Na dimensão Capacidade Absortiva Potencial de Aquisição Zahra e George (2002) descrevem que quanto maiores forem a experiência e base de conhecimento prévio melhor será o direcionamento e a eficiência das capacidades de aquisição do conhecimento obtido externamente. Assim, questionou-se aos entrevistados: “Qual é a capacidade da sua área em localizar, identificar, avaliar e adquirir conhecimento externo considerado importante para o desenvolvimento da manutenção?”.
Os sete entrevistados demonstraram que a Capacidade Absortiva Potencial de Aquisição é presente na “Empresa Inova”. Podemos observar abaixo algumas transcrições que reforçam a existência da Capacidade Absortiva Potencial de Aquisição:
A área sente necessidade da capacidade absortiva, nós convidamos parceiros de uma empresa prestadora de serviço, sendo que não temos nenhuma necessidade premente, logo buscamos localizar, identificar e avaliar novas necessidades. Às vezes isso desperta a curiosidade e você passa a conhecer mais de algo que não existe aqui na fábrica, então, por exemplo, a eficiência energética é o grande ponto que a gente tem explorado, nós chamamos as empresas para debater, discutir um pouco sobre o tema, buscamos fazer projetos-piloto para aprender, para desenvolver, para abrir novos caminhos, porque se deseja crescer esse é um caminho que não tem volta. (Gerente Sênior)
A necessidade, a capacidade da área de adquirir conhecimento externo, considerado importante para o desenvolvimento da manutenção é total. Temos muita gente de fora, que são empresas especializadas que desenvolvem que tem conhecimento adquirido, provavelmente na maioria das vezes até por ser juntamente especialista nessa área. [...]. uma consultoria, ou você vai adquirir alguma coisa, contrata um serviço, um material. Contatamos alguns fornecedores e pedimos para eles fazerem uma proposta, a gente analisa
dentro do nosso conhecimento, óbvio que os especialistas externos e os “benchmark” que têm no grupo vão ser ofertados para a gente. Nós utilizamos os nossos especialistas, nossos engenheiros ou técnicos, com conhecimento para entender e conversar com essas pessoas, para chegar e deter aquilo que nos interessa. [...], mas a gente pode ter alguma coisa que não seja o mais moderno do mundo na atualidade, mas que atenda 90, 95% das nossas necessidades, com um custo mais acessível. (Gerente A)
Eu entendo que o processo de manutenção é dividido em três partes: a parte de PLAN a parte de BUILD e a parte de RUN. [...]. Então eu sou aquele cara que têm a visão, eles têm os estudos de Life Cicle ( vida útil do equipamento) e através de estatísticas do SAP, mais experiência da equipe, mais estado de conservação ou vida útil desse equipamento, essa área de planejamento me suporta nessa fase. Então a gente determina Budget, determina escopo, determina o time-line, passamos por uma fase de Building, que a fase de construção, nesse momento a equipe é fundamental, porque associado ao fornecedor que vai colocar aquele equipamento aqui, dentro da empresa, a equipe suporta todo o processo de instalação. Então corre junto, adquire conhecimento durante essa fase também, então é aí que eu ganho o conhecimento para me suportar na fase de funcionamento. Minha equipe é fundamental neste processo, e depois quando é feito o Tryout deste equipamento, este equipamento é entregue a meu time, para operarmos e cuidarmos. (Gerente B)
Eu retorno a uma resposta que nós demos na primeira parte, onde nós temos um banco de dados, com o custo de treinamento, então cada vez que entra um novo equipamento, novo processo de manutenção, ou de produção, os colaboradores envolvidos tem treinamentos específicos, o colaborador é convidado a participar desse treinamento, para que ele adquira o conhecimento, a capacitação necessária para manutenção daquele novo equipamento, daquele novo processo. Então existe essa pesquisa por parte do RH, que faz sob demanda apresentada pela área técnica, então eu identifico qual é a minha necessidade, e peço apoio a área responsável, para desenvolver um treinamento naquela especialidade que eu entenda que necessite ser reciclado, ou adquirir novos conhecimentos. (Gerente C)
Hoje a internet é um veículo que é muito importante, [...] se estou com um problema que eu não entendo, um tipo de tinta que eu preciso utilizar, você vai à internet, nela já tem. [...] , então eu acredito que essa parte de você ir buscar o potencial externo ele está na internet, então é muito fácil você procurar uma empresa especialista, o que está acontecendo no mercado, [...] e você tem toda a liberdade de chamar essa empresa aqui para te explicar melhor, para você ter um conhecimento disso. [...], institutos a gente consegue receber o conteúdo deles para desenvolver aqui dentro, isso daí é aberto. Por exemplo, o “site strategy” que foi pedido, até o pessoal de obras fez, nós tivemos todo o habitat usado para desenvolver formas construtivas mais eficientes, mais rápidas, mais baratas, que eles foram buscar no mercado e passaram para nós. Então é fácil vir essa metodologia para nós, foi o que nós fizemos mudamos bastante, por causa de novas patologias de material, coberturas novas, nós temos esse conhecimento agora. Porque eu vejo assim, eles fazem a obra, depois tem que passar para nós da manutenção mantermos. (Engenheiro A)
[...], infelizmente por causa de um acidente grave, um retrofit na Subestação 88, colocando equipamentos de ponta, com proteção de fibra ótica, com Arc flash. O objetivo é para melhorar o sistema, diminuir o tempo de resposta, onde isso resulta em evitar danos materiais, seria até segundo plano, o primeiro plano seria evitar acidentes pessoais, e isso a gente está considerando uma tecnologia de ponta e a gente consegue isso com os fabricantes, com os fornecedores, e pesquisando na internet. Por outro lado, o que nós estamos fazendo hoje a nível de “Empresa Inova”, não estamos mais trocando os cabos de média tensão por idade, estes cabos têm um custo altíssimo e atualmente avaliamos a vida útil dos cabos e não simplesmente pegar e trocar por idade, pois não quer dizer que os cabos estejam condenados, nós estamos com algumas empresas fazendo teste de ponta não destrutivo, similar ao Hipot Test ou Megger Test. (Engenheiro B)
Nós temos dentro das equipes de trabalho os grupos de trabalho. Esses grupos são responsáveis por tarefas. Para desenvolver essas tarefas o grupo precisa desenvolver esse conhecimento novo. Esse conhecimento é dividido sempre em habilidades de cada um e você é responsável por ir atrás desse conhecimento junto aos fornecedores, as empresas, pesquisando na literatura disponível, você vai ter que estudar e aprender esse novo conhecimento. Essa pessoa que deteve o conhecimento acaba por disseminar aos demais
integrantes do grupo. Não é algo passado para todo mundo, é passado para os integrantes do grupo envolvidos no processo. (Engenheiro C)
Na “Empresa Inova” a Capacidade Absortiva Potencial de Aquisição está caracterizada pela ênfase no apoio interdepartamental para resolver problemas, conforme relatado pelo Gerente B as fases de planejamento, aquisição, instalação e operação, refletem exatamente este apoio interdepartamental para resolver problemas, disseminando conceitos e ideias relevantes, pela busca e interesse por informações pertinentes a área e além da área, em que ao término todos acabam por agregar valor, agregar conhecimento.
O Engenheiro C comentou do trabalho em grupo conforme podemos observar a figura 19 - Procedimento para eleição e remuneração do porta voz do trabalho em grupo, responsáveis por tarefas, por exemplo, a manutenção de um equipamento novo. Esta atividade para ser desenvolvida necessita que o grupo adquira o novo conhecimento e posteriormente venha a dissemina-lo aos demais.
Figura 19 - Procedimento para eleição e remuneração do porta voz do trabalho em grupo
Pode-se observar que a diversidade de conhecimento e experiência foi indicada pelos gestores como de alta relevância. A interação entre essas pessoas e os fornecedores que possuem diferentes estruturas de conhecimento é um importante componente que propicia o aumento da Capacidade Absortiva Potencial de Aquisição.