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Processing Strokes Without Translating

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Section IV: Processing Pen Input

Chapter 15: Processing Strokes Without Translating

Para uma avaliação das bibliotecas escolares

“… courage to face the constant changes in the new workplace ahead…”

Xenia Stanford

A nossa pergunta de partida incidia sobre o impacto que as bibliotecas escolares exercem nas práticas pedagógicas da escola/tecido pedagógico da escola, procurando perceber como essa relação potencia as aprendizagens dos alunos, considerados o aprender a conhecer, o aprender a fazer, o aprender a viver juntos e o aprender a ser.

Suportando-nos na convicção, com Keith Curry Lance, Marcia J. Rodney e Christine Hamilton-Pennel, de que “powerful libraries – and librarians – do, indeed, make powerful learners” (The Illinois Study, 2005), estudamos o quadro das bibliotecas escolares de vinte escolas nas 4 NUT III – Minho-Lima, Cávado, Ave e Douro, comparando dois períodos, com base em dois questionários, o de 2001, aplicado pelo Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, e o de 2006, o questionário que construímos para este estudo.

1. Contributos

Procurando perceber o “estado da arte” das bibliotecas escolares estudadas, perspectivamo-lo, aqui, de acordo com o quadro de referência, em sete dimensões: os programas das bibliotecas escolares para as literacias e para a promoção da leitura, os

profissionais da biblioteca escolar, o espaço, as parcerias, o apoio financeiro e a visão estratégica da escola.

O programa da biblioteca escolar para as literacias integrará sempre transversalmente a colaboração entre as bibliotecas escolares e a sala de aula, mediado pelos Coordenadores e pelos professores. Neste programa, considerados os vectores que têm importância na formação do utilizador e na formação para as literacias, a colaboração com os professores e a articulação com a sala de aula apresentaram-se como acções mais pontuais que sistemáticas, levando-nos a crer que as acções levadas a cabo nas duas categorias não estão total ou claramente perspectivadas na visão dos normativos mais importantes que regem a acção pedagógica da escola - o Projecto Educativo de Escola e o Projecto Curricular de Escola.

Também a ausência de uma estratégia colaborativa condiciona, à luz dos estudos internacionais, o uso dos próprios recursos de informação disponibilizados pelas bibliotecas escolares, empobrecendo as experiências de aprendizagem em que a prática da literacia de informação está presente e diminuindo, ainda, as possibilidades de aprendizagem de saberes sociais num espaço plural.

A inconsistência que verificamos no trabalho com os alunos no âmbito da formação do utilizador e da literacia de informação questiona a própria essência das bibliotecas escolares, uma vez que um ambiente que é rico em informação não é usado ou potenciado.

No programa da biblioteca escolar para a promoção da leitura, descobrimos uma visão muito centrada nas bibliotecas escolares e nas próprias escolas, consideradas as actividades concretizadas, impeditiva do princípio de abertura à escola e ao meio que suporta a dinamização cultural das bibliotecas escolares. Importava que esta vertente se configurasse como uma mais-valia para os alunos, despertando-lhes a curiosidade por saber mais, lendo e procurando respostas às perguntas que os temas curriculares lhes colocavam. Importava também que essa mais-valia potenciasse o prazer de ler, de conhecer o outro, de descobrir novos mundos através da leitura em tempo livre. Deveria ser um espaço de pluralidade, de encontro com ideias, veiculadas em formatos diversos. A realidade indiciou a pouca rentabilidade no uso destas valências, quer em sala de aula, quer em tempo livre.

Encontrar estratégias de sedução para a leitura é requisito fundamental, pois as actividades que vemos praticar, vulgarizadas e repetidas, deixam indiferente quem, todos os dias, lida com tecnologia que lhe coloca o mundo nas mãos.

Apesar da precariedade na constituição das equipas educativas das bibliotecas escolares, dos critérios mais circunstanciais na sua nomeação e de uma formação em bibliotecas escolares pouco consistente, podemos concluir que elas próprias têm conseguido superar alguns problemas, baseando-se nas suas valências multifuncionais e experiência pessoal. Mas, com uma formação em bibliotecas escolares pouco segura, percebemos o desequilíbrio na assunção e distribuição das funções desempenhadas, o que constitui um factor de menos-valia na consecução dos objectivos das bibliotecas escolares que constam deste estudo e no desenvolvimento da sua acção pedagógica.

Aspecto forte nestas bibliotecas escolares é a presença dos técnicos auxiliares, a tempo inteiro, com funções diferenciadas e formação na área, o que representa um contributo válido para um melhor desempenho das bibliotecas escolares. Já o recurso a outros elementos exteriores e interiores à escola tem mais a ver com oportunidades algo pontuais e locais.

Mas a situação dos Coordenadores destas bibliotecas escolares está longe de se aproximar dos requisitos que se lhes exigem, se pensarmos nas dimensões de liderança que Ross Todd propôs e que suportam uma acção interventiva na escola, não só no desenvolvimento da literacia de informação, mas também nas dimensões pedagógicas, participando na construção da visão da escola enquanto organização e perspectivando a biblioteca escolar nesse quadro.

Integradas as bibliotecas escolares no Programa da Rede de Bibliotecas Escolares pela Candidatura Concelhia, temos a garantia da possível relação com a biblioteca municipal e intervenção na dimensão do espaço físico, do mobiliário, do equipamento, do fundo documental, o que acontece com a maior parte das bibliotecas escolares do nosso estudo.

Parece-nos que, ainda que haja cumprimento das linhas orientadoras prescritas no Programa da Rede de Bibliotecas Escolares e uma maior preocupação em cumprir a condição relativa aos princípios de organização e funcionamento, não há uma consciência muito forte de que a condição do espaço é requisito essencial, consignada no desrespeito pela relação áreas da biblioteca escolar/número de alunos da escola, para uma boa (ou má) articulação das bibliotecas escolares com as próprias escolas.

O horário de abertura não é, também, ainda visto como um tempo de oportunidade de acesso, condicionado às condições da escola, mas a abertura de forma contínua, sem interrupções, predominante no universo estudado, parece indiciar a preocupação em mater esse espaço acessível no momento em que se quer usar.

O acesso aos recursos de informação em colaboração com a sala de aula potencia a biblioteca escolar como espaço de conhecimento. No entanto, esta mais-valia não se efectivou ao nível do desejável. Cruzando com metodologias pedagógicas baseadas nos recursos de informação, o “estado da arte” leva-nos a pensar que a ausência de colaboração se distribui, em responsabilidades partilhadas, pela acção menos assertiva dos Coordenadores e pelo enfoque exclusivo na sala de aula das práticas lectivas dos professores, não se excluindo aqui a visão estratégica das próprias escolas.

Este mesmo quadro repercute-se em serviços como, por exemplo, os serviços de empréstimo, nomeadamente para aulas, ou os serviços de referência, que não são usados na sua extensão. Se os professores não usam, porque hão-de os alunos usar?

No desenvolvimento da colecção, a evolução positiva revelou a preocupação de adequar em número, variedade e suportes aos valores de referência, aproximando-se dos valores de referência em Espanha. Mas o equilíbrio entre livro e não-livro gera dificuldades, situação que nos preocupa, porque, não tendo formação nesta área, os Coordenadores baseiam-se em critérios formais relativos à tipologia e a valores de referência, sem antes ter procedido a uma avaliação da colecção.

No quadro da preocupação com o tratamento documental, apenas se verifica problema na indexação. Em termos de divulgação do seu património informacional, a ausência desta forma de acesso temático aos recursos de informação torna-se obstáculo porque não dá acesso, no local ou em casa, ao catálogo das bibliotecas escolares. Remete esta falha, por um lado, para a ausência dos saberes profissionais necessários, mas também para a ausência das parcerias desejáveis com a biblioteca municipal, cuja colaboração neste sentido seria proveitosa.

A visibilidade das bibliotecas escolares estudadas convive menos do que se poderia esperar com as tecnologias de comunicação, baseando-se ainda em formatos tradicionais, seja no seu próprio espaço e na escola, seja no espaço exterior. Mesmo com páginas web construídas, as dificuldades tecnológicas na sua manutenção e actualização servem de barreira a uma interacção com a escola, ou com a biblioteca escolar por essa via.

Ter uma visão estratégica para a (re)definição da gestão organizacional das bibliotecas escolares implica uma avaliação de desempenho que dê dados para a garantia de um serviço de qualidade.

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