• Aucun résultat trouvé

Les hypothèses indépendantes des dirigeants sociaux

SECTION I : LES DIRIGEANTS SOCIAUX RESPONSABLES

B- LES HYPOTHESES EXTERNES A L’ENTREPRISE ET SON ENVIRONNEMENT…56

2- Les hypothèses indépendantes des dirigeants sociaux

Nunca a mulher tinha vestido tão pouco como no início do século XIX. Eliminaram-se os panniers, as perucas empoadas, os bordados excessivos e os tecidos demasiados luxuosos. O vestuário dos homens também se tornou mais prático. A roupa de Napoleão Bonaparte era composta por três peças, e usava como elemento complementar o chapéu de feltro bicórneo, ornamentado com um gorgorão de seda e botão de pérola. Este chapéu, designado cocked hat, foi o modelo característico do Antigo Regime. Tornou-se num símbolo de liberdade nos últimos anos da Revolução Francesa. Mas este não foi o único tipo de chapéu que deu que falar durante a revolução: o modelo calabrese ou calabrian tinha uma copa alta e abas largas. Era usado com um casaco de veludo com bolso vermelho pelos italianos.45

O fato de três peças destinado ao sexo masculino veio marcar a diferença entre a mulher e o homem. O vestuário colorido destinava-se às mulheres, por serem mais propensas às tendências da moda. Nos finais do século XVIII, surgiram as primeiras lojas de roupas em segunda mão. As pessoas vendiam ou empenhavam as roupas aos lojistas. Esta era uma forma de ganhar dinheiro. Deste modo, era possível adquirir roupa a baixo preço. Juntamente com esta inovação, apareceram os fatos prontos ou pré-confecionados. Até ao século XVII, adquiria- se o vestuário nos mercados onde eram produzidos ou para quem pretendia uma roupa totalmente nova, mandava-o confecionar por medida nos alfaiates. No séc. XIX, os fatos costurados por medida que tivessem erros ou defeitos eram vendidos nas lojas. Todavia, o conceito de peças estandardizadas devem-se aos militares, em consequência de procurarem vestir um exército inteiro, constituído por milhares de homens em prazos curtos e preços baixos.46 O pronto-a-vestir também se associava à marca. Entre finais do século XVII e o início do século XVIII, a marca existia com a função de se distinguir dos produtos artesanais.

Voltando, novamente aos fatos de homem, tratava-se de uma espécie de uniforme constituído por três peças: calças, casaco e colete. Até aos anos trinta do século XIX, as calças

45 CAMPIONE, Adele – Men´s Hats, Il capello Da Uomo. Italy: BE – MA Editrice.1988, p. 12.

46 RIELLO, Giorgio – História da Moda, da Idade Média aos nossos dias. 1ª ed. Lisboa: Texto & Grafia. 2013, p.

26

chegavam ao joelho e eram fechadas com uma fita ou botões. A partir dessa década, as calças alongaram-se, cobrindo a perna inteira, o casaco tornou-se mais curto, assim como o colete. Este tipo de vestuário, considerado traje moderno, também incluía, um paletó (feito de lã pesada) e era muitas vezes acompanhado por um chapéu. Este traje destinava-se a todas as classes, desde a classe mais abastada à classe média e baixa: operários e camponeses. Os fatos eram de cor escura, feitos a partir de tecidos semelhantes ou idênticos da mesma alfaiataria. Eram usados com uma camisa preta e constituíam o traje quotidiano. Os punhos e os clarinhos eram removíveis e laváveis separadamente. As elites também adotaram este estilo negro e abandonaram as cores berrantes e as sedas do século anterior. O fato permitiu criar novos looks, dando origem a novas apresentações e estilos no modo de vestir do homem. Em Inglaterra, assistiu-se à criação de fatos requintados, criando os estilos snob, cockney e dandy. O primeiro estilo era usado pelos empregados e trabalhadores manuais. O segundo representava a figura do homem boémio. O dandy não seguia a moda, mas a elegância. Apresentava-se de fato, passado a ferro e cuidado, de cores sóbrias (negro, castanho escuro, verde escuro, cinzento e tons creme) com alguns acessórios, tais como nó de gravata, bastão de passeio, relógio de ouro, monóculo na mão, chapéu cilíndrico, entre outros. As personalidades Lord Byron e George Brian Brummel são dois exemplos desse estilo. Vários formatos de chapéus de feltro estavam associados a esse look. A famosa cartola, chamado também de chapéu alto era o modelo mais conhecido da época e acompanhava a evolução descrita do vestuário nasculino. No final do século, surgiram outros modelos relevantes, tais como o chapéu de coco, designado bowler hat, pipe, ten – liter hat ou bomb. Charlie Chaplin, o ator conhecido do cinema mudo, encarnava a sua personagem usando esse chapéu, indissociável da sua imagem.

O chapéu italiano Borsalino, fabricado a partir do feltro, tornou-se muito famoso em meados do século XIX. O primeiro chapéu dessa marca a ser produzido é datado do ano 1857.47 A marca ainda está hoje presente no mercado.

Foi também nesta era que apareceu o algodão e com esta nova matéria-prima começou- se a confecionar vestuário e a produzir chapéus novos. Apesar das influências inglesas, Paris continuava a dominar a moda a nível mundial. Os gorros foram usados durante todo o século XIX, decorados com diversos materiais: desde plumas, fitas, jóias, flores, a laços. Ao longo do século, os gorros não sofreram grandes alterações, mas acabaram por ser substituídos pelos chapéus no final da centúria. Os gorros eram adquiridos nas lojas millener, acessíveis a todas

27

as classes. Novos estilos de vestir surgiram, com influências medievais, ciganas (Gipsy), e das danças polka e gallop. A figura feminina a ser seguida pelas mulheres foi o estilo Gibson Girl. Foi a primeira pin-up a surgir na América, criada pela artista Charles Dana Gibson. Este ideal de mulher predominou mais ou menos até à I Guerra Mundial.

No século XIX, surgiu a revista Godey´s Lady´s Book, que divulgava mensalmente estilos de moda com ilustrações de mulheres a usarem chapéus, baseados num período sobretudo romântico, influenciado por poetas e escritos. Os materiais usados nos gorros e chapéus consistiam no feltro, algodão, lã, seda, veludo, pele e renda. O chapéu bibi foi uma novidade, assim como os chapéus masculinos de copa alta, que passaram a ser usados pelas mulheres. Todavia, os Spoon bonnets e mais tarde os headress, tornaram-se populares para o uso diário. Em meados do século XIX, desenvolveu-se o estilo vitoriano originário do Reino Unido, a crinolina passou novamente a fazer parte da vestimenta feminina. Na Inglaterra, a fábrica Thompson, produzia diariamente cerca de 4000 crinolinas.48 Os velhos cânones da feminidade tinha voltado. A mulher vestia os corpetes, vários tecidos, jóias, penteados elaborados e chapéus de várias formas. As crinolinas usadas pela classe elevada causavam alguns inconvenientes e eram perigosas para a saúde das mulheres, que precisavam de ajuda para subir degraus, passar pelas portas de lado, etc. As pessoas só conseguiam aproximar-se das senhoras até a uma certa distância, pois o volume das suas saias impedia o contacto próximo. No século XVIII, as crinolinas eram compostas por estruturas com barbas de baleia, crinas de cavalo, ou saias com múltiplos revestimentos. Isso permitia um aumento de volume da saia e faziam com que a cintura das mulheres parecesse extremamente fina. A estrutura permitia à mulher um andamento fluido e sedutor. Mas, no século XIX, por volta de 1855, essa estrutura foi substituída por uma estrutura metálica em aço. A mulher dessa época apresentava- se com uma quantidade de tecido exagerada, que cobria a armadura de aço, decorados com bordados e rendas a gosto, usando elementos que completavam a sua aparência, luvas, leques, sombrinhas, bolsas e chapéu. Em 1875, a crinolina foi substituída por uma espécie de almofada usada por baixo do vestido sobre os rins, provocando volume na parte de trás, levantando a saia. Este elemento constituído por crina de cavalo designava-se a tournure.

O primeiro estilista, fundador da alta-costura afirmou-se como tal nesta época, chamava- se Charles Frederick Worth, e vestia a esposa do imperador francês Napoleão III. O designer era conhecido pela fabricação requintada e luxuosa de tecidos e xales. Iniciou-se a desenhar

48 LANGLEY, Susan – Vintage, Hats & Bonnets 1770 – 1970: Identification & Values. 1ª ed. Paducah: Collector

28

vestidos para a prestigiada boutique parisiense Maison Gagelin. Mais tarde, com o comerciante sueco de sedas Otto Bobergh, abriu o seu próprio salão de moda em Paris.49 O criador contribuiu para a modificação da moda. Foi o primeiro costureiro a criar coleções. As clientes escolhiam os tecidos, que condiziam com os modelos já confecionados por ele. Até então, os alfaiates costuravam os vestidos, segundo os desejos dos seus clientes. Este estilista transformou o alfaiate num criador de moda e o artesão num artista. Worth vestia as burguesas abastadas, as rainhas, princesas e atrizes. A sua moda destinada para a alta sociedade predominou até á década de vinte, impulsionando outros jovens criadores a seguir a carreira na moda.