Message Passing Architecture
5.3 SWITCHING MECHANISMS IN MESSAGE PASSING
Realizaram-se novas simulações para a amostra mais hidrofílica (amostra I, Tabela 5.8), tendo-se considerado um desvio de 60 % em relação aos valores ajustados de hc, Df e
df. Os resultados obtidos são apresentados na Figura 5.15.
O ajuste do coeficiente hc influencia as trocas de energia por convecção ao longo da
superfície das fibras, entre a fase gasosa e sólida do têxtil (último termo da equação 5.15 e 5.16). O seu ajuste implica também que o coeficiente de transferência de massa (kc) seja ajustado (uma vez que ambos se relacionam através da relação de Lewis [1, 2]; equação 5.52), o que influencia as previsões das taxas de sorção de água livre na fibra e de evaporação/condensação da água (equação 5.42, 5.31 e 5.32). Porém, para as condições experimentais consideradas, não ocorre condensação de água livre nos poros do têxtil e, como também não existe inicialmente água livre, não ocorre evaporação. Assim sendo, as taxas de sorção de água livre na fibra e de evaporação/condensação da água são nulas, pelo que, o efeito do coeficiente hc sobre estas taxas não será alvo de análise.
Um desvio de 60% no valor do hc influencia pouco o perfil de temperatura obtido no
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(a) (b)
Figura 5.18 - Efeito do ajuste do coeficiente de transferência de calor convectivo (hc) sobre as previsões numéricas, no centro do têxtil; a) temperatura da fibra e b) diferença entre a temperatura da fibra e a
do gás
Ao subestimar o coeficiente hc (considerando hc = 1,73 W.K-1.m-2 em vez de hc = 2,88
W.K-1.m-2; Figura 5.18a), verifica-se que a temperatura na fibra é sobrestimada em apenas 0,1 °C, passando de uma temperatura máxima de 38,6 °C (com hc = 2,28 W.K-1.m-2) para
uma temperatura máxima de 38,7 °C (com hc = 1,73 W.K-1.m-2; Figura 5.18a). O aumento de
temperatura na Figura 5.18a acontece porque a diminuição do coeficiente hc implica a
diminuição da taxa de transferência de energia da fase sólida (i.e. fibra + água líquida) para a fase gasosa. Neste cenário, aumenta a parte da energia libertada durante a condensação e sorção de água na fibra, a qual se acumula na fase sólida, o que faz com que a temperatura dessa mesma fase aumente, conduzindo a um aumento na diferença entre as temperaturas da fibra e do gás (Figura 5.18b).
Na Figura 5.18a verifica-se que o desajuste no coeficiente hc só se torna significativo
quando o desvio é bastante superior a 60 %, como é o caso de se considerar um coeficiente de 0,29 W.K-1.m-2 (desvio de 1,2 °C). Por essa razão pode-se concluir que um desajuste no coeficiente hc não influencia significativamente os resultados.
O coeficiente Df é utilizado nas equações que descrevem as taxas de sorção de água
da fibra (equação 5.28) e de sorção de água livre na fibra (equação 5.43). Tal como referido anteriormente, neste caso não há água livre acumulada nos poros do têxtil e, como tal, a taxa de sorção de água livre na fibra é nula. Por essa razão, o efeito do coeficiente Df sobre as previsões da taxa de sorção de água livre na fibra não será
125 Na Figura 5.19 são apresentadas as previsões de temperatura na fibra (Figura 5.19a) e da taxa de sorção de água na fibra (Figura 5.19b), para diferentes valores de Df.
(a) (b)
Figura 5.19 - Efeito do ajuste do coeficiente de difusão de água na fibra (Df) sobre as previsões numéricas, no centro do têxtil; a) temperatura da fibra e b) taxa de sorção de vapor de água na fibra
Na Figura 5.19a verifica-se que, ao aumentar o coeficiente Df de 4,5 × 10-14 m2.s-1
para 7,2 × 10-14 m2.s-1, sobrestima-se a temperatura máxima em 0,9 °C. Tal ocorre porque o aumento do coeficiente Df implica que a fibra passe a reter mais água. Para as condições de
teste impostas (que implicam um aumento da concentração de água nos poros do têxtil), o aumento de Df leva a um aumento da taxa de condensação e de sorção na fibra (Figura
5.19b). Durante o processo de condensação e sorção de água na fibra, mais energia é libertada, conduzindo a um aumento da temperatura na fibra (Figura 5.19a).
Por fim, o ajuste do diâmetro da fibra (df) influencia a taxa de sorção de vapor de água (equação 5.28) e de água livre na fibra (equação 5.43), assim como a taxa de evaporação e condensação da água (equações 5.32 e 5.31, respetivamente). Estas taxas são inversamente proporcionais ao diâmetro da fibra, pelo que, ao sobrestimar o diâmetro da fibra subestimam-se as referidas taxas.
Na Figura 5.20, apresenta-se a influência de um desajuste do diâmetro sobre as previsões de temperatura e taxa de sorção de vapor de água na fibra.
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(a) (b)
Figura 5.20 - Efeito do ajuste do diâmetro da fibra (df) sobre as previsões numéricas, no centro do têxtil; a) temperatura da fibra e b) taxa de sorção de vapor de água na fibra
Na Figura 5.20a verifica-se que ao sobrestimar o diâmetro da fibra, subestima-se a temperatura. Por exemplo, ao variar o diâmetro de 24 para 38 μm, a temperatura máxima diminui 1,6 °C. Tal acontece porque ao sobrestimar o diâmetro da fibra, subestima-se a taxa de sorção de vapor de água na fibra Figura 5.20b, o que reduz a libertação de energia aquando da sorção.
Neste capítulo desenvolveu-se um modelo que descreve a transferência de calor e massa em têxteis. Tal modelo permite estudar o transporte de calor e massa através de peças de roupas com características/propriedades específicas, em função da aplicação final pretendida. Como próximo passo, pretende-se integrar tais modelos numa estratégia que permita otimizar o desempenho das peças de roupa em função de alguns pré- requisitos (p. ex. nível de atividade do indivíduo, condições ambientais durante o período de atividade, etc.). Além disso, pretende-se avaliar o desempenho da roupa quando se consideram condições fronteira constantes (i. e. do fluxo de calor e da taxa de sudação na pele) ou variáveis em função da termorregulação do corpo (i.e. fluxo de calor e taxa de sudação na pele determinados por um modelo de termorregulação).
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5.7
P
RINCIPAIS CONCLUSÕESEm capítulos anteriores, considerou-se que o têxtil é constituído por fibra seca, água sorvida na fibra e vapor de água com impurezas inertes, presentes nos poros do têxtil. Tal modelo não permite analisar situações em que há condensação de água nos poros e escoamento de gás através do têxtil, p ex. atleta com nível de atividade elevado. Por essa razão, como evolução desse modelo considerou-se neste capítulo a possibilidade do vapor de água poder condensar/evaporar dentro dos poros e o gás escoar através do têxtil. De entre as abordagens analisadas para descrever o equilíbrio líquido-vapor da água, optou- se por utilizar a de Barker et al. [1], visto ser a única aplicada ao caso específico dos têxteis [2, 3]. O escoamento de gás através do têxtil foi modelizado segundo a Lei de Darcy.
Na formulação do modelo matemático considerou-se que a água líquida presente nos poros encontra-se imóvel na superfície das fibras (ou seja, que não há escoamento de líquido), que a água é sorvida/desorvida da fibra e difunde através da fibra, que a quantidade de água sorvida na fibra fica instantaneamente em equilíbrio com o vapor de água presente nos poros do têxtil, que a transferência de calor por radiação é desprezável e que o escoamento de gás através dos poros do têxtil é unidirecional.
O modelo SDLVE foi validado com soluções analíticas e resultados experimentais de outros autores e próprios, verificando-se que descreve com precisão o transporte de energia e de massa através do domínio de simulação.
128
5.8
R
EFERÊNCIAS[1] R. L. Barker, G. Song, H. Hamouda, D. B. Thompson, A. V. Kuznetsov, A. S. Deaton, P. Chitrphiromsri, Modeling of Thermal Protection Outfits for Fire Exposures F01-NS50, vol. 50, no. November. North Caroline State , 2004.
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130
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131