• Aucun résultat trouvé

Nesta etapa, foram avaliados os limites de resíduos de agrotóxicos em amostras de cana-de-açúcar em diferentes fases do ciclo vegetativo da cultura.

5.4.1.1 Caracterização da área de coleta das amostras

As amostras foram coletadas nas áreas pertencentes aos tabuleiros fertirrigáveis da Usina São João, assim denominado, pois, tais áreas são irrigadas com a vinhaça obtida durante o processo de fabricação do álcool, a qual supre parte das necessidades dos nutrientes (Ca e K) e de N em menores proporções, além dos micronutrientes fundamentais ao desenvolvimento da planta.

As áreas dos tabuleiros fertirrigáveis investigados na pesquisa são compostas por 04 fazendas, sendo estas: Fazenda São João (FSJ) com 100% de sua área inserida, Fazenda Tibiri (FT) (75% da área), Fazenda Espírito Santo (FES) (4% da área) e Fazenda Munguengue (FMU) (5% da área).

A produção de vinhaça na Usina São João é em torno 13 a 14 litros para cada litro de álcool produzido. Para que a vinhaça seja utilizada na fertirrigação é necessário que sejam feitas análises para verificação dos teores de nutrientes, etapa fundamental ao cálculo das lâminas da fertirrigação. Dessa forma, são estabelecidos na Usina três pontos de amostragens para coleta, sendo estes antes e após a diluição da vinhaça em água. A vinhaça pode ser utilizada tanto na fertirrigação como na etapa de pré-plantio (adubação antes do plantio da cultura).

74 Os sistemas de irrigação voltados para as áreas fertirrigáveis da Usina permanecem em atividade durante toda a etapa de colheita. A vinhaça é então distribuída para as áreas plantadas por meio dos canais de vinhaça (Figura 18 A) interligados por tubulações (Figura 18 B). Em condições edafoclimáticas normais, um talhão, inserido nas áreas dos tabuleiros fertirrigados recebe três laminas de vinhaça durante todo o ciclo vegetativo da cultura, cada com 45 mm.

Figura 18- Canal de vinhaça (A); tubulação de entrada da vinhaça (B)

Fonte: Autora (2015)

Em média as áreas dos tabuleiros fertirrigáveis alcançam uma produtividade de 70 t/ha de cana soca durante o ciclo, produção esta bastante significativa quando comparado com o tabuleiro sequeiro que produz em torno de 45 t/ha. Esta alta produtividade esta associada, principalmente, ao uso da vinhaça no período de estiagem, uma vez que, a perda de água no solo por evaporação e a perda por transpiração da planta são intensas. Além disso, durante o período da colheita, característico pela produção de vinhaça, caso ocorra chuvas atípicas a fertirrigação não é interrompida.

As amostras de cana-de-açúcar foram coletadas nos tabuleiros fertirrigáveis em virtude de tais áreas serem consideradas nobres pela empresa, pois apresentam fatores que à

75 potencializam, tais como: controle químico das ervas daninhas, fertirrigação e adubação química. Porém estas apresentam um diferencial quando comparadas ao tabuleiro sequeiro e as áreas de encostas relacionadas à fertilidade do solo, oriunda da utilização da fertirrigação durante vários anos refletindo em um canavial mais nutrido e produtivo, além disso, tornando- se áreas economicamente mais importantes para a empresa.

O uso de agrotóxicos nestas áreas proporciona um crescimento vegetativo contínuo, onde em apenas três a quatro meses a cultura de cana-de-açúcar fecha, ou seja, as folhas se cruzam e, com isso os raios solares não chegam ao solo, consequentemente as ervas não germinam. Desse modo, de acordo com o agrônomo da Usina, nessas áreas é realizado durante o ciclo da cultura uma aplicação de pré-emergência e uma de pós-emergência, sendo estas suficientes para eliminação das plantas daninhas.

5.4.1.2 Identificação, coleta e acondicionamento das amostras de cana-de-açúcar

Para a presente pesquisa foram coletadas quatro (04) amostras de cana-de-açúcar seguindo as etapas que correspondem às fases do ciclo vegetativo da cultura. A amostragem foi simples e realizada aleatoriamente contemplando a área central dos talhões pertencentes aos tabuleiros fertirrigáveis da Usina São João supracitados.

A identificação das amostras, e os princípios ativos dos agrotóxicos aplicados durante o período de coleta foram:

 Amostra 01 - Cana-de-açúcar aos 45 dias após o plantio; - Local de coleta: Fazenda Tibiri (FT), talhão 06

- Aplicações de Agrotóxicos: - Pré- Emergência (ametrina, 2,4 D).

 Amostra 02 - Cana-de-açúcar aos 75 dias após o plantio; - Local de coleta: Fazenda Espírito Santo (FES), talhão 63

76 - Aplicações de Agrotóxicos: - Pré- Emergência (clomazona, hexazinona);

- Pós- Emergência (ametrina, 2,4 D).

 Amostra 03 - Cana-de-açúcar na fase de perfilhamento e estabelecimento da cultura (aos 120 dias após plantio).

- Local de coleta: Fazenda São João (FSJ), talhão 01

- Aplicações de Agrotóxicos: - Pré- Emergência (clomazona, hexazinona); - Pós- Emergência (ametrina, 2,4 D).

 Amostra 04- Cana-de-açúcar com 10 meses de ciclo vegetativo após processo de maturação (aos 300 dias após o plantio);

- Local de coleta: Fazenda São João (FSJ), talhão 47

- Aplicações de Agrotóxicos: - Pré- Emergência (clomazona, hexazinona); - Pós- Emergência (ametrina, 2,4 D); - Pós- Emergência/Maturação (glifosato).

A coleta, acondicionamento e preservação das amostras de cana-de-açúcar foram realizados seguindo as instruções e procedimentos padrões da ANVISA e do laboratório de análise. As amostras de cana foram retiradas do solo com as mãos portando luva descartável, em quantidade referente à 1kg da amostra requerido pelo laboratório, sendo distribuídas de três a quatro colmos da cultura, contemplando a parte aérea e subterrânea da planta.

O acondicionamento foi feito em sacos plásticos apropriados para o armazenamento de alimentos, com saída para ventilação e livres de quaisquer substâncias contaminantes que possam afetar os resultados da análise. Após acondicionar foram devidamente identificadas externamente com o nome da cultura, fase do ciclo vegetativo, local e data da coleta.

As amostras foram coletadas nos dias mais próximos da ultima aplicação dos agrotóxicos em cada talhão e, armazenadas em ambiente com ventilação natural, sendo

77 entregues no laboratório designado para a realização das análises dentro de, no máximo, 36 horas após a coleta.

A variedade da cana-de-açúcar analisada foi a RB 92579, a qual corresponde 70% da produção da usina. De acordo com o Catálogo Nacional de Variedades “RB”, descrito por Barbosa et al., (2010), a variedade analisada, é recomenda para plantio em áreas de tabuleiro, várzea, encosta e chã, possui um ótimo perfilhamento e brotação na planta e na socaria, alta produtividade agrícola e, uma rápida recuperação ao estresse hídrico (seca).

5.4.1.3 Análise de resíduos de agrotóxicos

As amostras de cana-de-açúcar foram analisadas pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco - ITEP, no Laboratório de Agrotóxicos e Contaminantes em Alimentos e Bebidas Alcoólicas – LABTOX, a partir da parceria firmada com Secretaria de Saúde da Paraíba-PB para financiamento das análises.

A metodologia de análise segue as recomendações do CODEX Alimentarius. O método de análise consiste na técnica de multirresíduo (MRM, do inglês Multiresidue Methods), a qual analisa simultaneamente diferentes princípios ativos de agrotóxicos em uma mesma amostra, sendo ainda capaz de detectar diversos metabólitos, apresentando um aumento da produtividade do laboratório pela diminuição significativa do tempo de análise, implicando na redução de custos (ANVISA, 2013).

O procedimento adotado pelo laboratório, consiste no preparo das amostras e de posterior extração dos resíduos de agrotóxicos pelo método QuEChERS-CITRATO, aplicado as amostras de alimentos, com obtenção de um extrato orgânico para posterior separação, identificação e quantificação por cromatografia líquida e detector massa – massa (LC- MS/MS) (ANASTASSIADES et al., 2003).

De acordo com os padrões do LABTOX/ITEP são analisados 316 princípios ativos de agrotóxicos, apresentando um limite de quantificação do método de 0,07 mg/kg para ditiocarbamatos pertencentes a classe dos fungicidas e de 0,01mg/kg para os demais compostos.

78 Os laudos emitidos pelo ITEP seguiram as orientações da ANVISA que considera as amostras insatisfatórias (I), como sendo aquelas com resíduos de agrotóxicos em culturas para as quais não tem seu uso autorizado, ou quando a quantidade de resíduos de agrotóxicos embora seja autorizado para determinada cultura, se encontra superior ao Limite Máximo de Resíduos (LMR) permitidos. Além das amostras insatisfatórias, existem as amostras satisfatórias com resíduos, as quais contem a presença de resíduos dentro dos limites permitidos para determinada cultura, e as amostras sem a presença dos resíduos de