2.2 Ipr Command Options
2.2.7 number_up -Nnum
Um instrumento de pesquisa e técnica tradicional utilizada em estudos referentes às ciências sociais é a entrevista, definida por Birgham e Moore (1959
apud GÜNTHER, 2008) como uma conversação com propósito. Para se
compreender bem a interação pessoa-ambiente, é de grande valor conhecer a percepção que os indivíduos possuem sobre o espaço em questão, tendo em vista
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o reconhecimento pela UNESCO20 (1973) da importância da pesquisa em
percepção ambiental para um melhor planejamento das cidades. Logo, aplica-se a entrevista nos usuários encontrados no universo de estudo, com a ideia de coletar informações relevantes sobre a utilização do espaço urbano e o quanto fatores sonoros podem influenciar. Apesar da escolha pela ferramenta da entrevista, vale ressaltar que “dentre as inúmeras possibilidades de abordagem da percepção ambiental, não é possível dizer que uma técnica é melhor do que outra” (CAVALCANTE; MACIEL, 2008, p. 153), mas nesse caso houve essa preferência por ser o método mais utilizado de acordo com o trabalho de Rodríguez e Hirashima (2017) sobre os cinco estudos mais citados entre 2005 e 2017 referentes à avaliação da paisagem sonora.
Desse modo, a entrevista empregada é do tipo estruturada (Apêndice C), por possuir um roteiro pré-determinado de perguntas a serem realizadas, sem a possibilidade de sair da padronização estabelecida para que haja conformidade entre as indagações e as respostas de cada um dos entrevistados (MARCONI; LAKATOS, 2003). Além disso, ao abordar os indivíduos buscou-se informar que o tema da pesquisa é referente ao conforto ambiental no geral. Não especificando, apenas no primeiro momento, que o tópico central se trata da relação entre o uso do espaço e as sonoridades urbanas, para as respostas não terem uma inclinação acústica somente por causa da indicação sobre o tema, ou seja, procurou-se evitar possíveis influências sobre os entrevistados.
A estruturação da entrevista foi feita de modo a facilitar a coleta de dados, tanto para o usuário quanto para o entrevistador, o que consequentemente colabora com a sistematização das respostas para análise. Classificam-se as perguntas em blocos, sobre a caracterização dos entrevistados, o uso que se faz do espaço urbano e a percepção que se têm dos sons que ecoam pelo universo de estudo, ordenando por setores de análise, para primeiro compreendê-los individualmente e só então fazer associações entre si. Para a realização das entrevistas foram escolhidas duas áreas dentro do recorte espacial (Figura 23), selecionadas por serem os locais onde se percebeu um maior fluxo de transeuntes durante as visitas em campo e também por se tratar de espaços com características distintas entre si.
20 UNESCO - United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. Tradução:
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Figura 23 - Áreas de realização das entrevistas.
Fonte: Elaborada pela autora (2019) a partir do software QGis.
O primeiro setor de aplicação das entrevistas refere-se a um dos limites do recorte espacial: a fração do calçadão de Ponta Negra - também denominado de orla - na qual se identificam, além dos próprios trabalhadores da área, usuários em sua maioria com os objetivos de lazer e/ou turismo, ao considerar a proximidade com a praia e seu cenário litorâneo. Já o segundo setor diz respeito à parte do perímetro da Av. Engenheiro Roberto Freire, outro limite do universo de estudo, e foi escolhido por conferir-se como um espaço mais de passagem do que de permanência, o oposto do que acontece na área da orla. Isso ocorre por tal avenida ser uma via do tipo arterial (NATAL, 2004), a qual possui características de alto fluxo de veículos, com velocidade máxima de 60km/h segundo o Código de Trânsito Brasileiro (BRASIL, 1997), conferindo à via um alto nível de movimentação veicular; e também porque, paralelo a isso, os indivíduos se encontram na área muitas vezes por trabalharem na própria zona ou por ser parte do caminho para o trabalho, diferenciando-se do perfil dos usuários da orla.
Para tratar dos aspectos qualitativos, utilizou-se outros métodos - aliado ao uso das entrevistas - a fim de compreender o contexto do lugar e caracterizar as vivências e atividades realizadas no local, tendo em vista a importância das dinâmicas de uso e apropriações do espaço. Nesse sentido, busca-se
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compreender o espaço público e o espaço privado, sendo os dois considerados neste estudo, tendo em vista que o ambiente sonoro possui influência de todos os elementos constituintes da malha urbana, não apenas os que se encontram no espaço público.
Com isso, considera-se o mapa de uso do solo do recorte espacial e sua abrangência (Figura 16), para entender no espaço especial quanto aos tipos de estabelecimentos presentes na área de modo estatístico, percebendo o nível de influência sonora que tais estabelecimentos proporcionam. Para então se utilizar do método da realização de percursos (Figura 24) pela fração estudada, a fim de perceber melhor a extensão do recorte espacial como um todo, principalmente fora dos limites das áreas das entrevistas, e isso de acordo com conceituação de Cullen (1971) de paisagem urbana21, para poder entender no espaço público as dinâmicas de uso e de apropriação, caracterizando as vivências e atividades que acontecem na fração estudada.
Figura 24 - Percursos realizados.
Fonte: Elaborada pela autora (2019) a partir do software QGis.
21 De acordo com Cullen (1971), paisagem urbana se refere à arte de tornar visualmente
coerente e organizado o emaranhado de edifícios, ruas e espaços que constituem o ambiente urbano. Considerando que através da visão que se pode apreender a paisagem, são três os aspectos pelos quais o meio ambiente pode gerar respostas emocionais: a ótica, o local e o conteúdo.
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O percurso 01 foi realizado por carro, e conforme indicado na Figura 24, permeia a maior parte do recorte espacial, tendo ocorrido em uma sexta-feira (23/08/2019) no período vespertino. Enquanto o percurso 02, realizado a pé, abrange o calçadão de Ponta Negra, ou orla, tendo sido percorrido em uma terça- feira (10/09/2019) no turno matutino. Por meio de registros fotográficos e vídeos, identificam-se algumas das formas de apropriação ilustradas por Cullen (1971) a partir da aplicação de conceitos que expressam as sensações e percepções do espaço urbano e consequentemente colaboram com a distinção das atividades e vivências experienciadas no recorte espacial. Desse modo, as apropriações, quando associadas aos usos do solo e atividades realizadas na área, promovem maior compreensão sobre como se dá o uso do espaço público considerando também o que se encontra no espaço especial, tendo assim uma visão geral do ambiente estudado.
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