Na dimensão Capacidade Absortiva Realizada de Transformação, Zahra e George (2002) descrevem que a transformação é a capacidade de desenvolver e refinar as rotinas e práticas que permitem combinar o novo conhecimento com a base de conhecimento prévio por meio da adição de conhecimento, eliminação de conhecimento ou de diferentes formas de percepção. A transformação facilita a identificação de oportunidades. Desta forma, questionou-se aos entrevistados: “Qual é a capacidade da sua área em facilitar o compartilhamento e combinação do seu conhecimento anterior com o novo conhecimento adquirido e assimilado (consiste em adicionar, eliminar, interpretar e combinar o conhecimento existente de uma nova e diferente forma)?”.
Os sete respondentes demonstraram que a Capacidade Absortiva Realizada de Transformação faz parte da área de manutenção na “Empresa Inova”. Podemos observar abaixo algumas transcrições que favorecem a existência da Capacidade Absortiva Potencial de Assimilação na manutenção:
Lá vou eu voltar no projeto anterior da manutenção, que eu te falei, onde nós tínhamos ou temos exatamente o antes, o durante e o depois, que é a implantação não do SAP, porque o SAP é uma ferramenta de prateleira, certo, mas é um conhecimento que tivemos que colocar dentro desse sistema. Não só do sistema de alguns periféricos que vão facilitar, melhorar a qualidade dos dados imputados, então isso só foi possível saindo dos arredores da cerca da fábrica e buscando externamente. Então, para isso você tem que saber o que é que está acontecendo, o que é que pode ser feito, quem ou quais áreas eu tenho que mobilizar, e não é só para realizar. Eu tenho que conquistar essas áreas, mostrar que o projeto é viável e vai trazer ganho para a área, para empresa, para o board da companhia. Este é um dos grandes exemplos que demonstra exatamente isso de conhecer, aprender, assimilar, transformar, implantar e utilizar de uma forma concisa todos os passos. (Gerente Sênior)
A gente faz isso aí quando da participação de alguns congressos. A gente escolhe o especialista, [...] participando de um congresso, adquirindo novos conhecimentos para trazer para cá e a gente fazer a implementação disso aqui, [...], ela não vai voltar com o conhecimento “Master” daquilo que foi visto, porém vai voltar com muito mais conhecimento de quem não foi. E aí vai abrir a discussão e a possibilidade de mostrar aquilo que existe. Então, com base nisso, essa pessoa vai trazer para a gente algumas oportunidades para gente melhorar.[...], nós vamos monitorar aquilo que mudou, como era o antes e depois, a gente faz isso com uma certa frequência, em todos os “Clusters” isso já aconteceu para a gente em zeladoria em Manutenção Civil. (Gerente A)
Quando eu comentei com você, eu tenho uma equipe heterogênea, profissionais bastante experientes e profissionais que não tem tanta experiência, uma relação bastante interessante que eu tenho percebido é que quanto maior o nível de conhecimento e maior a faixa etária da pessoa, mais dificuldade eu tenho de fazer essa transformação, quanto menor o nível de conhecimento e menor idade, mais fácil eu fazer a transformação. Acho que está mais ou menos relacionado à questão da experiência, a pessoa conforme ela começa a avançar na questão da idade, conhecimento e experiência de processo, ela começa a ser mais reativa à transformação, à mudança ao novo, esse é o processo que eu tenho percebido aqui. Porém são pessoas que não posso descartar simplesmente coloca-las de lado, simplesmente por que o nível de conhecimento delas é muito elevado. Então eu acho que essa é a grande brincadeira de você administrar essa alta especialização versus a alta resistência também na mudança. Por outro lado tenho um jovem, aquele cara que está muito motivado, muito afim, mas ainda não está maduro suficiente. Então o papel de gestor é fundamental nesse processo. (Gerente B)
Como eu falei no início, a nossa fábrica é uma fábrica extremamente dinâmica. Temos pessoas com muita experiência, com mais de 30 anos de empresa, [...]. Os nossos produtos tinham uma característica, os nossos equipamentos eram mais rudimentares, e eles evoluíram. Esse conhecimento vai acumulando ao longo do tempo e a equipe começa a compartilhar esse conhecimento de uma forma tão natural, é a sede de conhecimento das novas pessoas, [...], e essas pessoas vêm com conhecimento atual e que é compartilhado com a gente, mas eles têm muito mais sede de conhecer como é que a gente trabalhou, como que nós estamos trabalhando ao longo dos anos e é muito legal porque você percebe o brilho nos olhos deles. Quando você passa o seu conhecimento, quando você começa a discutir aquilo que o cara tá aprendendo hoje numa universidade, com o que você aprendeu, e o que a vida lhe ensinou. (Gerente C)
Assim a gente falou em alguns itens anteriores, ainda está faltando aquele tempo de você fazer a reunião, mostrar práticas realizadas novas, a divulgação para o pessoal interno. Como a gente não tem muito tempo, somente assimila quem tem a vantagem de participar dessas divulgações. Porque a área está muito pequena e tem poucas pessoas a assimilação fica para quem foi buscar o conhecimento, essa divulgação interna, que está meio complicada porque se você tem vontade, se você quer escutar vai assimilar muito mais fácil, você não vai parar, agora se o cara é fechado e não quer, ele só vai aprender na hora que chegar na prática. Puxa vida não deu certo, veja se você tivesse feito daquele jeito daria. (Engenheiro A)
Eu digo que é tudo uma evolução, você tem um conhecimento passado, que é onde vêm as novas tecnologias, você pega e aprende essa nova tecnologia e automaticamente você consegue assimilar a antiga com atual.[...]. Então a área com o pessoal no dia a dia têm muita facilidade em conseguir assimilar os conhecimentos. Hoje nós estamos com a indústria 4.0 onde pode ser que no detalhe alguém tem alguma dúvida, alguém tem alguma dificuldade, mas todo mundo sabe que foi a junção de internet, informação, comunicação, juntou tudo que tinha no passado, numa coisa só chamado hoje de indústria 4.0. (Engenheiro B)
Eu não acho que as pessoas que a gente trabalha junto tem essa dificuldade de compartilhar, porque a gente vive com todos os mundos aqui, então nós temos coisas de tecnologia muito nova como também trabalhamos com máquinas e equipamentos da década de 60, e convivem juntos e funcionam muito bem. Então o trabalhar com isso e lidar com a essas diferenças é o nosso dia a dia, a vontade seria estar com equipamentos atuais, mas isso tem também um fator financeiro, você não consegue estar trocando tudo porque saiu alguma coisa nova. (Engenheiro C)
De forma complementar, é importante salientar que práticas de Gestão do Conhecimento colaborativas têm um papel importante nas rotinas de transformação, pois conectam as pessoas, criando as redes necessárias que provocam os insights (DÁVILA; NORTH; VARVAKIS, 2016). “As redes informais também são importantes na identificação e assimilação de novos conhecimentos por meio da integração social ao proporcionar a
transferência de conhecimentos tanto tácito como explícito” (JENOVEVA-NETO, 2016, p. 167).
Uma questão positiva é que as lideranças concordam quanto à capacidade de aprendizagem de novos conhecimentos, facilitando o acesso ao conhecimento externo e neste sentido auxilia a empresa a alcançar a inovação na área de manutenção (com a modificação dos processos ou aquisição de novas máquinas e equipamentos) e, por conseguinte melhorar o desempenho e qualidade da área de manutenção.