PRINCIPLES OF OPERATION AND HARDWARE DESCRIPTION
5.9 SEQUENCING THE MEMORY (CA)
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As ações existentes de comunicação e relacionamento com as comunidades, em geral, foram insuficientes para as populações afetadas pelo Rodoanel Trecho Leste. Não houve preocupação com a imagem e reputação do empreendedor, assim como não houve preocupação em gerenciar os riscos das comunidades. A imagem e reputação negativa do empreendimento e das empresas que executaram os trabalhos permanece a mesma até os dias de hoje.
De acordo com Bueno (2012, p. 24):
Será sempre importante questionar o papel (condenável sob o ponto de vista ético) que a comunicação corporativa destas organizações exerceu (com a cumplicidade de profissionais, agências de comunicação e de propaganda e da própria mídia) no sentido de mascarar a realidade, de que resultou, nestes casos, prejuízos para o cidadão.
Pode-se entender que até a elaboração dos estudos ambientais, em que os profissionais de comunicação, nem sempre são envolvidos, estes não podem se comprometer com a elaboração dos programas de comunicação social, que são os norteadores das ações na prática. Porém, durante a execução do PCS, estes profissionais são os responsáveis diretos por elaborar e desenvolver as ações de comunicação. Em razão disso, devem fazer com que esse processo se constitua da forma mais transparente e comunicativa possível.
Bueno (2012, p. 24) diz ser possível que uma organização construa uma boa imagem sem obrigatoriamente se relacionar com todos os seus públicos, porém é diferente de ter uma boa reputação que “[...] é uma leitura mais aprofundada, mais nítida, mais intensa de uma organização [...]”.
Desse ponto de vista, é preciso cultivar um relacionamento mais longo e duradouro que uma organização já possui ou ainda estabelecer outros iguais com seus públicos de interesse. Bueno (2012, p. 25) reforça dizendo que “posso modificar mais facilmente a imagem de uma organização (de negativa para positiva, ou vice-versa) do que sua reputação”.
Durante a pesquisa ainda foi possível avaliar que os canais de comunicação utilizados pelo empreendimento Rodoanel Trecho Leste não foram capazes de gerar compartilhamento de informações, assim como não promoveram nenhuma interação com os públicos de interesse, e mais, afastaram esses públicos e geraram incomunicação.
Em tempos modernos, de globalização, mídias digitais, é muito comum ouvir que a informação está disponível e que as pessoas podem acessá-las a qualquer tempo. Porém, vive-
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se um dinamismo informacional diário incontrolado, e tem-se a influência da mídia como os “grandes formadores de opinião”. Para Iasbeck (1997, p. 45):
O crescente avanço das tecnologias de informação tende a diminuir ainda mais o tempo de recepção e resposta aos estímulos discursivos, evidenciando a dinâmica interativa entre destinador e destinatário e a premência da implementação de meios estáveis e altamente flexíveis para a reciclagem dos discursos.
Dado esse fenômeno, a organização não pode acreditar que, disponibilizando a informação no site, ou criando ferramentas de comunicação pela internet, conseguirá suprir as demandas existentes. Para Barbeiro (2000, p. 54):
Há uma grande diferença entre as pessoas que podem estar conectadas com a Internet, beneficiando-se de uma grande quantidade de informações, de experimentação, de conhecimentos ou experiências estéticas e a imensa maioria excluída, desligada desse mundo de bens e experiências.
De conformidade com isso, pode-se afirmar que a sociedade brasileira começa a se conectar, o que já é uma realidade dos grandes centros urbanos, se bem que, mesmo nessas regiões, o alto custo de conexão ainda inviabiliza a utilização desse mecanismo.
Ademais, outros fatores prejudicam essa relação, tal como o baixo nível de escolaridade das populações afetadas pelo rodoanel, a vergonha e o medo de ir contra um projeto do governo, ou mesmo a dificuldade de compreensão das informações transmitidas. Verifica-se aqui que essas informações precisam ser “traduzidas”, pois a dúvida explicitada por telefone não é sanada, e ainda as pessoas sentem que não foram atendidas.
Os públicos de interesse, também chamados de interlocutores nesse processo, não podem ser responsabilizados nem ter a obrigação de saber ou conhecer as mensagens transmitidas, principalmente se não for levada em conta suas características sociais.
Como afirma Wolton (2007 apud ROMANINI, 2008, p. 235):
Apenas uma comunicação que respeite a cultura, as ideologias e até mesmo os estereótipos dos receptores, legitimando seu direito a ter opiniões e modos de pensar diversos dos nossos, tem a possibilidade de evitar que a inevitável incomunicação entre as pessoas, comunidades e culturas se degenerem em conflitos.
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Em outros termos, para que a comunicação seja considerada social, é preciso dar voz aos interlocutores, considerar seus interesses e avaliar os benefícios comuns para todos. Ao contrário do que foi o resultado desta pesquisa, na qual os sujeitos tiveram voz (por meio da imprensa), mas não foram ouvidos, e assim nenhuma mudança houve para a comunidade local ou para o empreendimento.
Comunidade essa que se refere ao lar, à casa das pessoas afetadas pelo rodoanel (os desapropriados ou quem ficou vizinho à rodovia), comunidade essa em que ficaram perdidas as pessoas, sem nenhum processo de comunicação ou diálogo social, a fim de minimizar os conflitos existentes. E como define Bauman (2003, p. 7), “a palavra “comunidade” é uma dessas. Ela sugere uma coisa boa: o que quer que “comunidade” signifique, é bom “ter uma comunidade”, “estar numa comunidade””.
O resultado é claro: as comunidades afetadas direta ou indiretamente pelo empreendimento foram impactadas sensivelmente em suas vidas comunitárias. Afinal, para quem partiu, o vínculo de convivência e moradia foi rompido, e para quem ficou, a comunidade sofreu todos os impactos e ainda sofre com alterações em sua dinâmica social.
E Bauman indaga sobre qual é a comunidade propícia à vida e convivência. Ele alude a uma comunidade a que os homens aspiram, ou seja, uma “comunidade ética”, e pode-se considerar que isso deveria aplicar-se pensando na sociedade como um todo, incluindo as organizações e outras instituições. Bauman (2003, p. 68) conceitua a “comunidade ética”, como:
Tecida de compromissos de longo prazo, de direitos inalienáveis e obrigações inabaláveis, que graças à sua durabilidade prevista (melhor ainda, institucionalmente garantida), pudesse ser tratada como variável dada no planejamento e nos projetos de futuro.
E somente assim, os indivíduos poderiam sentir-se seguros e protegidos em suas comunidades. Muito diferente do que se vive nos dias atuais, em que interesses coletivos se sobrepõem aos interesses locais, de forma impositiva, com uma comunicação equivocada e ao que se presta o faz de forma insuficiente. Os interlocutores em alguns momentos são ouvidos (o que já é uma evolução), mas nem sempre são atendidos em seus anseios.
O Programa de Comunicação Social do Rodoanel Trecho Leste, diante do que foi proposto em seu Plano Básico Ambiental, por meio dos relatórios apresentados à Cetesb e