Apresentam-se nos capítulos seguintes os resultados obtidos para as campanhas de avaliação de NO2. O tratamento geoestatístico dos dados foi feito segundo o algoritmo de interpolação Ordinary Kriging, tendo como base os resultados dos pontos de amostragem de fundo após extrapolação. O software utilizado foi o ArcGIS 9.0. De forma a facilitar a interpretação dos resultados utilizaram-se
intervalos de concentrações iguais para todas as campanhas.
A análise dos dados de meteorologia registados pela estação automática durante estas duas semanas de avaliação pode auxiliar a interpretação destes resultados. A observação das rosas de ventos correspondentes a cada uma das semanas de avaliação permite determinar as direcções predominantes do vento, bem como a sua intensidade. Estes factores têm particular influência na dispersão dos poluentes, e consequentemente, nas concentrações medidas.
3.5.1 Campanhas de Inverno
Analisando o mapa de concentrações de NO2 medidas durante a primeira semana de Inverno (Figura
3.8) verifica-se que os maiores níveis de NO2 foram registados na zona central do Barreiro,
nomeadamente na Freguesia de Verderena junto à estação de tráfego do Hospital Velho. Estes valores coincidem com a principal fonte emissora deste poluente, o tráfego rodoviário. Nas zonas mais urbanizadas e próximas de vias de circulação com alguma importância (tal como o IC21 e a N10) os níveis de NO2 foram naturalmente superiores. Na zona industrial do Barreiro os níveis de NO2
foram comparativamente mais baixos. Observa-se também que para a ocorrência de nívais mais elevados junto às áreas urbanas terá contribuído a preponderância de ventos calmos (cerca de 52% das ocorrências) o que é pouco propício à dispersão dos poluentes. Deste modo, sem uma adequada dispersão do NO2, este acabou por se acumular nas áreas urbanas.
Figura 3.8: Mapa de interpolação das concentrações de NO2 medidas na primeira semana de Inverno e
respectiva rosa dos ventos (valores em percentagem, e vento calmo incluído no centro)
0 1.250 2.500 5.000
A influência do regime de ventos na dispersão dos poluentes faz-se notar durante a segunda semana de medição (Figura 3.9). Nesta semana apenas 8% das ocorrências corresponderam a ventos calmos, tendo-se também registado um aumento da predominância de ventos com maior intensidade (acima dos 5 m/s). De facto, observando o mapa de concentrações observa-se o efeito de dispersão do NO2 já que o mapa de concentrações obtido é bastante uniforme em toda a área de estudo e os
níveis registados raramente ultrapassam os 20 μg/m3
.
Figura 3.9: Mapa de interpolação das concentrações de NO2 medidas na segunda semana de Inverno e
respectiva rosa dos ventos
Efectuando a agregação dos dois períodos de medição (Figura 3.10), observa-se que mesmo ocorrendo situações em que pontualmente se verificam concentrações elevadas, o mapa de concentrações apresenta valores pouco problemáticos na área de estudo. Os maiores níveis de NO2
correspondem regra geral às zonas de malha urbana mais densa, e também às zonas mais próximas de grandes rodovias.
Figura 3.10: Mapa de interpolação das concentrações médias de NO2 medidas no Inverno e respectiva
rosa dos ventos
0 1.250 2.500 5.000
Metros
0 1.250 2.500 5.000
O facto de as concentrações de NO2 terem sido predominantes nas zonas de malha urbana mais
densa indica que a contribuição do tráfego rodoviário é muito mais significativa do que a contribuição das fontes fixas, o que acaba por diluir o efeito que estas têm nos níveis de NO2 da área em estudo.
3.5.2 Campanhas de Verão
Os níveis de NO2 avaliados durante a primeira semana de medição de Verão apresentam o mesmo
padrão relativamente ao Inverno, ou seja, concentrações mais elevadas nas zonas com malha urbana mais densa e junto aos principais eixos rodoviários (Figura 3.11). O mapa de concentrações associado a este período de medição apresentou também os valores mais elevados de todas as campanhas.
Figura 3.11: Mapa de interpolação das concentrações de NO2 medidas na primeira semana de Verão e
respectiva rosa dos ventos
Mais uma vez, a maior preponderância de ventos calmos registada na primeira semana de medição de Verão condicionou a distribuição de concentrações assim obtida, já que na ausência de adequadas condições de dispersão atmosférica o NO2 apresentou uma tendência para a acumulação
nas zonas urbanas.
As condições de dispersão registadas na segunda semana de medição foram mais favoráveis (ventos com maior intensidade e provenientes do quadrante Nordeste, ao contrário da primeira semana em que os ventos provenientes de Oeste transportaram consigo poluentes emitidos na zona urbana do concelho do Seixal), daí que os níveis de NO2 tenham sido genericamente mais reduzidos, com
excepção do ponto 3 e do ponto 15 que apresentaram valores mais elevados devido à maior influência do tráfego rodoviário (ver Figura 3.12).
0 1.250 2.500 5.000
Figura 3.12: Mapa de interpolação das concentrações de NO2 medidas na segunda semana de Verão e
respectiva rosa dos ventos
Analisando o mapa de concentrações de NO2 tendo em conta a média das duas semanas de Verão,
verifica-se que os maiores níveis de NO2 foram registados no Concelho do Seixal, nomeadamente na
área a Oeste da EQA de Paio Pires e junto ao ponto B3 (Figura 3.13). Para este facto terá contribuído decisivamente a influência do tráfego rodoviário.
Figura 3.13: Mapa de interpolação das concentrações médias de NO2 medidas no Verão e respectiva rosa
dos ventos
3.5.3 Média Anual
Em termos de média anual (neste caso resultante da média das quatro campanhas) a distribuição de concentrações pode ser observada na Figura 3.14. Os mapas de concentrações de dióxido de azoto obtidos com os dados das campanhas de medição de Verão são muito semelhantes aos das campanhas de Inverno, existindo no entanto algumas diferenças que estarão possivelmente relacionadas com as diferentes condições de dispersão verificadas durante os diferentes períodos meteorológicos (tal como a intensidade e a direcção de vento predominante em cada semana de
0 1.250 2.500 5.000
Metros
0 1.250 2.500 5.000
medição) cuja influência pode ser significativa.
Globalmente, observam-se maiores concentrações de NO2 na zona do Seixal junto à EQA de Paio
Pires, bem como nas imediações do ponto B3. Também se verificam concentrações mais elevadas na zona central do Barreiro, que se encontra mais fortemente urbanizada e portanto com maiores níveis de tráfego rodoviário.
Apesar das concentrações de NO2 medidas terem apresentado alguns valores pontualmente
elevados, o mapeamento das concentrações não identificou a existência de zonas em incumprimento relativamente ao VL de base anual presente no Decreto-Lei nº 111/2002.
Figura 3.14: Mapa de interpolação das concentrações médias de NO2 medidas durante as 4 campanhas