The Legend of the Justified True Belief Analysis
2.4. Hume’s predicament, probabilism and idealism 79 this is a legitimate use or extension of the word “know” is a question that
conteúdos de Língua Portuguesa, o faz a partir de duas questões: a) Quais são e como são os conteúdos?
b) Os conteúdos podem ser seriados na escola?
Se o leitor professor vai ao texto buscando a nomeação dos conteúdos, item por item e série por série, não os encontra, podendo resultar numa expectativa de leitura frustrada. Ao abordar quais são os conteúdos de Língua Portuguesa, a proposta remete à construção de conceitos vigotskyana, esclarecendo que não se trata, numa proposta curricular, de pontuar conteúdos pois tudo o que diz respeito ao uso da língua pode ser conteúdo de Língua Portuguesa. O que se apresentam são grandes eixos norteadores que indicam, segundo a PC, que se pode” focalizar na língua este ou aquele aspecto, esta ou aquela dimensão”.Se, por um lado, a PC/SC dá uma abertura ao trabalho do professor de português, por outro, deixa-o bastante confuso sobre o que seria este ou aquele aspecto, se seriam tópicos de gramática ou textuais, entre outros.
A organização dos conteúdos para o documento deve estar articulada ao Projeto-Político-Pedagógico da escola e deve contemplar a linguagem em suas manifestações(lingüística, epilingüística e metalingüística), abordando seus usos, as formas como se apresentam e refletindo sobre ela. A partir desses dados é que se elaborariam os critérios de seqüenciação dos conteúdos.
O trabalho com o gênero do discurso é sugerido em várias partes do documento, mas sempre de maneira estanque, sem ao menos conceituá-los ou esclarecer critérios de seleção. Esta é uma grande lacuna na Proposta Curricular de Santa Catarina, que se desdobrou em várias páginas a explicar o caráter social da linguagem, seu aspecto dialógico e suas condições de produção, para, ao chegar na seção dos conteúdos, apenas
listar gêneros a partir de algumas semelhanças, mais ou menos reconhecidas.
Segundo a Proposta Curricular de Santa Catarina, a título de sugestão, devem ser apresentados gêneros textuais “que proliferam na sociedade e que a escola não pode marginalizar, simplificar ou recortar de modo inconseqüente”. Ora, esta afirmação é bastante comprometedora e exige extensos esclarecimentos sobre o que é e o que não é um gênero, e como a escola poderia estar simplificando ou recortando os mesmos.Ainda mais que, segundo a PC,
Não se trata de uma tipologia. As tipologias variam muito, dependendo dos critérios utilizados pelos estudiosos, e provavelmente ninguém conseguirá enquadrar de modo absolutamente aceitável os gêneros e os tipos de seqüências e organização global dos textos que manifestam os discursos de uma sociedade. (SANTA CATARINA, 1998, p. 77)
Percebe-se claramente que a PC tenta diferenciar gêneros de tipos textuais, mas não estende a discussão além do trecho citado acima.Para um professor que não teve nenhum contato com autores e textos que fazem a diferenciação entre gêneros e tipos, cria uma possibilidade de entender que é preciso trabalhar uma variedade de textos, mas que os critérios de seleção e a forma de apresentá-los depende de cada professor que, por sua vez, não vai conseguir separar os textos por falta de critérios ou por uso de critérios duvidosos. Em seguida, sob o título de gêneros do discurso, são listados gêneros “agrupados a partir de algumas semelhanças, mais ou menos reconhecidas”, segundo o texto. Dentre esses grupos, contos, fábulas, poemas, manuais, horóscopo, receitas entre muitos outros. O critério do próprio documento é confuso : “semelhanças mais ou menos reconhecidas”, sem mais nenhuma explicação, e que o professor deverá deduzir a partir dos exemplos.Estes exemplos, no entanto, tanto podem encaixar os textos como tipos ou como gêneros,e aí entra o conhecimento anterior do professor ou a pesquisa que ele se obrigará a fazer, se quiser esclarecimentos sobre o assunto.
Avaliando que todo o texto da Proposta Curricular de Santa Catarina remete ao caráter social e dialógico da língua, à importância da interação e da língua como coisa viva e não como artefato, é importante colocar que a parte que aborda o trabalho com gêneros é reduzida e insuficiente para que o professor leitor decida, com a autonomia que o próprio documento quer lhe conferir, o que são gêneros, quais devem ser selecionados, que tipo de abordagem deve ser dada a eles. Não há uma definição clara sobre o que são gêneros e o que são tipos textuais, o que, ao se valer da concepção de língua de Bakhtin,teria, necessariamente, um espaço para uma discussão maior. Há uma negação sim, das tipologias fragmentadas e escolares, como os textos descritivos, por exemplo. Tenta-se esclarecer, num outro tópico que trata da leitura e escritura como processos, que é preciso situar os textos no seu lugar social, mas mesmo assim, a PC não alcança ainda a clareza necessária para a prática de sala de aula.
3.8 .Concepção de leitura
Foucambert (1994) e Orlandi (1998), caracterizando uma abordagem discursiva, coerentemente relacionada às orientações teóricas ligadas à proposta.
Algumas das considerações sobre leitura que constam na Proposta Curricular de Santa Catarina são aqui colocadas como norteadoras da pesquisa, sendo:
1. A escritura e a leitura se dão em momentos diferentes, mas a escritura já pressupõe o leitor.
2. A leitura só acontece quando três elementos interagem: o texto, o locutor e o interlocutor.
3. A legibilidade é uma questão de grau, envolvendo a relação do leitor com o texto, e com o autor. Assim, um texto não é, em si mesmo claro ou obscuro, fácil ou difícil.
4. O autor produz a partir de uma figura imaginária: o leitor ideal. Quando o leitor aceita esta figura imaginária, estabelece-se a interlocução, senão, há o confronto.
5. A distância entre o leitor imaginário e o leitor real pode provocar conflitos que atingirão a relação autor/leitor. Isto pode ser resolvido pela mediação na fala, mas, faz crescer a distância na escrita. Segundo a proposta curricular (PC/SC), resta ao leitor real mudar de interlocutor, e isto é uma questão de nível. Se no ensino é esta distância que vai produzir a aprendizagem, no caso do leitor/professor da Proposta Curricular de Santa Catarina, não se pode afirmar o mesmo.
A perspectiva de Foucambert é tomada pela PC, quando separa a leitura em saber-decifrar e saber-ler. Há então uma aproximação com o que se toma nesse trabalho por letramento, mas o termo propriamente dito não é utilizado na PC.Considera-se que o alfabetizar como ensinar a ler pela decodificação não forma leitores, mas apenas pessoas alfabetizadas (grifo do texto).As estratégias de leitura e as metodologias de ensino é que vão determinar a formação de leitores eficientes, com capacidade de julgar as leituras que fazem como boas ou ruins, enquanto um ledor (termo de Foucambert), tem sempre uma atitude inferiorizada perante o livro.
Outras considerações sobre a leitura são colocadas pela proposta curricular, a partir da caracterização de Foucambert:
1. Ler é atribuir sentido à escrita. É uma busca de respostas, um questionamento ao texto.
2. Ler é um processo complexo, que comporta a obtenção de informação sobre um questionamento inicial, ou a formulação de um juízo sobre o escrito.
desconstruí-las, abrindo a visão para o sentido que é construído pelo contexto, não tendo que passar a leitura pela oralidade , o que exigiria uma seqüenciação, não necessária para inferir sentido de uma parte a partir do conjunto.
4. Ler é, em primeiro lugar, adivinhar. Na aprendizagem inicial da leitura, a criança tem facilidade em atribuir significado, e a escola pode aproveitar essa competência escolhendo um método que continue o processo e não desvie a aprendizagem.
5. Ler é tratar com os olhos uma linguagem feita para os olhos. Ler não é oralizar, não é fazer leitura em voz alta,pois, segundo a PC,a oralização não garante a compreensão.
Para a PC/SC, a produção de sentidos na leitura depende da relação entre o texto, o autor e o leitor.No contexto escolar, no entanto, a mediação do professor é que deve ser responsável pela formação do aluno leitor e não só decifrador.Novamente o documento reforça que é da formação do professor que vai depender “o sucesso de uma proposta de leitura”(p.84), já que o ato de ler integra uma pluralidade de processos mentais, e aqui subentende-se que o professor deve conhecê-los bem através dos teóricos como Vigotsky e Bakhtin.Para este documento, a boa formação inicial e continuada dos professores é essencial para que se concretize o que se está propondo.