Section II: User Interface Building Blocks
Chapter 4: Controls
Face ao panorama apresentado, há que reflectir sobre várias questões.
A equipa do estudo PISA na Finlândia, o país melhor situado, refere que as conclusões deste estudo mostram que a sua explicação para os resultados não reside num único factor, mas antes numa rede de factores que se inter-relacionam – as áreas de interesse dos alunos e as actividades culturais, as oportunidades de aprendizagem oferecidas pela escola, o apoio e envolvimento dos pais num contexto social e cultural e todo o sistema educativo (Välijärvi, 2002: 46).
Procurando, assim, compreender-se a discrepância entre os níveis mais altos (nível >=4) e os mais baixos (nível <=1) no desempenho dos alunos (PISA, 2000 e 2003), nas literacias em contexto de leitura e matemática, o estudo considerou dois parâmetros: a dimensão pessoal dos alunos e a dimensão familiar.
Na primeira dimensão estudou-se, primeiro, o perfil dos alunos com base nas suas características pessoais (Cf. Anexo I – 1, Quadros 4 e 8, “Perfil pessoal do aluno” em literacia em contexto de leitura e em literacia matemática, respectivamente). Assim, são factores específicos conducentes ao melhor desempenho, na literacia em contexto de leitura, uma boa velocidade de leitura e o interesse e o gosto por ler, a diversidade de leituras e, na literacia matemática, o interesse pela Matemática, a motivação instrumental pela disciplina e uma atitude favorável à escola. São factores comuns às duas literacias o uso de estratégias de elaboração, como a inter-relação com os conhecimentos prévios e interdisciplinares, e estratégias de controlo, como a planificação do estudo e a verificação das aprendizagens, o esforço e a perseverança. O autoconceito, o sentimento de eficácia, o sentimento de pertença à escola e a motivação para estudar influenciam, ainda, positivamente o desempenho dos alunos em ambas as literacias.
Para o pior desempenho, contribui o recurso, praticamente único, à memorização, em ambas as literacias, agravado, na literacia matemática, pela ansiedade relativamente à disciplina.
Na segunda dimensão, a familiar, verifica-se que a existência de recursos educacionais em casa, o acesso a bens culturais, os níveis de educação e status profissional dos pais estão também associados aos melhores desempenhos em ambas as literacias. Na literacia em
contexto de leitura, ainda se referem factores como o interesse dos pais pela vida escolar dos filhos e o ambiente adequado que levam a melhor desempenho (Cf. Anexo I – 1, Quadros 5 e 9, “Contexto familiar” em literacia em contexto de leitura e literacia matemática, respectivamente).
Os factores familiares foram, também, fortemente correlacionados com o desempenho dos alunos em todos os países que participaram no estudo TIMSS.
A estas avaliações, nomeadamente as dos estudos PISA, que assentam na avaliação do desempenho do aluno em competências singulares pré-seleccionadas, ainda que no pressuposto de que o seu sucesso na vida depende de um leque bem mais vasto de competências, o Programa DeSeCo (Definition and Selection of Competencies: Theoretical and Conceptual Foundations), da OCDE, contrapondo que a um objectivo pode corresponder uma constelação de competências, propõe um modelo de referência que constitui um contexto conceptual mais abrangente que aqueles, tornando mais explícito o que está a ser verdadeiramente medido e o que não o está.
Este programa encoraja o enfoque numa constelação de competências, inter- -relacionando três categorias de competências-chave – agir autonomamente (que se refere à
identidade e à autonomia pessoal), interagir socialmente com outros (que envolve as competências sociais) e usar ferramentas interactivamente (que integra o domínio de instrumentos sócio-culturais – a linguagem e a informação -, e físicos – a tecnologia) -, numa abordagem longitudinal, no reconhecimento de variáveis contextuais sócio-económicas e culturais, relevantes para toda a vida e todas as circunstâncias, mas que se vão adquirindo gradualmente à medida que as circunstâncias vão mudando e as pessoas se vão adaptando (Pasadas, 2006).
O PARTNERSHIP FOR 21ST CENTURY SKILLS (2005) releva que, para ensinar e aprender conteúdo do séc. XXI, é preciso que as escolas intensifiquem a atenção em três áreas programáticas – o conhecimento globalizado (global awareness), que incide na colaboração e na comunicação, ultrapassadas as fronteiras geográficas pela própria tecnologia, promovendo a compreensão, a tolerância e a aceitação das diferenças étnicas, culturais, religiosas e pessoais; a literacia financeira, económica e empresarial, que, quer a nível pessoal, quer profissional, exige a responsabilidade pelas escolhas económicas e empresariais do dia-a-dia; e a literacia cívica, que ajuda à compreensão, à análise e à participação na vida cívica da comunidade, seja num nível global, seja num nível local.
Importa saber que não estamos, no contexto português, no “ponto zero”, ainda que haja muito a fazer, como refere Augusto Santos Silva (2002: 49): há que demonstrar “a existência de um retorno equivalente ao investimento que todos, do Estado às famílias, realizamos” e isso só é possível, se pensarmos em termos de qualidade. Num mundo de oportunidades e escolhas difíceis, é importantíssimo ajudar os alunos a fazer as conexões significativas através de contextos de aprendizagem próprios ao séc. XXI. Isto significa tornar o conteúdo relevante para as vidas dos alunos, trazer o mundo para a sala de aula, levar os alunos ao meio exterior, criar oportunidades para a interacção entre si, com os professores e com o meio, em verdadeiras experiências de aprendizagem. A aprendizagem contextual conduz a resultados positivos para os alunos – aproveitamento mais elevado, menores taxas de abandono, melhor acompanhamento e melhor preparação académica.
“Education helps you to accomplish specific phases of life. In order to find a good job, our education has to be good. A good education needs to teach you to be tolerant and respect others… Education helps us to be better, within ourselves and with others – to understand the others, to understand the world, to solve the world’s conflicts”, disse Nerea Izagirre, de 13 anos, espanhola, na 47th International Conference on Education of UNESCO (IBE/UNESCO, 2005).