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THOMSON-DUCRETET~

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Ao serem confrontados com a nova condição, alguns estomizados tentam lidar com a situação mediante estratégias diferenciadas, encarando-a como desafio e experimentando sentimentos de autocontrole retomando as suas atividades de vida diária. Outros adotam comportamentos de negação recorrendo à minimização do problema com o isolamento social (SOUSA; BRITO; CASTELO BRANCO, 2012). Nesta transição adaptativa vão aprendendo progressivamente a incorporar as alterações nas suas vidas, mediante mobilização de recursos pessoais, suporte de familiares e principalmente de profissionais de saúde que influenciam positivamente neste processo mediante ferramentas válidas (SUN et al., 2013).

Entretanto, um estudo realizado em Belém, no Pará, demonstrou que durante o processo de internação hospitalar do estomizado não há nenhuma orientação ou ação educativa antes ou após a cirurgia, não havendo diálogo entre paciente e profissional e desconhecimento dos profissionais da real necessidade do paciente, gerando dificuldades de adaptação e prolongamento do período de reabilitação. Estomizados referem à necessidade de um cuidado individualizado, sistematizado e humanizado, além de melhor qualificação profissional (CUNHA; BACKES; HEIDEMANN, 2012). Portanto, fica clara a necessidade da consulta de enfermagem ao paciente no estomizado, considerando as alterações físicas e emocionais consequentes à cirurgia.

Desta forma, ressalta-se a necessidade de profissionais cada vez mais capacitados para identificar essas necessidades e utilizar o processo de enfermagem para aprimorar a sua tomada de decisões pautadas na necessidade de cada paciente, planejando o cuidar, fazer prescrições de enfermagem eficazes e avaliar o estado de saúde por meio de evoluções. Essa assistência envolveria o preparo físico e psicológico do paciente para a cirurgia, procurando fazer com que o paciente compreenda a assistência de enfermagem a ser realizada, esclarecendo suas dúvidas (CHRISTÓFORO; CARVALHO, 2009).

O enfermeiro tem papel primordial no cuidado ao estomizado, uma vez que possui competências e ferramentas assistenciais importantes para uma assistência adequada, segura e de qualidade, de forma a contribuir para melhor adaptação do paciente ao novo estilo de vida, planejando ações que visem a melhora da qualidade de vida do estomizado. Desta forma, o enfermeiro deve considerar o indivíduo em todas as suas dimensões, e não somente a física (MAURÍCIO; SOUZA; LISBOA, 2013).

No tocante a formação do profissional, evidencia-se que não há a inserção da temática referente ao cuidado às pessoas estomizadas, apenas prepara o profissional para uma assistência generalizada, influenciando negativamente a realização da consulta de enfermagem (ARDIGO; AMANTE, 2013). Faz-se necessário então, uma reflexão mais profunda sobre a atuação fundamentada em conhecimentos científicos, ou seja, deve-se refletir sobre o plano de cuidados elaborado no sentido de observar se ele é específico para aquele paciente, bem como para o procedimento cirúrgico a que o paciente vai ser submetido no intuito de assegurar uma prática assistencial que promova um cuidado de enfermagem individual e integral (CHRISTÓFORO; CARVALHO, 2009).

Em uma avaliação dos Serviços de Atenção à Saúde das pessoas Ostomizadas (SASPO) realizados em Minas Gerais/Brasil, verificou-se que em 46% dos serviços, o enfermeiro não tem formação específica para o cuidado das estomias, e que estes têm se ocupado mais em atividades administrativas e burocráticas, do que das atividades clínicas, assistenciais e educativas que é parte processual desses serviços (MORAES et al., 2014).

A constatação desse déficit de conhecimento e consequentemente do cuidado de enfermagem ocorre também devido à ausência de um instrumento adequadamente preparado para ser utilizado durante as consultas de enfermagem direcionada por uma teoria, que contemple as necessidades da pessoa no período operatório de estomia a fim de atender às necessidades do paciente.

A consulta de enfermagem ao paciente no pré-operatório é um espaço para entender as necessidades buscando a resolução de problemas destes pacientes. Posto isto, materializa-se através de uma adequada avaliação inicial, orientação sobre todos os passos do internamento em relação aos cuidados, esclarecendo suas dúvidas, para que, no dia da cirurgia, o paciente possua conhecimento em relação aos cuidados exigidos, além da preparação para a adaptação da pessoa a uma nova condição de saúde, considerando seu novo contexto de saúde (CARVALHO; CRISTÃO, 2012; CHRISTÓFORO; CARVALHO, 2009).

Na fase do pós-operatório as intervenções da equipe devem estar direcionadas para a realização do autocuidado, a fim de alcançar maior adaptação por meio da retomada das atividades de vida diária, além de adequações particulares e participação em grupos de apoio, onde geralmente ocorre a troca de experiências do convívio com o estoma e o processo adaptativo (CESARETTI; SANTOS; VIANNA, 2010; GRANT et al., 2011).

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No que concerne à dimensão biológica, psicológica e afetiva, durante a consulta de enfermagem às pessoas estomizadas, deve-se considerar: características do estoma, cuidados com o estoma e pele periestomal, cuidados com a bolsa coletora, possíveis complicações, autoestima, segurança, autonomia, conforto, bem-estar, felicidade, atividade sexual satisfatória, autoconceito, atividade de vida diária, entre outros (FIGUEIREDO, 2016).

No cenário domiciliar, os cuidados com a estomia, na maioria das vezes, são exercidos por algum familiar, cuidador ou a pessoa mais próxima que esteja disposta a ajudar e a aprender como realizar os cuidados. Mas, por vezes, a família do estomizado constitui-se também como um entrave a consulta de enfermagem, uma vez que percebe-se a fragilidade familiar frente a nova condição de vida do estomizado, surgindo sentimentos negativos, rejeição, medo e nojo frente ao primeiro contato (ARDIGO; AMANTE, 2013; CETOLIN, 2013).

Este fato pode implicar na qualidade do cuidado de enfermagem, pois está permeado de orientações, formando uma barreira entre o enfermeiro e a família que encontra-se fechada ao diálogo e orientações. Além disso, a fragilidade da família afeta também o estomizado, que passa a rejeitar sua condição, dificultando a adesão aos cuidados (ARDIGO; AMANTE, 2013; CETOLIN et al., 2013).

Além disso, outro fator que dificulta a consulta de enfermagem às pessoas estomizadas são as condições socioeconômicas desfavoráveis, pois alguns cuidados ficam prejudicados diante da dificuldade na aquisição de alguns materiais (MENEZES, 2013).

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