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SUR LA VIOLATION ALLÉGUÉE DE L’ARTICLE 11 DE LA CONVENTION

GRIEFS

C. Le droit international

I. SUR LA VIOLATION ALLÉGUÉE DE L’ARTICLE 11 DE LA CONVENTION

Para explicar o processo de mudança e adaptação estratégica da Treter faz-se necessário a identificação dos eventos críticos mais relevantes. De acordo com Jaques (apud SALAMA, 1994), para entender a situação atual de uma organização é necessário considerar a dinâmica de certos eventos históricos importantes na vida das empresas; eventos estes, que deixaram marcas definitivas na configuração presente.

Para tanto, é pertinente realizar um apanhado acerca dos primeiros movimentos e eventos que auxiliam na formatação do contorno histórico da Treter Materiais e Serviços para Revestimento, no sentido de estabelecer um paralelo que contribuirá no entendimento da evolução da organização.

A empresa teve início sob o nome de Estofaria König e Treter, administrada por um membro da família König e um da Treter, que eram cunhados. König aprendeu as técnicas de estofaria em Ijuí/RS, onde residia. Quem o ensinou foi um imigrante alemão, que trouxe estes conhecimentos técnicos da Alemanha. O filho de Treter iniciou suas atividades como estofador com o pai e o tio em 1952, na empresa instalada em Santa Rosa – RS. Foi nessa pequena estofaria, que o filho (segunda geração da família Treter) aprendeu os primeiros passos da profissão. A partir de 1967, com a morte de König, entram como sócios, junto com seu pai, o filho que trabalha na empresa e uma de suas irmãs.

Figura 6: Fotografia dos funcionários da König e Treter, em agosto de 1965, apreciando a neve que caiu em Santa Rosa.

Fonte: Reportagem Jornal Noroeste de Santa Rosa ( outubro de 2009)

Em 1971 a empresa se instalou em novo endereço, na rua Guaporé, onde encontra-se até os dias atuais, denominando-se Estofaria Treter Ltda. Na época da morte de König a empresa encontrava-se descapitalizada e se buscou um sócio externo da família que ficou nessa empresa durante 16 anos: de 1972 à 1987. Nesse período a empresa começou a comercializar tecidos para revestimentos de sofá, apesar de uma pequena variedade de materiais. Também se iniciou a venda de materiais em atacado para outros estofadores.

Figura 7: Fotografia da empresa quando se mudou para a Rua Guaporé em 1971 Fonte: Reportagem Jornal Noroeste de Santa Rosa (outubro de 2009)

Após o período de 16 anos ocorre uma ruptura na sociedade e nesse momento a esposa do filho Treter entra em cena para assumir a parte administrativa e de vendas da empresa. Em 1982 falece o último fundador da empresa, o patriarca Treter e sua parte na empresa é dividida entre os filhos que já estão na sociedade. Porém a filha nunca atuou na empresa. Em 1987 a empresa encontrava-se numa grave crise econômica, devido à problemas de gestão a empresa passou não ter mais crédito no mercado, além de estar totalmente descapitalizada. Quando a cônjuge entrou na empresa, também se compõe uma outra sociedade com mais um integrante da família, esposo de uma prima da família Treter, que permanece na empresa somente um ano. A parte societária desse sócio é comprada pelo casal Treter em 1988.

No período de 1988 a 1990 priorizou-se o pagamento das contas, para fortalecer a empresa e manter a sua sobrevivência. Em 1990 começou-se a se trabalhar com a montadora Ioschpe Maxion (atual AGCO) fazendo peças seriadas para as colheitadeiras que auxiliou no equilíbrio financeiro da organização. Em 1999 houve a compra da primeira máquina de solda eletrônica, aumentando a fabricação de peças seriadas (em lonas plásticas) para a montadora. Anteriormente as peças eram feitas somente com lonas enceradas que eram costuradas em máquinas de costura industrial.

Até 1995 a empresa se fortalece, repõe estoques, diversifica materiais, porém um período lento de ajustes, em função da falta de capital de giro. Nessa época o forte de materiais e serviços era a área automotiva: sofá-cama, cortinas, tapetes. Também se inicia o trabalho com materiais residenciais de forma mais intensa, os primeiros representantes comerciais de indústrias grandes começam a visitar a empresa e alavancar a venda de tecidos neste segmento.

Em 1994 entra a filha caçula do casal que passa a atuar como funcionária na área administrativa. Em 1997 até 1999 instalou-se uma crise séria na agricultura da região, baixando assim, a produção da montadora que a Treter atendia, mas que se refletiu no mercado em geral. Na época houve a falência de algumas metalúrgicas que terceirizavam peças para a montadora.

Em 1999 a filha assume uma nova função na empresa. Entra um estagiário que começou a desenvolver atividades relacionadas a banco e cobrança que até então era uma de suas responsabilidades. Nesse ano, a filha começa a definir um novo lugar na empresa com

propostas de um novo logotipo, projeto de lay-out da loja com balcão de atendimento mais moderno. Compra-se o primeiro computador da empresa para a emissão do cupom fiscal. Começaram a ser fazer melhorias na estrutura da empresa e o início do processo de informatização. A herdeira começa a trabalhar na gestão com os pais, quando em 2002, compra a fatia da sociedade de sua tia. A integrante da empresa da terceira geração que estava cursando Administração buscou sempre trazer ideias inovadoras e modernizar a empresa tanto na melhoria da estrutura como no atendimento. Porém na busca de inovação havia muitos conflitos com o pai que considerava sempre desnecessárias as mudanças.

No período de 2001 à 2003 contrata-se um consultor para atuar na área financeira auxiliando na informatização do caixa, planilhas para orçamentos de vendas e indicadores financeiros; pois não havia indicadores de quanto se faturava, não se viam os resultados financeiros e econômicos e nem a taxa de retorno de investimento. Definiram-se indicadores para monitorar a gestão, implementação do sistema de custos e vendas, margem de contribuição e relatório. Foram planejadas as primeiras estratégias de ação da empresa na busca de uma maior demanda e redução de custos fixos. Em 2001 houve uma nova crise no agronegócio em função de um cancelamento de um grande pedido da montadora de máquinas que seriam exportadas para os Países Árabes, desaquecendo o mercado regional e envolvendo toda a produção dos terceirizados.

Em 2004 entrou na empresa uma sobrinha da família que assume a gerência da produção e a área de gestão de pessoas. No mesmo ano com o objetivo de melhorar a qualidade e a organização interna da empresa foi contratada uma consultoria externa que auxiliou na implementação do Programa de Qualidade 8’S. A empresa apresentava uma produção precária tanto em nível estrutural como de organização. A parte administrativa que envolvia o comércio, a loja e o atendimento ao cliente já haviam sido remodelados, porém ainda necessitavam de alguns ajustes em nível de processos e indicadores. O trabalho iniciou em abril de 2004, pai e filha se envolveram na implementação do programa, que foi coordenado pela sobrinha conjuntamente com outros colaboradores que alavancaram o processo.

Figura 8: Fotografia da produção após a implementação do Programa 8’S Fonte: Reportagem Jornal Noroeste de Santa Rosa (outubro de 2009)

Em 2005 a cônjuge se afasta de suas atividades na empresa e a filha assume integralmente a gestão, com o auxilio da prima e do pai. Em 2005 ocorre uma nova crise econômica no agronegócio de cenário regional desacelerando os serviços, ocasionando a demissão de colaboradores. Em julho desse ano acontece o fechamento do Programa 8’S, após duas etapas de CCQs que reorganizou toda a produção com a confecção de novas mesas, organização de bancada de ferramentas, cadeiras novas e ergonômicas etc.

O ano de 2005 foi um ano de baixo retorno financeiro para a Treter, mas mesmo assim, em 2006 ocorre a entrada de um novo consultor que atua até o momento na área financeira e uma consultora na área de gestão de pessoas desenvolvendo uma política de cargos e salários e a criação e implementação de avaliações de desempenho e o monitoramento do mesmo através do Índice de Desenvolvimento Humano (IDP).

No ano seguinte, em 2007, iniciam-se as negociações e as primeiras produções de peças seriadas para a John Deere. Também ocorre a compra da segunda máquina de solda, que ocasiona uma reforma estrutural na produção para introduzir esse novo equipamento. Em 2007 uma nova proposta de gestão se estabelece com a implantação do Programa de Participação dos Resultados (PPR) e a proposta de metas bonificadas. Neste ano o pai adoece e se afasta da empresa.

No ano de 2009, novas definições para a Treter quando ocorre o incremento da produção das peças seriadas da Agco (antiga Ioshpe Maxion) e John Deere. Houve a compra de três máquinas de costura industrial, porém a crise econômica mundial com a falência de vários bancos nos EUA e na Europa afeta o mercado que fica paralisado durante o primeiro semestre deste ano. Porém, 2009 foi um ano importante para a Treter que troca de nome: de Estofaria Treter para Treter Materiais e Serviços para Revestimentos na busca do incremento da venda de materiais para empresas da região no segmento de revestimento aumentando seu portfólio de produtos e materiais.

Em 2010 a empresa se programou para fazer mudanças de lay-out na produção, devido ao aumentou significativo da demanda das montadoras, mudando o sistema de produção para fluxo contínuo. A empresa começa então, a trabalhar em dois segmentos: os seriados e os não seriados: a fabricação sob encomenda. Também foi adquirida uma nova máquina de solda eletrônica devido ao incremento da produção. Um site da empresa foi desenvolvido com o seguinte endereço: www.treter.com.br.

Figura 9: Fotografia da atual fachada da empresa

Fonte: Reportagem Jornal Noroeste de Santa Rosa (outubro de 2009)

Mediante a descrição histórica da organização em estudo, pode-se realizar uma análise mais profunda dos quatro períodos estratégicos e os eventos críticos que seguem no quadro número cinco:

Períodos Estratégicos Eventos Críticos Relacionados

I 1987 Fim de uma sociedade de 16 anos

Sérias dificuldades financeiras. Entra novo sócio (esposo da prima)

II 1988 à

1989 Sai sócio Pagam-se as contas

Entra como sócia da empresa a cônjuge Período 1

Ruptura e Tempos Difíceis (1987 – 1990)

III 1990 Coloca-se a empresa em ordem financeira. Começa-se a fabricação de peças seriadas para Ioschpe Maxion( atual AGCO) Período 2

Nova Composição Organizacional e Sangue novo

(1991 – 1995)

IV 1992 à 1995

Retomada do mercado, fortalecimento organizacional

Entra na empresa a filha caçula

V 1997 Crise na agricultura

VI 1999 Compra da primeira máquina de solda eletrônica

Mudanças no lay-out e fachada da loja Filha entra na gestão conjuntamente com os pais.

2001 Contrata-se o primeiro consultor financeiro da empresa

Crise no agronegócio mundial Período 3

Período de Mudanças e Novos Formatos

(1996 – 2002) VII

2002 Herdeira compra a parte societária da tia VIII 2004 Entrada de mais um membro da família

(sobrinha) na empresa.

Implementação do Programa de Qualidade 8’S

IX

2005 Saída da cônjuge da empresa (aposentadoria)

X 2006 Entrada de dois novos consultores XI 2007 Inicio da negociação com a John Deere

Compra da segunda máquina de solda eletrônica

Saída do pai da empresa Implantação do PPR na gestão Período 4

Conquista de Novos Horizontes e Mudança Estratégica

(2003 – 2009)

XII 2009 Crise econômica EUA e Europa

Incremento da fabricação em escala das peças seriadas John Deere e AGCO. (segundo semestre)

Compra de máquinas de costura industrial. Estudos para mudança de lay-out da produção e mudança nos processos industriais

Mudança de nome da empresa de Estofaria Treter para Treter Materiais e Serviços Para Revestimentos

Saída da sobrinha da empresa

Quadro 4: Períodos Estratégicos e eventos críticos da Treter. Fonte: Winter, Sausen, 2010.

Partindo da descrição dos períodos estratégicos e os eventos críticos relacionados à história organizacional, realizou-se a análise de cada período, utilizando-se de abordagens teóricas que promovem uma melhor explicação das mudanças estratégicas ocorridas. Também será utilizado o modelo de análise do processo de mudança segundo Pettigrew, Ferlie, McKee (1992).