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Na dimensão Capacidade Absortiva Potencial de Assimilação Zahra e George (2002) descrevem da mesma forma mencionada no item 4.2.1, ou seja, que quanto maiores forem a experiência e base de conhecimento prévio melhor será o direcionamento e a eficiência da capacidade de assimilação do conhecimento obtido externamente. Desta forma questionou-se aos entrevistados: “Qual é a capacidade da sua área em compreender o conhecimento (ou informação) externo? Os colaboradores têm habilidade em analisar, classificar, processar, interpretar, internalizar e entender o conhecimento?”.

Os sete respondentes demonstraram que a Capacidade Absortiva Potencial de Assimilação faz parte da área de manutenção na “Empresa Inova”. Podemos observar abaixo algumas transcrições que certificam a existência da Capacidade Absortiva Potencial de Assimilação na manutenção:

É uma pergunta difícil de responder. Muito difícil porque se eu falar que sim eu não tenho a efetiva evidência, logo não enxerga o limite, entendeu, por isso que eu falo que é difícil. Eu volto a falar para você que a gente tem explorado bastante a procura por conhecimento externo para tentar aplicar internamente, nós temos aqui algumas experiências internas alguns projetos piloto interno, que surgiram dessa troca, isso prova para nós gestores que a capacidade de absorção ela é boa e tem surtido resultado. Minha meta é que isso vá para a área inteira e eu ainda não percebi isso na área como um todo. (Gerente Sênior)

Eu creio que respondi essa questão na pergunta anterior, pois como disse na anterior, nós utilizamos os nossos especialistas, nossos engenheiros ou técnicos, com conhecimento para entender e conversar com essas empresas, essas pessoas, para chegar e deter aquilo que nos interessa. (Gerente A)

Nosso time é feito basicamente de especialistas, são pessoas, então entendo que esse processo é um processo heterogêneo. Existem pessoas com capacidades mais elevadas e outras com algumas limitações, então nós trabalhamos com uma média, falando de média eu entendo que meu time tem essa capacidade de analisar, classificar, processar, interpretar, internalizar, entender o conhecimento de uma forma diferente, em função do nível heterogêneo de conhecimento do meu time, eu tenho especialistas com 50 anos de idade, eu tenho engenheiros recém-formados com 30 anos de idade, então, respeitando as suas individualidades eu tenho esse processo. Eu faço o processo de avaliação do Lead, que é uma avaliação de performance para o meu time, e dentro desse Lead eu procuro pontuar isso. [...]. Então eu tenho uma ferramenta de RH que me suporta no sentido de colocar isso de forma isonômica, fazendo com que a minha subjetividade fique no segundo plano e eu seja mais racional possível.[...]. A avaliação surge com o dia a dia com o aumento de performance, com um aumento de entrega de resultados, mas falar para você que eu verifico se absorveu o conhecimento no treinamento, eu não tenho condições de falar isso. (Gerente B)

Aqui nós temos uma ferramenta que cada vez que o colaborador passa por um treinamento, uma reciclagem, nós recebemos por parte do RH um formulário com várias funções. Nesse formulário a gente avalia o quanto o nosso colaborador absorveu da informação ministrada no treinamento. Como é que a gente percebe isso? No dia a dia o quanto ele pratica aquele conhecimento que ele adquiriu, então ali eu falo se ele foi satisfatório, se ele não foi satisfatório, se ele superou a minha expectativa, então de repente eu dei um treinamento para um colaborador e além dele fazer, abriu os olhos dele, e ele conseguiu ir além do que ele tinha recebido como informação. Então existe uma ferramenta que o RH nessa área de treinamento também registra isso, que é o quanto o colaborador absorveu do treinamento. Isso vale para todos os níveis, do gerente, dos engenheiros, do supervisor, dos operadores de manutenção, todos que participam e quem faz essa avaliação é sempre o nível hierárquico acima, o chefe imediato que trabalha com essa pessoa. (Gerente C)

Está vindo coisa nova no mercado e aí depende da cabeça da pessoa que está esperando isso, se for uma pessoa muito fechada que está acostumada fazer do seu jeito, ele não vai assimilar de jeito nenhum. Mas eu vejo que se for uma pessoa preparada, que quer ainda progredir um pouco, é normal ela assimilar. É claro que você tem que ir atrás, tem que procurar saber, você tem que ter vontade de aprender, senão você vai ficar no método antigo é por isso que tem pessoas que ficam paradas no tempo. (Engenheiro A)

Eu, no caso como um dos responsáveis do setor de abastecimento começo com um estudo antes, pesquisando na internet, consultando outras empresas. Eu visitei a Vale do Rio Doce, onde eu tive a oportunidade verificar o teste não destrutivo feito nos cabos de média tensão, então pesquisando, estudando, conhecendo e a próxima etapa seria trazer o fornecedor aqui, onde ele faz uma apresentação e consegue te mostrar a eficácia daquilo que ele vai fazer, por outro lado não só mostrando, ele apresentando empresas em que ele já fez os testes, apresentando relatórios, apresentando o resultado. E aí a gente conseguindo assimilar esses testes, essa avaliação, a gente consegue pegar e passar [...], consegue assimilar, aprender um pouco mais, passar essas informações para eles, e depois conseguir passar isso tudo para o grupo. Outra coisa importante é quando a empresa vem para fazer o teste, eu deixo um, dois ou três colaboradores do grupo acompanhando e automaticamente eles vão questionar também o fornecedor e vão chegar a um conhecimento muito bom. (Engenheiro B)

Isso tem e é alta essa capacidade de assimilação, pelo conhecimento técnico que cada um tem de formação. Nós somos uma empresa que costumamos ter coisas de ponta, então estamos sempre atrás de coisas novas. Essa entrada de novos conhecimentos acaba virando para nós uma rotina, no dia a dia entrando equipamento novo, uma coisa nova, uma tecnologia nova, e nós estamos tendo que lidar com isso, então como a área não é estanque com relação a isso, onde de repente aparece uma coisa nova e todo mundo se assusta, o aparecer uma coisa nova para nós, é o dia a dia, não temos dificuldades em lidar com isso, não. Então aquela coisa de repente eu chegar numa linha de montagem toda com AGV toda automatizada e rapidamente todos estamos lidando com isso sem ter grandes dificuldades. (Engenheiro C)

Pode-se observar que a avaliação da assimilação do conhecimento é sentida como problemática por alguns dos gestores, entretanto outros a consideram rotineira, fazendo parte do dia a dia da empresa. Conforme Zahra e George (2002), quanto maiores forem a experiência e base de conhecimento prévio, melhor será o direcionamento e a eficiência das capacidades de assimilação do conhecimento obtido externamente, exatamente como foi colocado pelo Engenheiro C, pois iniciou sua fala dizendo que a capacidade de assimilação é alta em decorrência do conhecimento prévio que cada um tem na manutenção. Já o Engenheiro B colocou que conseguindo assimilar o conhecimento, consegue passar aos demais, enquanto que os Gerentes B e C comentaram que possuem uma ferramenta de

avaliação isonômica da área de RH da empresa, que permite que avaliem os colaboradores e conseguem perceber se foi assimilado o conhecimento em função do melhor desempenho apresentado posteriormente. Quanto mais educação e formação, maior é a capacidade individual para assimilação e utilização de novos conhecimentos, aumentando a influência positiva no nível de Capacidade Absortiva e assim as manutenções executadas serem mais bem sucedidas.

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