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Rules Generation from Neural Networks

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8 Automatic Extraction of Knowledge Rules

8.2 Rules Generation from Neural Networks

Os sentimentos de felicidade e de gratidão também se integram na experiência vivida pelo espetáculo da Cia Hiato e que, de mesmo modo, ocorrem com Bem-vindo a casa, do Pequeño Teatro de Morondanga (Montevidéu, Uruguai), com direção de Roberto Suárez54, apresentado na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo55 (MIT SP) no ano de 2014.

54Roberto Suárez (Uruguai) é “ator, diretor, professor e autor. Entre suas obras como autor, dirigiu e

atuou em Ulrich. Prêmio Florencio Sánchez, pela associação de Críticos do Uruguai, como ator, autor e diretor.” (Disponível em: <https://mirada.sescsp.org.br/2014/pt/event/afetos-provocacoes-oficina-r- suarez/index.html/> Acesso em: 02 Ago. 2018.)

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A palavra castelhana morondanga remete à ideia de algo inútil ou de pouca utilidade, uma mescla de coisas inúteis ou de pouco valor. Destaco essa palavra, visto que faz jus ao “desajuste” estrutural, no bom sentido, que a companhia uruguaia convida seu público a embarcar.

Bem-vindo a casa desperta um ruído que beira a provocação do espectador, que aguardava uma história a ser contada. Com uma narrativa que dialogava expressivamente com o absurdo, fomos convidados a adentar numa casa em que nos foiapresentada uma família prestes a se entregar a suas próprias ruínas.

Divididos em dois episódios, no primeiro, uma camada da plateia assistia aos acontecimentos que se davam no interior de uma sala de uma casa. Ali vivenciamos uma estrutura de encenação “realista” com situação dramática absurda. No segundo episódio, apresentado em horário diferente do primeiro episódio, assistíamos aos bastidores dessa criação, nos fundos da sala de estar que, em instantes, receberia o público do primeiro episódio (Figura 3). Nesse furor tornávamos espectadores testemunhas do que viria a acontecer. E ali, de fato, conhecemos os atores por trás dos personagens, suas questões pessoais e o modo como articulavam com a maquinaria da cena. Presenciamos suas singelas e grandes dores humanas e, assim, nos tornamos parte comum daquele todo.

Ao final, recordo que não tínhamos a liberdade do aplauso, uma vez que o primeiro episódio ocorria por trás das paredes e poderíamos comprometer sua realização.

55 “A MITsp é uma Mostra Internacional de Teatro, cuja primeira edição acontece entre 8 e 16 de março

de 2014 na cidade de São Paulo. A programação [...] inclui apresentação de espetáculos internacionais, diálogos críticos, fórum de encontros e espaço para intercâmbio artístico.” (Disponível em: <http://mitsp.org/2014/project/apresentacao/> Acesso em: 02 Ago. 2018.)

80 Figura 3. Estrutura cenográfica de Bem-vindo a casa (Episódio 2). Crédito: Manuel Gianoni

Durante as ações da MIT SP 2014, houve a prática da crítica por convidados que lançavam luz, questões ou provocações às peças que foram apresentadas na mostra. A seguir, em trecho da crítica O convívio teatral em frente, verso e de permeio de Valmir Santos56, temos parte dessa luz lançada sobre o acontecimento teatral e que dialoga com a prática do convívio, que faço alusão ao relato anterior, quando qualifico a experiência como a de um espectador testemunha.

Estamos diante de uma experiência que elabora o convívio público-artista em seu sentido estrito, reflexão cara à arte contemporânea atenta às vicissitudes do viver junto. O princípio da coabitação vaza para as ruas, a comunidade. Palco abolido, a proximidade no espaço multiuso implica plateia aninhada com os atuadores no mesmo cômodo. Parede-meia, janela, persiana e portas induzem sonoridades e frestas do que poderia ocorrer

56 Valmir Santos é “jornalista, crítico e pesquisador. Idealizador e editor do site Teatrojornal – Leituras de

Cena (2010). Repórter desde 1992, em publicações como Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Bravo! e O Diário, de Mogi das Cruzes. Autor do texto de Atos de existência: 30 anos do Núcleo de Artes Cênicas do Sesi-SP (2017) e da análise histórica do livro de fotografia O Tapa no Arena: repertório em imagens (Edições Sesc, 2015). Colaborador em curadorias ou consultorias de mostras ou festivais. Mestre em artes cênicas pela USP. Membro da Associação Internacional de Críticos de Teatro (AICT-IAC). Ator amador na fundação do Grupo Pombas Urbanas (1989), em São Miguel Paulista, bairro onde nasce, décimo de doze filhos de migrantes baianos.” (Texto retirado do site Teatro Jornal, disponível em: <http://teatrojornal.com.br/author/valmirsantos/> Acesso em: 02 Ago. 2018)

81 simultaneamente do outro lado. Dentro e fora em contato: um achado de geografia cênica paulatinamente afetiva ao longo das duas sessões.57

Sentimo-nos parte viva e fundamental daquele trabalho e, por isso também, chamo atenção para o ângulo de observação que eleva a “percepção de um tempo próprio do acontecimento, com a consequente alteração na percepção do tempo subjetivo do espectador em relação ao tempo objetivo da realidade” (DUBATTI, 2016, p. 167-168).

No espetáculo de excepcionalidade, quando, a partir de um mecanismo de autoconsciência, observamos nossa própria participação na zona de experiência teatral, surge o desejo de que “não termine” e, depois de terminado, o desejo de revê-lo, de religar-nos com esse tempo outro, embora haja consciência de que a conexão já será diferente daquela primeira e de que esse tempo já não será o mesmo, pois se tratará de um novo acontecimento, com sua própria zona de experiência, diferente daquela que acabamos de atravessar. (DUBATTI, 2016, p. 168).

A excepcionalidade de Bem-vindo a casa também revela uma síntese epocal, ou seja, de grande relevância para o período em que foi apresentado ao público, também de uma estimulação emocional e intelectual, por ampliar a zona de experiência do espectador e lhe fornecer um novo estímulo de envolvimento com o que assiste.

Por fim, destaco o ângulo de observação acesso exclusivo através do teatral, que é o feixe que liga todas as camadas de observação apontadas anteriormente.

[...] quando você, e eventualmente os demais participantes do convívio, percebe(m) que está/estão vivendo uma experiência que só é acessível por meio do teatro [...] O teatro funda uma zona de experiência e subjetivação singulares que constitui uma territorialidade com regras próprias, única em suas coordenadas e sua densidade de experiência. A excepcionalidade se funda, então, na radicalidade do singular do acontecimento teatral. (Idem, p. 165).

Uma das atrizes aborda, no início do espetáculo, uma sucessão de fracassos pessoais, o que favorece para que seja estabelecidoum espaço de empatia entre atriz – personagem – espectadores. Há um misto de identificação e repulsa. Esse relato em que

57 Crítica de Valmir Santos, escrito para o Coletivo de Críticos, uma das ações do segmento Olhares

Críticos na MIT SP 2014 – Disponível em: <http://teatrojornal.com.br/2014/03/o-convivio-teatral-em- frente-verso-e-de-permeio/#more-8859> Acesso em: 02 Ago. 2018.

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o fracasso se mostra como uma narrativa constante na fala de outras personagens parece um caminho sem volta, que ao mesmo tempo favorece o encontro excepcional que somente com o acesso através do teatro poderia fornecer tamanha experiência aos espectadores testemunhas desse acontecimento.

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