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As relações humanas e espaciais encontradas em um espaço são frutos do vínculo entre os aspectos físicos e os usos a que se destinam, desde as possibilidades de uso já indicadas pelas próprias construções e/ou mobiliários existentes, até aos usos dados pelos próprios usuários na intenção de suprir alguma necessidade ou desejo não satisfeito na construção do ambiente (MASCARÓ, 2008).

Para a identificação das dinâmicas de apropriação que acontecem na área estudada, realizam-se dois percursos (Figura 40), conforme já explanados (ver item 3.2.2). Delimitados a partir de um reconhecimento prévio do universo de estudo por visitas ao local, são registrados fotos e vídeos para uma análise visual do espaço, considerando a técnica do percurso de Cullen (1971) sobre paisagem urbana, a fim de colaborar com a identificação das diferentes sensações e atividades que acontecem na área.

Figura 40 - Percursos realizados dentro dos limites do universo de estudo.

Fonte: Elaborada pela autora (2019).

No percurso 01, a rota inicia-se pela via arterial Av. Engenheiro Roberto Freire, sendo vias locais as demais que se seguem: Rua Cláudio Gomes Teixeira, Rua

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Francisco Gurgel, Rua Coronel Inácio Valê, Rua Alagoas, Rua Hélio Galvão, Rua José Américo de Carvalho, e a Rua Pedro Fonseca Filho - nessa ordem. Já o percurso 02 se dá somente no calçadão da orla, se iniciando onde este é cortado pelo limite do universo de estudo e indo até final do calçadão, sentido sul-norte.

Após a realização dos dois percursos, percebem-se cenários distintos em relação às dinâmicas que neles acontecem e ao aspecto visual de seus atributos físicos. Assim, de acordo com essas características, os percursos são classificados por zonas, para facilitar a avaliação, e a elas são atribuídos os registros fotográficos que melhor as representam, conforme Figura 41.

Figura 41 - Zoneamento de paisagens sonoras e fotografias.

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Considerando as visuais da Figura 41, é possível identificar as sensações e atividades constituintes do espaço (Quadro 1), a partir da análise visual promovida pela técnica de percurso utilizada (CULLEN, 1971). Dinâmicas que ocorrem em todas as zonas são as que se referem à atividade turística, como a propaganda e venda de pacotes turísticos - algumas vezes por meio de quiosques que se apropriam de calçadas - pois apesar do uso da área também por residentes, se trata de uma ZET e muitas das apropriações que acontecem, como os comércios formais e informais, são voltadas ao público turista.

Quadro 1 - Caracterização das zonas por conceitos e dinâmicas.

CONCEITOS E DINÂMICAS

ZONAS Conceitos (CULLEN, 1971) Dinâmicas (atividades)

01

Além; Continuidade; Expectativa; Contraste; Escala; Exposição; Privilégio; Sobreposição; Justaposição

Circulação de pessoas e veículos; pontos de ônibus; propaganda e venda de pacotes turísticos; restaurantes; bares; estacionamentos; comércio formal e informal; feira

formal de artesanato; serviços de hospedagem

02

Viscosidade; Exposição; Continuidade; Expectativa;

Truncagem

Circulação de pessoas e veículos; comércio formal e informal; propaganda e venda de pacotes turísticos;

serviços de hospedagem

03

Barreira; Contraste; Exposição; Estreitamento; Expectativa;

Território ocupado; Justaposição; Truncagem

Circulação de pessoas e veículos; propaganda e venda de pacotes turísticos; costuma ser local de passagem; serviços de hospedagem; restaurantes; espaços informais

de estacionamento

04

Continuidade; Exposição; Expectativa; Escala; Contraste; Truncagem

Circulação de pessoas e veículos; propaganda e venda de pacotes turísticos; serviços de hospedagem; restaurantes; espaços informais de alimentação (parques

de food trucks23 em áreas não edificantes); comércio

formal; bares e boates

05 Privilégio; Exposição; Expectativa; Viscosidade; Além; Continuidade; Justaposição; Saliência; Estreitamento; Silhueta; Lettering

Circulação de pessoas e bicicletas (algumas motocicletas circulam, mas de forma irregular); propaganda e venda de pacotes turísticos; descanso e

lazer; comércio formal e informal de produtos diversos; restaurantes; bares; quiosques de alimentação; local de

encontro; prática de exercícios físicos; serviços de hospedagem

Fonte: Elaborada pela autora (2019).

Além disso, alguns conceitos (com suas respectivas explicações procedidas a seguir) estão presentes em todas as zonas de análise: a “expectativa”, tendo em vista o traçado linear da maiorias das vias em que se realizaram os percursos e a sensação que essa configuração proporciona ao transeunte, de que há um espaço além do seu espaço atual; e o de “exposição”, o qual se observa em partes

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onde há considerada visibilidade do céu, significando que em todas as zonas de ambos percursos existe uma relação direta entre o usuário do espaço público e a sensação de estar ao ar livre, sendo o céu um forte elemento da visual durante todos os trajetos.

A seguir, aborda-se sobre as dinâmicas de uso e apropriação do espaço, relacionando cada uma das zonas ao quadro visual da paisagem urbana mais representativa de sua fração, considerando o conteúdo dessas imagens com base nas indicações conceituais de Cullen (1971), conforme pontuados no Quadro 01.

Figura 42 - Paisagem representativa da Zona 01.

Fonte: Elaborada pela autora (2019) com fotografia de acervo pessoal (2019).

A zona número 01 (Figura 42) consiste na Av. Engenheiro Roberto Freire, e chama a atenção por possuir aspectos visuais que geram “contraste” em sua paisagem no decorrer do percurso. Primeiro, por conta da “escala” entre as edificações verticais de um lado da via e as edificações horizontais do outro, escala esta acentuada pela topografia, e segundo, por conta da “justaposição”, em que se percebem duas categorias de paisagem - o natural e o construído -, pois em toda a extensão dessa zona se identificam pela visual os prédios e o mar, este último em conjunto com o Morro do Careca, o que já se associa com o conceito de “privilégio”, devido a boa perspectiva que se tem para essa paisagem

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do ponto de observação do transeunte na via. Só é possível apreciar tal potencial cênico-paisagístico a partir dessa zona porque existem restrições do nível de gabarito por toda ZET 01, e no universo de estudo, em particular, estão locadas as áreas não edificantes, que inclusive fazem fronteira por toda extensão da zona 01, e como seu nome já diz, são lotes em que não são permitidas construções - somente as construídas até o ano de 1979. Ademais, há também o conceito de “sobreposição” pela coexistência de diferentes usos das edificações presentes na paisagem, e ainda a percepção dos conceitos “além”, “continuidade” e “expectativa” presentes ao longo de toda a via por seu traçado linear e ininterrupto, conferindo-lhe uma dinâmica que envolve o fluxo constante de pessoas e de veículos, reforçada pela intensa atividade turística da região.

Figura 43 - Paisagem representativa da Zona 02.

Fonte: Elaborada pela autora (2019) com fotografia de acervo pessoal (2019).

Uma zona que difere da 01 quanto ao tipo de contraste existente no percurso é a de número 02 (Figura 43), composta pela Rua Cláudio Gomes Teixeira e a Rua Francisco Gurgel. Essa fração zoneada é caracterizada pela “viscosidade”, conceito de uma paisagem ocupada por ocupação estática, que no caso se identifica por mobiliários dispostos nas calçadas pelos próprios usuários - além da

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presença de diversos ônibus de turismo e caminhões estacionados nas laterais das ruas (Figura 44) - e ocupação pelo movimento, pela presença de pequenos grupos de pessoas conversando na frente de estabelecimentos comerciais e de serviço, bem como o constante fluxo de indivíduos que cruzam a zona em direção à orla.

Figura 44 - Ocupação estática.

Fonte: Acervo da autora (2019).

A “continuidade” se observa pelo traçado retilíneo na maior parte da rota, e devido ao declive proporcionado pela topografia é possível identificar na paisagem o conceito de “truncagem”, em que se acentua a diferença entre planos, como por exemplo na Figura 43, em que a via asfaltada se trata do primeiro plano, mas se pode vislumbrar o mar como plano de fundo, sabendo que ainda existem outros planos até se chegar à praia.

A zona número 03 (Rua Coronel Inácio Valê, Rua Alagoas e Rua Hélio Galvão), ao contrário das demais, já inicia seu percurso por uma quebra da continuidade da via em questão (Figura 45), em que a própria elevação do terreno atua como “barreira”, impedindo a visual e a continuidade linear da rua, conduzindo o usuário em direção ao acesso de pedestres à orla (em que se percebe o “estreitamento” do percurso) ou ao seguimento da via local (Figura 46).

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Figura 45 - Paisagem representativa da Zona 03.

Fonte: Elaborada pela autora (2019) com fotografia de acervo pessoal (2019).

A relação da diferença entre planos, referente à “truncagem”, segue presente nessa zona não apenas por ser possível avistar o mar em alguns pontos do percurso, como também por poder identificar a ZPA 02 (Parque das Dunas) e as edificações do outro lado da Av. Eng. Roberto Freire, todos em diferentes planos da imagem da paisagem e em diferentes níveis do terreno. Ademais, o caráter de cada categoria de paisagem - o mar e a ZPA como elementos naturais; e as ruas e edificações como elementos construídos - é reforçado pelos seus encontros nas visuais, o que configura a “justaposição”.

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Figura 46 - Acesso ao ponto final da orla.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Apesar de nessa zona também existir, a partir da ótica, a relação direta entre o usuário e o mar, são observadas algumas dinâmicas que destoam das demais zonas. Essa fração é caracterizada por atividades de circulação de pessoas e de veículos que em geral não se referem à praia, pois pela extensão da orla terminar justo no início dessa zona, os indivíduos que nela se encontram estão presentes por outras atividades, como ir aos restaurantes ou até mesmo apenas para acessar suas hospedagens. Assim, além dessas atividades, muitos espaços são apropriados informalmente para o estacionamento de veículos, como canteiros e calçadas, sendo “território ocupado” o conceito percebido pela ocupação estática desses objetos na paisagem. Depreende-se que esse setor já se configurou no pensamento coletivo dos usuários de que se trata de um local para estacionar, ainda que de maneira informal, tendo em vista a ausência de espaços formais com esse uso, ou seja, o espaço construído não atende a essa necessidade dos usuários. Além disso, durante a realização do trajeto, diversas pessoas em seus veículos pararam para perguntar onde se localizavam pois estavam perdidas, o que reforça o caráter distinto da zona 03 para com as demais. Isso acontece provavelmente pela área se situar em uma das extremidades da ZET, resultando na zona mais segregada espacialmente, e tendo uma menor quantidade de oferta de atividades turísticas se comparada às outras frações de análise.

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Figura 47 - Paisagem representativa da Zona 04.

Fonte: Elaborada pela autora (2019) com fotografia de acervo pessoal (2019).

A zona 04 (Rua José Américo de Carvalho e Rua Pedro Fonseca Filho), indicada na Figura 47, diferentemente da anterior possui uma maior circulação de pessoas e veículos, pois além de abranger 09 das 10 vias de acesso - entradas e saídas - entre a Av. Eng. Roberto Freire e o recorte espacial, também se configura como uma zona de intensa atividade turística, mas além da presença de turistas, muitos moradores também se utilizam do espaço público (Figura 48).

Figura 48 - Usuária passeando com cachorro.

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Isto posto, outro aspecto que a diferencia, e também de todas as outras, é que se trata de uma zona com diversos espaços utilizados para estacionamento de veículos (Figura 48), todos situados nas áreas não edificantes com os quais a fração faz fronteira. Com muitos lotes ocupados pela atividade comercial e de serviço, essa zona possui uma relação muito mais próxima com os lotes Non

Aedificandi, por se situar na parte do declive da topografia, do que a zona 01,

enquanto esta última se situa em uma curva de nível mais elevada do que a dos lotes em pauta.

Figura 49 - Espaços utilizados como estacionamento.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Justamente devido a topografia, os conceitos de “contraste” e de “escala” são verificados em vários pontos do trajeto da zona 04, mas também se verificam paisagens, em todos os momentos, em que edifícios verticais reivindicam seu espaço (Figura 46), não apenas sobre suas dimensões propriamente ditas, apesar de na maioria dos casos a escala e a dimensão serem fatores inseparáveis (CULLEN, 1971, p. 80). Assim como os conceitos anteriores, a “truncagem” é identificada também pelo desnível de terreno ao longo do percurso nessa zona, o qual promove um salto visual entre o primeiro e o último plano, acompanhado da “expectativa”, como igualmente evidenciados na fotografia da Figura X. Além disso, pelo fato de não se permitir construções na Área Non Aedificandi, esses lotes geralmente se encontram vazios e alguns até com um crescimento desordenado de vegetação, provocando uma sensação de abandono, o que favorece o surgimento de ocupações irregulares. Alguns lotes possuem parques de food trucks, sendo consideradas ocupações não autorizadas, tendo em vista que funcionam

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desde 2016 e já sofreram ordem de remoção em março de 2019 por parte do Ministério Público do Rio Grande do Norte, mas que seguem em funcionamento até o momento. Esses espaços em especial abrem no período noturno e atraem muitos usuários à zona, cujo fluxo de pessoas já é bastante intenso durante todo o dia, devido ao acesso à praia, aos restaurantes, bares, hotéis, pousadas e até mesmo às residências existentes no recorte espacial.

Figura 50 - Paisagem representativa da Zona 05.

Fonte: Elaborada pela autora (2019) com fotografia de acervo pessoal (2019).

A zona número 05 (Figura 49) se trata do calçadão de Ponta Negra e é uma das que possuem a maior diversidade de dinâmicas, pois se configura como um ambiente repleto de atividades e apropriações. A circulação de pessoas e de ciclistas é sempre constante, e algumas motocicletas são percebidas algumas vezes, de modo irregular, não só pela visão, como principalmente pelo nível de ruído que gera. Referente aos conceitos identificados em todas as cinco zonas, nesta última se apresentam da seguinte forma: a “exposição”, ainda mais evidenciada nesse setor pois a faixa de céu se estende até a linha do horizonte pela grande visibilidade para o mar devido à ausência de barreiras físicas e visuais

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no sentido calçadão-mar; a “continuidade” se percebe pelas ligações ininterruptas de um ponto a outro da orla; e a “expectativa” por despertar a curiosidade sobre o que o indivíduo vai encontrar no cenário seguinte já que não pode enxergar o final do percurso. Este último conceito se relaciona também com o “além”, pela sensação de que existe outro espaço para onde o observador pode ser transportado, assim como por todo o setor o transeunte tem a possibilidade de contemplar a praia por bons pontos de observação, tratando-se de “privilégio”. Assim como se pode ter a visual para tal elemento natural, igualmente se verificam os elementos construídos durante todos os pontos do setor, estando essas duas categorias de paisagem sempre em diálogo por “justaposição”, o que instiga reflexões sobre a orla atuar como um espaço integrador ou de transição entre as dinâmicas que ocorrem na faixa de praia e as que se passam nas vias de tráfego de veículos.

Além disto, a “viscosidade” se apresenta no espaço por meio das ocupações estáticas e as pelo movimento, sendo as primeiras, em sua maioria, por conta dos carrinhos dos vendedores ambulantes e os conjuntos de cadeiras, mesas e sombreiros que se aglomeram nas proximidades de cada quiosque, enquanto o constante fluxo de pessoas e até a própria utilização do mobiliário pelos usuários da orla representam as ocupações pelo movimento. Pela pavimentação do calçadão é possível identificar o conceito de “silhueta”, pois se observam os contornos das sombras projetadas no chão (conforme algumas das imagens referentes à zona 05 na Figura 40), as quais têm origem tão diversas quanto as atividades que acontecem ao redor, desde os traços retilíneos da arquitetura dos quiosques até às formas orgânicas das folhas dos coqueiros.

A área possui um intenso fluxo turístico, com restaurantes, bares e serviços de hospedagem, além de ser procurada para descanso e lazer ao ar livre, com uso do mobiliário existente no calçadão destinado a esse mesmo fim, utilizados por turistas e por residentes, verificando-se que a paisagem visual da praia - até mesmo a paisagem sonora - pode beneficiar as pessoas. Ademais, igualmente a zona é utilizada como ponto de encontro e para prática de exercícios, o que a configura como um espaço bastante dinâmico. As diversas formas de apropriação e adaptação se relacionam com as dinâmicas de uso das faixas que compõem o calçadão (Figura 50), pois muitas vezes as circulações destinadas ao pedestre e ao ciclista se cruzam, “gerando [...] pontos críticos de conflito, que se repetem devido

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ao estreitamento dos espaços dos passeios ora por quiosques, ora por demais elementos urbanos” (RIO GRANDE DO NORTE, 2014, p. 72), como é o caso dos inúmeros carrinhos de venda de produtos diversos, configurando a existência do comércio informal presente por toda a zona, e ainda exemplifica o conceito de Cullen (1971) de “saliência”, em que elementos saltam para dentro dos limites preestabelecidos pelo percurso. Por esses mesmos elementos, são identificados letreiros de variadas propagandas e nomes dos estabelecimentos lindeiros ao percurso (bares, restaurantes, serviços hoteleiros e quiosques), e essa quantidade de informação influencia no uso do espaço por transmitirem indicações e publicidades já à distância.

Figura 51 - Dinâmicas encontradas no calçadão de Ponta Negra.

Fonte: Acervo da autora (2019).

Desse modo, compreende-se o contexto do recorte espacial, sobre suas ocupações e apropriações, como resultado das relações sociais que ali se manifestam, historicamente marcada pela praia como elemento base da sua atividade econômica: com a atividade pesqueira por parte dos moradores da Vila de Ponta Negra até meados da década de 1970, e as atividades de consumo de apoio ao turismo, tanto as formais no espaço privado como serviços hoteleiros, bares e restaurantes, quanto as informais no espaço público pela presença intensa de vendedores ambulantes (RIO GRANDE DO NORTE, 2014, p. 24). Assim, apesar de o tempo variar as dinâmicas que se desdobram nos espaços, o mar possui um vínculo com o usuário sempre presente de alguma maneira nas atividades desenvolvidas no recorte espacial, as quais são promovidas pelos laços humanos e territoriais estabelecidos.

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