Modal Requirements
3.4. Simple modal requirements 121 where the belief is held by a different subject.) Some de se propositions
Os professores, de maneira geral ,aceitam os problemas cotidianos como inerentes ao processo de ensino-aprendizagem e não medem esforços para mudar estratégias ou técnicas para conseguir resultados mais eficientes.Entretanto, na maioria das vezes a mudança de estratégia ou técnica não é suficiente, e os problemas continuam a aparecer.
Se há, por outro lado, uma proposta de mudança mais profunda, que vai além de estratégias didáticas,esta proposta costuma partir,conforme Zeichner(1993), de outras pessoas ou instituições, isto é, não foi o próprio professor que fez o caminho da reflexão e percebeu a necessidade de mudança nas concepções por ele seguida, e não somente nas técnicas utilizadas.
Os sujeitos entrevistados avaliaram sua prática em relação às exigências contidas na PC/SC, e assim se manifestaram:
Procuro buscar o máximo de integração, mas nem sempre isto é possível.(por quê?)Ah, pouco tempo, tem o livro, que se não terminar o pai reclama,se fizer coisa muito diferente já criticam que os conteúdos estão atrasados...(Raldi)
É bem difícil juntar teoria e prática, porque falar é uma coisa, fazer é outra.Eu tento trazer coisas novas, de interesse deles, fazer aula diferente,mas também precisa ensinar a gramática, aproveitar o livro(didático).(Timm)
Tem muita teoria complicada lá, eu uso o livro didático,o que estiver de acordo com a PC/SC lá dentro, eu uso.(Lessa)
Tenho tentado adequá-la à PC/SC,usando vários tipos de texto,ensinando a gramática a partir do texto.(Barbi)
Acredito que está caminhando, já melhorou bastante em relação a alguns anos atrás.Procuro sempre direcionar meus trabalhos seguindo as orientações contidas na PC/SC, mas muitas vezes encontro obstáculos,como falta de tempo,impossibilidade de sair do livro didático,os pais reclamam.( Eine)
A questão da resistência dos professores aos documentos oficiais não é da ordem do desconhecimento das propostas, mas antes,da necessidade que o profissional docente tem de refletir sobre o que faz e no que baseia sua prática atual, revendo primeiro as velhas concepções, para permitir, a partir daí, o movimento de mudança.
A distância que separa a prática do professor de uma proposta teórico- metodológica a ele oferecida pode então ter sua causa na desconsideração de um saber anterior do professor, na falta de reconhecimento do profissional docente como alguém que cria saberes no dia-a-dia e tenta fazer o melhor possível de sua prática.A dificuldade para a mudança reside, pois, na falta de refletir, primeiramente com o professor,sobre a prática por ele adotada e sobre quais teorias esta prática está construída, para se fazer o movimento de mudança gradativamente, com uma reflexão sobre a reflexão na ação, conforme Schön(1993).
Aos professores, durante as entrevistas, foram lançadas questões acerca de sua visão sobre a distância que separa a teoria da prática em se referindo à PC/SC.Nenhuma resposta foi marcada pela crítica ao conteúdo do documento e ao que é proposto, mas a questões de infra-estrutura para desenvolvê-los, de inviabilidade sempre relacionadas a questões externas ao texto do documento e externas à vontade ou competência dos professores, principalmente. Para que esta lacuna seja preenchida, é necessário, segundo os professores pesquisados
Que todos os professores tenham acesso aos cursos de capacitação referentes à PC/SC.Que haja possibilidade para a continuidade das reflexões no espaço escolar, fornecendo assim, ao professor, subsídios para expandir e aprofundar seu campo de conhecimento.(Raldi)
Mais conhecimento da PC/SC através de cursos de capacitação que tratem da área de Língua Portuguesa e sejam menos teóricos e mais objetivos sobre o que deve ser trabalhado,que mostrem uma aula de acordo, pra gente se basear.(Timm)
Falta muita coisa: tempo para estudar a proposta, alguém que explique tudo com detalhes e mostre como deve ser a prática.Não é uma receita, mas que dê uma aula pra gente ver como é; às vezes a gente até já faz certo e nem sabe, podiam
mostrar um modelo,sei lá...(Lessa)
Mais prática e maior conhecimento da Proposta, com cursos, esclarecimentos que realmente mostrassem o que deve ser feito na prática.(Barbi)
Falta ainda uma conscientização dos pais em entender e aceitar esta nova proposta, entendimento por parte dos professores como também comprometimento e competência profissional.A maioria dos professores até tenta mudar mas não consegue, trabalha sessenta horas e o jeito é seguir o livro didático, fica mais fácil.Ficar todo dia lendo a PC/SC ninguém agüenta, é muita teoria.(Eine)
Como se pode perceber, apenas um dos professores refere-se à dificuldade dos próprios professores no entendimento do texto da PC/SC e à falta de leitura do texto.Há referência unânime, entretanto, que não há auto-suficiência por parte do professor para fazer a leitura da proposta, e o que pedem é um auxílio para esta leitura, com cursos de capacitação e esclarecimentos de como passar da teoria à prática.De certa forma, os sujeitos aceitam que seu nível de leitura não alcança este texto e que necessitam de apoio para a sua compreensão.Aceita-se também que existe uma distância difícil de superar e que os professores não estão “vendo” como se faz o movimento de transformação.
Considera-se que as receitas pedidas pelo professor não são o conteúdo que irá preencher a distância entre o proposto e o disposto, mas que o problema vai além,decorrendo da própria formação inicial e a falta de formação continuada, como já referido pelos sujeitos pesquisados.Para incitar um movimento de mudança é necessário que haja um processo de reflexão que parta da prática vigente,quando o professor repensa a sua atuação na sala de aula,de forma vinculada ao todo que é a escola, com sua função social, com sua concepção de ser humano,isto é, da reflexão sobre um projeto maior: o projeto político pedagógico da escola.Esse pensar do professor cria teorias próprias e diminui o receio desses profissionais acerca de “teorias demais e práticas de menos”.Já Freire (1996),alertava que
É pensando criticamente a prática de ontem e de hoje que se pode melhorar a próxima prática.O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem que ser de tal modo concreto, que quase confunda com a prática. O seu distanciamento epistemológico da prática enquanto objeto de sua análise, deve dela aproxima-lo ao máximo.Quanto melhor se faça essa operação tanto mais inteligência ganha da prática em análise e maior comunicabilidade exerce em torno da superação da ingenuidade pela rigorosidade.(p.44)
necessidade de se pensar a ação docente,partindo o movimento sempre da ação, do pensar a ação, e caminha então para o discurso teórico que deve perpassar,por sua vez, a ação.Não há dúvidas, no entanto, que há ainda uma lacuna a ser preenchida e que esse “preenchimento” inicia com um olhar sobre o que se faz, para se partir, em seguida, para o que se pode fazer.