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SPECIAL OPERATING PROCEDURES

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CONTROLS AND OPERATIONS

2.4 SPECIAL OPERATING PROCEDURES

Do latim communicare, comunicação significa tornar comum, compartilhar, trocar opiniões, associar e conferenciar. A comunicação provoca significados, sendo interpretada e mediada por signos e símbolos; é a forma como recebemos o que foi compartilhado e compartilhamos, ou não, a informação.

Segundo Santaella (2001, p. 20), um critério adicional para se definir comunicação é o de intencionalidade. Para a autora, intenção é definida como “atividade direcionada a um objetivo, envolvendo, portanto, a validação”.

Dessa forma, comunicação pressupõe intenção de algo e, principalmente quando esta se processa nas organizações, como é o caso de uma comunicação socioambiental, ligada ao licenciamento ambiental de um empreendimento. O mesmo ocorre no caso do Rodoanel Trecho Leste, que desde o início previu em seus programas ambientais uma comunicação estritamente voltada à informação.

Em razão disso, resolvemos abordar neste subtítulo do trabalho, a importância de uma comunicação que vá além da informação, independente da empresa e do empreendedor que estão executando determinado projeto, seja obra pública seja do setor privado. Quais ganhos se podem ter com uma comunicação que promova um diálogo social, com relações mais transparentes e douradoras?

“A comunicação se confunde com a própria vida”, segundo Bordenave (1995, p. 19). Ela é parte de nós, e parte das relações. Não se pode desejar uma sociedade desenvolvida (aspectos econômicos, sociais e ambientais), se não houver presença de comunicação e de interação social.

Nos dias de hoje, temos o fator tecnológico, que também agrega outras características que ainda estamos aprendendo a lidar, a exemplo das mídias digitais. São novas formas de agir, comunicar e lidar com as pessoas, e não se pode minimizar nenhum fator dentre as inovações. Assim como não se pode confundir a comunicação com as ferramentas de comunicação, e não se deve limitá-las às ações do cotidiano, ou seja, limitar-se a fazer comunicação apenas com a entrega de folhetos ou mensagens em redes sociais.

Como nos ensina FREIRE (1983, p. 7):

Conhecer não é o ato através do qual um sujeito transformado em objeto recebe dócil e passivamente os conteúdos que outro lhe dá ou lhe impõe. O conhecimento, pelo contrário, exige

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uma presença curiosa do sujeito em face do mundo. Requer sua ação transformadora sobre a realidade. Demanda uma busca constante. Implica invenção e reinvenção.

É necessário, portanto, buscar novas formas de se comunicar, visando promover ou ampliar a interação social em todas as áreas do conhecimento, para que esse processo avance nos ambientes organizacionais.

Quando se aborda um Programa de Comunicação Social (PCS), cujo objetivo é estabelecer um canal de comunicação entre as populações que serão afetadas bem como as que estão nas áreas lindeiras, logo se pressupõe que será estabelecido um relacionamento, e não apenas a divulgação de informações sobre o empreendimento em construção, a fim de tão somente persuadir os públicos de interesse.

Segundo o dicionário AURÉLIO (2016), o conceito de persuasão está ligado diretamente ao ato de convencer, impor uma crença ou uma convicção. Sendo assim, o que se verifica desde o início do PCS é que mesmo tendo como objetivo geral estabelecer canais de comunicação com as populações afetadas, os relatórios de comunicação deixam entrever que a preocupação da empresa é persuadir as pessoas. Demonstrar que o empreendimento é o que há de melhor para a cidade e e região, que a remoção das pessoas de suas residências é o menor problema, o qual será resolvido rapidamente, sem grandes transtornos.

A comunicação social desses empreendimentos realiza-se a partir da emissão da licença prévia, quando o órgão ambiental solicita que a população seja informada dos aspectos envolvidos. É a partir daqui que se pode avançar neste discurso. Afinal, o programa nem sempre é escrito por especialistas de comunicação, porém sua execução é feita por profissionais da área da operação.

Nesse sentido, faz-se necessário ampliar a discussão, pois os profissionais de comunicação podem e devem cumprir sua função muito além do que lhes é exigido. A informação é pré-requisito de comunicação e não pode estar desconexa; por sua vez, a comunicação não pode esgotar-se somente na informação.

Em síntese, Wolton (2011, p. 11) afirma:

Não existe comunicação sem informação, a comunicação é sempre difícil, pois impõe a questão de relação, ou seja, a questão do outro. O resultado é incerto visto que o emissor raramente está em sintonia com o receptor e vice-versa.

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Para o autor, a relação entre ambas é indissociável e imprescindível, bem como é preponderante a legitimidade da informação, a fim de se evitar que a comunicação caia em descrédito. Mesmo diante dos impactos de uma obra de grande porte, é fundamental que se abordem as dificuldades vivenciadas desde o início, para que assim a confiança seja o principal pilar.

Na mesma direção, autores como (SANTAELLA apud PINTO, 1999, p. 282) apontam para os tipos de discurso construídos pela análise de discurso, os quais são:

“Modo de mostrar” (uso referencial da linguagem e de outras semióticas, pelo qual são criados os universos de discursos em jogo no processo comunicacional), “modos de interagir” (uso da linguagem e de outras semióticas pelo qual são construídas as identidades e relações sociais assumidas pelos participantes no processo comunicacional), e “modos de seduzir” (uso da linguagem e de outras semióticas na busca do consenso, pelo qual se distribuem os afetos positivos e negativos associados ao universo de discurso em jogo).

A intenção está estabelecida, e o modo de fazer, assim como o discurso, também. Este processo comunicacional, criado a partir do licenciamento ambiental e elaborado por empreendedores, é igualmente estabelecido para muitas obras no país, o que o torna um modelo de realização, com a definição de discursos que se reproduzem e se mantêm como prática social. No decorrer da pesquisa, a fim de se conhecer e verificar o funcionamento do PCS em outras grandes obras do país, como barragens, gasodutos, e outros, foi feita uma leitura breve de outros Programas de Comunicação Social, em que se verificou a manutenção de uma prática de comunicação voltada somente à informação, há mais de vinte anos.

Pode-se ver que os mesmos discursos ainda estão válidos, e assim “[...] contribuem para sustentar, de modo direto ou indireto, relações de poder desiguais, relativas às diferenças sociais entre os participantes do evento”. (PINTO, 1999, p. 45).

Acrescenta ainda o autor que, mesmo diante de uma comunicação em que predomina a interação, isto é, que vai além da informação:

Essas disputas criam relações de dominância entre os discursos reconhecidos como hegemônicos e os discursos subordinados, favorecendo a naturalização ou reificação dos primeiros. (PINTO, 1999, p. 41).

No caso do Rodoanel Trecho Leste, principalmente por se tratar de uma obra de interesse público, com decreto de utilidade pública, esse poder faz-se ainda mais presente, ou

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seja, se houver necessidade de força policial para a construção do empreendimento, tal poder será onipresente.

Por isso, o processo comunicacional, de fato, é algo estabelecido em suas entrelinhas por meio da “noção de poder”, e não algo compartilhado, construído conjuntamente.

Mesmo diante dessa dinâmica construída e reproduzida durante muitos anos, é necessário saber que se podem construir novos olhares para essa prática profissional. Muito embora limitado a executar esses tipos de programas (PCS) no cotidiano e nos relacionamentos, o profissional de comunicação pode desvincular-se desses rituais comunicacionais cujo propósito é apenas informar. Importa sublinhar que, nesse processo, a informação é fundamental, mas como mencionado antes, deve ir além.

Tais práticas comunicacionais que se utilizam de linguagens ditas hegemônicas, não são por isso imutáveis, afinal elas estão diante de mudanças diárias, sempre renovadas nas relações sociais.

Por isso, é preciso interagir, o que Bakhtin (apud BARROS et al 2001, p. 31) considera fundamental na linguagem, entre a interação e a realidade, ao dizer que: “Os falantes no diálogo se constroem e constroem juntos o texto e seus sentidos; em segundo lugar, surge a questão da dinâmica da interação e da construção de simulacros intersubjetivos”.

Portanto, no trabalho de comunicação social que é realizado na construção de uma rodovia, por exemplo, o interlocutor é parte do processo, e não apenas um receptor, que aguarda a transmissão da informação. Tal diálogo não deve ser tão hegemônico a ponto de ser individual, ele deve construir pontes permitindo a participação e a interação do outro com toda aquela dinâmica, afinal o morador, a comunidade, as partes interessadas é que são afetadas.

De acordo com Barros (2001, p. 33), Bakthin afirma que:

[...] não é individual porque se constrói entre pelo menos dois interlocutores que, por sua vez, são seres sociais; não é individual porque se constrói como um “diálogo entre discursos”, ou seja, porque mantém relações com outros discursos.

O fato é que o profissional de comunicação representa a organização que está implantando determinado empreendimento, e, portanto, com discursos previamente estabelecidos e com uma lógica de persuasão. Porém, não se deve esquecer que esse diálogo é construído em conjunto e, quando o receptor não compreende a mensagem, não a aceita, e, portanto, toda a comunicação ou a intenção de comunicar correrá o risco de se perder. “O

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receptor, nunca foi passivo, está cada vez mais ativo para resistir ao fluxo de informações. ” (WOLTON, 2011, p. 18).

Dessa perspectiva, não basta supor que o receptor ficará contente com o nível de informação fornecida, pois ele fatalmente vai buscar outras fontes e formas de saber. Para o autor:

“Ontem, comunicar era transmitir, pois as relações humanas eram frequentemente hierárquicas”. Hoje, é quase sempre negociar, pois os indivíduos e os grupos se acham cada vez mais em situação de igualdade.(WOLTON, 2011, p. 19).

Fica bem claro que, se a mudança é grande e generalizada e maior ainda com as novas tecnologias, é preciso, pois, se reinventar sempre, a informação não pode mais ser vista como algo estático; pelo contrário, ela se atualiza a cada segundo, e os públicos receptores, alvo dessas informações, também buscam esta atualização.

Para haver comunicação, é necessário conhecer melhor a dimensão humana, qualquer que seja o nível em que ela se processa, pois não se trata de um ato pelo qual um sujeito, transformado em objeto, recebe, dócil e passivamente, os conteúdos que outro lhe dá ou impõe. Os sujeitos mais informados são mais críticos e questionadores, em raras exceções se colocam em uma posição “inferior”. De maneira geral, as populações conhecem seus direitos e sabem quando eles estão sendo violados.

Se a busca pelo conhecimento e pela informação exige dos indivíduos uma presença constante diante do mundo, e muitos se colocam em uma posição de ação e transformação de suas realidades, outros, no entanto, ainda mantêm uma postura somente receptiva.

Por isso, não se pode estabelecer um processo comunicacional voltado à interação com as pessoas, se estas não permitirem a transformação. Principalmente, se as ações forem hierarquizadas, visando manter um distanciamento, mesmo que proposital daquele interlocutor. Durante esta pesquisa, foi possível verificar que os mecanismos utilizados no PCS do Rodoanel Trecho Leste, propunham uma relação distante e meramente informativa, principalmente quando o principal canal de comunicação é o site, através do Fale Conosco e este tem apenas respostas padronizadas.

Muitos outros exemplos são possíveis descrever para demonstrar esse distanciamento, tais como: pouco material informativo, ausência de profissionais em campo para estabelecer o vínculo com as pessoas, nenhum evento ou reunião de encerramento do empreendimento com as populações direta e indiretamente afetadas.

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Uma obra pública traz consigo demandas públicas e problemas públicos; dessa forma, fazer uma comunicação que exige mais interação social talvez não interesse o empreendedor. Pois ele esbarrará com demandas para as quais não houve planejamento, a exemplo de algumas comunidades afetadas pelo Rodoanel Trecho Leste, que são áreas irregulares, com habitações precárias e nenhuma condição de saneamento.

Para que o empreendimento seja instalado, são necessárias melhorias no local, além de remoção de casas e outros impactos previstos, como mencionado anteriormente. O problema é que para o Estado aproximar-se dessas áreas esquecidas por ele mesmo fará emergir ainda mais problemas, pois a preocupação pontual é apenas instalar a obra e manter as áreas como se encontram.

Conforme aponta Dagnino (2002, p. 162 apud LOCATELLI, 2011, p. 156):

Tensão e conflito são característicos nas relações entre Estado e sociedade civil (que nesse caso também inclui o mercado), sendo sua intensidade dependente da quantidade e da centralidade do poder que compartilham.

E como o mesmo autor relata, “participam da obra diversas organizações do Estado, mas cada uma com propósitos específicos, às vezes contraditórios entre si [...]” (LOCATELLI, 2014, p. 156). São atores como Cestesb, Ibama, Ministério Público, Prefeituras, entre outros, sem enumerar muitos outros interesses em pauta. Com cada ator desses, verifica-se uma preocupação e um tipo de comunicação, e especificamente com esses órgãos, há uma preocupação em interagir, buscar a negociação e o consenso sempre.

É fundamental destacar que a comunicação aplicada nesses casos vislumbra um processo político que tem como objetivo evitar a incomunicação; sendo, na verdade, o contrário: ela visa promover maior contato, para estabelecimento de respeito e confiança com tais atores também públicos.

O processo comunicacional em um empreendimento rodoviário, mesmo sendo a rodovia concessionada em sua construção, possui algumas variáveis, e, dependendo do público a que se destina, é aplicada para determinado fim. Isso não é uma falha, mas o que se deseja defender aqui é que, quando o público se refere à sociedade civil e demais grupos coligados, esta comunicação pode ser diferente, se almejar preceitos de liberdade individual e igualdade.

Vive-se em uma sociedade que não deseja ser questionada, que não deseja discutir, para não ouvir novas propostas ou novos caminhos. A velocidade nos meios de comunicação instiga as pessoas à incomunicação, enquanto alegam não ter tempo para tanta informação. A

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comunicação tem uma função social importante, porquanto ela pode trazer a reflexão, estimular novas discussões, como afirma FREIRE (1983, p. 36) sobre o diálogo:

O diálogo e a problematização não adormecem a ninguém. Conscientizam. Na dialogicidade, na problematização, educador-educando e educando-educador vão ambos desenvolvendo uma postura crítica da qual resulta a percepção de que este conjunto de saber se encontra em interação. Saber que reflete o mundo e os homens, no mundo e com ele, explicando o mundo, mas, sobretudo, tendo de justificar-se na sua transformação.

Discussões e reflexões dialógicas podem contribuir para estruturar novas interações e dinâmicas sociais de outros empreendimentos, rodoviários ou não. Mas, para que essa evolução aconteça, é necessário dimensionar o espaço em que se dá, ou ao menos facilitar e incentivar tal processo.

Aliadas a semelhante processo, a comunicação institucional/organizacional, que está presente na implantação de um projeto, não ficará esquecida. Pelo contrário, somente assim, essa comunicação conseguirá efetivamente reforçar a marca da organização, desenvolvendo relações de confiança e construindo uma imagem sólida. Por isso não se tem nada a perder quando a comunicação social implantada seja em rodovias, seja em outros empreendimentos, promove um processo de transformação social, levando além de informação, cidadania e respeito aos direitos fundamentais.

Nesse sentido, promover uma comunicação integrada, não fragmentando ações e setores, pode ser um facilitador neste processo. Pensar em uma comunicação estratégica, que se relacione com outras áreas e possa entender os diversos discursos, juntará esforços, desenvolvendo ações coerentes com a prática da organização e articuladas com a realidade. Como afirmam Lima e Maimoni (2012, p. 104):

As atividades integradas de comunicação devem objetivar a coerência das interações da organização com seus interlocutores, em face dos seus objetivos, representando uma somatória de ações conjugadas e complementares.

Por isso, a comunicação só poderá ser bem-sucedida, quando as pessoas estiverem envolvidas, participando do processo e contribuindo com os resultados.

É consabido que a comunicação é intrínseca ao homem e se estabelece nas relações sociais, “não é um ato isolado nem vários atos individuais desconexos, mas, sim, um fluxo contínuo de informações, com muitas origens e direções, além de conteúdos e formas em mutação permanente”. (BORDENAVE, 2002, p. 14).

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Além dessa comunicação face a face que pode gerar interação, criação de vínculos, etc,, não se pode esquecer a comunicação escrita, que também possui função importante ao mediar o processo de comunicação e educação.

Dessa maneira, quando os empreendimentos de grande porte optam por ferramentas de comunicação como: comunicados, panfletos, folders e cartazes, devem se ater a seus objetivos iniciais, prezando por informar fatos e auxiliar de alguma forma o processo de comunicação. Miége (2009, p. 12) afirma que,“desde há muito tempo, a informação que não é comunicada, que não tem canais de difusão, é a informação que não tem sentido”.

A informação precisa ter sentido para o interlocutor, deve haver identificação, caso contrário será apenas uma mensagem “enviesada”, sem qualquer sentido para quem a recebe. Conforme ensinamento de Freire (1987, p. 9), em seu livro Pedagogia do Oprimido, uma informação dessa ordem é típica de situação de opressão, em que os homens são roubados em sua palavra e vive-se a “cultura do silêncio”, eles no máximo reproduzem o que seu opressor fala.

Para o autor, “somente o diálogo que implica num pensar crítico, é capaz também de gerá-la”. E acrescenta: “Sem ele não há comunicação, e sem esta, não há verdadeira educação”. (FREIRE, 1987, p. 47). Sem a comunicação não haverá transformação social, e não há dúvidas de que somente a mudança pode promover avanços na sociedade.

Decorre disso, a importância de investigar se a comunicação vem cumprindo seu papel, se ela está permitindo ou facilitando a inserção de novos padrões, como o desenvolvimento socioambiental sustentável, entre outros. Contudo, para isso, é fundamental que a sociedade esteja mobilizada, condição essa que somente poderá acontecer se a comunicação estiver influenciando ativamente tais processos. Enfim, para que haja mobilização social deve haver um “projeto adequado de comunicação na sua estruturação”. (TORO e WERNECK, 1997, p. 35)

Em síntese, a comunicação deve ser um processo permanente de troca, interação, diálogo e compartilhamento, diferentemente da informação, trabalhada no sentido do não diálogo e somente da transmissão.

Diante do exposto, é possível vislumbrar um novo fazer comunicacional para os grandes empreendimentos, tais como as rodovias, principalmente porque eles afetam o cotidiano, alteram as dinâmicas sociais, causam grandes impactos e consequentes mudanças na vida e no meio ambiente.

A comunicação social ao longo dos anos avançou em diversos segmentos, promovendo novas formas de pensar a sociedade, contribuindo para a informação e o conhecimento em

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vários lugares ao mesmo tempo. Muitas vezes limitada em seu papel no ambiente organizacional, a comunicação social deve reconstruir-se diante das singularidades locais, desconstruindo saberes e promovendo novas formas de fazer e se comunicar ante a realidade instalada.

Freire (1985) referido por Citelli (2010, p.4) desconstrói: “A educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação do significado”. Ou seja, durante a comunicação, há uma construção de saber, que consequentemente promove educação. Daí a importância de construir relações durante a comunicação social, percebendo que se pode construir discursos “com” a população, e não somente “para” a população. Construir discursos “para” a população implicará correr o risco de não ser compreendido e de não haver identificação com o referido discurso, comprometendo todo o trabalho planejado.

De qualquer maneira, uma comunicação construída conjuntamente requer convivência, respeito às diversidades, etc. Como afirma Wolton (2011, p. 91), “não apenas informar não é comunicar, mas comunicar não é transmitir, mas conviver”. Para o autor, é preciso conhecer o outro e perceber seu mundo, para enfim haver uma comunicação mais acessível e eficaz.

Enfim, é de singular importância que os profissionais de comunicação possam ampliar o olhar para as questões mais diversas da sociedade e do mercado, afinal é a comunicação uma categoria construtiva do indivíduo, é a que promove interação entre os sujeitos históricos e seus modos de vida. Seja em grandes obras, seja nas ações do cotidiano das organizações, a comunicação deve ser a facilitadora dos processos sociais e mediadora das relações.

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