Surge o Relatório do Rolfista, uma síntese em que o profissional expõe o processo do cliente e o seu próprio processo em relação ao cliente; sendo instrumento essencial, tanto para servir como um relatório para o retorno e seguimento de casos.
Deveria ser elaborado em três fases:
• no início - o que observa e o que espera, e estratégias de trabalho; • no meio - uma reavaliação do projeto;
• no fim - como foi o processo do cliente e o dele com o profissional, uma avaliação dos objetivos iniciais e uma avaliação final, bem como da relação terapêutica.
2003
Houve uma revisão na redação e incluíram-se: • dados sobre técnicas utilizadas;
• comentários sobre processos interrompidos. 2004
A versão do relatório de 2003 sofre as seguintes modificações:
• é acrescentada uma listagem de possíveis técnicas, o registro formal daquelas já utilizadas, com discriminação do âmbito de atuação (físicas, psicobiológicas, etc.), ajudando o questionário a tornar-se mais preciso;
• exclui-se a análise da fase intermediária do processo;
• são incluídos encaminhamentos e projetos para a continuidade do processo do cliente.
Comentários
A inclusão da lista de técnicas possíveis de serem utilizadas e da lista das taxonomias de acesso no relatório do Rolfista (PRADO 2004a) cria espaço para um tipo de reflexão que pode afinar sua percepção de seu cliente e de seu repertório técnico, com maior discriminação e conseqüentemente com escolhas conscientes e apropriadas para a situação terapêutica. Também fornece subsídios para reflexão quanto ao processo da relação cliente-terapeuta. Estes questionários acima descritos faziam parte de um PROTOCOLO de cada cliente do NAPER, que incluía outros registros (fotografias, exames clínicos, contratos, termo de aceitação de pesquisa, etc.).
Para maior clareza, segue abaixo um quadro-síntese da evolução dos questionários presentes nos protocolos de cada cliente do NAPER e suas principais evoluções transformações ao longo dos anos nesta pesquisa-ação:
1998 Ficha de Inscrição. 1999 Ficha de Inscrição.
Relatório do Cliente não formalizado. Relatório de Sessões.
2000 Anamnese.
Relatório de sessões revisado segundo o modelo SOAP. Relatório de Rolfista.
Relatório do Cliente formalizado com 6 perguntas. 2001 Anamnese.
Relatório de Sessão (SOAP).
Relatório do Cliente (igual ao anterior). Relatório do Rolfista (igual ao anterior). 2002 Anamnese.
Relatório de Sessão (SOAP).
Relatório de Cliente (igual ao anterior). Relatório do Rolfista (igual ao anterior). 2003 Entrevista Inicial. (16 perguntas)
Relatório de Sessão (SOAP).
Relatório de Cliente revisto na redação e ampliado para 7 perguntas
Relatório do Rolfista (revisão de redação e ampliação quanto às técnicas utilizadas). 2004 Revisão Geral de todos os questionários com exceção do Relatório de Sessão.
Entrevista Inicial – extensa revisão e formatação, classificação dos objetivos, pesquisa sobre dor e vida emocional. (61 perguntas)
Relatório do Cliente – inclui escalas de dor e pergunta sobre vida emocional. Relatório do Rolfista – inclui listagem de técnicas, exclui fase intermediária, mantendo a investigação do início e fim do processo; também inclui
encaminhamentos sugeridos.
Quadro 4 Histórico do desenvolvimento dos Questionários do NAPER.
Concomitantemente, elaborei dois documentos: “Apresentação aos procedimentos de registro de atividade clínica e de pesquisa”, em 2003, e revisto em 2004 que, como um manual, nutria o grupo com informações sobre a natureza dos conceitos utilizados - para ajudar na classificação de queixas - sobre o procedimento de registro e sobre a descrição de um rol de técnicas possíveis de utilização.
Comentários sobre o processo de construção dos questionários
Vimos neste processo de 8 anos o gradual amadurecimento de formas de registro da atividade clínica do NAPER, tanto em sua dimensão formal como quanto em seu conteúdo.
O número de protocolos aumentou, passando de uma ficha de inscrição para uma bateria de questionários que trazem perspectivas diversas (rolfista e cliente) e se referem a antes, durante e depois do processo.
A necessidade de informações para a compreensão, aplicação, avaliação dos processos bem como para a reflexão sobre o Rolfing se traduziram nesta evolução dos instrumentos de registro.
Atualmente, analisando sua estrutura podemos verificar que neles existem as seguintes áreas de pesquisa:
Entrevista Inicial:
• dados de identificação;
• dados sobre a relação do cliente com Rolfing; • dados sobre como chegou ao NAPER;
• dados de saúde e história física; • dados sobre a saúde emocional.;
• dados sobre a qualidade de vida do cliente; Relatório do Cliente:
• objetivos, e Expectativas - antes do processo e se os atingiu após o mesmo; • relação com Terapeuta e com a Instituição;
• dados sobre suas emoções;
• perguntas para reflexão sobre si e sobre o processo. Relatório do Rolfista:
• objetivos do Cliente; • análise;
• estratégias e técnicas utilizadas; • avaliação;
• relações terapêuticas;
• reflexão sobre si no processo.
Do ponto de vista psicobiológico, as investigações têm âmbito físico, emocional, relacional e processual.
O processo do desenvolvimento e “modelagem” desta investigação sugere que os protocolos do NAPER foram se sofisticando para:
1- investigação do estado dos clientes e do terapeuta;
2- formas de remeter ambos, além da comunidade de rolfistas, para a atividade reflexiva e de conscientização da experiência.
Esta reflexão que ora aparece na pessoa do cliente, ora na do rolfista, ou ainda no pensamento comunitário para a organização e formulação dos questionários e, num último nível na prática clínica diária, na atividade de pesquisa, são o desenvolvimento vivo da ciência do Rolfing. A dimensão psicobiológica, ganha mais espaço. Vai desde a inclusão da primeira pergunta em 1998 na ficha de Inscrição brasileira sobre se o cliente faz ou não psicoterapia, até as perguntas de 2004 sobre a investigação de como se sente emocionalmente antes e depois do rolfing acrescidas das investigações das dores e de seu efeito na Qualidade de vida da pessoa, como sente que foi afetado pelo trabalho em seu ser como um todo, pesquisando e gerando reflexão sobre a dimensão holística dos processos.