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GeneralObservations

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5 Supervised Learning for Operational

5.9 GeneralObservations

A EEBA83 surgiu a partir de uma iniciativa de Jorge Dubatti, que realizava encontros com pequenos grupos interessados na arte do teatro.Destinada a todos os amantes do teatro que desejam refletir, discutir, estudar, interpretar e valorar os conceitos e ideias das artes cênicas na cidade de Buenos Aires.

Osencontros iniciais aconteciam nas residências de casais que convidavam amigos e interessados parareceberemum crítico, como um coordenador da conversa, que pudesse expor um pouco sobre espetáculos que se encontravam em cartaz e, associado a isso, tinha o compromisso de levar um pouco de seu conhecimento sobre estética, linguagem e a história do teatro. Todo esse encontro ocorria com um jantar ao final.

Na entrevista, Dubatti expõe que os encontros eram para grupos fechados e somente pessoas aceitas pelo grupo todo poderiam entrar, o que levou a uma série maior de grupos se estabelecerem na cidade, se você não conseguia entrar num grupo, criava- se outro.

Digamos que eu tenha um amigo que faz parte do grupo e eu queira entrar, o grupo é consultado e se alguém do grupo diz “Não, porque não” é não. Você não pode entrar. Então a melhor maneira de participar de um grupo é criando seu próprio grupo. Eu gosto de observar que existe uma enorme demanda por que começam a surgir em Buenos Aires cerca de 200 grupos mais ou menos. Eu trabalho com uns 15 mais ou menos. Então, essa demanda existe justamente porque existem pessoas que querem entrar num grupo e não podem, e assim criamos um grupo [...], vamos dizer de portas abertas, não vamos fazer o jantar, mas existe um coordenador e qualquer pessoa que queira fazer parte não necessita ser um amigo mas basta inscrever-se. Então no ano de 2001, [...] eu abro a primeira Escola de Espectadores. (Apêndice A, p. 165).

83 “Fundada em 2001, la Escuela cuenta desde 2007 com trescientos cuarenta alumnos (y atualmente con

una lista de espera de casi setecientos interesados) [...] Siguiendo el modelo de la Escuela de Espectadores de Buenos Aires se gestaron espacios semejantes em México DF. (2004), Montevideo (2006), La Paz (2012), Lima (2012), Porto Alegre (2012), Medellín (2013), Universidad Autónoma de México (Unam, Aula del Espectador, 2015), Caracas (2016), conectados entre sí.” (DUBATTI, 2017, p. 244).

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Durante o processo de amadurecimento da escola, Dubatti identifica o que ele chama de um espectador real, como já explorado no capítulo anterior, aquele que apresenta com maior clareza e objetividade sua vivência do espetáculo.

Eu começo a lidar com esse espectador real nos grupos e em 2001 quando abrimos a EEBA os grupos já foram crescendo. Começamos com 8 pessoas e ao final do ano já éramos mais ou menos umas 20, no ano seguinte, em 2002, já éramos 40 e terminamos com 60, e no outro ano já éramos 80 e estávamos neste prédio e fomos mudando de salas e crescendo conforme a procura. Já no sétimo ano estávamos na sala Solidaridad, aqui embaixo, e já com dois grupos, com um limite que podemos atender agora que são 340 pessoas e não podem ser mais porque não podemos sentar pessoas nas escadas ou tem problemas nas pernas, mas não podemos fazer inscrições acima do permitido. (Apêndice A, p. 165).

Dubatti se refere à questão do limite de alunos da escola, observei na aula inaugural que esse público é formado em maioria por pessoas idosas, em grande parte mulheres, entre alguns senhores dispersos na plateia. Aparentemente pertencem a uma classe média ou classe média alta e, em grande maioria, pareciam aposentados.

Acredito que esse perfil se deve justamente por se tratar de uma camada da população argentina que guarda muitos resquícios desses encontros, Dubatti fala na entrevista que esses grupos são como instituições informais que nascem em meados da década de 1950 para analisarem teatro.

3.4. A prática de frequentação:convívio, poiesise expectação na plateia de alunos-espectadores

Bienvenidas y bienvenidos!!! Que tengamos um hermoso año teatral!!! Frase do programa da EEBA 2018

Em 2018, os encontros foram programados para ocorreremsemanalmentee sempre às segundas-feiras, no começo da noite, dividido em dois grandes grupos de cento e setenta pessoas, a primeira sessão iniciada às 17h15 e a segunda sessão às 19h15.

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Logo na entrada, uma secretária entrega para cada aluno-espectador um programa84com as atividades a serem realizadas durante o primeiro bimestre da escola. Na descrição do programa estão as atividades das próximas quatro semanas e uma indicação de oito espetáculos recomendados, dentre eles quatro eram do ano de 2017 e que, segundo o professor, mereciam ser retomados para uma conversa.

Na ocasião da abertura, a coordenadora do Centro Cultural de la Cooperación, fala da grande procura pela escola, que naquele momento contava com lista de espera de aproximadamente mil e duzentas pessoas.

Em seguida, o professor Dubatti, utiliza seus primeiros minutos de aula (Figura 8) para relataruma experiência vivida em suas férias, em que descobriu que precisaria operar urgentemente de uma apendicite,e gostaria de partilhar três ensinamentos importantes com o grupo de alunas e alunos.

Figura 8. Aula inaugural de 2018 na EEBA. Crédito: Rafael R. Carvalho

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Primeiro fala do ensinamento do corpo, em que se deu conta que lhe traz uma consciência de encruzilhada da vida, por ser falível. A seguir, o mistério do amor. Essa observação é feita por ter observado o cuidado que médicos e familiares têm por seus enfermos. E por fim, fala do ensinamento do repouso, que aprendeu a importância de “estar encerrado em si mesmo.”

Essa feliz aproximação com seu grupo de alunas e alunos já gerou uma camada afetiva, a qual relaciono fortemente com os conceitos de convívio e espectador companheiro. Percebo nesse ato do condutor das atividades, sua devoção ao grupo de maneira ímpar e que, desse modo, permite que o contrato entre professor e alunos seja fortalecido, tanto para antigos como para novos frequentadores da escola.

Após esse exercício de aproximação com seu público e o levantamento de algumas perspectivas de trabalho para o ano, Dubatti alerta aos novos e veteranos alunos para uma prática importante a ser exercitada na EEBA que é o eixo frequentação, escuta e teoria, pilares para as atividades realizadas na escola e para um melhor aproveitamento de todos os envolvidos.

Sobre a metodologia e objetivos de trabalho na Escola:

Los integrantes de la Escuela asisten a una serie de espectáculos, acordados previamente, de diferentes circuitos del teatro porteño (independiente, comercial, internacional, provenientes de las províncias) y luego los analizan con nuestra coordinación al frente de la clase y com la asistencia de los teatristas creadores del espectáculo analizado. El campo de espectáculos considerados es abarcador de la teatralidad poética: teatro, danza, ópera, narración oral, circo, teatro callejero, títeres, performance arts [...] La EEBA se propone brindar a sus asistentes las herramientas necesarias para multiplicar el disfrute y la comprensión de los espectáculos con profundidad y comunicabilidad. El objetivo es ampliar y enriquecer su horizonte cultural, emocional e intelectual como espectadores y producir pensamiento crítico [...] (DUBATTI, 2017, p. 245).

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Os aspectos apontados num breve histórico que o autor realizaem artigo85 acerca dos primeiros dezesseis anos da EEBA, foram minha base para a observação realizada na aula inaugural de 2018.

O eixo, frequentação, escuta e teoria, também foi abordado na entrevista, na qual Dubatti aponta que somente numa boa relação dos alunos-espectadores com essa tríade pode haver uma melhor relação com os princípios da Escola e afirma aindaem relação à importância do estudo teórico para a análise dos espetáculos: “Necessitamos de teoria. Se não temos teoria estamos cegos! É como estar num labirinto. É impossível!” (Apêndice A, p. 171).

As ideias lançadas ao coletivo de alunos-espectadores como perspectiva de trabalho para o ano de 2018 apontam para as bases da teoria proposta na filosofia do teatro, de retorno às questões ontológicas do fazer teatral. Questões levantadas por Dubatti nesta primeira aula como “Quando apareceu o aplauso?”, remetendo à uma construção da história do teatro que merece ser revista pelo ponto de vista do espectador, resgatandoa convocatória dada por ele de “retornar o teatro ao teatro”.

Nesse sentido propôs algumas dinâmicas para pesquisa no ano que se seguiria:  A História do Público e dos Espectadores: pensar a história do espectador ao

longo da história do teatro;

 Guia com noções ou fundamentos básicos que o espectador contemporâneo deve saber sobre teatro;

 Associação Argentina de Espectadores: quem protege os direitos dos espectadores na Argentina? O espectador precisa disso?

 Teoria do Espectador: levantamento bibliográfico que dê suporte para essa perspectiva.

A partir desses tópicos, o coordenador da EEBA estabelece com seus alunos- espectadores uma espécie de contrato, em que o desenvolvimento dessas perspectivas só se darão a partir do eixo frequentação-escuta-teoria.

85DUBATTI, Jorge. La Escuela de Espectadores de Buenos Aires (2001-2016) Un laboratorio de

(auto)percepción teatral. In: DESGRANGES, Flávio; SIMÕES, Giuliana (org.). O ato do espectador: perspectivas artísticas e pedagógicas. São Paulo: Hucitec; Florianópolis: iNerTE, 2017. p. 239-249.

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Naaula inaugural, o grupo de alunos-espectadores, recebeu o diretor Miguel Ángel Solá e a atriz Paula Cancio, do espetáculo Doble o nada86 e, na segunda sessão, além dos convidados no primeiro horário, também foram recebidos integrantes do espetáculo Enamorarse es hablar corto y enredado87(Figura 9). Ambos os espetáculos foram recomendados pelo professor Dubatti para serem assistidosdurante as próximas semanas.

Figura 9. Escuta com a equipe do espetáculo Enamorarse es hablar corto y enredado. Crédito: Rafael R. Carvalho

A escuta está relacionada, em grande parte, à série de entrevistas encaminhadas por Dubatti ao grupo de atores e diretores convidados. Nas questões, procura ser muito motivador e animador quanto aos aspectos positivos dos espetáculos, buscando saber um pouco de sua possível descendência teatral, ou seja, como o teatro veio na vida de

86 Espetáculo de Sabina Berman, realizou temporada no teatro La Comedia, na cidade de Buenos Aires,

Argentina.

87 O espetáculo Enamorarse es hablar corto y enredado, de Leandro Airaldo, foi apresentado no Camarín

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cada um dos convidados. Primeiramente suas questões permeiam sobre quem são os entrevistados, em seguida, começa a desenvolver uma aproximação com os temas abordados pelas peças e uma articulação de como a teoria proposta se dialoga com a vida desses alunos-espectadores.

Nessa fase de entrevistas, as alunas e alunos não realizam questionamentos, apenas breves comentários, dos quais Dubatti procura ser um rápido mediador, para sempre saber como intervir e aproveitar o tempo com o grupo de convidados.

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