2 Data Mining and Knowledge Discovery - an
3.2 Use of Principal Component Analysis
Como desenvolvimento da perspectiva já apontada acerca da poiesis, nos são apresentadas na filosofia do teatro a ideia de uma poiesis espectatorial ou receptora, em que não estão ligados somente os processos de semiotização que o espetáculo propõe, mas referente a uma poiesis produtiva, que é produzida pela ação dos artistas. São colocadas juntas, justamente por se tratarem de ações cocriadas coletivamente, no convívio. Há ainda uma terceira via, a poesis convivial, que ocorre nesse acontecimento da reunião entre os corpos.
Por sua natureza vinculada à cultura vivente, a poiesis teatral é temporalmente efêmera e, enquanto vivente, não pode ser capturada em suportes in vitro (literatura impressa, fotografia, gravações audiovisuais). (DUBATTI, 2016, p. 49).
A observação de Dubatti quanto à capturabilidade do acontecimento teatral diz respeito a uma lógica relacionada à cultura vivente, ou seja, a produção de poiesis ocorre de maneira contínua para o espectador, não é uma escolha, mas um ato inerente ao exercício de expectação. Entendemos assim, que esse fator já está ofertadona cultura, ao assistir algo, ao nos depararmos com um acontecimento teatral, ao nos colocarmos enquanto espectadores de uma produção artística, passamos a construir um novo mundo. A função da poiesis nesse contexto não é somente a de comunicação, ou ainda, uma geração semiótica de sentido durante a apreciação de um espetáculo, “[...] mas a instauração ontológica: fazer um mundo existir, fazer nascer (ou renascer com variações em cada encontro) um novo ente, fazer um acontecimento e um objeto/diversos objetos existirem no mundo” (DUBATTI, 2016, p. 51-52).
Na poiesis convivial, ou seja, nessa reunião de corpos em expectação, envolvidos por uma zona de experiência carregada de subjetividades, Dubatti chama atenção para um estado de confluência entre os vetores que atuam durante o acontecimento teatral, público e atores, a todo esse conjunto propõe a ideia de um corpo poético.
Partindo de uma das bases do pensamento do teatro argentino atual, Dubatti se apoia no pensamento de Mauricio Kartun, que afirma que “o teatro é um corpo” e que
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pode se desdobrar em, ao menos, três corpos quando acontece a geração de poiesis: “o corpo natural-social cotidiano; o corpo afetado pela poiesis; o corpo poético.” (Idem, 2016, p. 65).
Em busca de uma ampliação do significado acerca dos conceitos de ente e acontecimento, questionei ao professor Jorge Dubatti como ocorre o trânsito desses itens até o que chama de corpo poético.
O ente seria tudo aquilo que pode ser pensado em algum regime de estabilidade, uma imagem, uma situação, um texto. Enquanto o acontecimento seria a passagem de um estado de um ente a outro ente, por exemplo, move-se um corpo de um ator que começa a produzir corpo poético, “Olha, está acontecendo!”. No momento em que esse corpo começa a produzir corpo poético se está produzindo acontecimento. Ao mesmo tempo se pode observar, há um ente que vou chamar de corpo poético e há um ente que vou chamar de corpo poético natural-social. (Apêndice A, p. 176-177).
O cruzamento desses conceitos visa compreender a presença de um ente poético no acontecimento teatral. Também ocorre uma confluência no trabalho do ator quando eletem a percepção desse princípio, do que é matéria e o que exerce influência na realidade cotidiana de seu público.
Novamente, essa abertura dada à poiesis no campo da filosofia do teatro, abre caminho para o conceito de corpo poético que é uma nova configuração, ou talvez, uma nova nomenclatura proposta por Dubatti para complementar e dar novas categorias ao sujeito espectador.
Do mesmo modo, ao propor um corpo poético natural-social, também nos convida, enquanto artistas e pesquisadores, a observar as camadas que compreendem a constituição de nosso corpo biológico, nossa concepção física e suas reações humanas naturais e o corpo social, que é o corpo dotado de informações e modos de operação e convívio com os demais, o corpo que se coloca diante de seus pares, passível de afetações e/ou impregnações que qualificam suas interações.
A cada nova interação humana ou, em nosso caso, a cada nova experiência estética e artística vivenciadas, sofremos um impacto que nos aproxima do que foiidentificado como um estado, para o que Dubatti chama de corpo poético.
62 El ente poético es ente porque posee una unidad de materia-forma al que llamamos cuerpo poético (materia y principio informador), diverso del cuerpo/los cuerpos (unidades de materia-forma) de la realidad cotidiana. Sostuvimos antes la existencia de tres campos en tensión ontológica entre la realidad cotidiana y el ente poético, podemos verificarlos em el cuerpo del actor: éste posee un cuerpo natural-social (cuerpo biológico y cuerpo social) que por el salto ontológico deviene cuerpo poético, integrándose (desnaturalizándose, dessocializándose, y en consecuencia re-naturalizándose en otra naturaleza, re-naturalizándose en outro sentido) – a la nueva forma; el estado intermedio es el del cuerpo afectado o en estado poético. De esta manera podemos advertir em la tensión entre realidad cotidiana y ente poético al menos tres conceptos corporales: el cuerpo natural-social o cuerpo del actor en tanto persona, en su dimensión biológica y social; el cuerpo poético o absorción y transformación del cuerpo natural-social como matéria de la nueva forma (nuevo principio) del ente poético; el cuerpo afectado o en estado o consideración del cuerpo natural-social afectado, impregnado, modificado por el trabajo y la generación del cuerpo poético. (DUBATTI, 2012, p.72).
A grande quantidade de estados nos quais o corpo poético pode sofrer interferência mostra sua variedade de ramificações, compreendidas de forma que, a cada nova tensão entre a realidade cotidiana e o ente poético, fazem surgir novos modos ou novas formas de atuação do corpo em estado de expectação.
Podemos fazer uma relação com os modos de atuação que o convívio gera no espectador teatral, por exemplo,quandoparticipam de uma ação de mediação, em que há um claro convite da presença de seus corpos de espectadores para um aprofundamento, uma abstração e/ou uma ressignificação do que ali assistiram. E assim, sem a necessidade de nominar aos presentes, praticamos a poética do convívio, ou ainda, como proposto por Dubatti, uma poiesis convivial.
Assim, começamos a ampliar a lupa de acesso para uma justificativa desse estudo, apontando perspectivas quanto à uma trans/formação do espectador teatral.