• Aucun résultat trouvé

The Method constraint 157

Methods infallibilism

4.1. The Method constraint 157

O trabalho docente relacionado ao ensino da língua materna numa concepção dita tradicional sempre foi caracterizado pelo ensino da gramática normativa, sendo ela a parte mais significativa das atividades dentro da disciplina.Mesmo que se estudassem textos, o conteúdo propriamente dito só chegava quando algum tópico gramatical era abordado.Os próprios planejamentos dos professores traziam listados como conteúdo programático, para as várias séries, um numeração de nomenclaturas gramaticais retiradas das gramáticas, estando o estudo do texto como um conteúdo à parte e desvinculado das análises da língua.

Nos cursos de capacitação alguns professores se mostraram angustiados e deram mostras de sua percepção sobre o fato de que a PC/SC trazia alguma coisa diferente em relação ao ensino de gramática, pois eram inúmeras as perguntas que se referiam à exclusão do ensino da gramática nas aulas de português.Por ter criado grande expectativa e dúvidas no profissional docente, este assunto foi pauta em quase todos os cursos e reuniões de estudo, buscando-se viabilizar uma leitura mais coerente da PC/SC. Assim , vê-se que o professor demonstrou mais segurança ao responder a pergunta que se referia ao trabalho com a gramática na sala de aula:

O importante é aprender como a língua se organiza a partir dos elementos gramaticais. O importante é saber de que maneira o gramatical faz parte do discursivo.(Raldi)

A gramática deve ser trabalhada constantemente. É na produção de textos escritos ou não que o aluno vai observar uma maior coerência, usando uma linguagem aceita ou ensinada pela gramática normativa.(Timm)

(Lessa não respondeu)

A gramática deve ser ensinada em momento oportuno e sempre associada à organização do texto.(Barbi)

Gramática textual que possibilite reflexão, comparação, e o porquê do seu uso no contexto(Eine).

De maneira geral, os professores compreenderam que , ao susto inicial de se eliminar totalmente a gramática de seus programas, cabia apenas uma mudança de

abordagem, partindo para um trabalho mais significativo. O que o professor não percebe é que essa mudança de abordagem no ensino de gramática deriva diretamente da mudança de abordagem da noção de língua, envolvendo este conceito todos os outros aspectos contemplados pela PC/SC.

Ainda assim, o texto da PC/SC traz toda uma discussão sobre a análise lingüística, que deve associar os planos da língua estrutura com a língua acontecimento, para que se tenha um trabalho que contemple, primeiramente o lingüístico, a seguir o epilingüístico e por final, o metalingüístico.Em suas respostas, o professor não quis se comprometer com estas referências ou mesmo não as entendeu claramente, o que torna sua resposta também fragmentada quando, a partir de uma ou outra afirmação retirada de um contexto maior de discussão dentro do texto da PC/SC, cada aspecto da análise lingüística é abordado como se fosse o todo.Cria-se uma leitura incompleta e daí, com sentidos alterados até.

Pode-se dizer que a resistência maior do professor está mesmo em abandonar o ensino da gramática normativa em prol de uma análise lingüística, pois a segunda lhe exigiria a autoria do trabalho de ensino de língua materna, sendo que o livro didático assim não se apresenta.Pelo constatado na entrevista, os professores praticam a PC/SC quando o que o que o livro didático faz ou propõe coincide com os objetivos do documento oficial. Esta posição do professor é negada pela própria PC, quando assume um caráter de flexibilidade metodológica, sugerindo retirar do contexto em que o aluno está inserido, o material verbal para o ensino da Língua Portuguesa.

Com relação à posição do professor frente à leitura, há unanimidade em considerà –la como um dos pontos essenciais do ensino de língua portuguesa, desde a aquisição inicial até a formação do hábito de ler. Para o professor

A leitura é que ajuda o aluno a crescer, a desenvolver seu potencial, precisa ter boa leitura para entender todos os outros assuntos.(Raldi)

A leitura é mais do que decodificação, é preciso que o aluno saiba o que significa o texto, que saiba interpretar,pois isso hoje é muito exigido.(Timm)

Hoje já se diz que se alfabetiza o tempo todo, que nunca termina de se aprender a ler melhor.(Lessa)

Há vários objetivos para a leitura e ela serve para facilitar a fala e a escrita, para melhorar até a parte gramatical do aluno.(Eine)

Quando a PC/SC se refere à leitura, demora-se em explicitar o conceito acatado, baseando-se principalmente em Foucambert e Orlandi. Considerando o detalhamento que a PC/SC faz em relação à leitura, o professor foi breve nas respostas, talvez porque esta pergunta tenha sido a última na constituição do questionário.Nenhum dos pesquisados aprofundou o conceito de leitura, as metodologias de leitura propostas, a questão da legibilidade dos textos, a relação do leitor com o texto e outros tantos aspectos contemplados pela Proposta, mas não referidos pelo professor.

Novamente credita-se essa fragmentação da leitura à dificuldade que os professores ainda apresentam para ler o texto da PC/SC, criando um desnível entre o que o próprio documento vai considerar como o leitor real e o leitor virtual, inscrito no texto(ORLANDI,1993).Ora, nesse exercício de leitura, o leitor virtual não corresponde ao leitor real e então, deixa-se de abrir possibilidades de mudança nas práticas de ensino da língua materna.O que o professor precisa levar à sala de aula ainda não constitui sua própria prática individual, como esta leitura, por exemplo, abrindo-se uma lacuna entre o que se demanda do profissional professor e o que ele realmente dispõe para fazer movimentos mais profundos no ensino de língua.