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Historical illustrations 49 Discernibility thesis. If one is attentive enough, one believes that one

The Legend of the Justified True Belief Analysis

2.3. Historical illustrations 49 Discernibility thesis. If one is attentive enough, one believes that one

Numa paráfrase de Bakhtin em Marxismo e Filosofia da Linguagem, a PC/SC apresenta, em seguida, as bases sobre as quais o conceito de língua como dialógica foi construído.Para isso, o documento aponta como necessário explicar as concepções opostas a esta, que tomam a língua como a)um sistema de formas autônomas, às quais o sujeito

deve submeter-se; e b) uma forma de expressão individual, ato criador só legitimado na circunstância imediata de sua enunciação.Estas duas orientações opostas de conceber a língua é que podem justificar, segundo a PC/SC , a opção pela concepção interacionista de língua.. Após rápidos esclarecimentos sobre as teorias de Saussure (a) e de Chomsky (b), assim a PC/SC se pronuncia

Se a escola trabalha com o homem em sua realidade social, se quer formá-lo integralmente, como poderia assumir concepções cujos pressupostos são tão restritivos? A sua legitimidade se dá no nível da própria atividade científica, como estudo desinteressado, como teoria.A escola, ainda hoje, trabalha com o fundamento comunicativo da linguagem humana,que teoricamente é limitado; por outro lado, pretende desenvolver a expressão do aluno(lado individual, insistindo na criatividade), o que se faz a duras penas, sem muito sucesso, e o processo interacional fica, em última análise, marginalizado. (SANTA CATARINA, 1998,p.60)

Há, dessa forma, uma crítica às práticas tradicionais de ensino de língua, baseadas,segundo a PC/SC, em teóricos como Saussure e Chomsky.Mostra-se então o movimento que se deseja do professor: que ele evolua de um conceito de língua baseado apenas na sua utilidade para a comunicação, em que existe o locutor ativo e o ouvinte passivo, ou do conceito que parte do objetivismo abstrato,em que falante e ouvinte são neutralizados por uma imagem de falante e ouvinte ideal, para uma visão de língua viva, em movimento e, principalmente, apontando para a enunciação como de caráter social. Sem dúvida, fica claro que o documento está negando práticas ditas tradicionais e as explicita, em contrapartida, ao que propõe de novo.Esta forma de apresentar as teorias dentro do texto da PC poderia ser considerada didática se houvesse a certeza de que os prováveis interlocutores já tivessem feito o caminho da reflexão sobre a própria prática vigente e que chegassem à conclusão que realmente ensinam a língua a partir do subjetivismo idealista ou do objetivismo abstrato, para, a partir daí, poderem fazer o movimento esperado.

A dúvida que aqui se está colocando é sobre a relação que o professor faz entre sua prática pedagógica cotidiana e teóricos da linguagem como Saussure e Chomsky.Sem dúvida, a formação inicial em cursos de Letras deve dar essa competência aos professores, mas em que medida isto é fato? Assim, considera-se que, possivelmente, ao apresentar dificuldades de se situar dentro das práticas opostas à concepção dialógica apresentada pela PC/SC,é que o professor acaba por não ler as mudanças que dele são esperadas.Faz-se necessário um esclarecimento maior sobre as orientações teóricas ditas tradicionais e em

que práticas de ensino elas implicariam, mostrando ao professor a ligação que há entre cada postura teórica sobre a língua e as atividades que são desenvolvidas na sala de aula.

O caráter dialógico da linguagem, entretanto, recebeu, neste texto,um tratamento bastante detalhado. Apesar de estar se referindo ainda à concepção de língua/linguagem, a palavra dialogia é destacada em negrito a cada menção que recebe, o que não acontece com a palavra língua. Pode subentender-se, dessa maneira, que dialogia é um conceito separado da noção maior de língua e que deva então ser ensinado ao aluno.O dialogismo constitutivo é colocado pela PC como a ponte entre os homens, isto é, cada ser é complemento do outro e só se constitui a partir do outro, não havendo voz solitária, única ou homogênea, o que há é a intersubjetividade.O que a PC/SC vai colocar como inovador é que este dialogismo vai trabalhar com a idéia de atividade na interação social, o que não é feito pela tradição, que obriga que todos os procedimentos verbais sejam restritos a um conjunto de regras rígidas, esquecendo da relação do enunciado com um provável parceiro. O dialogismo, segundo a PC,numa paráfrase de Bakhtin, considera a bilateralidade do processo comunicativo, pois os enunciados concretos se determinam pela alternância dos sujeitos, dos locutores; as fronteiras são estabelecidas na relação com os outros.Ressalta-se, neste ponto do texto, que não há necessidade de existir um interlocutor imediato, mas que haja uma orientação para o outro.

Por mais três páginas(60,61,62), a PC/SC vai tratar de explicar o dialogismo, inserindo, a partir dele, noções de enunciado e enunciação, discurso, construção do sentido e condições de produção – aqui apontando para o trabalho com os gêneros do discurso, sem, no entanto, mencionar características ou definições acerca dessa possibilidade.

Sempre múltipla e interindividual, a palavra humana precisa fazer sentido para seus usuários.Os sentidos possíveis têm sempre como moldura um horizonte social. É a isto que chamamos, de um modo geral, condições de produção: de um lado o horizonte social com todas as práticas, crenças e valores que aí são cultivadas; de outro as situações específicas de intercâmbio[...] que correspondem a lugares específicos de, ao mesmo tempo, ter possibilidades e sofrer restrições ao nível da atividade enunciativa.(SANTA CATARINA, 1998, p. 61)

A esta altura do texto poderia estar inserida uma possível explicação sobre gênero do discurso, já que ,mais além, o assunto vai ser abordado e, acrescente-se, de maneira rápida e superficial, carecendo de uma discussão maior, visto que a questão dos gêneros incide diretamente sobre a prática do professor.

de esclarecer a teoria bakhtiniana. Novamente se toma a questão do outro, da alteridade para a construção do discurso, o papel ativo dos sujeitos na construção dos sentidos, numa tautologia que vai resultar até na mesma conclusão da página anterior: “exatamente a esse dispositivo essencial da vida comunitária que Bakhtin chama de dialogismo”(p.62), o que já havia sido explicado antes e assim expresso: “é a esse dispositivo essencial que Bakhtin chama de dialogismo”.

Essas repetições podem ter efeito contrário ao que o autor do documento pretendia, pois como a maior parte do texto é muito densa e concisa, tal fato pode dificultar a leitura do documento e sua possível transposição didática.Conceitos como polifonia, intertextualidade, discurso, polissemia, entre outros, e todos ligados à concepção de língua adotada, podem ser lidos como concepções à parte, pois foram apresentados em um texto bastante teórico e de difícil leitura,considerando as bases teóricas advindas das condições de formação dos destinatários da PC/SC.