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VERWERVEN EN ONDERHOUD

Dans le document 2005 - 2006 2005 - 2006 (Page 121-124)

As repercussões da entrada no movimento hip hop para jovens mulheres indica uma forte mudança no modo de entender os problemas enfrentados, a consciência social, no enfrentamento às desigualdades entre homens e mulheres, considerando o campo das possibilidades subjetivas, políticas e culturais desse contexto. Há uma forte identificação e reconhecimento com o coletivo do Movimento, após a inserção há um sentimento de fazer parte daquele grupo e se criam laços de amizade bastante intensos.

Os discursos sobre os significados que o Movimento Hip Hop tem para a vida das participantes revelam um forte comprometimento e identificação com o Movimento, esse parece fazer parte da sua construção subjetiva e identitária. A ligação é de tal forma que elas são unânimes em apontar a permanência do Hip Hop em suas vidas, mesmo que não estejam trabalhando com isso, ainda estarão fazendo parte do movimento como público que consome a cultura Hip Hop.

O envolvimento com o hip hop parece ser de tal forma intenso que as entrevistadas relatam que devido às dificuldades mesmo tendo que parar, permanecem envolvidas com o elemento, devido à relação afetiva com o Movimento.

Com relação à diferença que o hip hop fez em suas vidas, todas as entrevistadas são unânimes em apontar a grande diferença que a participação do movimento fez em suas vidas, essas mudanças estão relacionadas à: gosto musical, visão de mundo, o rap produzido por mulheres alertar para a não aceitação da opressão e da desigualdade vivida por mulheres; conhecimento de novas informações, passando o movimento a ser uma referência na vida dessas jovens.

 Repercussões para Família e Amigos

Durante o período da juventude as relações sociais que os jovens estabelecem no seu cotidiano vão demarcar aquilo que é identitário, influenciando na construção de sua subjetividade. As identificações e afastamentos são inevitáveis. Segundo Castro (2006, p.438), “os jovens sabem da diversidade que podem encontrar no espaço urbano e alteram constantemente seus pontos de vista sob diferenças e semelhanças, construindo a partir dos encontros suas identificações”.

Algumas pesquisas (CASTRO, 2006; MAGNANI, 2005), indicam que as relações intrageracionais são muito mais presentes na juventude, onde se é permitido ao indivíduo sair do ciclo familiar e se relacionar mais com seus pares, com pessoas da mesma idade. Os jovens, então, se organizam em grupos buscando uma demarcação e sustentação identitária.

Na mesma direção destaca Zanella, Lessa e Da Ros (2002) quando afirmam que vivemos numa sociedade instável e como consequência disso, as relações sociais sofreram significativas mudanças, assim como os sujeitos que são considerados produto e produtores da cultura. Nesse sentido, as relações entre os sujeitos e o grupo são mútuas e marcadas por suas histórias e pelos lugares que ocupam no contexto social, histórias e lugares esses em constante transformação.

É, pois no contexto das relações sociais que a constituição dos sujeitos acontece, sendo esta resultante da apropriação da cultura em seus diversos aspectos. Essa apropriação, por sua vez, é marcada pelas características dos grupos sociais dos quais os sujeitos fazem parte/participam e dos lugares sociais que ali assumem (ZANELLA; LESSA; DA ROS; 2002, p. 213).

Quanto ao conceito de relações sociais, corroboramos com Zanella e Pereira (2001), segundo as quais, trata-se do encontro de diferentes sujeitos em diversos espaços sociais, relação essa estabelecida com a cultura humana, com a história e com os seus agentes produtores e transformadores.

Nesse sentido, a rede de relações estabelecida com a família e com os amigos vão contribuir na construção das subjetividades dessas jovens, por isso que a opinião das família e dos amigos sobre a participação no Movimento Hip Hop é importante para entender os discursos presentes em seu contexto sobre o hip hop.

Com relação à família, a maioria das entrevistadas revela que suas famílias tiveram um receio inicial pela participação delas no hip hop, esse receio está relacionado ao estereótipo do movimento como algo de marginal, e ser, portanto, perigoso; aos perigos relacionados à suposta fragilidade feminina frequentando lugares de periferia à noite, horário em que são realizados a maioria dos eventos; a falta de perspectiva de retorno financeiro. Apenas uma das entrevistadas, que tem um tio que já participou do movimento em um momento passado, disse que sua família sempre a incentivou.

Nesse cenário, podemos perceber que o discurso que a família adere é aos discursos hegemônicos do Movimento Hip Hop como um movimento de juventude

marginalizada de periferia relacionando juventude à violência, da dicotomia público/privado sendo reservado á mulher o espaço privada e, portanto, frequentar um movimento que ocupa o espaço público traz perigos à mulher, e o discurso do dinheiro dentro da lógica do poder capitalista, se o trabalho não lhe remunera o suficiente ele não serve, portanto o Movimento Hip Hop é algo que não traz perspectiva de um bom futuro porque não existe retorno financeiro, novamente a questão do trabalho aparece como fator importante para influenciar as trajetórias de vida.

Apesar do pouco apoio familiar, as jovens permaneceram participando do Hip Hop e revelam o estabelecimento de laços fortes de amizade construídos nesse contexto. Com relação ao apoio dos amigos, as entrevistadas falam que muito desses amigos também fazem parte do movimento e apoiam, nesse sentido fazer parte do Movimento lhe dá uma visão diferente do que é o Movimento comparando a visão daqueles que não fazem parte. Esses laços de amizade construídos dentro do Movimento são relatados como laços de irmandade.

Pensando um pouco sobre as palavras (gírias) que os participantes utilizam para se referir uns aos outros, os manos e as minas e os significados desses termos. Ficamos refletindo sobre esse jogo de palavras também indicar uma desigualdade de gênero, uma vez que o termo mano seria uma abreviação da palavra que vem do español hermano, irmão, que para os participantes significaria aquele que é meu companheiro, meu grande amigo, indiciando uma relação de fraternidade; já mina, seria uma abreviação de menina, de criança, aquela que inspira cuidados. Assim, o homem é aquele que é meu companheiro e a mulher aquela que está sob minha guarda, sob meus cuidados.

 Movimento Hip Hop Pernambucano

O Movimento Hip Hop é relatado como um contexto de intensa atividade cultural e permeado por relações fortes de fraternidade, de identificação, de reconhecimento entre os participantes. O surgimento do Hip Hop Pernambucano é descrito como um movimento que se expande em Recife através de vídeos de break, no entanto não há uma certeza sobre como foi exatamente o seu surgimento, mas alguns nomes são citados como responsáveis pela divulgação inicial do rap: Nelson Triunfo, Zé Brown e o grupo Faces do Subúrbio.

Os discursos sobre o Movimento indicam uma predominância masculina desde o surgimento do movimento o que nos leva a questionar em que medida as mulheres não estavam presentes no início do Movimento em Recife ou elas estão invisibilizadas pela história construída e suas participações tanto como público como na produção ativa dos elementos ligados ao Hip Hop não tem sido considerada.

Atualmente o Movimento integra vários grupos de diferentes elementos e estilos de rap, durante o ano ocorrem vários eventos em diferentes espaços da cidade. Esses grupos tanto se unem para a realização e participação de eventos, como também disputam espaços políticos dentro do Movimento.

Nos discursos das jovens há uma diferença quanto a percepção do momento atual do hip hop na cidade. Para duas participantes que estão a mais tempo no movimento (com relação as outras duas), entendem que o hip hop está passando por um bom momento, com um público diverso, com vários eventos e estando presente na mídia, o que é encarado como algo bom. Já para duas participantes um pouco mais novas, mais eventos poderiam ocorrer, o público que frequenta os espaços do hip hop é concentrado por participantes e alguns poucos familiares, não há um apoio por parte das autoridades governamentais e a desunião entre os grupos de hip hop também dificulta a expansão do Movimento.

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