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Conception du questionnaire

Dans le document Les statistiques : le pouvoir des données! (Page 44-47)

Lá vêm elas – Poc, poc, póó!

Terminando de papar, Ninguém sai mais do lugar.

Vão puxando o fio em cruz, E seu fim já se deduz.

Tem um galho no caminho, Ficam presos, coitadinhos!

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Mesmo a criança tendo uma boa imaginação, dificilmente ela conseguiria traçar todos esses passos mentalmente para captar o pensamento de Busch. Além disso, as cores são usadas, o que deixa as cenas mais atrativas para as crianças e até mesmo para os adultos.

Após essas observações a respeito da forma, voltemos a nossa atenção ao conteúdo. Situando um pouco o contexto, após a retomada do poder pela burguesia por volta de 1850, a vida na Alemanha retomou o seu ritmo e estilo, já mencionado aqui anteriormente. A burguesia governava através de sua influência sobre aqueles que detinham o poder absoluto, o que lhes garantia a paz, a ordem, o progresso, que são lemas do iluminismo e despotismo esclarecido. Para eles, a criança era vista como um ser inocente incapaz de promover a desordem (VAßEN, 1986: 96). Para muitos, era um ser incompleto. Busch traz a tematização da rebeldia, não a adulta, mas a peraltice infantil.

Porém, Busch não permanece nessa simples temática infantil. Ao se tratar de criança, várias questões entram em jogo. Para Bettelheim (2002: 5), a criança

necessita de idéias sobre a forma de colocar ordem na sua casa interior, e com base nisso ser capaz de criar ordem na sua vida. Necessita - e isto mal requer ênfase neste momento de nossa história - de uma educação moral que de modo sutil e implícito conduza-a às vantagens do comportamento moral, não através de conceitos éticos abstratos, mas daquilo que lhe parece tangivelmente correto, e portanto significativo. A criança encontra este tipo de significado nos contos de

fadas.

De certa forma, Busch parece saber desse detalhe. Por isso alicerça as suas histórias em contos, lendas, mitos e folclores. Mas, como já foi frisado, não apenas isso. Os contos de fada mexem muito mais com o pensamento e a formação do caráter infantil. A criança espelha-se no que lê, como afirma outra vez Bettelheim (2002: 7-8):

Nos contos de fadas, como na vida, a punição ou o temor dela é apenas um fator limitado de intimidação do crime. A convicção de que o crime não compensa é um meio de intimidação muito mais efetivo, e esta é a razão pela qual nas estórias de fadas a pessoa má sempre perde. Não é o fato de a virtude vencer no final que promove a moralidade, mas de o herói ser mais atraente para a criança, que se identifica com ele em todas as suas lutas. Devido a esta identificação a

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criança imagina que sofre com o herói suas provas e tribulações, e triunfa com ele quando a virtude sai vitoriosa. A criança faz tais identificações por conta própria, e as lutas interiores e exteriores do herói imprimem moralidade sobre ela.

Percebe-se também a questão da catarse aristotélica, que pode ser entendida quando o herói passa da graça para a desgraça, sempre por sua escolha incorreta. A catarse promove a purificação da alma através de um drama ou de uma desgraça emocional. Esta ideia pode ser observada ao se constatar o fim da história de Max e Moritz. Entretanto, ela ocorre de fato no leitor infantil, e não no personagem da história. Assim, a criança que chega ao fim da leitura como que se “purifica” e passa a entender que a escolha errada não compensa. Ela se identifica com o herói por ele lhe trazer certo apelo positivo. Não há volição da criança em ser boa ou má, apenas em ser parecida com algum personagem (BETTELHEIM, 2002: 6-8). Sendo o fim trágico, a tendência da escolha é não querer ser como Max e Moritz.

Para aperfeiçoar esse enredo tão complexo em suas obras, Busch utilizou, como já se frisou, o expediente das figuras. Sendo um bom caricaturista e desenhista, Max und Moritz está situado no período em que Busch ameniza os traços rígidos, mas não completamente. Nesta altura ele também prioriza o verso, o ritmo automático, a rima, o cômico e, naturalmente, os desenhos. Observe-se uma de suas primeiras figuras em publicações, datada de 1859, na historinha Die kleinen Honigdiebe:

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Percebe-se um desenho com atenção aos detalhes, com jogo de sombra e um traço mais rígido. O cabelo do menino passa a impressão de que teve os seus fios todos contados e desenhados um por um. O chão apresenta elementos variados, como pedras, ondulações e moitas. A cerca é também detalhada, mostrando inclusive as imperfeições das ripas. A roupa apresenta dobras e botões com boa precisão. Quando escreveu Max und Moritz, o seu traço já era menos complexo, com o aperfeiçoamento do verso. Basta observar um dos quadrinhos:

Nele se vê o uso das cores e as formas mais simples. As árvores estão mais estilizadas; a cerca nem existe; o chão não apresenta muitos elementos, como pedras ou imperfeições; e os cabelos mostram menos detalhes. O topete de Moritz, o ruivo, revela isso: trata-se de um tufo inteiro de cabelo, não um monte de fios.

Todos esses elementos reunidos fazem com que de uma forma ou de outra Max und Moritz se mantenha numa posição de destaque no mundo da literatura infantil.

1. 4 Recepção e tradução de Max und Moritz no Brasil

Falar sobre a obra aqui no Brasil carece de mais referências. A princípio, a obra Max und Moritz chegou ao Brasil trazida pelos imigrantes europeus. Espalhou-se pelo Sul do Brasil, principalmente. Houve edições em alemão ao longo do século passado trazidas do Velho Mundo. No mesmo nível de interesse e aceitação estava o livro

Struwwelpeter, de Heinrich Hoffmann27, sem dúvida as duas obras de maior destaque da literatura infantil alemã (TRAUER, 2007: 19; VAßEN, 1986: 96).

A geração de que faço parte ainda presenciou essas leituras no seio da tradição familiar. Eram livros cujos desenhos e cores vibrantes

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