IV. Techniques de miniaturisation des antennes
IV.2. Utilisation de matériaux
Ao longo dos anos, a sociedade foi sofrendo várias alterações nomeadamente a nível económico e social. As revoluções industriais constituíram um marco importante no que respeita à educação, uma vez que foi a partir desse momento que as mulheres deixaram os seus lares e passaram a aceder ao mercado de trabalho (Azevedo, 2011). A figura feminina passou assim a exercer um papel mais ativo na sociedade deixando de se dedicar exclusivamente a tarefas domésticas e à educação dos seus filhos, netos ou sobrinhos. Perante essas mudanças sociais, as famílias sentiram necessidade de procurar locais seguros, como por exemplo creches, onde pudessem deixar as suas crianças aos cuidados de alguém em quem confiassem. No entanto, relativamente a este aspeto, é de destacar que enquanto, outrora, aquando do aparecimento do contexto educativo referido, as creches eram uma realidade e uma necessidade que apenas era usufruída por pessoas que possuíam um elevado estatuto na sociedade, nos dias de hoje assistimos a uma procura cada vez maior por parte de toda a população, uma vez que a maioria dos pais, bem como grande parte dos familiares mais diretos das crianças, tais como, avós e tios trabalham fora da casa. Atualmente, “a creche é uma realidade e uma necessidade para muitas famílias” (Portugal: 2000:85), uma necessidade emergente para toda a população.
Será a creche apenas, um local que visa auxiliar os pais e/ou familiares na prestação de cuidados?
34 um equipamento de natureza socioeducativa, que acolhe crianças até aos três anos de idade, e que visa apoiar a família, mas também a criança que está inserida no contexto educativo (portaria n.º 262/2011 de 31 de agosto).
Assim, a creche tem como intuito:
a) “Facilitar a conciliação da vida familiar e profissional do agregado familiar;
b) Colaborar com a família numa partilha de cuidados e responsabilidades em todo o processo evolutivo da criança;
c) Assegurar um atendimento individual e personalizado em função das necessidades específicas de cada criança;
d) Prevenir e despistar precocemente qualquer inadaptação, deficiência ou situação de risco, assegurando o encaminhamento mais adequado;
e) Proporcionar condições para o desenvolvimento integral da criança, num ambiente de segurança física e afectiva;
f) Promover a articulação com outros serviços existentes na comunidade.”
(Artigo 4º, Portaria nº 262/2011 Diário da República, 1.ª Série – N.º 167 - 31 de agosto de 2011)
Mas, para que os objetivos referenciados precedentemente sejam concretizados é essencial a elaboração de um projeto pedagógico – “um instrumento de planeamento e acompanhamento das atividades desenvolvidas em creche”. Este documento é elaborado por equipa técnica e inclui: “o plano de atividades sociopedagógicas que contemplam as ações educativas promotoras do desenvolvimento global das crianças, nomeadamente motor, cognitivo, pessoal, emocional e social; bem como o plano de informação que integra um conjunto de ações de sensibilização das famílias na área da parentalidade” (Artigo 6º, Portaria nº 262/2011 Diário da República, 1.ª Série – N.º 167 - 31 de agosto de 2011).
Neste sentido, e com o intuito de responder aos objetivos supramencionados, a creche deve promover um conjunto de atividades e serviços, tais como:
a) “Cuidados adequados à satisfação das necessidades da criança;
b) Nutrição e alimentação adequada, qualitativa e quantitativamente, à idade da criança, sem prejuízo de dietas especiais em caso de prescrição médica;
35 d) Atendimento individualizado, de acordo com as capacidades e competências das
crianças;
e) Atividades pedagógicas, lúdicas e de motricidade, em função da idade e necessidades específicas das crianças;
f) Disponibilização de informação, à família, sobre o funcionamento da creche e desenvolvimento da criança.”
(Artigo 5º, Portaria nº 262/2011 Diário da República, 1.ª Série – N.º 167 - 31 de agosto de 2011)
Perante isto, podemos dizer que a creche não é um lugar onde as crianças são “depositadas” (Rizzo, 2000) e onde os educadores têm a responsabilidade de as “guardar” (Portugal, 1999). Relativamente a este aspeto, há que destacar que entre a sociedade, por vezes, ainda subjaz a ideia de que o trabalhar em creche é “tomar conta” de crianças e que, por isso o trabalho do educador é o de alimentar, mudar fraldas e acarinhar as crianças (Portugal, 2017), mas “o tempo de creche é muito mais do que cuidados ou um mero atendimento custodial” (Portugal, 2000:89). Pois se o nosso objetivo é proporcionar às nossas crianças um ambiente de qualidade, capaz de promover o desenvolvimento e aprendizagem da criança, é importante termos em conta o que os bebés e crianças necessitam e, segundo Portugal (2000:89) o que elas precisam é de “atenção às suas necessidades físicas e psicológicas; uma relação com alguém em quem confiem; um ambiente seguro, saudável e adequado ao desenvolvimento; oportunidades para interagirem com outras crianças; e liberdade para explorarem
utilizando todos os seus sentidos.”
Assim sendo, para se ser educador não basta “gostar-se de crianças e ser-se carinhoso” (Portugal, 2000:103). Cuidar de crianças pequenas implica também possuir conhecimentos e formação acerca do seu comportamento, bem como sobre as experiências de aprendizagem e desenvolvimento que podem ser proporcionadas (Portugal, 1999).
Neste sentido, podemos concluir que:
“O educador deve ser alguém que permite o desenvolvimento de relações de confiança e de prazer através da atenção, gestos, palavras e atitudes. Deve ser alguém que estabeleça limites claros e seguros que permitam à criança sentir-se protegida de decisões e escolhas para as quais ainda não suficiente maturidade, mas que ao mesmo tempo permitam o desenvolvimento da autonomia e autoconfiança sempre que
36 possível. Deve ser alguém verbalmente estimulante, com capacidade de
empatia e de responsividade, promovendo a linguagem das crianças através de interações recíprocas e o seu desenvolvimento sócio emocional” (Portugal, 1999:198).
Para finalizar este capítulo é importante salientar que, a creche deve ser entendida como contexto concebido para proporcionar condições ótimas capazes de potenciar e estimular um desenvolvimento físico e psicológico, com base nas necessidades físicas, biológicas, sociais, intelectuais e afetivas das suas crianças (Rizzo, 2000), pois tal como defende Portugal (s.d.) se as necessidades das crianças forem garantidas, a criança sentir-se-á emocionalmente bem e, por isso estará predisposta para se envolver em atividades e situações potenciadoras de desenvolvimento e aprendizagem.