abuso sexual aos 10 anos. Mas a história dela também é de superação.
Hoje, Vera Lúcua Guimarães mantém um abrigo para as pessoas que passaram pela situação. "O meu desejo, na época, era que o agressor fosse punido, mas isso não aconteceu", diz ela. "Então, fiquei muito magoada, senti que eu não fui protegida o suficiente. Com o passar dos anos, tive vontade de ajudar as pessoas que passaram pela mesma coisa que eu" (G1, 2007).
No trecho 2, o G1 apresenta uma fonte envolvida para exemplificar uma história de superação, dessa forma o veículo consegue uma aproximação maior com o leitor que fica sensibilizado com a história.
Notícias que esclarecem conceitos e legislação também são de extrema importância para informar a população e as fontes especializadas devem ocupar esse espaço de informação. Um exemplo dessa prática no G1 surge na notícia “Padrastos são principais suspeitos de abuso sexual, diz pesquisa”, publicada em 2009, onde um professor esclarece o que significa pedofilia e abuso sexual.
“O professor afirmou que abuso sexual é diferente de pedofilia. ‘A pedofilia
é um distúrbio. O pedófilo é aquele que tem um comprometimento mental, que tem um desejo incontrolável por criança. Nem todo mundo que abusa sexualmente de uma criança sofre desse distúrbio que é a pedofilia’".
De acordo com ele, o aumento no número denúncias de abusos abuso sexual de crianças e adolescentes nos últimos anos não reflete o crescimento do número de casos e sim a conscientização da sociedade. ‘O abuso sempre
houve. O que nós estamos presenciando agora, principalmente com a ajuda da mídia em divulgar o abuso sexual para a sociedade, é um maior esclarecimento das famílias, principalmente para que a mãe e outros familiares possam estar atentos para fazer denúncia’, avaliou Liércio”
(G1, 2009).
Nessa mesma notícia, temos a ocorrência da sedução com avaliação positiva quando o G1 cita dados da pesquisa que revela os dados sobre denúncia do Disque 100 – “Criado em 2003, o Disque 100, que registra casos de violência contra crianças e
adolescentes, já encaminhou quase 90 mil denúncias em todo o Brasil. Só neste ano, já foram 4,7 mil registros, 31% deles relativos à violência sexual, 35% à negligência e 34% a casos de violência física e psicológica”.
O suspeito/agressor no G1 aparece com as seguintes denominações: suspeito, maníaco, suposto comparsa, o homem que agrediu, foragido e presidiário. Nos casos de grande repercussão como foi o caso do “maníaco da Cantareira” a imprensa de uma maneira geral, adota o nome que a polícia associa ao caso, e foi isso que aconteceu no caso Cantareira. Os trechos abaixo foram extraídos da notícia “Polícia decreta prisão temporária de suposto comparsa de maníaco”, publicada em 2007.
Mostração - A Justiça decretou na tarde desta sexta-feira (5) a prisão temporária, por 30 dias, do suspeito de ser o comparsa de Ademir Oliveira do Rosário, o maníaco da Cantareira.
Detido suspeito de ser comparsa do “maníaco da Cantareira” - Um homem foi detido na manhã desta sexta-feira (5) pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de ser o comparsa de Ademir Oliveira do Rosário, de 36 anos, que ficou conhecido como o "maníaco da Cantareira". O suspeito foi levado para sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Uma irmã do maníaco havia dito ao G1 que o celular do presidiário continha imagens dos garotos e outros registros que mostravam que ele andou acompanhado na região dos crimes. "É o menino de 13 anos. Não é a foto dele nu, nada. É uma foto de roupa normal", disse a mulher, cuja identidade foi preservada pelo G1. De acordo com ela, o aparelho foi entregue à polícia (G1, 2007).
Além da descrição do acontecimento e das fontes, essa notícia também apresenta uma infografia animada com a reconstituição do crime, o que caracteriza a função de mostração. Várias notícias no G1 são acompanhadas de vídeo com a respectiva matéria da TV (afiliadas da Globo), no entanto, como as notícias são antigas esses player não funcionam, estão desabilitados. As imagens, vídeos, áudios que compõem as notícias de
ambos os veículos não são elementos de análise da amostra, eles foram contabilizados somente enquanto elemento multimidiático das webnotícias e observados para perceber se a identidade das crianças era revelada. O corpus de estudo é o texto escrito.
Outra notícia em que o suspeito aparece na manchete e texto é “Preso dono de creche suspeito de abuso sexual na Zona Norte”, publicada em 2010. Quando ainda não ficou provado a participação no ato, a pessoa é chamada de suspeito e o texto noticioso apresenta elementos que trazem a ideia de suposição como na expressão teria abusado.
Mostração - Ele foi preso em casa, também na Tijuca, em cumprimento de um mandado de prisão preventiva após denúncia de cinco pais de crianças.
Ele teria abusado sexualmente de crianças entre 4 e 6 anos de idade.
Em operação realizada no início da manhã desta quinta-feira (14), policiais da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) prenderam um
suspeito de violência sexual contra crianças. O suspeito seria diretor e dono
de uma creche na Tijuca, na Zona Norte do Rio. (G1, 2010)
As fontes especializadas são elemento importante e que agregam conteúdo qualificado às notícias. Na notícia “Violência contra menina sequestrada em SP impressiona especialistas”, publicada em 2010, as fontes se surpreendem com as atrocidades sofridas por uma menina que foi vítima de violência.
No parágrafo com função de mostração, o G1 demonstra no seu posicionamento discursivo está sensível ao fato e assim como as fontes, estar surpreso com o que ocorreu.
A violência vivida pela menina de oito anos mantida por duas semanas em cárcere privado e sob agressão sexual de um homem adulto, namorado da prima que a sequestrou, impressionou até mesmo profissionais que estão
acostumados a lidar com vítimas de violência. Presa dentro de um guarda-
roupa, a menina só conseguiu escapar do cativeiro porque achou um aparelho de telefone celular esquecido pelo sequestrador e acionou a polícia, que a libertou no domingo (28). A prima dela, adolescente, foi recolhida à Fundação Casa. O homem que a agrediu, foragido da Penitenciária de Tremembé, continua à solta. (G1, 2010).
As fontes especializadas foram contatadas para conceder declarações para essa notícia. As declarações apresentam a função de interação, pois são assertivas em orientar o leitor sobre como agir em casos de violência sexual e para qual tratamento direcionar as vítimas, além disso, também enfatizam que o caso apresentado é atípico.
Mestre em saúde materno-infantil e integrante do núcleo de violência sexual do Hospital Pérola Byington, a psicóloga Daniela Pedroso disse ao G1 que atende dezenas de vítimas por dia, mas nunca viu nada parecido em mais
de uma década de experiência. Daniela comparou o episódio ao enredo do filme "Silêncio dos Inocentes" (1991), no qual as vítimas são encarceradas por um maníaco. "Essa é uma situação atípica e de
extrema violência. Esse caso foge muito do padrão", afirmou. A psicóloga e o psiquiatra são unânimes ao afirmar que a menina precisa de tratamento adequado, sob pena de ficar doente agora ou mais tarde, quando adulta.
"O abuso sexual é uma violência muito grave porque é uma atitude de
imposição muito forte, um evento muito traumático. O poder que tem de desestruturar uma pessoa, no caso uma criança, que ainda tem menos recursos, é muito grande. Há grande chance de que essa criança possa desenvolver já no primeiro mês um quadro de transtorno de estresse agudo ou em algum tempo transtorno de estresse pós-traumático", disse
o professor Mello.
A psicóloga Daniela afirma que "se não forem cuidados, vítimas de
violência sexual podem apresentar dificuldades de relacionamento interpessoal, maior risco de envolvimento com drogas lícitas e ilícitas, gravidez na adolescência, comportamentos à margem da sociedade e episódios de depressão ao longo da vida".
O tratamento, entretanto, pode atenuar as marcas da violência, embora seja quase impossível apagá-las. "É possível se minimizar os efeitos da
violência sexual sofrida, desde que a criança receba acompanhamento psicológico e sinta-se acolhida e amparada por sua família, comunidade e escola", disse Daniela Pedroso. De acordo com ela a abordagem psicológica é realizada através de atividades lúdicas, que envolvem brincadeiras, jogos e atividades gráficas (G1, 2010).
Um caso de violência sexual obteve bastante repercussão em todas as mídias no Brasil, uma adolescente que foi presa com vários homens na mesma cela e foi estuprada por eles. A manchete “Delegado do Pará diz que adolescente presa tem debilidade mental”, publicada em 2007, apresenta a declaração polêmica de um delegado. Em uma tentativa de justificar o que disse, o delegado depois declarou que “a violência sexual
sofrida pela adolescente provavelmente a abalou psicologicamente”.
A declaração foi criticada pela ministra da Secretaria Especial das Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. “Esse tipo de declaração de
desqualificação da vítima é visto com muita frequência e tem que ser tratada com repúdio. Nada justifica o que aconteceu”, afirmou.
Mostração – “O delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, afirmou em depoimento à Comissão de Direitos Humanos no Senado nesta terça-feira (27) que a adolescente presa com 20 homens em uma cela no município de Abaetetuba (PA) “certamente tem alguma debilidade mental porque em nenhum momento informou ser menor de idade” (G1, 2007).
Um exemplo de declaração com função de sedução com valor negativo é a declaração de uma delegada – “Depois que o caso ganhou repercussão internacional,
as autoridades envolvidas passaram a ser investigadas. A delegada Flávia Verônica
Pereira, em depoimento a uma comissão de deputados federais, se esquivou: “a
Com a expressão “se esquivou” o G1 se posiciona com relação ao que foi declarado pela fonte e personifica a declaração em uma atitude de fuga.
No trecho destacado abaixo outro exemplo de sedução com valor negativo, o G1 diz que o delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, não foi o único a tentar justificar o que ocorreu e apresenta declaração da governadora. Quando o G1 diz que as fontes “tentaram justificar”, passa a impressão de que o que ocorreu não tem justificativa.
Benassuly não foi o único a tentar justificar o ocorrido com a adolescente.
A governadora Ana Júlia disse que em pouco mais de dez meses de mandato não é possível resolver problemas que vêm de gestões anteriores. Ana Júlia disse ter dobrado o número de vagas no sistema carcerário feminino para evitar novos casos de violência contra mulheres (G1, 2007).
Um exemplo de sedução com valor positivo é a forma com que o G1 se refere à atitude do ex-preso que resolveu denunciar o caso, demonstrando simpatia com a atitude – “O caso passou por policiais, delegados, juízes e promotores. Mas só veio à tona
graças a um ex-preso que viu os abusos de perto e resolveu denunciá-los”.
Na notícia “Adolescente presta depoimento sobre abuso de garota de 13 anos”, publicada em 2008, as declarações da vítima aparece em ordem direta - "Como eu
pensei que eles eram meus amigos, nunca passou pela minha cabeça que eles fizessem isso. Se Deus quiser, eu vou me recuperar".
Em outra notícia “Mais um caso de violência sexual na Bahia vai parar na internet”, publicada em 2008, sobre o caso de uma menina de 16 anos que foi violentada por cinco adolescentes que era seus colegas de escola, no interior da Bahia, a declaração da vítima relata sobre a chantagem que os agressores tentaram fazer com ela para que a violência não chegasse à polícia - “Eles quiseram fazer um acordo comigo. Se eu os
entregasse, eles iriam jogar o vídeo para todo mundo ver”.
Em outra declaração o discurso é indireto, mas consegue transmitir o que a vítima e sua mãe estão sentindo. Na notícia “Preso padrasto suspeito de engravidar
menina de 10 anos”, publicada em 2010, a mãe e a vítima prestaram depoimento a polícia – “a mãe afirmou que não desconfiava dos abusos. Já a menina disse que não
contou nada porque o padrasto ameaçava matar a mãe”.
Outra notícia apresenta também as declarações de mãe e filha, em “Pela internet pai nos EUA descobre que filha foi violentada na Bahia”, publicada em 2008, a vítima disse – “Eu percebi que eles estavam bebendo e ficaram insistindo para eu tomar.
Quando eu fui tomando, fui perdendo a noção. Aí eu apaguei, disse a garota. A mãe da garota, que não quer ser identificada, se emociona ao pedir justiça. A vítima diz que ainda não superou o trauma e a vergonha pela violência sexual”.
Na amostra também localizamos notícias com declarações polêmicas, como na notícia “Crianças da zona rural são mais suscetíveis a aliciamento de pedófilos”, publicada em 2008, que defende o argumento é defendido nas declarações de fontes especializadas – “As crianças da zona rural são as mais suscetíveis a aliciamentos
para fotos de pedofilia e exploração para prostituição, segundo a coordenadora do
Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Neide Castanha. Ela disse à Agência Brasil que o perigo aumenta especialmente nas
situações em que o campo está muito perto das cidades”.
A fonte defende a ideia de que o fato do adolescente viver no campo e na cidade é um fator de risco para más influências do que ela chama de “ícones urbanos”, ela ainda usa o termo pejorativo “jeca” para se referir às pessoas do campo - “A condição
rural sofreu uma deterioração muito grande nos últimos anos, então ninguém quer ser rural. Ser rural virou sinônimo de jeca”, afirmou. “O adolescente que está vivendo entre o campo e a cidade fica em uma situação muito pendular. É aí que ele fica frágil
aos apelos dos ícones urbanos”.
Os modos de dizer predominantes no G1 de 2007 a 2011 dentro da amostra analisada foram representados pelas funções de mostração e de interação, coincidentemente o G1 apresentou o mesmo número de ocorrência da Folha.com na função de sedução, 16 ocorrências.
Nas considerações finais fazemos um panorama dos principais resultados encontrados na análise de conteúdo e dos discursos dos veículos online.