Nested Sphere Statistics of Skeletal Models
5.2 Skeletal Models of Non-branching Objects
“Na preparação e realização do ensino em EF é necessário ainda prestar atenção à capacidade individual de rendimento dos alunos. Só desta forma é possível determinar uma carga ajustada ao grau e sentido do seu desenvolvimento (..)” (Bento, 1987,p.105).
O respeito pelos alunos e suas características foi uma constante preocupação no cumprimento da minha missão. A coeducação surgiu como a ideia de uma intervenção que me permitiria uma pedagogia da igualdade e da diferença, anulando por um lado as situações discriminatórias, e aceitando por outro, a diversidade de tratamento como estratégia para criar uma igualdade de oportunidades de aprendizagem a todos os alunos. A avaliação inicial dos alunos realizada no início de cada UT bem como as avaliações formativas ao longo das aulas contribuíram para o conhecimento das competências motoras e saberes dos alunos, sendo a base de um processo de reflexão para
constituição dos diferentes grupos ao longo do ano letivo. Se a princípio a criação de níveis de desempenho nas aulas de EF me pareceu ser a estratégia adequada para respeitar as características individuais dos alunos e promover o desenvolvimento das suas potencialidades, à medida que ia lecionando as diferentes UT, fui verificando que nem sempre a homogeneização dos grupos seria a opção acertada. Por vezes esta divisão dos alunos não tinha repercussões positivas para o seu progresso. Percebi da observação dos alunos que esta não poderia ser uma estratégia a aplicar de “olhos fechados” visto que em certos casos era no contacto com as diferenças que os alunos tinham oportunidade para evoluir. Procurei organizar/aplicar estratégias de ensino adequadas às necessidades e ritmos de aprendizagem dos alunos, promovendo ambientes de aprendizagem em que predominou uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento e, de igual modo, onde o aluno foi sujeito interativo e ativo no processo de construção do seu conhecimento. Foi nos vários momentos de reflexão, os quais citarei, que considerei imprescindível tratar cada UT como única, exigindo-me uma metodologia e intervenção específica de acordo com as disponibilidades dos alunos para a mesma.
“Existem grupos que continuam a ter ainda dificuldades na realização dos três toques, contudo outros já os realizam mais frequentemente. Dadas estas dissemelhanças, penso que estará na altura de nesta parte da aula os alunos serem divididos por níveis de desempenho para que se criem distintas condições de aprendizagem que se tornem mais ajustadas aos mesmos. Assim sendo, na próxima aula, procederei já a uma divisão da turma por níveis para que os alunos possuam mais oportunidades para evoluir”
(Reflexão 40, 15 de fevereiro de 2011)
“São evidenciadas ainda, e por parte de certas alunas, algumas dificuldades técnicas e táticas, contudo revelam já melhorias, o que lhes permite uma maior interação com os colegas de equipa. Penso que o facto de ter optado pela realização de
equipas equilibradas, e não por níveis de desempenho tem contribuído para a evolução positiva destas alunas”.
(Reflexão 59, 10 de maio de 2011)
“Contudo, as alunas que se encontram no nível mais avançado revelaram alguma desmotivação durante o jogo de Futebol, visto que a sua equipa é maioritariamente constituída por rapazes, o que lhes limita a sua intervenção no jogo. Como tal, na próxima aula a organização das equipas deverá ser alterada, o que levará a que provavelmente estas não se organizem por níveis mas sejam igualmente equilibradas”.
(Reflexão 7, 12 de outubro de 2010)
“Na parte final da aula, e uma vez que é atualmente mais evidente que os alunos possuem resistências distintas na realização do trabalho de força, foram criados grupos de trabalho para os quais foram prescritos exercícios com distinto número de repetições para que se ajustassem às capacidades dos diferentes alunos. Os alunos seguiram então o plano elaborado para o seu grupo, o que fez com que este trabalho fosse bastante mais adequado e os alunos se sentissem mais motivado, essencialmente os que se encontram num nível mais avançado.”
(Reflexão 32, 21 de janeiro de 2011)
Em determinadas alturas senti necessidade de ajustar as atividades e reorganizar os grupos naquele momento, espaço e circunstâncias. Deste modo, diagnosticava as dificuldades de cada aluno e preparava estratégias que fomentassem o colmatar de determinadas lacunas.
“(..) ao longo da realização dos jogos detetei que a qualidade do jogo era bastante inferior à apresentada quando os alunos estão organizados por níveis e que os alunos estavam menos motivados e empenhados, principalmente os alunos de nível avançado. Assim, rapidamente me apercebi que o que me pareceu adequado no
momento de planeamento, não estava a resultar na prática, levando- me a repensar na situação. Após breves minutos de observação, parei os jogos e voltei a organizar as equipas por níveis, parecendo- me ser a solução mais adequada aos alunos, o que levará a que o torneio agendado ocorra por níveis de desempenho e assim seja mais competitivo e ocorram jogos com maior qualidade, no caso das equipas de nível avançado.”
(Reflexão 44,1 de março de 2011)
“Segundo Mesquita (2005, p.4), “a transição de uma etapa para outra requer que os conteúdos abordados na etapa em questão sejam do domínio dos praticantes (...)”. Assim sendo, e no sentido de criar um maior número de oportunidades para a obtenção de sucesso, decidi incluir duas das alunas que se encontravam no nível anterior no nível seguinte visto que o seu repertório motor lhes permitia estar nessa etapa. Penso que tais alterações foram ajustadas levando a que os alunos em geral se mostrassem mais motivados e empenhadas tendo desta forma aumentando a
qualidade do jogo.”
(Reflexão 49, 18 de março de 2011)
As necessidades dos alunos sugeriram a estratégia a utilizar nas diferentes aulas e, mesmo que estes não atingissem a ideia de “Unidade”, mesmo que não fossem todos aqueles que alcançavam os objetivos irrealistas do programa, o intuito foi sempre que todos evoluíssem de acordo com as suas potencialidades.