Nested Sphere Statistics of Skeletal Models
5.7 Extensions and Discussion
A avaliação surge talvez como a tarefa mais difícil e mais desafiante para o professor, contudo, tal como apela Bento (1987,p.149) é um incómodo necessário. De acordo com o autor, “conjuntamente com a planificação e realização do ensino, a análise e avaliação são apresentadas como tarefas centrais de cada professor”. A necessidade da sua realização surgiu desde o início do ano letivo a fim de diagnosticar as capacidades e conhecimentos dos alunos para que o processo de ensino-aprendizagem se ajustasse aos mesmos. Sendo a primeira vez que me via com esta responsabilidade esta foi sem sombra de dúvidas a tarefa mais difícil para mim. Realizar uma seleção de critérios avaliativos para alunos que eu não conhecia, apesar das diretrizes que
o professor pode seguir, tornou-se bastante complicado. Recordo-me perfeitamente que na primeira avaliação inicial que realizei, que ocorreu na UT de Futebol, terminei a aula um pouco desapontada e até atordoada na tentativa de registar tudo aquilo a que me tinha proposto. Dadas as dificuldades com que me deparei, tive necessidade de refletir sobre o assunto recordando esse mesmo momento no parágrafo seguinte:
“ As dificuldades que senti foram ao nível do registo dos dados dos alunos na ficha de avaliação inicial devido ao número de conteúdos a avaliar e à dificuldade em reconhecer os alunos. Será necessário que numa próxima avaliação recrute um menor número de conteúdos para a avaliação da turma no sentido de que esta tenha maior probabilidade de ser bem sucedida. Considero ter sido bastante importante que o professor cooperante me deixasse aplicar a ficha de avaliação inicial que elaborei sem que interviesse na mesma, no sentido de eu me confrontar com os problemas e posteriormente ter de encontrar soluções para os mesmos. Foi desta confrontação com a realidade que agora entendo o que será necessário alterar para o próximo momento avaliativo”.
(Reflexão 1, 17 de setembro de 2010)
Após este episódio de algum insucesso tive consciência que era necessário produzir instrumentos de avaliação que para além de estarem de acordo com os objetivos do ensino-aprendizagem fossem de aplicação simples e prática, no sentido de se tornarem mais eficazes. Percebi também que no momento de seleção de critérios avaliativos me deveria concentrar no essencial visto não ter conhecimento dos momentos de instrução a que os alunos foram sujeitos anteriormente, podendo todos os restantes pormenores ser analisados ao longo das aulas seguintes. Assim sendo, foi durante a lecionação das diferentes UT que a elaboração dos diferentes instrumentos avaliativos foi sendo aprimorada tornando-se os momentos de reflexão com o Professor Cooperante fulcrais para esse efeito. Diariamente avaliei os alunos e a qualidade da minha intervenção nas reflexões realizadas após cada aula,
vigilância constante do processo de ensino no sentido de avaliar e controlar o estado e rendimento dos alunos e assim poder manipulá-lo, surgiu a avaliação formativa. Este tipo de avaliação foi contemplava através dos relatórios que os alunos realizaram sempre que não estavam aptos para participar na aula, nos torneios intraturma organizados em determinadas UT e ainda nas fichas de verificação que os alunos completavam no decurso da observação do desempenho dos colegas. Este momento avaliativo surgiria como mais uma oportunidade de aprendizagem para os alunos, onde estes receberiam
feedback (s) sobre a sua evolução ao longo das aulas. Foi esta avaliação
contínua do desempenho e conhecimentos dos alunos que contribuiu para o melhor conhecimento dos mesmos, tornando-se a avaliação sumativa uma extensão natural de todos estes momentos.
No âmbito da avaliação sumativa por vezes senti necessidade de que esta decorresse em dois momentos distintos de forma a conseguir avaliar todos os conteúdos transmitidos. Esta estratégia acabou por trazer algumas vantagens aos alunos em determinadas modalidades como foi o caso da UT a que me refiro no parágrafo seguinte:
“Para iniciar a aula foi realizada uma breve conversa com os alunos, onde foram divulgados os resultados da avaliação sumativa das pegas e figuras acrobáticas efetuada na aula anterior. Foi realizada uma breve apreciação a cada grupo e apresentados os aspetos que cada um deles deveria melhorar. Julgo que foi algo positivo, oportuno e proveitoso visto que os alunos poderiam ainda nesta aula melhorar estes aspetos e obter um melhor desempenho na avaliação sumativa dos seus esquemas”.
(Reflexão 21, 26 de novembro de 2010)
Para a realização da avaliação sumativa sempre tive a preocupação de criar situações que propiciassem a ideia de avaliação autêntica sugerida por Mesquita e Graça (2007,p.60) a qual se reporta “a desempenhos contextualizados, procurando-se um alinhamento da instrução com a avaliação”. Assim, na avaliação sumativa foram privilegiados os contextos em
que os alunos estavam habituados a exercitar as suas habilidades, porém surgia a necessidade de atribuir-lhes uma classificação. Entendi esta classificação como um reforço ou penalização que poderia conferir ao aluno de acordo com o progresso dos seus conhecimentos, habilidades e atitudes. Tendo consciência que esta classificação atribuiria um determinado reconhecimento social ao aluno, não pude deixar de me sentir pressionada pelo efeito do sentimento de justiça que estas situações sempre envolvem. Assim, senti-me impelida a recorrer a meios que aparentemente me transmitissem maior segurança.
4.1.5.1 A utilização de meios audiovisuais como auxílio na tarefa de avaliação
A gravação de vídeo em momento avaliativo da UT de ginástica acabou por produzir em todo o processo um duplo efeito, permitindo por um lado a recolha de elementos mais precisos dos conteúdos a avaliar, enquanto facultava também aos alunos a observação do seu próprio desempenho. A possibilidade de confrontar os dados registados com as imagens captadas permitiu-me analisar pormenores interessantes do desempenho dos alunos que no momento avaliativo não tive capacidade de observar. Também esta é uma aptidão que deve ser estimulada a evoluir ao longo do tempo para que o professor seja mais perspicaz nas suas observações. Contudo, numa fase inicial em que tudo parece ser importante de ser observado, a utilização de meios audiovisuais apresentou-se como um recurso curioso para me auxiliar nesta tarefa. Assim, após a visualização dos vídeos pude ser mais rigorosa e imparcial na análise das prestações dos alunos, sentindo que este tipo de estratégia me permitia examiná-los com mais cuidado e precisão, contribuindo para a atribuição da sua classificação. Considero a utilização deste tipo de tecnologias nas aulas de EF como uma forma do professor aderir ao processo de inovação que marca a sociedade atual, a exemplo do que está a pretender fazer-se no domínio das arbitragens das competições oficiais de quase todas as modalidades, construindo a sua prática de ensino tirando partido das
vantagens que estes meios lhe podem oferecer. O facto de facilitar aos alunos ter consciência do seu desempenho favorecerá a introdução de correções úteis no âmbito da evolução das suas capacidades bem como ao permitir que o professor observe o seu próprio desempenho contribuirá para o seu desenvolvimento profissional. Partindo destas observações das próprias aulas o professor poderá obter um feedback sobre a sua ação e desenvolver estratégias refletindo criticamente sobre o seu ensino, criando-lhe uma atitude mais presente na investigação da sua ação.
4.1.6 O contributo da observação de aulas para a evolução das minhas