4.4 Discrete Symmetries and the CP T Theorem
4.4.4 Lorentz Classification of Bilinear Forms
A conjuntiva é uma membrana translúcida e fina que cobre a região anterior da esclera e o interior das pálpebras, dividindo-se em duas partes, a bulbar e a palpebral. A inflamação e/ou infeção desta membrana resulta na patologia conhecida como conjuntivite. Esta é caracterizada pela dilatação dos vasos conjuntivais, o que provoca hiperemia e edema da conjuntiva, estando, normalmente, associado a secreções.21
1.2.1.1. Tipos de conjuntivite
As conjuntivites podem possuir diferentes etiologias, repartindo-se em dois tipos, as de causa infeciosa e as de causa não infeciosa.22
Os vírus e as bactérias são os principais responsáveis pelas conjuntivites de causa infeciosa, sendo os vírus causadores de até 80% dos casos, predominantemente no verão. As bactérias são a segunda maior causa na população em geral e representam 50% a 75% dos casos em crianças, observando-se com uma maior frequência de dezembro a abril.23
As conjuntivites virais são maioritariamente causadas por adenovírus (60-95% dos casos), estando estes associados a duas entidades clínicas comuns, a febre faringoconjuntival e queratoconjunvite epidémica.23 A primeira caracteriza-se por febre, faringite, conjuntivite
bilateral e adenopatia, enquanto que a segunda é mais severa, apresentando sintomas como hiperemia, quemose, secreções aquosas e adenopatia.24
As conjuntivites virais causadas por herpesvírus são pouco comuns, contudo, a infeção pelos vírus Herpes Simplex (HSV) e Varicela-Zoster (VZV) pode resultar em conjuntivite, frequentemente, unilateral. No caso de HSV, as secreções produzidas são muito fluídas e
aquosas, e para além disso, podem estar presentes lesões vesiculares nas pálpebras.22 Numa
conjuntivite causada por VZV, surgem as lesões caraterísticas da zona, podendo haver, também, um envolvimento da córnea, em 38,2% dos casos, e a presença de uveíte, em 19,1% dos casos.25
De um modo geral as conjuntivites virais produzem os seguintes sintomas: secreções aquosas, eritema ligeiro a moderado, prurido ligeiro a moderado, envolvimento inicialmente unilateral com possibilidade de rápida contaminação do olho adelfo, presença comum de adenopatia e infeção do trato respiratório superior.26
As conjuntivites bacterianas podem ser classificadas em agudas, hiperagudas e crónicas. As agudas caracterizam-se pela presença de secreções mucopurulentas, com consequente aderência das pálpebras, eritema moderado a severo, prurido ausente a ligeiro, inicialmente unilateral com possibilidade de rápida contaminação do olho adelfo e ausência de adenopatia.26 Os principais agentes patogénicos pertencem ao género Staphyloccocus, e a
doença tem um período de resolução de 7 a 10 dias.23 As manifestações crónicas, geralmente
causadas por Staphylococcus aureus, Moraxella lacunata e bactérias entéricas, possuem sintomas idênticos às agudas, porém podem-se prolongar durante 4 ou mais semanas. As conjuntivites hiperagudas são caracterizadas pelos mesmos sintomas já referidos, no entanto, manifestam-se com maior intensidade, podendo, adicionalmente, surgir inchaço da pálpebra, dor e adenopatia. Nestes casos, o agente patogénico mais comum é a Neisseria gonorrhoeae.23, 26
Para além das conjuntivites de origem infeciosa, existem as de origem não infeciosa. A conjuntivite alérgica é a mais comum dentro deste tipo, afetando segundo um estudo realizado nos Estudos Unidos da América, 40% da sua população.27 As conjuntivites alérgicas manifestam-
se com maior frequência na primavera e verão (sazonais), no entanto, podem surgir durante todo o ano (perenes), devido a alergénios mais recorrentes ou que se encontram sempre presentes.28
Os sintomas e sinais habituais são a produção de secreções mucosas a aquosas, eritema ligeiro a moderado, prurido moderado a severo, um envolvimento ocular maioritariamente bilateral e a ausência de adenopatia.26 Tal como nos outros tipos de conjuntivites, também podem surgir
formas mais graves da doença, neste caso, a queratoconjuntivite atópica e vernal e a conjuntivite gigantopapilar. As queratoconjuntivites caracterizam-se pelo envolvimento da córnea, e, no caso da atópica, é comum o aparecimento da dermatite ao redor do olho. A conjuntivite gigantopapilar está relacionada com a utilização de lentes de contacto e, tanto esta como a queratoconjuntivite vernal, revelam hipertrofia papilar da conjuntiva. 29
1.2.1.2. Referência a Consulta Médica
As conjuntivites, geralmente, são autolimitadas, contudo é importante, num contexto de farmácia comunitária, identificar os casos em que é necessário referenciar o utente para avaliação médica.
Portanto, o utente deve procurar a opinião de um especialista, se apresentar queixas de perda de acuidade visual, dor moderada a severa, secreção purulenta severa, fotofobia, ou no caso de envolvimento da córnea, episódios recorrentes de conjuntivite, histórico de doença oftálmica pelo HSV, ser utilizador de lentes de contacto, os sintomas durarem há mais de duas
semanas ou sem melhoria após uma semana, ou se se tratar de um indivíduo com idade inferior a 3 anos.23, 26
1.2.1.3. Tratamento e Prevenção
O tratamento das conjuntivites passa não só por medidas farmacológicas, mas também pela adoção de medidas não farmacológicas, que podem, para além de auxiliar no alívio dos sintomas, prevenir a recorrência desta patologia.
Em termos de medidas não farmacológicas, é aconselhável lavar frequentemente as mãos, evitar partilha de objetos e evitar tocar nos olhos, prevenindo-se assim contaminações.23
No caso de se tratar de uma conjuntivite alérgica, tomar medidas de evicção dos agentes causadores da mesma.30 A aplicação de compressas frias é benéfica em qualquer tipo de
conjuntivite, reduzindo os sintomas da inflamação, assim como a higiene palpebral, que ajuda na remoção de secreções e agentes etiológicos. Para além disto, deve-se evitar atividades que promovam o cansaço e irritação ocular, como ler, passar longos períodos em frente a ecrãs, entre outras. Em particular, é recomendável aos utilizadores de lentes de contacto remover as mesmas de imediato, na hipótese de suspeita de conjuntivite.23
O tratamento farmacológico vai depender do tipo e gravidade da conjuntivite. No caso das conjuntivites bacterianas, no contexto da farmácia comunitária, não existem opções recomendáveis de venda livre. Todavia, evidência científica demonstra que a prescrição de antibióticos não é necessária para resolução de formas mais ligeiras deste tipo de conjuntivite31,
podendo, no entanto, diminuir o período de recuperação, intensidade dos sintomas e o risco de transmissão.32
No que diz respeito a conjuntivites virais, se causadas por adenovírus, o tratamento passa pela aplicação de lubrificantes oculares e anti-histamínicos tópicos.22, 33 Já nas
conjuntivites herpéticas, é recomendável a prescrição médica de antivíricos orais e tópicos, na infeção de por HSV 22, e antivíricos orais e corticosteroides tópicos, na infeção por VZV 34.
Para o tratamento farmacológico de conjuntivites alérgicas podem ser utilizados anti- histamínicos, estabilizadores de mastócitos, descongestionantes tópicos 22 e anti-inflamatórios
não esteroides 35, 36, podendo estes ser adquiridos sem receita médica na farmácia.
Adicionalmente, algumas alergias exigem a prescrição de corticosteroides tópicos37 sujeitos a
prescrição pelo médico.
Os corticosteroides tópicos devem ser sempre utilizados com precaução, tendo em conta a relação risco/benefício que advém da sua utilização, já que podem promover a formação de cataratas e levar ao aumento da pressão ocular, aumentando o risco de desenvolvimento de glaucoma.23 Apesar do seu uso ser benéfico em conjuntivites alérgicas e na infeção por VZV.
Estão contraindicados na infeção por HSV e nas conjuntivites bacterianas, por prolongarem e potenciarem as infeções, contudo são necessários mais estudos que suportem esta contraindicação.38