Em todos os ecossistemas, existe uma estreita relação de interdependência entre os produtores, os consumidores e os decompositores. Essa interdependência se manifesta, por exemplo, através da ca- deia alimentar.
O alimento produzido pelos autótrofos é utilizado por eles e pelos organismos heterótrofos. Como já vimos, o processo mais importante de produção de matéria orgânica a partir da inorgânica é a fotossín- tese, no qual a energia luminosa captada pelo autótrofo é transformada em energia química, que fica armazenada nas moléculas orgânicas.
O processo mais importante de liberação da energia contida nos alimentos orgânicos é a respiração aeróbica. Por meio dela, a molécula orgânica, em presença de oxigênio, é totalmente degradada em gás carbônico (CO2) e água (H2O).
Um indivíduo autótrofo degrada, por respiração, a matéria orgânica produzida por ele mesmo. Um in- divíduo heterótrofo degrada a matéria orgânica produzida direta ou indiretamente por um autótrofo. É direta quando o heterótrofo se alimenta diretamente do autótrofo, como ocorre com os herbívoros, e indireta quando o heterótrofo se alimenta de outro heterótrofo, como ocorre com os carnívoros.
Nos ecossistemas, a energia química contida na matéria orgânica que faz parte do corpo do produtor pode ser transferida para os demais seres vivos ao longo de uma cadeia, em que um ser vivo serve de alimento para o outro.
Chama-se cadeia alimentar ou cadeia trófica a sequência linear de seres vivos em que um serve de fonte de alimento para o outro. Para ser completa, precisa ter produtores, consumidores e decomposi- tores. A figura seguir mostra um exemplo de cadeia alimentar.
Fonte: LOPES, Sônia.; ROSSO, Sérgio. BIO – Volume 1. São Paulo. Editora Saraiva, 1ª Edição, 2016. Dependendo do tipo de alimento utilizado, os organismos de uma comunidade podem ocupar diferen- tes posições na cadeia alimentar. Cada uma dessas posições é um nível trófico (ou nível alimentar). Cada componente da cadeia constitui um nível trófico (nível alimentar). Assim, os produtores formam o 1° nível trófico; os consumidores primários (1ª ordem) constituem o 2º nível trófico; os consumidores secundários (2ª ordem) formam o 3º nível trófico, e assim sucessivamente. Os decompositores podem estar em diversos níveis tróficos (exceto no 1º nível), dependendo da origem dos restos orgânicos que degradam.
INSERIR CADEIA ALIMENTAR IDENTIFICANDO OS NÍVEIS TRÓFICOS
Em todas as cadeias alimentares, a matéria sofre transformações e é reciclada. A quantidade de ener- gia, por sua vez, vai diminuindo à medida que passa dos produtores para os consumidores, e de um con- sumidor para outro, pois uma parte dela é utilizada para a realização dos processos vitais do organismo e outra é liberada sob a forma de calor, restando apenas uma parcela menor de energia disponível para o nível seguinte. Assim, a transferência de energia é unidirecional. A matéria, no entanto, pode ser re- ciclada, falando-se em ciclo da matéria.
Em um ecossistema, entretanto, as relações alimentares entre os organismos que o compõem não são tão simples. Existem várias cadeias alimentares que se interligam, formando uma complexa rede de transferência de matéria e de energia, que chamamos teia alimentar.
Nas teias alimentares, certos animais podem ser, ao mesmo tempo, consumidores primários, secundá- rios, etc., dependendo da cadeia alimentar selecionada.
Fonte: LOPES, Sônia.; ROSSO, Sérgio. BIO – Volume 1. São Paulo. Editora Saraiva, 1ª Edição, 2016. As diferentes relações entre esses seres vivos estabelecem um delicado equilíbrio ecológico, no qual a eliminação de alguns organismos pode prejudicar vários outros seres vivos. Imagine, por exemplo, que o número de corujas de uma das cadeias que compõem a teia alimentar representada acima diminuísse drasticamente. Isso faria com que o número de roedores aumentasse, consequentemente, o número de plantas diminuiria, o que seria prejudicial para todos os organismos desse ecossistema.
Nos ecossistemas, o número de níveis tróficos é limitado em função da disponibilidade de energia. Isso porque, ao ocorrer a passagem de um nível trófico para outro, parte da energia de um nível trófico é li- berada para o meio sob a forma de calor e não é aproveitada pelo nível trófico seguinte. Dessa maneira, quanto mais distante estiver um nível trófico do nível do produtor, menor será a energia química dispo- nível no conjunto de seus integrantes. Nos ecossistemas mais complexos, o número de níveis tróficos é maior que em ecossistemas mais simples.
Apesar de o número de níveis tróficos variar de ecossistema para ecossistema dependendo de sua complexidade, os níveis tróficos são sempre os mesmos. Assim, ao se comparar dois ecossistemas diferentes, como um campo e os oceanos, verifica-se que, apesar de serem habitados por espécies diferentes, é possível identificar em cada um deles níveis tróficos equivalentes.
Nos dois ecossistemas, os decompositores estão representados por bactérias e fungos, que podem ser de espécies diferentes em cada ambiente.
PARA SABER MAIS
Você poderá aprofundar seus conhecimentos buscando outras fontes de informações: - AS CRIATURAS DO TOPO DA CADEIA ALIMENTAR! DOCUMENTÁRIO!
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Ad0wg9mNAuE> Acesso em: 27 set. 2020. - Se Liga Na Educação - Ciências da Natureza - 02/07/20 (Aula de Biologia para o 1º Ano do Ensino Médio). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=twfeFPCLv3s&list=PLiyVG7yUlUjOs-3L2iso3OyZD703M- pMAE&index=30> Acesso em: 27 set. 2020.
ATIVIDADES
01 - (UFRJ) – Em um lago, três populações formam um sistema estável: microcrustáceos que comem fitoplânctons e que são alimento para pequenos peixes. O número de indivíduos desse sistema não varia significativamente ao longo dos anos, mas, em um determinado momento, foi introduzido no lago um grande número de predadores dos peixes pequenos.
Identifique os níveis tróficos de cada população do sistema estável inicial e apresente as consequên- cias da introdução do predador para a população de fitoplânctons.
02 - (FMTM-MG) Pesquisadores brasileiros que estudam a nascente de águas cristalinas de baía Bonita, na região de Bonito (MS) registraram uma curiosa rede alimentar: peixes conhecidos como piraputangas concentram-se em região dessa Nascente, onde grupos de macacos-prego se alimentam de frutos das Árvores existentes ao redor da água. Os macacos deixam alguns frutos cair na água, atraindo as Piraputangas, que se alimentam dos frutos. Concentradas na obtenção de alimento, as piraputangas tornam-se presas fáceis de outro peixes, como os Dourados. Em dada ocasião, um dos pesquisadores observou que uma Piraputanga que havia sido mordida por um dourado, mas conseguira escapar, acabou capturada por uma sucuri.
a) Entre organismos citados no texto, qual ou quais são produtores? Qual ou quais são consumi- dores secundários?
b) Que organismos não citados no texto ocupam o último nível de transferência de energia entre organismos do ecossistema?
03 - Cultivado há aproximadamente 800 anos pelos orientais, o cogumelo shiitake é apreciado devido ao seu alto teor em vitaminas e substâncias que fortalecem o sistema imunológico. Ele é cultivado em troncos, onde suas hifas nutrem-se das moléculas orgânicas da madeira.
Uma pessoa, ao comer cogumelos shiitake, está se comportando como: a) consumidor secundário, do segundo nível trófico.
b) consumidor primário, do primeiro nível trófico. c) consumidor terciário, do quarto nível trófico. d) produtor do primeiro nível trófico.
e) consumidor secundário, do terceiro nível trófico.
04 - (VUNESP-2009) Considere o esquema que mostra diversos níveis tróficos ligados entre si formando uma teia alimentar na qual ocorre transferência de matéria e energia entre os organismos representados.
a) a quantidade de energia disponível no nível trófico do gafanhoto é maior que no nível trófico do musaranho.
b) a quantidade de energia disponível nos níveis tróficos dos camundongos e ratos é equivalente. c) a quantidade de energia ao longo dessa cadeia sofre pequena variação devido à participação
de organismos provenientes de diferentes ecossistemas.
d) a maior quantidade de energia disponível ocorre no nível trófico dos moluscos marinhos em relação ao nível trófico das aves costeiras.
REFERÊNCIAS:
AMABIS, JOSÉ MARIANO; MARTHO, GILBERTO RODRIGUES. Volume : Biologia das Populações – 3. Ed. – São Paulo: Moderna, 2010.
CAMPBELL, N.A.; REECE, J.B.; URRY, L.A.; CAIN, M.L.; WASSERMAN, S.A.; MINORSKY, P.V. & Jack- son, R.B. 2010. Biologia.10ª ed. Artmed, Porto Alegre, 1488 p.
FAVARETTO, José Arnaldo. BIOLOGIA: Unidade e Diversidade – volume 3. São Paulo. Editora FTD, 1ª Edição.
LOPES, Sônia.; ROSSO, Sérgio. BIO – Volume 1. São Paulo. Editora Saraiva, 1ª Edição, 2016.
LINHARES, Sérgio. GEWANDSZNAJDER, Fernando. PACCA, Helena. Biologia Hoje - volume 3. 3ª Edi- ção. Editora Ática, São Paulo, 2017.
PURVES, Wilian K., SADAVA, David, ORIANS, Gordon H., HELLER, H. Craig. Vida – A Ciência da Biolo- gia, 8ª ed.,Ed. ArtMed,2009.
SEMANA 3
EIXO TEMÁTICOS: 1- Energia. TEMAS: 1- Teia da Vida. TÓPICOS:2. Relações alimentares como forma de transferência de energia e materiais. HABILIDADES:
2.1. Analisar cadeias e teias alimentares e reconhecer a existência de fluxo energia e ciclo dos materiais. 2.1.1. Que ocorre transferência de energia e materiais de um organismo para outro ao longo de uma cadeia alimentar. 2.1.2. Que a energia é dissipada ao longo da cadeia alimentar em forma de calor.
2.1.3. Que os alimentos são fonte de energia para todos os processos fisiológicos. CONTEÚDOS RELACIONADOS:
Pirâmides ecológicas.