Tabela 8 – Distribuição das frequências relacionadas às atividades básicas de vida diária dos idosos residentes em ILPIs, Salvador, Bahia. 2013.
Variáveis N°(%)1
Independente 37 (31,6)
Dependência moderada 47 (40,2)
Muito dependente 33 (28,2)
Fonte: Pesquisa A Saúde de Idosos Residentes em Instituições de Longa Permanência Apoiada na Teoria de Nightingale, 2013. 1No, número; %, percentual.
Para avaliação das atividades de vida diária utilizou-se o Index de Katz que é composto por seis atividades relacionadas ao autocuidado sendo elas: alimentar-se, banhar-se, vestir-se, arrumar-se, mobilizar-se e manter controle sobre suas eliminações.
Dos 117 idosos que participaram desta pesquisa, apenas 31,6% se mostraram independentes para a realização das atividades de vida diária. A maioria dos residentes (40,2%) apresentou dependência moderada e 28,2% revelaram-se muitos dependentes. Estudo realizado por Aires, Paz e Perosa (2009) em uma ILPI no norte do Rio Grande do Sul, evidenciou dados semelhantes no que diz respeito à independência dos idosos para a AVDs. Estes autores concluíram que 32,5% dos idosos foram considerados independentes, 51,6% mostraram-se parcialmente dependentes e 16,1% totalmente dependentes para realizar as AVDs.
O envelhecimento traz consigo uma série de mudanças nos aspectos sociais, psicológicos e fisiológicos, os quais levam a uma diminuição progressiva das reservas funcionais do organismo, causando desta forma alterações em todos os aparelhos e sistemas. Uma dessas alterações é a diminuição da capacidade funcional de forma global (AIRES, PAZ e PEROSA, 2009).
A capacidade funcional pode ser entendida como a capacidade de manter as habilidades físicas e mentais essenciais para que se tenha uma vida independente e autônoma. Muitas são as alterações que levam à diminuição progressiva da capacidade funcional. Dentre elas podemos citar: a diminuição ou até mesmo perda da acuidade visual, a diminuição da capacidade auditiva e a diminuição da força muscular, que contribuem para o aumento do risco de quedas, limitando assim os idosos na realização das atividades de vida diária (AVDs) (SOUZA et al, 2013).
A dependência funcional é mais prevalente entre os idosos longevos. Estudo realizado por Nogueira et al, (2010) traz que o aumento da idade é um fator de risco para a redução da capacidade funcional, especialmente, quando há presença de comorbidades. Os autores referidos verificaram que 96% dos idosos entrevistados auto referiram ter uma doença crônica que prejudicavam em diferentes graus os níveis de saúde e desempenhos para as AVDs (NOGUEIRA et al., 2010).
Com o avançar da idade aumenta-se as chances de doenças crônicas e consequentemente do uso de medicações. Peres et al., (2005) encontraram em seus estudos de coorte, realizados com idosos, uma associação positiva entre o uso de medicamentos e a incapacidade funcional. O alto consumo de medicamentos entre a população idosa pode refletir o estado de saúde do indivíduo, como também informar sobre comorbidade existentes,
a gravidade destas comorbidade e até a probabilidade de iatrogenia (NOGUEIRA et al., 2010).
Alguns medicamentos específicos podem piorar o desempenho funcional de idosos. Dentre eles destacam-se os fármacos anticolinérgicos e os benzodiazepínicos, por estarem associados ao maior risco de quedas nestes indivíduos. Assim, vale ressaltar que os medicamentos desempenham importante papel que na manutenção da saúde e da capacidade funcional dos idosos, tonando-se essencial o desenvolvimento de ações que promovam sua adequada prescrição na atenção à saúde dessa população (NOGUEIRA et al., 2010).
Estudo realizado na cidade de Porto Alegre verificou que o nível de dependência dos idosos institucionalizados é maior do que o de idosos que residem em domicílio próprio ou com familiares. As atividades que exigiam maior movimentação, como, tomar banho, se vestir e usar o vaso sanitário foram as que indicaram maior dependência entre os idosos avaliados (SOUZA et al, 2013). Converso e Lartelli (2007) trazem que a institucionalização pode levar o idoso a ficar dependente para realizar as atividades de vida diária, uma vez que, o autocuidado não é estimulado e na maioria das vezes não se permite que os idosos desempenhem atividades simples como vestir-se ou banhar-se.
Embora a Política Nacional do Idoso, assegure em suas diretrizes que para garantir a promoção do envelhecimento saudável é necessário também melhorar e manter a capacidade funcional dos idosos, assim como promover a reabilitação daqueles que venham a ter a sua capacidade funcional restringida essa não é uma prática realizada nas ILPIs.
As Instituições de Longa Permanência, em especial as filantrópicas, convivem com a escassez de recursos não dispondo de meios para contratar um maior quantitativo de profissionais assim como profissionais qualificados para atender aos idosos de forma integral. A insuficiência de cuidadores para a o número de idosos residentes assim como a rotina rígida de cuidados contribuem para o predomínio da dependência entre os idosos.
Muitas instituições primam pelo rápido andamento do serviço e assim os cuidadores acabam desempenhando atividades de cuidado que os idosos poderiam fazer sozinhos desde que tivesse seu tempo e suas limitações respeitadas. Essa dinâmica institucional retira dos idosos a autonomia para a autocuidado e vão tornando estes indivíduos cada vez mais acomodados e inativos, tornando-os dependentes do cuidado do profissional para realizar atividades básicas do dia a dia.
Diante disso, tona-se necessário à inserção da enfermeira nas ILPIs para que possam desenvolver com os cuidadores, ações de educação continuada com o objetivo de capacitar a equipe para lidar com as limitações dos idosos e incentivá-los à prática do autocuidado
favorecendo a manutenção da capacidade funcional. Além disso, a enfermeira deve também verificar a adequação do quantitativo de cuidadores, solicitando dos administradores da instituição a ampliação do quadro de funcionários, se necessário, de modo a proporcionar um melhor cuidado.