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– Utilisation de diagrammes à tiges et à feuilles comme diagrammes

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Utilisation de diagrammes à tiges et à feuilles comme diagrammes

Exemple 6 – Utilisation de diagrammes à tiges et à feuilles comme diagrammes

No mundo da tradutologia (chamarei assim a ciência da tradução), alguns aspectos novos foram introduzidos nos últimos 30 anos, inclusive o reconhecimento da tradução como ciência e disciplina. Todavia isto não quer dizer que os fundamentos foram somente agora dispostos. Ao observarmos o passado, veremos nitidamente os alicerces estabelecidos ao longo dos tempos.

A tradutologia não é estática. Ela sofreu mutações ao longo dos séculos e continua sendo motivo de aperfeiçoamentos em diversos aspectos. E tais estudos tradutológicos não se restringem a um seleto país ou região. Estão espalhados ao redor do mundo. Para a realização de minha dissertação, fui direcionado a escolher a teoria tradutória, ou as teorias, que melhor servissem ao meu intento tradutório. Havendo escolas e pensadores em todos os continentes, encontrei um pesquisador que não faz parte da Escola americana ou francesa, que sempre foram tidas como referência nessa área. Seu nome é Peeter Torop. Ele é um estudioso da Universidade de Tartu, na Estônia. Esta Universidade também passou a ser uma referência em questões de tradução, não apenas regionalmente, mas em todo o mundo. Torop herdou a cátedra de seu professor Jurij35 Lotman no Departamento de Semiótica. Lotman é herdeiro, se assim puder ser dito, do Formalismo russo, que por sua vez advém do Estruturalismo de Jakobson.

No ano de 1995, Torop escreveu um livro, intitulado Total’nyj

perevod, ou seja, "Tradução total"36. É um trabalho de aspecto descritivo sobre as traduções feitas ao redor do mundo. Por ser repleto de informações que extrapolam as minhas aspirações nesta dissertação, valer-me-ei especialmente da parte em que Torop processa uma

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Muitas vezes escrito JUrij quando o numeroso alfabeto cirílico é transliterado para o alfabeto latino, permitindo duas iniciais maiúsculas, o que pode ocorrer com JA e JU (TOROP, 2000: 9).

36 Este livro foi traduzido do original em estônio para o italiano por Bruno Osimo e editado em

novembro de 2000. O livro em italiano La traduzione totale está gratuitamente disponível na internet no site <http://courses.logos.it> e, por não possuir paginação no formato virtual, a forma mais fácil de levar o leitor ao texto citado é mencionar a próxima nota, ou seja, o trecho copiado encontra-se em algum lugar antes da nota de referência citada. Há também uma edição do livro em inglês.

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classificação das traduções encontradas. Ele as chama de tipos de tradução, mas como existe o mesmo título para um outro aspecto do processo tradutório, abordado aqui em 3.2, eu preferi denominá-las de categorias. São justamente essas categorias que me interessam no exercício tradutório.

O título do livro “Tradução Total” pode sugerir uma má interpretação, haja vista que oferece a noção de que a tradução pode ser total ou completa. Na realidade, quer dizer que, do ponto de vista semiótico, tudo é tradução, não se restringindo o termo somente a uma atividade interlinguistica. Soma-se a isso o fato de o ser humano ter inerente a necessidade de traduzir tudo o que o cerca, já que a própria comunicação humana apresenta esta característica.

Quando Catford, ainda na década de 1960, aborda a tradução total, ele assim se expressa:

Por tradução total queremos dizer o que normalmente é tido como “tradução”, isto é, a tradução em que todos os níveis da língua de partida são substituídos pelo material da língua de chegada. Em breves palavras, tradução “total” é um termo inapropriado, uma vez que, embora haja uma substituição total, não se trata de substituição equivalente em todos os níveis (grifos no original)37 (apud TOROP, 2000: 23).

Passados cerca de trinta anos, apareceu a obra Total’nyj

perevod38, de Peeter Torop, que reflete sobre a questão da tradução total e ressignifica o seu conceito, imaginando-a como sendo “total” de um outro modo:

37 “By total translation we mean what is most usually meant by ‘translation’; that is, translation

in which all levels of the SL text are replaced by the TL material. Strictly speaking, ‘total’ translation is a misleading term, since, though total replacement is involved, it is not replacement by equivalent at all levels.”

38 Como a obra não está acessível ao meu conhecimento lingüístico, recorri à tradução La

traduzione totale do italiano Bruno Osimo, que também elaborou um curso virtual de tradução

gratuito, destacando Torop. Osimo tem uma simpatia pelas teorias da Escola de Tartu, por causa das questões semióticas desenvolvidas. O curso virtual de Osimo foi traduzido para diversas línguas. No caso do português, a tradução foi feita por Mauro Rubens da Silva e Nadia Aparecida Fossa. As ideias de Torop aqui utilizadas vêm principalmente desses materiais mencionados, mas há outras referências. Quanto ao curso virtual de tradução, não há referência de páginas; por isso mencionarei os capítulos apresentados. De acordo com o site, os direitos de copyright do Logus Group datam de 2004, e sua tradução para o português apresenta a data de copyright de 2005 na data do acesso mencionada, apesar de não estar concluído. Salvo indicação em contrário, as referências do curso são da primeira das cinco partes. Está disponível em <http://courses.logos.it>. Acesso em 22 ago. 08.

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Para nós, é fundamental o conceito de tradução total, que implica, em primeiro lugar, a ampliação do âmbito dos problemas e dos fenômenos que tornam a entrar no objetivo da tradutologia. A tradução total, por outro lado, simboliza a busca por uma metodologia compreensiva, bem como a tentativa da tradução metodológica das experiências das várias disciplinas em uma única interdisciplina39 (TOROP, 2000: 22).

Parece óbvio para Torop que a tradução seja total por englobar não só o aspecto linguístico, mas o universo semiótico. A tradutologia é uma ciência autônoma, interdisciplinar, que abarca uma gama de fenômenos, quer sejam linguísticos, literários, artísticos, filosóficos, culturais, etc.

Em suas temáticas, Torop menciona o angustiante assunto da falta de reconhecimento que a tradutologia sofre. Visionário que é, projeta uma saída. Em seu livro, diz: “o reconhecimento da tradução como processo total comporta, também – se queremos achar um lugar para esta totalidade na tradutologia – a necessidade de uma descrição científica deste processo40” (TOROP, 2000: 28). O processo é importante no contexto tradutológico. Por isso, Torop comunga com Radó a ideia de que, sem uma unificação da nomenclatura tradutológica, a tradutologia continuará a ser improdutiva em diversos aspectos (RADÓ apud TOROP, 2003: 2). Não havendo pesquisas científicas a respeito, não uniformizando os termos, torna-se difícil aumentar a envergadura e a expressão da tradutologia.

E aqui, ao se falar de tradutologia, não se trata apenas da tradução entre duas línguas distintas. Toury diz que “[...] a tradução não é a comunicação de uma mensagem verbal através de uma barreira linguístico-cultural, mas a comunicação de uma mensagem traduzida

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“Per noi è fondamentale il concetto di traduzione totale, che implica, in primo luogo, l’ampliamento dell’àmbito dei problemi e dei fenomeni che rientrano nell’oggetto della traduttologia.

La traduzione totale, d’altro canto, simboleggia la ricerca di una metodologia comprensiva, il tentativo di traduzione metodologica dell’esperienza delle varie discipline in un’unica interdisciplina.”

40 “Il riconoscimento della traduzione come processo totale comporta anche – se vogliamo

trovare um posto a questa totalità nella traduttologia – La necessità di una descrizione scientifica di questo processo.”

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dentro de um determinado sistema linguístico-cultural”41 (apud TOROP, 2003: 5), ou seja, muito mais do que envolver uma operação lingüística, torna-se um problema semiótico, como já mencionamos.

Na tradução, portanto, não só o processo tradutivo em si ou as peculiaridades do texto da tradução são relevantes, mas também a função da tradução naquela literatura/cultura que o recebe (LEUVEN- ZWART apud TOROP, 2000: 30). Em outras palavras, para haver uma tradução total do texto, todos os aspectos globais envolvidos do prototexto devem ser levados em conta no novo texto, o metatexto.

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