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Les différents types de question

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Esta necessidade evidenciada pelos media poderá ter como objetivo “apresentar uma ideia com conteúdo criativo na expetativa de conquistar mais audiência” (Galvão, 2013). Para que este novo paradigma seja implementado é preciso “propor uma forma diferente de contar histórias” (ibidem). Neste sentido, é importante compreender de que forma se aprofundou e ampliou o conceito de narrativa e a própria narrativa.

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A narrativa é uma noção mais antiga que o próprio jornalismo, que se configura hoje como a atividade de contar histórias sobre a vida quotidiana. Como refere Barthes (1994, p. 103), “a narrativa está presente em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as sociedades; a narrativa começa com a própria história da humanidade”.

Com o advento das novas tecnologias e o aparecimento dos novos media tornou- se urgente reformular a narrativa tradicional e procurar meios alternativos para expressar as diferentes histórias. Tornou-se imperioso que, na própria génese da narrativa onde o contador de histórias era o responsável por esta forma de comunicação, se atendesse à pluralidade de possibilidades que passaram a existir na transmissão das histórias, narradas com recurso a múltiplas linguagens. Ao conceito de narrativa, muito abrangente e passível de ser abordado sob diferentes ângulos, vieram, assim, juntar-se os novos modos de storytelling ou, como podemos definir, novas técnicas para narrar os factos ou acontecimentos como se fossem histórias. “Storytelling é a arte de contar uma história, ou seja, por meio da palavra escrita, da música, da mímica, das imagens, do som ou dos meios digitais” (McSill, 2014, p. 31).

Os novos modos de storytelling aplicam-se também ao campo jornalístico. Traquina (2007) enquadra o jornalismo na arte de contar histórias, que tem existido, sob diferentes formas, desde os alvores da Humanidade. Os jornalistas são, por isso, “contadores de estórias da sociedade contemporânea, participantes numa tradição mais longa de contar estórias” (ibidem, p. 11). Nos dias de hoje, contar histórias é, em simultâneo, uma exigência, uma necessidade e uma consequência da era digital.

“[N]o século XXI, graças (…) à tecnologia, as histórias estão mais acessíveis do que nunca na História. Uma das formas mais proeminentes que assumiu, embora normalmente não seja reconhecida como tal, foi a omnipresença sem precedentes de “notícias”. Nunca as pessoas foram bombardeadas com uma tal quantidade de “histórias”, refletindo o drama diário da vida humana, tal como se desenvolveu em todas as partes do globo” (Booker, 2004, p. 693).

Por isso, não é novidade que uma das competências centrais do jornalista é a capacidade para construir narrativas. Contudo, esta competência técnica também envolve mudanças radicais.

“No quadro atual, com a disponibilidade de ferramentas digitais que existe e com a convergência de vários formatos num só aparelho, tanto ao nível da produção como do consumo de informação, a forma de construir narrativas (ou as formas possíveis de o fazer) fica muito alterada. Por isso, os jornalistas têm que atualizar as suas competências tendo em conta essas novas ferramentas e o tipo de consumos informativos que os indivíduos fazem nos seus aparelhos convergentes. Isso é algo que atravessa várias das

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novas experiências que estão a ser feitas no jornalismo” (Moreno & Cardoso, 2015, p. 562).

O que diferencia o jornalismo, nos dias atuais, é, portanto, a maneira de relatar, levantar questões, desconstruir significados e transmitir emoções. À semelhança do que acontece nas narrativas de ficção, o storytelling presente no jornalismo pretende mostrar o que existe de interessante na história das personagens ou fontes jornalísticas e, assim, valorizar o mecanismo da narrativa. Trata-se de encontrar uma forma diferente de contar histórias para atingir públicos distintos (Galvão, 2013). Neste sentido, falar de

storytelling implica abordar os vários ambientes de interação, as novas técnicas e

materiais, que procuram atribuir significados emocionais a elementos técnicos por meio de um contexto. A ideia é partir de um facto e desenvolvê-lo seguindo a estrutura de uma história.

Como qualquer história, a técnica do storytelling requer um bom começo para conseguir prender o leitor. Deste modo, aproxima-se do jornalismo literário por utilizar alguns dos seus recursos, mais especificamente da narrativa, como, por exemplo, a valorização do ambiente, tempo, espaço e personagens. O jornalista demora-se mais na observação na tentativa de retratar ambientes e perceber detalhes importantes que permitam construir o perfil dos entrevistados. Portanto, storytelling não tem tanto a ver com pirâmide invertida, mas sim com um ritmo constante rico em informação e elementos atrativos ao longo de todo o texto (Cunha & Mantello, 2014).

Procurando conquistar uma maior audiência e atender às suas necessidades, os jornalistas e os media precisam de encontrar ideias com conteúdo criativo. O maior desafio do storytelling não é, por isso, contar uma história, algo inerente à profissão de jornalista, mas saber como apresentar essa história ao público, na expetativa de cativar a sua atenção. Pensar e criar narrativas diferentes, pesquisar e inserir personagens interessantes, dar destaques a dramas ou emoções são determinantes para o êxito da história. Segundo Cunha e Mantello (2014, p. 66), requer estar mais atento para “descrever detalhes, narrar pequenos episódios das personagens que contribuem para a contextualização e interpretação da notícia, num avanço do ato de informar”. O jornalista transforma-se no contador de uma história que exige criatividade no seu relato, uma habilidade que deve desenvolver para que o texto jornalístico se diferencie e seduza o consumidor sem deixar de lado a objetividade. “O estilo pode ser o fator que garante um final feliz para o texto jornalístico: reinventar-se para continuar atendendo seu propósito primordial de informar” (Cunha & Mantello, 2014, p. 66).

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Com o aparecimento dos media digitais surgiram novas ferramentas e formas alternativas para construir e divulgar informação. Abriu-se caminho para explorar novos modos de contar histórias, como é o caso das narrativas interativas que recorrem a múltiplas linguagens. Através do recurso às ferramentas dos novos media, os jornalistas podem contar histórias utilizando quaisquer modalidades necessárias e apropriadas a cada história em particular (Pavlik, 2001). Além disso, as histórias contadas num cibermeio permitem fazer conexões com outros tipos de conteúdo, muito mais facilmente do que em qualquer outro meio, através do uso de hiperligações para outros conteúdos online (Pavlik & McIntosh, 2015).

Neste sentido, entender as capacidades dos novos media na sua plenitude é fundamental, o que inclui “desenvolver uma apreciação pela natureza interativa do digital” e “aprender a pensar em novas formas não-lineares e multilineares de

storytelling” (Pavlik, 2001, p. 213). É neste meio, onde está disponível um grande volume de informação efémera, que são, assim, colocados novos desafios e exigidas outras competências ao profissional de comunicação na hora de redigir um texto.

“Em ciberjornalismo escrever não se resume a redigir texto, mas antes a explorar todos os formatos possíveis a ser utilizados numa estória de modo a permitir a exploração da característica-chave do novo médium: a convergência. As possibilidades narrativas permitidas pela convergência multimédia requerem, consequentemente, o planeamento das estórias através da elaboração de um guião (storyboard), encarado como essencial no processo de escrita não-linear. A aplicação do storyboarding no planeamento de uma estória online poderá, dependendo das práticas e exigências de cada media online, caber ao próprio jornalista” (Deuze, 1999, citado em Bastos, 2006, p. 107).

Esta nova conceção de storytelling também altera a forma como as audiências contactam com as diferentes histórias. Segundo Pavlik (2001), cada membro do público pode receber notícias personalizadas que colocam cada história num contexto significativo para o mesmo. Além disso, os próprios consumidores mediáticos podem nos dias de hoje contribuir para a criação das histórias (um aspeto que abordaremos em seguida), o que sustenta a Internet como um meio de comunicação ativo.

O desenvolvimento dos novos media está a transformar a natureza dos conteúdos noticiosos e do storytelling: “O que está a começar a emergir é um novo tipo de

storytelling (…) que vai oferecer à audiência uma complexa combinação de perspetivas

sobre novas histórias e eventos que vão ter mais textura que um simples ponto de vista pode atingir” (Pavlik, 2001, p. 24).

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O conceito de storytelling adquiriu, assim, uma nova carga semântica e tornou- se permeável a novos contextos, assumindo-se como uma técnica que concilia as narrativas com o conteúdo digital. Construir uma história como uma narrativa multimédia apresenta-se cada vez mais como a abordagem que os meios jornalísticos devem seguir para atrair e prender os leitores. O primeiro passo é pensar na audiência e dar-se a conhecer para estabelecer uma relação mais próxima com os potenciais consumidores de informação. O passo seguinte é contar a história através de vários canais. Este tipo de lógica tem o propósito de criar uma experiência unificada e coordenada, mas não linear.

Porém, esta evolução e expansão dos novos media não significa que os meios de comunicação tradicionais deixaram de existir ou perderam importância. Segundo Jenkins (2006, p. 6), “o emergente paradigma da convergência presume que os novos e antigos media irão interagir de formas cada vez mais complexas”. Neste sentido, o

storytelling continuará a existir nos moldes clássicos, a par de novas técnicas que se

caracterizam pela convergência de vários tipos de linguagem e distintos suportes mediáticos. Este novo paradigma não se desenvolveu por acaso.

Vivemos num tempo em que a competição no ciberjornalismo é cada vez maior, tornando-se necessário saber diferenciar os conteúdos para provocar ambiguidade, curiosidade e vontade de interagir na audiência. O mundo digital já alterou a forma como experimentamos as histórias, aumentando o envolvimento do público. Nesta era da Internet, os indivíduos assumem-se como recetores ativos, como os novos contadores de histórias. O jornalista não deixa de assumir esta tarefa, mas já não a desempenha sozinho. O consumidor mediático tem agora o poder de questionar, opinar e modificar qualquer conteúdo, fazendo uma leitura própria e mais aprofundada da narrativa.

Além disso, com o aparecimento e acesso às novas tecnologias surgem novos instrumentos implicados no uso cada vez mais participativo dos media, bem como no desenvolvimento gradual do consumidor como cocriador de conteúdo, uma vez que permitem que os conteúdos se espalhem por diferentes canais e vários pontos de receção. É nesta convergência entre ambientes que as histórias são contadas.

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