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3.4 Memory Organization
Contudo, a declaração mais importante e de maior repercussão no episódio das cartas foi a de Ruy Barbosa. Nem a carta aberta de Bernardes em que o próprio candidato negava ter escrito as cartas, mantinha-se na candidatura como forma de não admitir que uma farsa denegrisse sua imagem de homem íntegro e honroso e entregava o julgamento à nação no pleito de 1º de Março (“Em Minas – Manifesto do sr. Arthur Bernardes à nação” – 30/12/1922) teve tanto impacto quanto a manifestação do conselheiro baiano. “A opinião do sr. conselheiro Ruy Barbosa sobre a questão das cartas falsas” (11/02/1922) é uma transcrição que O Estado de S. Paulo faz da carta de Ruy Barbosa em que o conselheiro se coloca defendendo o político mineiro e colocando em dúvida a apuração da autenticidade das cartas sem ao menos se averiguar sua origem.
Essa manifestação fora anunciada em duas ocasiões: alguns dias antes em “Declarações do sr. Ruy Barbosa” (08/02/1922) em que entrevistado por um repórter em
relação à carta atribuída a Bernardes, o conselheiro, já naquele momento, afirmara que se tratava de carta inteiramente falsa, “classificando-a de ballela” e na mesma edição em que o jornal transcreve o manifesto, em algumas colunas antes “No Rio – O sr. Ruy Barbosa e a questão das candidaturas” (11/02/1922), uma nota informa que “é possível” que em breve o conselheiro se manifeste sobre a questão das candidaturas e também sobre as cartas através da imprensa. O “em breve” da nota durou apenas algumas colunas.
Ruy Barbosa, defendendo espontaneamente a figura de Bernardes provocou inúmeras reações nos envolvidos com as candidaturas presidenciais. Enquanto a dissidência procurava, em vão, colocar em descrédito as declarações de Ruy Barbosa, os correligionários da chapa da convenção festejavam e publicavam onde fosse possível a tal declaração e defendiam com unhas e dentes a integridade do interlocutor.
“Telegramma do sr. Francisco Valladares a Ruy Barbosa” (15/01/1922) é uma congratulação à manifestação de Ruy Barbosa em favor de Bernardes, “desfechando um golpe de morte contra a obra de iniqüidade e de mentira contra o honrado presidente de Minas, e pondo por sua desinteressada intervenção, termo a mais baixa e audaciosa das explorações jamais tentada nesse país contra um homem público”.
“Em Minas – O dr. José de Souza Soares [...]” / “O parecer do sr. conselheiro Ruy Barbosa sobre as cartas falsas” / “A opinião do sr. senador Ruy Barbosa sobre as cartas falsas – apreciações do ‘Diário de Noticias’ sobre a attitude do ‘Correio da Manhã’” (15/01/1922), “Um artigo da ‘Tarde’” (17/01/1922), “Um telegramma do sr. Graccho Cardoso” (18/02/1922), “No Rio – Manifestação de officiaes do Exército ao sr. Ruy Barbosa” (21/02/1922) e “Manifestação de officiaes do Exercito ao sr. Ruy Barbosa” (23/02/1922) são manifestações de apoio à declaração de Ruy Barbosa e à sua atitude.
“No Rio – Manifestação ao sr. Ruy Barbosa” / “No Amazonas – Manifestação de desagrado ao sr. Nilo” (18/02/1922) são duas notas que informam sobre manifestações em defesa de Ruy Barbosa aos ataques que o conselheiro baiano vinha sofrendo da imprensa nilista, principalmente do Correio da Manhã. O Estado de S. Paulo publica “A carta do sr. Ruy Barbosa e o sr. Edmundo Bittencourt” (26/02/1922) em que o diretor do matutino carioca, em passagem por Recife, atacou fortemente “a honra do sr. conselheiro Ruy Barbosa” e que, regressando ao Rio, vai iniciar uma campanha contra o eminente brasileiro através do seu jornal.
E era tamanha a influência de Ruy Barbosa que o político baiano começou a fazer algo que ainda era inédito na campanha: apoiar uma chapa. Porém, a chapa aconselhada por Ruy
Barbosa era a Bernardes-Seabra: Arthur Bernardes, o candidato da convenção para presidente do Brasil e J. J. Seabra, o candidato dissidente para vice.
“Na Bahia – A dissidência bahiana e a candidatura do sr. Bernardes” (21/02/1922) é uma nota que reproduz telegrama de Miguel Calmon a Antonio Calmon em que este afirma que “de accôrdo com a orientação do nosso eminente chefe, sr. conselheiro Ruy Barbosa, devemos com todos os nossos amigos, votar nos srs. J. J. Seabra, para vice-presidente, e Arthur Bernardes, para presidente da República”. “O conselheiro Ruy Barbosa e as candidaturas presidenciaes” (22/02/1922) e “No Rio – A attitude do sr. Ruy Barbosa no caso da successão presidencial” (24/02/1922) tratam da recomendação do político baiano e das adesões à sua sugestão de sufrágio.
Ruy Barbosa foi também cogitado como uma terceira opção no pleito presidencial. “A candidatura do sr. Ruy Barbosa á Presidencia da Republica” (19/01/08) é um artigo que reproduz texto publicado no jornal baiano O Dia em que este lança a candidatura de Ruy Barbosa à presidência. “Já o nome do verdadeiro candidato do povo desponta no scenario político. O nome de Ruy Barbosa [...] surge como a realização de uma esperança [...] será o único presidente compatível com o momento [...] de um povo bom, que merece, quer e deve ficar livre das garras da politicalha”. “Carta do sr. Lauro Sodré ao sr. Epitácio Pessoa – O Exército e a questão presidencial – a candidatura Ruy” (22/01/08) trata do mesmo assunto – a candidatura de Ruy – e com justificativa para o “inevitável” terceiro candidato. O senador paraense Lauro Sodré dirige uma carta ao presidente Epitácio Pessoa explicando porque não pode apoiar nenhum dos candidatos disponíveis para a sucessão do seu cargo. Segundo o militar, o laudo do Club seria o suficiente para abandonar o apoio a Bernardes e combatê-lo, contudo, “o perito escolhido não tem autoridade indispensável para aquelle fim”, mas mesmo assim, não pode apoiar um candidato que dividiria o país. Por outro lado, não apoiaria o sr. Nilo, pois não resolveria a crise política nacional e sendo assim, só vê solução no lançamento da candidatura de Ruy Barbosa “o candidato da nação”.