Section II: User Interface Building Blocks
Chapter 7: Status, Warning and Error Feedback
A responsabilidade de formar os alunos no âmbito da leitura é uma responsabilidade compartilhada entre a escola e outras instâncias sociais, como a família ou os media de comunicação. A leitura constitui-se como uma ferramenta que, potenciando o desenvolvimento pessoal e intelectual, conduz à autonomia das aprendizagens. Podemos configurá-la em quatro vertentes: leitura para informação, leitura para aprender, leitura para avaliar, leitura para disfrutar, que acompanha as novas concepções de aprendizagem baseadas no aprender a aprender (Figura 3) (Gómez Hernández, 1998).
A investigação actual sobre hábitos de leitura dos jovens reforça a necessidade urgente de identificar formas inovadoras que estimulem, apoiem e explorem a relação do leitor com o livro. O desenvolvimento da leitura não só capacita o leitor, mas promove o gosto de ler para toda a vida. E “no single place at school is more important in developing reading than the school library” (Paul Kropp in CILIP, 2005: 47).
O desenvolvimento da leitura consiste em iniciar o leitor, em abrir-lhe novos horizontes de leitura, transpor a leitura da página para a vida, mergulhar na experiência da
LEITURA
Figura 3 – Esquema conceptual da leitura
leitura e fazer ligações entre leitores. É preciso dar-lhes oportunidades de leitura para poderem ter oportunidades de escolha porque, como diz David Bradbury, “there will be more leisure time, more documents to consume, more education, more research, greater knowledge, and greater interest in the world beyond environment” (Bradbury, 1992).
Com José Luís Abellán, acreditamos que “la paz… es una cultura y constituye el resultado e una decisión que no sólo requiere la correspondiente disposición anímica, sino que debe construirse con los materiales que la favorecen”, expressão que encontrámos em Lino Moreira da Silva que afirma que esses materiais estão nos livros e na leitura (2002: 154), o que também cremos.
Duas vertentes se perspectivam: a promoção da leitura a nível do currículo e a promoção da leitura como actividade livre.
a. A promoção da leitura a nível do currículo
A sociedade actual origina actividades culturais múltiplas e plurais, todas elas válidas para potenciar as aprendizagens. A biblioteca escolar é um espaço para as aproveitar: “la biblioteca escolar habrá de ser un auténtico centro de recursos, un manantial eterno de información, de sugerencias, de actividades socioculturales y a la vez festivas, una fuente inagotable de herramientas para ampliar el conocimiento” (Kepa Osoro in Morán Sanromán).
Aprendemos com Elvira Moreira dos Santos que ler é ser capaz de adoptar diferentes condutas de leitura, em função das situações, do tipo de texto e dos objectivos a atingir. “O verdadeiro leitor é polivalente” (2000: 83).
Estudar é uma tarefa que envolve a leitura e exige a autonomia do aluno. Não só precisa de encontrar um método que se adapte ao seu estilo de aprendizagem, como tem de aprender a seleccionar a informação mais importante, a organizá-la e a retê-la para a poder recuperar, quando precisar de a comunicar. Ao aprender a estudar está a preparar-se, como diz Elvira Moreira dos Santos, “para ser um leitor eficiente e aberto a um alargamento contínuo da sua formação” (64). “Interesses e hábitos de leitura têm, durante o período de escolaridade,
uma oportunidade única para o seu implemento e desenvolvimento, pelo que se apresentam com uma extrema importância as atitudes e a acção da escola face ao livro e à leitura” (Bastos, citada em Santos, 2000: 79).
Neste sentido, a formação do utilizador outorga às bibliotecas o seu sentido pleno: de nada serve oferecer uma boa colecção de recursos de informação se os alunos não forem capazes de os ler. É também nessa função que as bibliotecas escolares encontram a sua razão de ser, oferecendo aos alunos situações próximas da realidade. Se, como refere Lino Moreira da Silva, “os portugueses têm ‘défice de cultura científica’ (…), o recurso à leitura e às bibliotecas, com destaque para as bibliotecas escolares, será uma via a considerar prioritariamente” (2002: 460).
Assim, à biblioteca escolar cabe encontrar oportunidades para promover a leitura em qualquer assunto curricular. Ter consciência dos estilos pessoais de aprendizagem e preferências tem implicações enormes na forma como um ambiente de leitura é desenhado e as actividades de leitura são desenvolvidas. Há também que considerar a motivação poderosa nos hábitos de leitura que tecnologias de 3ª geração ou actividades baseadas na Internet podem exercer.
b. A promoção da leitura como actividade livre
“É importante ler – afirma Lino Moreira da Silva -. A leitura liga o presente ao passado e estabelece uma ponte para o futuro. Não só relativamente às coisas, às realidades, mas também e sobretudo às pessoas” (2002: 142). E acrescenta: “A sua prática impõe-se face à complexidade e às exigências do mundo de hoje, como explicam Daniel R. Hittleman e Carol G. Hittleman: “reading is vital to our complex society to develop understanding citizens. It is important for improving our understanding of government, expanding our understanding of contemporary conditions in conflict with the rights and responsabilities of a free people, and accepting our obligation to participate in social and political discussions” (2002: 142).
Nesta vertente, o desenvolvimento da leitura tem a ver com a promoção da leitura como uma actividade criativa e a procura de uma cultura leitora na comunidade escolar. Partilhar actividades pode gerar um enorme interesse pela leitura. Criar o ambiente de leitura adequado é fundamental se se quer entusiasmar os jovens para a leitura e motivá-los a ler novas coisas de novas maneiras.
Para criar real entusiasmo à volta da leitura, há que criar parcerias com os alunos, envolvendo-os em actividades de escolha e avaliação de livros, de divulgação e organização de eventos sobre livros.
É importante avaliar e demonstrar a mais-valia ganha no desenvolvimento da leitura, divulgando o impacto nos espaços de divulgação da biblioteca escolar.
Manter as expectativas de leitura altas e demonstrar entusiasmo e sucesso provocará a mudança. Assegurará que o desenvolvimento do leitor é sustentado, aumentando para criar leitores para toda a vida.
“La biblioteca escolar habrá de ser (…) al mismo tiempo, la cuna de la fantasía, el hogar de lo poético, el rincón de la palabra serena, la amistad, la libertad y los sueños”. (Kepa Osoro in Morán Sanromán).