Chapitre 4. Le développement de l’intervention ergonomique en conduite du changement89
4 Soutenir le travail collaboratif au sein des structures participatives
4.3 Soutenir le processus de conception collective de situations de travail capacitantes
Em relação ao continente africano, devido ao atraso económico e ao fraco desenvolvimento tecnológico, Santos (2006) caracteriza esta região mundial como bastante vulnerável aos efeitos das alterações climáticas. Este autor comenta que salvo algumas excepções, a grande generalidade dos países africanos apresenta uma agricultura pouco desenvolvida e uma economia débil, condições de vida precárias das populações e uma forte exposição a fenómenos climáticos adversos, de secas (e.g. Somália) ou de cheias (e.g. Moçambique). O projecto SIAM-II alerta também para a possibilidade da desertificação acelerada nas regiões do Norte, Sul e Oeste do continente africano, decorrente de uma diminuição da precipitação e de aumentos de temperatura previstos até ao final deste século. A verificarem-se estes cenários, poderão aparecer novos conflitos pelo domínio dos recursos hídricos – é conhecido neste continente, por exemplo, a tensão entre a Etiópia e o Egipto pelo domínio do rio Nilo bem como entre a Namíbia e Angola, na questão do rio Cuíto. Para o futuro, neste continente, os resultados dos modelos climáticos do último relatório do IPCC apontam para um agravamento dos problemas de escassez de água até 2100 e para uma diminuição da produtividade agrícola em 50% devido às mudanças climáticas, estimando-se que poderão vir a ser atingidas entre 75 e 220 milhões de pessoas já nos próximos 20 anos. Em termos económicos, esta fonte aponta que até ao final do presente século, os custos totais das alterações climáticas possam atingir entre 5-10% do Produto Interno Bruto (PIB) Africano.
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Para o continente Asiático, os impactos serão bastante diferenciados, ainda assim, o último relatório do IPCC, publicado em 2007, apresenta os traços gerais dos principais efeitos previstos para estes países. Esta fonte destaca que, por volta de 2050, a disponibilidade de água na Ásia deverá decrescer, especialmente no Centro, no Sul e no Sudeste Asiático. O degelo dos glaciares e a maior frequência de fenómenos climáticos extremos vão ter impactos negativos na agricultura, nos recursos hídricos, nas florestas e na biodiversidade, especialmente nos países em vias de desenvolvimento, como refere este relatório.
As populações que vivem nas zonas costeiras do Sul e do Sudeste Asiático, como por exemplo, no Bangladesh ou próximas dos megadeltas dos rios Mekong, Amarelo, Yangtzé, Chao Phraya, estarão em risco de sofrerem inundações frequentes devido aos aumentos do nível médio do mar, havendo uma probabilidade elevada de nestas regiões virem a ocorrer movimentos populacionais de massas, especialmente nas zonas costeiras.
Em relação à América do Norte, a vulnerabilidade face aos efeitos das alterações climáticas é geralmente menor, devido à elevada capacidade de adaptação destes países, quer ao nível tecnológico, quer ao nível económico e financeiro. Inclusive, algumas consequências destas mudanças serão bastante positivas para algumas regiões do Norte do Canadá, que com os aumentos de temperatura, poderão vir a tornar-se produtivas em termos agrícolas, como aponta o IPCC.
Na América do Sul, a vulnerabilidade é maior, uma vez que grande parte destes países é caracterizada por um fraco crescimento económico e tecnológico, o que pressupõe que a sua capacidade de adaptação aos impactos das alterações climáticas seja reduzida. Consequentemente, este relatório projecta para a maioria dos países da América Latina uma significativa perda de biodiversidade, sobretudo na parte leste da floresta tropical da Amazónia, uma diminuição da disponibilidade de água e uma redução significativa da produtividade agrícola. Poderá inclusive existir o perigo de fome em certas regiões em resultado destes impactos, IPCC (2007a).
Para as regiões polares, este relatório alerta para a possibilidade de reduções na espessura e extensão dos gelos, bem como de mudanças significativas nos ecossistemas terrestres e marinhos (sobretudo no Árctico). Em relação à Austrália e Nova Zelândia, esta fonte alerta que por volta de 2020, deverá existir uma perda significativa de biodiversidade em zonas específicas de valor ecológico elevado, como a Grande Barreira de Coral (património da humanidade desde 1981).
Em relação à Europa, a vulnerabilidade face às alterações climáticas é geralmente baixa devido à elevada capacidade de adaptação dos países europeus. Contudo, a revisão da literatura demonstrou que estes impactos não serão iguais em todas regiões europeias, situação que decorre da diminuição da precipitação nas regiões do Sul e de um aumento
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desta variável nas regiões do Norte. A verificar-se esta situação, aliado aos aumentos de temperatura e do nível médio do mar para que apontam os cenários, nas regiões do Sul haverá uma maior propensão a períodos de seca prolongada e por conseguinte uma menor disponibilidade de água. Poderá ocorrer uma redução da produtividade agrícola e uma perda efectiva de biodiversidade, como também efeitos negativos no turismo de Verão. Para além destas consequências, as ondas de calor, caso venham a ocorrer com maior intensidade e frequência, poderão trazer problemas para a saúde pública, bem como o maior risco de incêndios florestais (Santos, 2006; IPCC, 2007a).
Nas regiões do Norte, os efeitos serão basicamente os contrários. De acordo com estes autores, perspectivam-se aumentos da produtividade agrícola em resultado de uma maior disponibilidade de água nos solos e de aumentos na temperatura. Prevê-se igualmente um aumento da biodiversidade devido ao deslocamento dos ecossistemas de Sul para Norte e uma redução da taxa de mortalidade devido à redução dos períodos excessivamente frios, que serão cada vez em menor número. Para além destes impactos, referidos anteriormente, nas regiões montanhosas da Europa em que existam glaciares, está previsto uma redução da sua massa e uma perda de biodiversidade que, em alguns casos, poderá chegar aos 60% até 2080 (IPCC, 2007a).