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As primeiras 25 entrevistas foram aplicadas na área da orla, em um dia de terça-feira (10/09/19) no período da manhã. Do total de entrevistados, 16 foram do sexo masculino, representados por 64% (Figura 31), e conversou-se com pessoas de diversas faixas etárias, conforme indica o gráfico da Figura 32, havendo um certo equilíbrio nesse aspecto sobre os perfis dos indivíduos abordados.

Figura 31 - Gráfico do sexo dos entrevistados (área da orla).

Fonte: Elaborada pela autora (2019).

Figura 32 - Gráfico da faixa etária dos entrevistados (área da orla).

Fonte: Elaborada pela autora (2019)

As outras 25 entrevistas realizadas em um momento posterior na área da Av. Eng. Roberto Freire, ocorreram em uma segunda-feira (23/09/19) no turno da tarde. Referente ao sexo dos entrevistados, nesse segundo dia a maioria foram mulheres, com 64% (Figura 33), invertendo as porcentagens obtidas no primeiro dia de entrevistas, o que resulta em 50% de homens e 50% de mulheres na amostra de 50 entrevistados. Além disso, em relação às faixas etárias identificadas seguiu-se sem grande desequilíbrio entre os agrupamentos criados para sistematização dos dados (Figura 34).

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Figura 33 - Gráfico do sexo dos entrevistados (área da Av. Eng. Roberto

Freire).

Fonte: Elaborada pela autora (2019).

Figura 34 - Gráfico da faixa etária dos entrevistados (área da Av. Eng. Roberto

Freire).

Fonte: Elaborada pela autora (2019).

Em ambas localidades se encontrou dificuldade em abordar as pessoas que estavam se locomovendo, pois se recusavam a parar para realização da entrevista. Assim, para melhor andamento da pesquisa, optou-se por conversar com pessoas que estavam paradas por alguma razão nas áreas de entrevista, de maneira aleatória, e com isso, foi identificado que 80% dos entrevistados trabalham de alguma maneira no recorte espacial e frequentam diariamente a fração em questão (Figura 35), e dos 20% que estavam na área por objetivos de lazer, 10% eram turistas e os outros 10% eram moradores de algum bairro da cidade de Natal.

Figura 35 - Trabalhador entrevistado na orla (o cantor Francisco Bezerra).

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Para tentar entender mais do perfil dos usuários, a entrevista permite identificar a frequência com que se utilizam das áreas do universo de estudo (Figura 36). Na área da orla, muitas pessoas frequentam diariamente (68%) e semanalmente (16%), mas há as que não possuem o costume de frequentar o espaço (4%) e também as que estão ali pela primeira vez (12%), o que é bastante comum em zona turística. Já na área de entrevistas da via arterial, todos os indivíduos abordados costumavam se utilizar do espaço, seja por trabalhar no local ou por utilizá-lo como local de passagem, todos os dias (88%) ou semanalmente (12%).

Figura 36 - Gráfico da frequência do uso das áreas de entrevista.

Fonte: Elaborada pela autora (2019).

Após essa parte, as questões abordadas foram mais voltadas para os aspectos sonoros. Ainda se referindo ao total de 50 entrevistados, quando perguntados objetivamente sobre a realização ou preferência de alguma atividade por causa de determinados sons, apenas 12% afirmaram ser influenciados de certa maneira por algum som. Contudo, das 06 pessoas que compõem os 12%, 05 não estavam a trabalho, e pelas conversas com os 80% (40 pessoas) dos indivíduos que trabalham em algum momento na área, todos excetuando-se 01, não acreditavam ser influenciados pelos sons em seu dia-a-dia, pois provavelmente não sentem a liberdade de escolha das atividades que realizam quando o objetivo principal do uso que se faz do espaço é referente ao seu sustento.

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Além disso, sobre as fontes sonoras identificadas pelos indivíduos (sem prévia indicação por parte do entrevistador), na área de entrevista na orla foram elencados os sons provenientes do comércio informal (vendedores ambulantes), das interações sociais, do vento, das caixas de som, dos hotéis e das motos que passam ilegalmente na calçada da orla, porém o mais pontuado foi o som do mar, identificado por 17 dos 25 entrevistados (68%), o que se dá pelo conjunto da orla com a praia e por ser um dos principais atrativos de quem se utiliza do espaço, de acordo com o que foi percebido nas conversas informais entre uma entrevista e outra.

Já na última questão para os entrevistados, pontuou-se determinadas fontes sonoras e foi perguntado se eles conseguiam identificar tais sons, e se a resposta fosse sim, questionava-se o que achavam destes, se era “agradável”, “desagradável” ou “indiferente”, mas se não pudessem identificar alguns dos sons na presente área, então era considerado que o indivíduo “não sabe opinar”. Assim, pôde-se compreender dois cenários referentes às opiniões dos usuários das áreas de entrevista, conforme apresentados pelos gráficos das Figuras 37 e 38.

Figura 37 - Gráfico de opinião sobre fontes sonoras (área da orla).

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Figura 38 - Gráficos de opinião sobre fontes sonoras (área da Av. Eng. Roberto Freire).

Fonte: Elaborada pela autora (2019).

Realizando comparações entre os resultados de ambos contextos, algumas fontes sonoras apresentaram números similares em relação a quantidade de pessoas que indicaram cada nível de agradabilidade, como por exemplo quanto à música, às interações entre as pessoas, às obras, aos animais e ao vento. Ao referir-se à música, na orla ela é oriunda dos vendedores ambulantes, dos hotéis e das caixas de som dos próprios usuários, enquanto na Av. Eng. Roberto Freire esse som já provém da proximidade com diversos bares e restaurantes que possuem música ao vivo ou mesmo equipamentos de som, e nas duas áreas de entrevista houve um equilíbrio entre as opiniões referentes à música. Ao se tratar do vento, há uma unanimidade quanto a sua identificação quando sugerido pelo entrevistador, pois o universo de estudo possui boa parte de sua extensão paralela à orla marítima e recebe os ventos diretamente por sua predominância ser de sudeste em Natal, mas apesar de sempre identificado, não se trata de um som que agrada a todos que o percebem (como indicado nos gráficos das Figuras 37 e 38), mesmo sendo considerado “agradável” pela maioria das pessoas nas duas áreas de entrevista.

Por outro lado, fazendo leitura dos mesmos gráficos, outras fontes sonoras obtiveram resultados que chamam a atenção, sendo elas o tráfego de veículos e o mar, cujos mesmos sons resultaram em diferentes níveis de agradabilidade ao comparar as duas áreas.

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O ruído de tráfego na Av. Roberto Freire, por exemplo, foi sempre percebido pelos entrevistados quando perguntados sobre os sons que identificavam, e por se tratar de uma via arterial, o tráfego de veículos é bastante elevado e o nível de pressão sonora também (atingindo cerca de 75dB conforme Figura 27). Assim, 18 pessoas (72%) consideraram o ruído de tráfego “desagradável”, indo de encontro com 06 indivíduos (24%) que eram “indiferentes”, o que pode indicar que alguns usuários frequentes já se acostumaram com o alto nível de ruído, e houve também uma turista (4%), única exceção da amostra de entrevistas, a considerá-lo “agradável”. Já o ruído de tráfego na orla é mais representado por algumas motos que passam na calçada eventualmente, e apesar de 13 pessoas (52%), aproximadamente metade dos entrevistados, o apontarem como “desagradável”, 09 (36%) o consideraram “indiferente” e ainda 03 pessoas (12%) “não sabiam opinar” por nem o perceberem, pontos estes que podem ser justificados pelo tráfego existente na área ser ocasional e não constante, além de possivelmente seu ruído ser sobreposto pelo nível de pressão sonora originário das ondas do mar.

Além dessa fonte sonora, na área da orla o som do mar é considerado bastante “agradável”, pois de acordo com as entrevistas, mesmo para os indivíduos que trabalham no local o ambiente sonoro litorâneo influencia de uma maneira positiva, e ainda mais para as pessoas que vão ao espaço justamente em busca de lazer. Em contrapartida, na área de entrevista da avenida, essa fonte sonora não foi identificada por todos os usuários com quem se conversou, apesar de considerada agradável por quem a percebia.

Isto posto, verifica-se que em cada uma das áreas há sons específicos que findam prevalecendo sobre outros. Um exemplo é o ruído de tráfego na Av. Eng. Roberto Freire, o qual foi identificado por todos os entrevistados e ainda elencado como o mais incômodo entre os outros sons abordados na entrevista, entretanto, alguns usuários comentaram que apesar do elevado nível do ruído de tráfego, em algumas noites o vento ainda consegue trazer até a avenida o som das ondas quebrando na praia. No que se refere ao mar, esta é a fonte sonora mais identificada na área da orla e por unanimidade, por causa do local ter maior proximidade com a fonte e por não possuir barreira física entre a calçada da orla e o mar, o qual é acesso principal dos ventos que chegam de sudeste pelo litoral, assim como também não há nenhum obstáculo à chegada direta de tais ondas

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sonoras ao local. Desse modo, o som das ondas do mar se sobrepõem aos das outras fontes sonoras, sendo inclusive o tema de diversos comentários dos entrevistados, comentando o quanto é “maravilhoso” e “relaxante” escutar o mar por ser um produto da natureza - termos estes utilizados pelos próprios usuários do espaço.

Contudo, ao observar o gráfico (Figura 39) da junção de todos os resultados sobre as fontes sonoras das duas áreas onde foram realizadas as entrevistas da amostra, é possível ter uma visão mais global do universo de estudo como um todo, já tendo compreendido cada área especificamente. Logo, ao se tratar da referida visão geral com as 50 entrevistas, as fontes sonoras mais indicadas como “agradável” foram o vento e o mar, cujos sons não possuem nenhuma interferência artificial, o que denota a preferência humana pelos sons mais naturais, como estudos indicam ser o principal nível de preferência sonora (YANG; KANG, 2003

apud KANG et al., 2004). Nesta mesma ideia, os sons mais mecânicos

representaram as fontes sonoras com o maior número de pessoas que as apontaram como “desagradáveis”, sendo elas o tráfego, a música e as obras, representados respectivamente por 31 (62%), 14 (28%) e 11 (22%) pessoas - números referentes ao total de entrevistados sobre cada fonte. Paralelo a isso, os sons oriundos das interações sociais são costumeiramente considerados neutros, como de fato também ocorreu nessa situação, pois 25 indivíduos (50%) opinaram ser “indiferentes” ao ruído produzido pelas próprias pessoas.

Figura 39 - Gráfico de opinião sobre as fontes sonoras do universo de estudo.

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Assim, apesar do mar, como fonte sonora, não ter sido percebido por todos os 50 entrevistados, sendo 18 (36%) os que não identificaram, é possível considerar o som do mar da praia de Ponta Negra como um marco sonoro do universo de estudo, assim como a praia em conjunto com o Morro do Careca faz parte do potencial cênico-paisagístico de Natal (RIO GRANDE DO NORTE, 2011). Pois embora existam problemas de infraestrutura e insegurança, as orlas da cidade possuem uma relação afetiva e de bem-estar tanto com residentes quanto com turistas (LIMA, 2018), dessa forma, para propiciar ambientes atrativos e estimulantes é essencial a preservação de seus marcos sonoros, evitando que sejam perdidos devido a sobreposições de outros ruídos (geralmente artificiais), a exemplo do ruído de tráfego na Av. Roberto Freire que muitas vezes acaba por ocultar o som das ondas do mar, e o estudo da paisagem sonora contempla tais contextos.

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