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3.1 Croissance par Pulvérisation Cathodique

3.2.2 Transport

A fim de realizar essa investigação, definiram-se preliminarmente alguns procedimentos metodológicos a serem seguidos. Contudo, somente a partir do aprofundamento teórico, do levantamento do universo e do mapeamento de localização do público em questão é que se pode, com objetividade, definir as regras e traçar o percurso trilhado. A priori, para fins de encaminhamento inicial, procedeu- se a revisão da literatura com base na pesquisa bibliográfica acerca do assunto.

Assim, a partir da delimitação do problema e da definição dos objetivos constatou-se a necessidade de se definir procedimentos que viabilizassem a execução desta pesquisa. Iniciou-se um levantamento bibliográfico e documental, um estudo histórico dos fatos, haja vista que se buscou apreender como se deu o processo de refúgio ao longo da história no cenário internacional e brasileiro; inclusive resgatou-se nesse processo a participação do Brasil e seu envolvimento com esta questão.

Esse processo inicial de apreensão, de contextualização dos fatos, de mapeamento para localizar onde se encontravam as refugiadas foi fundamental para se proceder ao estudo, delimitando-se a investigação sobre a condição de vida e a inserção da mulher refugiada no mercado de trabalho no município de São Paulo.

O objetivo almejado foi proceder a uma análise das condições e situação de vida desse grupo social, que fugiu de seu país por motivo de perseguição, os mais variados. Porém, para se discutir a realidade presente, fez-se necessário o levantamento de fatos que o antecederam, uma vez que o passado se reflete e produz consequências no hodierno das pessoas.

Para alcançar esse fim, a pesquisa bibliográfica, que subsidiou o aprofundamento teórico sobre o tema, foi fundamental, visto que auxiliou a compreensão de questões ocorridas, relacionadas aos acontecimentos atuais, ao processo iniciado pelas organizações da sociedade civil e ao tardio envolvimento do Estado nessa discussão.

A apropriação teórica em relação ao histórico e à legislação foi essencial para dar início ao estudo. Após o desenvolvimento dessas etapas, levantou-se nas bibliotecas da PUC-SP, USP e UNICAMP pesquisas realizadas sobre o tema.

Constatou-se que, especificamente sobre a mulher refugiada e a sua inserção no mercado de trabalho, não existe nenhuma pesquisa até a data investigada. Na biblioteca da PUC-SP buscou-se pelo tema em diversos cursos, inclusive no curso de Serviço Social; porém, neste último, nenhum registro sobre refúgio foi encontrado. Nos demais cursos, em especial de Relações Internacionais, Direito, Direito Internacional e Psicologia Social, encontraram-se estudos sobre o tema refúgio, mas nenhum estudo específico sobre a situação da mulher refugiada, conforme já explicitado na introdução.

Diante disso, aumentou o interesse desta pesquisadora em proceder à investigação em questão, haja vista, além da relevância social e política do tema, tratar-se de pesquisa inédita no Serviço Social.

Vale ressaltar que as mulheres refugiadas constituem-se em uma demanda crescente para os assistentes sociais, que na atualidade, em sua maioria, desconhecem o tema e em certas situações agem de forma discriminadora no atendimento desse público, visto que sequer sabem da existência da Lei sobre o Refúgio, tampouco o seu enquadramento jurídico no Brasil, desconhecendo como proceder em relação aos direitos desses sujeitos, de concessão ou não e de benefícios.

Ao mesmo tempo a esse levantamento inicial sobre a temática do refúgio, deu-se entrada junto ao Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo do projeto que derivou a presente pesquisa, com as informações relativas aos sujeitos investigados, juntamente com os procedimentos técnicos e metodológicos a serem utilizados, a fim de requerer o autorizo do Comitê para a realização da pesquisa em questão. O processo foi encaminhado à Plataforma Brasil que emitiu parecer favorável para a realização da investigação em julho de 2012, conforme documento anexo.

A partir desse procedimento definiu-se a abordagem de investigação qualitativa, pois à semelhança de Gamboa (2002) compreende-se que não há oposição entre pesquisa qualitativa e quantitativa, isto é, rejeita-se a falsa dicotomia que separa a pesquisa qualitativa da quantitativa, ou ainda, a falsa dicotomia presente entre estudos estatísticos e não estatísticos, por se tratar de abordagens e métodos que se complementam e não se excluem.

A pesquisa qualitativa adotada subsidiou o contato direto com as instituições que tratam do refúgio e com as refugiadas pesquisadas, possibilitando o desvelar de

sua realidade. Esse desvelar do imaterial, aquilo que é impenetrável em um primeiro contato, somente a intimidade e a confiança no outro é que pode revelar. Conforme descreve Chizzotti (2003):

O termo qualitativo implica uma partilha densa com pessoas, fatos e locais que constituem objetos de pesquisa, para extrair desse convívio os significados visíveis e latentes que somente são perceptíveis a uma atenção sensível. Após este tirocínio, o autor interpreta e traduz em um texto, zelosamente escrito, com perspicácia e competência científicas, os significados patentes ou ocultos do seu objeto de pesquisa (CHIZZOTTI, 2003, p. 221).

Portanto, a pesquisa qualitativa, se devidamente utilizada, é capaz de captar a realidade sentida e vivida, trazendo à luz fatos concretos que iluminam as próprias ações, tanto das pessoas investigadas, quanto de quem investiga, a partir das descobertas que ocorrem em uma investigação comprometida com a verdade. Pode, portanto, dar seu contributo, intervindo positivamente e de forma direta nos fatos revelados.

Segundo Corbin e Strauss (2008), trabalhar com dados qualitativos é: “[...] referir-se ao processo não matemático de interpretação, feito com o objetivo de descobrir conceitos e relações nos dados brutos e de organizar esses conceitos e relações em um esquema explanatório teórico” (CORBIN & STRAUSS, 2008, p. 288).

Esse tipo de pesquisa contém um caráter valorativo, pois se empenha em investigar a partir do âmago do ser, recuperando acontecimentos, sentimentos, significados, valores, crenças, que por vezes, em meio ao chamado mundo moderno, são desconsiderados. Segundo Minayo (2010):

A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se ocupa, nas Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes (MINAYO, 2010, p. 21).

A partir desse entendimento e compreendendo-se a definição da abordagem qualitativa, iniciou-se a pesquisa de campo por meio do deslocamento desta pesquisadora até os lócus a serem investigados.

Para essa etapa, decorrido o processo inicial da pesquisa, definiram-se os procedimentos metodológicos e técnicos adotados, os quais foram delineados no próprio processo de investigação, por tratar-se de pesquisa qualitativa, com base em

exame crítico-analítico da realidade investigada, tendo-se como apoio a investigação bibliográfica e documental supracitada, as quais subsidiaram a análise do objeto de estudo, assim como a pesquisa de campo, fornecendo elementos necessários à descrição e interpretação do fenômeno estudado.

Assim, procedeu-se ao exame dessa realidade particular mediante a utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e entrevista aprofundada. Para o processo de elaboração do questionário, observou- se a orientação de Gil (2007), segundo o qual “[...] um questionário consiste basicamente em traduzir os objetivos da pesquisa em questões específicas. As respostas a essas questões é que irão proporcionar os dados requeridos para testar as hipóteses ou esclarecer o problema da pesquisa” (GIL, 2007, p. 129).

No campo, desvelaram-se muitas descobertas, além de se ter vivenciado imprevistos e contratempos, que só o contato direto com as instituições e com as partícipes da pesquisa pode revelar, enriquecer e amadurecer o que se propôs investigar.

Em um primeiro momento, procedeu-se a um levantamento das instituições que atuam diretamente com os refugiados. Fez-se contato com cinco organizações, porém, só quatro foram receptivas e se colocaram à disposição para responder ao questionário, elaborado no intuito de se obter informações iniciais acerca das refugiadas, além de outros esclarecimentos os quais foram requeridos em entrevistas, realizadas com os representantes dessas organizações.

As organizações receptivas à pesquisadora, que responderam o questionário e marcaram a realização das entrevistas, foram: Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, Instituto de Migrações e Direitos Humanos, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e a Polícia Federal de São Paulo – Lapa.

O Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), por intermédio de seu representante, alegou que as informações requeridas estavam digitalizadas e disponibilizadas em site. Após muitas tentativas e envio de e-mails, além dos contatos por telefone, não se obteve nenhuma resposta.

Em maio de 2013, por ocasião do Encontro Nacional da Rede de Proteção aos Refugiados, Rede da qual esta pesquisadora faz parte28, aproveitou-se a

28 Desde 2006 esta pesquisadora faz parte da “Rede de Proteção aos Refugiados”, representando o

oportunidade da presença do representante do CONARE e se expos a pesquisa. A partir desse encontro, o representante do CONARE disponibilizou seu endereço pessoal de e-mail, alegando que os e-mails corporativos estavam com problemas.

Assim, após quatro meses de tentativas de contato em vão, remeteu-se o questionário ao e-mail disponibilizado pelo representante do CONARE, porém, depois de dez dias recebeu-se a seguinte resposta: “todas as informações estão digitalizadas e disponibilizadas em nosso site”. Também não foi possível entrevistá- lo, pois informou que devido às suas diversas atividades não teria tempo para dar a entrevista.

Diante dessa dificuldade e para não haver prejuízo informacional acerca das refugiadas investigadas, buscaram-se outros meios disponíveis a fim de se obter o maior número de informações possíveis referente à realidade social das refugiadas no município de São Paulo. Nesse processo de busca e de coleta de informações, optou-se por dar a palavra às mulheres refugiadas a fim de reconstituir as visões desse grupo social que se encontra à margem, excluídas socialmente.

Nesse intento, e com a finalidade de subsidiar a análise, interpretação e descrição do objeto pesquisado, utilizaram-se registros, documentos, observações, entre outros procedimentos já explicitados. Nessa busca, levantou-se o universo das mulheres refugiadas residentes no município de São Paulo e descobriu-se que há na atualidade 32429 mulheres refugiadas. Desse universo, devido às dificuldades em encontrá-las e com elas manter contato, trabalhou-se com uma amostra de 53 refugiadas.

O acesso e a disponibilidade dessas mulheres para os encontros foram levados em consideração, haja vista que a maioria não dispunha de tempo para responder o roteiro de entrevista. Observou-se em algumas a relutância em participar e responder os instrumentos técnicos adotados, além de suas limitações em função do pouco tempo livre que dispunham e das distâncias de suas moradias.

Assim, aplicou-se o questionário semiestruturado às 53 mulheres contatadas. Destas 53, selecionaram-se dez refugiadas para proceder às entrevistas aprofundadas, considerando que esse grupo apresentou maior viabilidade, pelo fato da maioria dessas dez pessoas morarem nos cortiços da região central do município de São Paulo.

Para garantir o relato “ipsis litteris” das entrevistadas, com a permissão delas, utilizou-se um gravador que permitiu as gravações dos referidos relatos. As observações feitas também foram registradas em um diário de campo.

Devido às dificuldades já explicitadas, optou-se por proceder à visita domiciliar, como estratégia de extrema importância para a pesquisa. Esse procedimento possibilitou a participação das 53 refugiadas na pesquisa, assim como coletar informações em situação típica, permitindo conhecer a realidade da vida cotidiana dessas mulheres.

Em função das distâncias e do reduzido prazo para a pesquisa, optou-se por contatar algumas informantes em lugares frequentados em geral pelos refugiados, tais como: no culto dominical, na igreja dos africanos, frequentada pelos refugiados no bairro do Brás, região central de São Paulo; nos salões de beleza próximos ao largo do Paissandu, onde parte dessas mulheres trabalha ou frequenta; e na Cáritas, onde são orientadas e assistidas em relação a sua legalização no Brasil. A visita a esses locais favoreceu o contato com as 53 refugiadas.

Após a coleta dos dados e apropriação teórico-filosófica, iniciou-se o processo de análise e interpretação. Os dados obtidos por meio dos questionários, das entrevistas e da observação direta serviram para elucidar os problemas elencados na pesquisa, com a finalidade de complementar e identificar prováveis contradições presentes quando do cruzamento das informações obtidas.

O item a seguir apresentará a análise dos dados coletados, mediados pelas reflexões a eles subjacentes.

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