”, programas de voluntariado, intercâmbios escolares (OMT, 2008).

49 2.3.3. A cadeia de valor do turismo jovem

Como refere Cunha (2007), as organizações voluntárias que surgiram em força essencialmente depois da II Guerra Mundial, destinadas a promover actividades e programas de viagens para jovens na vertente do turismo social, contribuíram para estabelecer as bases da mobilidade turística jovem. A crescente importância do segmento turístico jovem esteve justaposta à relevância do papel das organizações internacionais envolvidas no âmbito do turismo juvenil (ver Anexo 3).

A World Youth and Student Educational Travel Confederation (WYSE TC) é, desde 2006, a maior organização internacional de agentes do sector do turismo jovem, resultando da fusão da International Student Travel Confederation (ISTC) com a Federation of International Youth Travel Operators (FIYTO). Apresenta como missão:

“To foster educational, cultural and social travel for young people; to develop mutual understanding and co-operation among members, including national youth travel organizations; to take all possible steps to help with the development of youth travel organizations in countries where development has been delayed” (UNESCO, disponível em http://erc.unesco.org/ong/en/directory/ONG_Desc.asp?mode=gn&code=959)

Em 2012 conta com 600 membros de 120 países, em diferentes áreas: coordenação de descontos para jovens e estudantes através do Cartão Internacional de Estudante, programas de estágios internacionais e de intercâmbio, coordenação de acordos tarifários para transportes (companhias aéreas e comboio), seguros de viagem e alojamento turístico (OMT, 2012).

A quantificação e delimitação da oferta turística jovem podem ser complexas devido à sua dispersão, sendo uma constelação de instituições, organismos e empresas, cujo funcionamento é por vezes marginal à indústria turística. Segundo o relatório “Youth Industry Travel Monitor”, publicado pela da WYSE TC (2009), a distribuição da amostra de 48 respondentes da indústria turística jovem permite obter um valor de referência da representatividade das diferentes áreas:

Tabela 10 - Composição da indústria do turismo jovem

Respondents by sector %

Work Experience 30%

Youth Travel Accommodation 23%

Language Study 15%

Au Pair 17%

Retail Youth & Student Travel Services 13%

Insurance 2%

Fonte: WYSE TC (2009)

Deste modo, a actual indústria do turismo jovem espartilha-se por um conjunto vasto de intervenientes, mais complexo que o modelo do turismo social, baseado em exclusivo na oferta de albergues de juventude e políticas de desconto para transportes e actividades. Hoje, para além de beneficiários de medidas sociais, os jovens são um segmento turístico relevante à escala internacional e um crescente dinamizador do sector privado turístico.

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Assim, torna-se premente a realização de pesquisas de mercado que permitam identificar as necessidades e preferências deste segmento recente, para que estes possam definir estratégias que vão além de criar as condições de base, mas visem uma estruturação da oferta, o estímulo empresarial para a concepção de produtos turísticos, bem como a sua promoção e distribuição.

A OMT (2005, pp. 112) refere o âmbito de actuação das agências nacionais de turismo: “The basic areas of product development for student and youth tourism are: accommodation (particularly the development of youth hostels; cultural routes; information services; tour packages; discount programmes” (OMT, 2005, pp. 112).

O potencial de crescimento para o segmento de turistas que ainda não concluíram a formação escolar contribuirá para uma maior heterogeneização e complexificação da sua cadeia de valor. As universidades que acolhem e promovem intercâmbios académicos, as escolas de línguas, as entidades de coordenação de estágios (incluídos na indústria turística jovem) e associações “Au Pair”5 são assim agentes que integram a cadeia de valor do turismo jovem. Recordando o documento publicado pela OMT (2012, pp. 5) “The Power of Youth Travel”, “Travel is no longer solely dependent on infrastructure of the old economy –airline seats, hotel beds and travel agents’ shelves. We are entering a new, flexible, networked economy in which ICT, local culture and society, education, work and play become part of the tourism value chain” (ver Anexo 4).