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System Control

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3.2 System Control

Nilo Peçanha fazia muito bem ao aproveitar as oportunidades das manifestações que lhe permitiam discursos inflamados e repletos de saudosismo, pois, no matutino paulista, não eram publicadas tantas declarações de apoio como para seu opositor. Por outro lado, várias eram as manifestações contrárias à candidatura dissidente e aos candidatos da chapa.

Com acusações de assassinatos e perseguições “O passado político do sr. Nilo – discurso do sr. Vicente Piragibe na Câmara dos Deputados” (08/12/1921) trata-se de um vibrante discurso do sr. Vicente Piragibe em que o deputado expõe argumentos que procuram convencer o auditório de que Nilo é incapaz de conduzir uma boa administração.

“Em São Paulo” (15/12/1921) é um artigo que trata do apoio dado à candidatura de Bernardes, por parte do presidente Epitácio Pessoa “Nenhuma importância tem a forma da indicação, desde que honesta, porque tal indicação não entrega o poder ao indicado. [...] Por enquanto, os srs. Arthur Bernardes e Urbano Santos foram indicados ao eleitorado. E o sr. Arthur Bernardes já concretizou o seu programma de governo na sua plataforma política. O eleitorado aceita a indicação, está de accordo com o programma. Só o 1º de Março responderá. E o sr. Nilo foi indicado? Por quem? Por que forma? Já fez o seu programma? Qual é?”

“Na Câmara – Discurso do sr. Francisco Valladares” (24/12/1921) traz um discurso do deputado Francisco Valladares em que o político acusa Nilo Peçanha de “ter fugido aos seus compromissos sobre a questão presidencial” e taxou sua campanha no norte do país de incoerente em relação às suas declarações feitas no Rio. E concluindo: “contra a pretendida Reacção Republicana será opposta a Resistência Republicana pelos partidários dos candidatos

da Convenção de Junho”, declara o deputado na criação de um novo partido de oposição a Reacção Republicana.

“Os debates políticos na Câmara – o que tem sido a vida política do sr. Nilo Peçanha – Discurso do sr. Francisco de Campos” (25/12/1921) traz extensa matéria que reproduz alguns trechos das declarações do sr. Francisco de Campos contra o sr. Nilo e sua candidatura. Numa acusação de que a candidatura de Bernardes dividiu a nação, o político responde: “a candidatura do sr. Bernardes não dividiu a nação, apenas criou correntes políticas. O que divide a nação é substituir a força da opinião, pela opinião da força” e dissertando sobre Nilo “A sua gestão no governo do Estado do Rio, no governo da República, no Ministério do Exterior e a campanha de promessas hão de passar para a História, como a do estadista de arrosal de Pendotiba35”.

“No Rio – A opinião do sr. Assis Brasil sobre o momento político” (29/12/1921) trata-

se de uma extensa declaração do sr. Assis Brasil acerca do momento político. No artigo, o político o sr. Borges de Medeiros chamando-o de cooperador do mesmo sistema eleitoral que apóia a tanto tempo e denominando seu governo como “despótico e pretenso positivista”. Segundo o autor, Nilo Peçanha só retirou seu apoio de Bernardes para promover a própria candidatura e J. J. Seabra trocou seus antigos correligionários por uma candidatura a um cargo que não conseguiu tecer na Convenção. E conclui: “Mas o que mais caracteriza a actual deliqüescência do civismo é o facto de terem resumido toda a questão na falsidade ou authenticidade de um papel difamatório às forças armadas attribuido a um dos candidatos”.

Questionando novamente a necessidade da candidatura dissidente para o processo democrático brasileiro “Os nossos colegas do “Correio Paulistano[...]” (19/01/1922) é um extenso artigo publicado no Correio Paulistano que critica a atitude da Reacção Republicana que teima em lançar uma candidatura que não possui representatividade para vencer visto que o nome dos candidatos Arthur Bernardes e Urbano dos Santos foi apresentado diante de representantes de praticamente todos os estados brasileiros. O artigo ainda contesta a capacidade administrativa de Nilo Peçanha dando exemplos de problemas enfrentados em suas gestões anteriores como presidente e governador.

“O que há de novo – Os Riscos da Campanha” (26/01/1922) é também um extenso artigo assinado por “S.” que trata das eleições presidenciais e estaduais, neste caso mais precisamente ao cargo de governador de Minas em que concorre com Raul Soares o sr. Francisco Salles. Em relação à dissidência, o autor conclui que a sua criação “produziu um

35 Referência a um episódio onde Nilo Peçanha, num discurso político, confunde um determinado capim com

movimento de cohesão da opposição fluminense, convertendo num partido homogêneo e único as varias facções que a constituíam, e animando-se de um vigor novo para o pleito eleitoral” mas que esse partido não é e nem será o que apóia cegamente os candidatos reacionários.

E, procurando antever o resultado das eleições afirma que “a única esperança que tem os dissidentes para vencer é a revolução, mas como um factor desta ordem é sempre precário, mesmo com o appello e recursos diabólicos como a carta falsa”.

“O estado de Alagoas e as candidaturas presidenciaes – declarações do sr. Costa Rego” (07/02/1922) e “Manifesto dos funccionarios e operários federaes e municipaes” (11/02/1921) também trazem informações difamatórias de Nilo Peçanha, contudo, a crítica mais contundente ao político seria publicada em 28 de dezembro de 1921 no artigo “A presidência da república - Perfil do sr. Nilo Peçanha por um dos mais brilhantes escriptores cariocas”. Trata-se de uma re-publicação de um artigo que Medeiros de Albuquerque publica na Folha do Rio acerca da personalidade de Nilo Peçanha intitulado “O último bestialógico” e que traria no primeiro parágrafo: “Está hoje publicado nos jornaes nilistas ao bestialógico que o sr. Nilo Peçanha teria pronunciado em S. Paulo, se não tivesse tido medo de ir até lá”.

Denominado pelo autor como sendo um “pulha”, o discurso de Nilo Peçanha é analisado com severidade que segundo o autor, tais palavras são concebidas dessa forma:

Diversos amigos lhe fornecem o que elle chama “os elementos”. Sob o pretexto de se informar das necessidades locaes, Nilo pede a uns e outros que lhe enviem notas [...] é então que se produz a grande calamidade. Nilo traduz isso para o seu estylo, enxerta palavra, faz rethorica e o resultado é uma caldeirada de sandices verdadeiramente indigestas [...] o bestialógico, que hoje está em certos jornaes nilistas, é um modelo no gênero.

Após estas considerações, o autor analisa trechos do discurso publicado, sempre ridicularizando sua retórica e suas citações de pensadores e personalidades européias, que segundo o autor “cita, resumindo e deformando, cita, estragando”.

Nilo também era acusado de várias práticas escusas tanto políticas quanto eleitorais. “Na Bahia - As despesas com a propaganda na chapa dissidente” (25/12/1921) é uma nota que informa que apesar do estado baiano ter arrecadado com o café e com o cacau mais de mil contos em impostos, o funcionalismo público não recebe há meses o ordenado pois “as rendas do estado” eram “desviadas para a propaganda dos candidatos da dissidencia”.

Também vinda da Bahia, a nota “Na Bahia – Boatos de no seio do governismo bahiano” (28/12/1921) informa que diversos deputados e senadores estaduais vão dirigir uma carta à J. J. Seabra informando o desligamento do Partido Democrata “allegando que não

podem concordar com a política de anarchização e de revolta gerada pelo nilismo”. Nota do jornal A Imprensa.

Porém, o artigo mais inusitado seria publicado no dia 29 de janeiro de 1922. “A margem da política – O sr. Nilo Peçanha e seus ‘bonnets’ – contra o sr. Raul Soares, o sr. Francisco Salles – Quem é o sr. Salles – a alliança de S. Paulo e Minas – o meu parecer sem o ‘S. M. J.’”, assinado por Amador Bueno, o artigo disserta acerca das candidaturas à presidência de Minas Gerais e relata o caso dos bonés de Nilo Peçanha.

Segundo o autor, o sr. Nilo Peçanha convida um “figurão” da imprensa para entrevistá-lo, marca uma hora na sua casa e quando chega, o entrevistador é dirigido até uma sala de espera pela mucama, onde aguarda a chegada do ilustre político. “Minutos depois, apparece o sr. Lengruber Filho e pede ao sobredito visitante mil desculpas” e informa que o sr. Nilo está em conferência com vários oficiais da terra e mar “da mais alta importância para a causa dissidente”. O convidado olha o cabide da sala e percebe que ali figuram oito ou dez “bonnets” militares com bordados e divisas sendo: dois generais, um almirante, três coronéis, um capital do mar e guerra e um major. Contudo, segundo o autor, tais bonés são na verdade todos comprados por Nilo Peçanha e não há nenhum oficial militar em conferencia com o político, é só uma encenação para fazer com que o visitante acredite em tal fato e comprove a “influência” do político.

“As conferencias realizadas pelo sr. Nilo Peçanha no norte – uma carta dirigida ao presidente da assembléia legislativa fluminense” (10/02/1922) trata-se de uma nota que informa a atitude do sr. Olavo Gomes de Oliveira, presidente da câmara municipal de Pouso Alegre em devolver a Nilo, um livro que continha os discursos do candidato dissidente, feitos em sua excursão ao norte do país. E conclui: “Como filho desta terra honrada, nobre e altiva de Minas, que os políticos dissidentes tem coberto das mais baixas infâmias, é que tenho o prazer de devolver-lhe este volume”.

“Trecho do manifesto do Directorio Político de Petrópolis” (11/02/1922) é um trecho do manifesto do diretório político de Petrópolis publicado pelo Estado de S. Paulo, em que os deputados convocam os eleitores “na chapa da ‘Ordem e progresso’” e que “a nossa candidatura, a nacional, é genuinamente democrática, sincera e ordeira; não prega nem acofoçoa falsa, insincera e demagogicamente uma pseudo Reacção Republicana, e a indisciplina social e militar, pelos aviltantes e perigosos processos de gestos, insultos, mentiras e cartas falsas”.

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