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Calcul sans couplage Calcul avec couplage

V. Comparaisons expérimentales

V.2. Expérience de solidification d’Hebditch et Hunt

V.2.1. Structures colonnaires

As unidades de paisagem definidas para o município de Grossos têm uma relação estreita com a conjuntura do relevo local. Como ensinam Rodriguez, Silva e Cavalcanti (2004, p. 84), “O relevo como fator geoecológico de redistribuição de calor e umidade, tem um papel significativo na distinção das respectivas unidades de diferenciação em nível local.” Assim, como unidades locais de paisagem foram definidos sete sistemas ambientais. As unidades aferidas referem-se à faixa de praia e dunas frontais, campo de dunas, terraço marinho, planície flúvio-marinha, tabuleiro costeiro, chapada do Apodi e planície flúvio-lacustre. Elas servirão de base para a análise das legislações pertinentes, potencialidades e limitações de uso e ocupação, avaliação do uso atual e impactos ambientais.

Ainda segundo os autores mencionados, o objeto fundamental de trabalho na área da geoecologia da paisagem, consiste na distinção, classificação e cartografia das paisagens. Baseado nesse caráter investigativo foi elaborado o mapa de sistemas ambientais (Figura 61) do município de Grossos. No que consiste a qualificação dinâmica-funcional dos sistemas ambientais, foram utilizados critérios baseados na ecodinâmica.

Conforme já definido no capítulo anterior deste trabalho, para a avaliação qualitativa das condições ecodinâmicas dos sistemas ambientais é fundamental a apreciação sobre a idade do ambiente, a maturidade dos solos, as influências do relevo para potencializar a erosão dos solos, a capacidade protetora/estabilizadora da cobertura vegetal e as condições climáticas, sobretudo a pluviometria.

Considerando-se as unidades locais de paisagem do município de Grossos, verifica-se que a faixa de praia e as dunas frontais e os campos de dunas representam padrões de ambientes fortemente instáveis, sobretudo, em razão da inexistência ou pouca envergadura da cobertura vegetal, que não manifesta competência para fixar os sedimentos diante do fluxo eólico. Desse modo, a morfogênese predomina diante da pedogênese, impelindo a uma capacidade de suporte baixa para atividades humanas.

A planície flúvio-marinha, também vinculada à tipologia de ambientes fortemente instáveis, apresenta outros critérios para essa tipificação. Esses provêm principalmente da dinâmica hidrológica que movimenta e deposita continuamente sedimentos na superfície. Cabe destacar que a atividade salineira desenvolvida no município de Grossos alterou significativamente a dinâmica natural deste sistema ambiental. Contudo, considerando o padrão de funcionamento natural da planície flúvio-marinha, pode-se indicar esse ambiente como detentor de uma capacidade de suporte baixa às atividades antrópicas.

Os sistemas ambientais considerados como ambientes de transição são o terraço marinho e a chapada do Apodi. O terraço marinho, apesar de manter um fluxo contínuo de sedimentos, apresenta uma edafização pronunciada principalmente nos ambientes umedecidos pelos proeminentes lençóis subterrâneos. A maior densidade vegetal diminui consideravelmente a ação do vento no transporte de sedimentos, contudo, não a encerra. Dessa maneira, o desmatamento dessa área pode acelerar os processos de transporte sedimentar e alterar, significativamente, as condições da paisagem. Portanto, esse sistema ambiental é classificado como detentor de uma capacidade de suporte moderada.

A chapada do Apodi, embora no capítulo anterior tenha sido tipificada como um ambiente de ecodinâmica estável no quadro geral da BHRAM, no município de Grossos é qualificada como um meio de transição. Isso ocorre em virtude das características locais da topografia, a qual se dispõe em forma de rampa com inclinação no sentido da planície flúvio-marinha do rio Apodi-Mossoró. Essa inclinação gerou um sistema de drenagem local que, em eventos pluviométricos extremos, podem transportar sedimentos e provocar processos erosivos lineares importantes. Assim, esse sistema ambiental também é classificado como possuidor de uma capacidade de suporte moderada às atividades antrópicas.

No tabuleiro costeiro as manifestações dinâmicas da paisagem são menos intensas. Existe uma cobertura vegetal capaz de fixar os solos e contribuir para a manutenção da pedogênese. A forma tabular do relevo diminui a energia de circulação das águas superficiais, diminuindo, assim, a vulnerabilidade a eventos erosivos lineares. Daí porque considerar essa unidade de paisagem como um ambiente estável, capaz de suportar atividades humanas sem que existam grandes modificações em seu sistema de funcionamento, sendo assim, considerado como detentor de uma capacidade de suporte alta (Figura 62).

Os Quadros 15, 16, 17, 18, 19, 20 e 21 contêm a síntese da análise dos sistemas ambientais locais, estando destacadas informações sobre as potencialidades e restrições, o uso e a ocupação atual, e os principais impactos ambientais observados.

Quadro 15 – Síntese das informações sobre a faixa de praia e dunas frontais. SISTEMA

AMBIENTAL FAIXA DE PRAIA E DUNAS FRONTAIS

Ecodinâmica Ambientes fortemente instáveis. Potencialidades ao

uso e ocupação Exploração turística de baixo impacto ambiental; educação ambiental; pesca artesanal; lazer; esportes náuticos.

Restrições ao uso e

ocupação Baixo suporte para edificações; estradas; solos incipientes e de baixa fertilidade; restrições legais ao uso da faixa de praia e terrenos de marinha. Uso e ocupação

predominante Comunidades litorâneas com edificações pouco adensadas; estrutura de quiosques para suporte ao turismo abandonados; pesca artesanal com jangadas e embarcações; esportes náuticos a vela; lazer e recreação; extrativismo em setores de mangues na orla estuarina.

Impactos

antropogênicos Construção de muros de concreto para a contenção do avanço da areia da faixa de praia; plantação de algarobas indiscrimidamente para retenção de sedimentos, disposição de resíduos sólidos de forma pontual na faixa de praia; construção de edificações sobre dunas frontais. %#2 # / ! "# $#%&

Quadro 16 – Síntese das informações sobre os campos de dunas. SISTEMA

AMBIENTAL CAMPOS DE DUNAS

Ecodinâmica Ambientes fortemente instáveis. Potencialidades ao

uso e ocupação Turismo de baixo impacto ambiental, recreação e pesquisa científica. Restrições ao uso e

ocupação Baixo suporte para edificações; estradas; restrições legais; ausência de solos produtivos; vegetação esparsa; restrição para mineração.

Uso e ocupação

predominante Lazer e recreação principalmente nos fins de semana e utilizando as lagoas interdunares; presença de rebanhos transitando nas dunas. Impactos

antropogênicos Plantação de algarobas indiscriminadamente; presença de fezes de animais sobre as dunas; desmatamentos.

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Quadro 17 – Síntese das informações sobre o terraço marinho. SISTEMA

AMBIENTAL TERRAÇO MARINHO

Ecodinâmica Ambiente de transição. Potencialidades ao

uso e ocupação Pecuária extensiva; lazer; turismo ecológico; pesquisa arqueológica; captação de água. Restrições ao uso e

ocupação Áreas de inundação sazonal; presença de sítios arqueológicos; restrições legais. Uso e ocupação

predominante Pecuária extensiva sem controle da movimentação dos animais; uso agrícola de pequenas áreas; edificações residenciais.

Impactos

antropogênicos Plantação de algarobas indiscriminadamente; destruição dos sítios arqueológicos.

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Quadro 18 – Síntese das informações sobre a planície flúvio-marinha. SISTEMA

AMBIENTAL PLANÍCIE FLÚVIO-MARINHA

Ecodinâmica Ambiente fortemente instável. Potencialidades ao

uso e ocupação Pesca artesanal; turismo ecológico; lazer; transporte controlado de sal marinho; esportes náuticos de baixo nível de ruído; transporte de pessoas e veículos em balsas.

Restrições ao uso e

ocupação Ambiente com rica diversidade biológica; cadeias tróficas vulneráveis a interferências físicas, químicas e biológicas; restrição legal; ambiente sensível a poluição urbana e industrial.

Uso e ocupação

predominante Deposição de detritos e esgotos urbanos; deposição de produtos químicos e biológicos; pesca artesanal; extrativismo; trânsito de balsas e barcaças de sal permanentemente; captação permanente de água para as salinas.

Impactos

antropogênicos Poluição física, química e biológica do estuário e do manguezal; disposição de águas-mãe pelas salinas; desmatamento e coleta indiscriminada de espécies da fauna do manguezal.

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Quadro 19 – Síntese das informações sobre o tabuleiro costeiro. SISTEMA

AMBIENTAL TABULEIRO COSTEIRO

Ecodinâmica Ambiente estável. Potencialidades ao

uso e ocupação Exploração agrícola; pecuária intensiva; expansão de núcleos habitacionais; instalação de indústrias; mineração controlada; conservação de remanescentes de vegetação da caatinga.

Restrições ao uso e

ocupação Restrição de recursos hídricos. Uso e ocupação

predominante Uso agropecuário. Impactos

antropogênicos Desmatamentos sem controle em ambiente de caatinga; desmatamento de vegetações ciliares.

Quadro 20 – Síntese das informações sobre a chapada do Apodi. SISTEMA

AMBIENTAL CHAPADA DO APODI

Ecodinâmica Ambiente de transição. Potencialidades ao

uso e ocupação Uso agropecuário controlado; expansão de núcleos habitacionais. Restrições ao uso e

ocupação Ambientes com declividade acentuada; riscos de erosão linear. Uso e ocupação

predominante Ocupação por atividades agropecuárias; galpões de armazenamento de sal; indústria salineira. Impactos

antropogênicos Desmatamentos por toda a área; aterramentos para implantação de vias.

Fonte: Elaborado por Rodrigo G. de Carvalho.

Quadro 21 – Síntese das informações sobre a planície flúvio-lacustre. SISTEMA

AMBIENTAL

PLANÍCIE FL ÚVIO-LACUST RE

Ecodinâmica Ambiente fortemente instável. Potencialidades ao

uso e ocupação Uso controlado do solo para atividades de subsistência; águas subterrâneas; lazer e recreação; ecoturismo.

Restrições ao uso e

ocupação Restrição legal ao uso das margens de rios e lagoas; áreas sensíveis a poluição ambiental; baixo suporte para edificações; inundações sazonais.

Uso e ocupação

predominante Agropecuária; subsistência. atividades agrícolas de Impactos

antropogênicos Desmatamento da vegetação ciliar; disposição de resíduos sólidos e líquidos; uso indiscriminado da água.