Error Logging and Accounting
6.1 Error Logging
6.1.2 Message Descriptions
Referindo-se às mesmas 05 zonas de análise utilizadas para a identificação das dinâmicas de uso e apropriação do espaço, elaborou-se uma tabela cuja estruturação consiste em elencar os aspectos quantitativos e qualitativos considerados, para melhor ordenamento de todas as variantes ponderadas sobre a paisagem sonora neste trabalho (Quadro 2), tais quais: medições acústicas e identidades sonoras; sons predominantes e se são tidos como aprazíveis ou não; e os marcos sonoros, por evocarem a relação de determinado som com os usuários da área. Após essa descrição, relacionam-se tais das paisagens sonoras com as dinâmicas de uso e apropriação do espaço.
Nessa tabela, em relação às medições acústicas, indicou-se os níveis de pressão sonora das faixas de nível representadas no mapa sonoro do recorte espacial (Figura 27) e ainda os valores aproximados das aferições de pontos representativos das zonas analisadas, com o objetivo de entender o ruído a partir de dois olhares: um por meio do recorte dos limites do universo de estudo em um mapa sonoro municipal (FLORÊNCIO, 2018), ou seja, de grande escala; e outro por medições a nível mais local, em determinados pontos da área estudada - aferidos especificamente para este trabalho. Os níveis indicados foram classificados quanto a qualidade sonora dos espaços de acordo com a mesma escala utilizada por Cortês (2018), apresentada na Figura 52. Além dos aspectos quantitativos, também
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são pontuados os sons predominantes percebidos ao longo dos percursos realizados, bem como a opinião dos entrevistados em relação a tais sons e suas fontes sonoras, e ainda o marco sonoro de cada zona, se existente, representando um som com qualidades particularmente notadas por um grupo.
Figura 52 - Identidade sonora.
Fonte: Léobon (1995) adaptada por Cortês (2018, p. 151).
Quadro 2 - Paisagens sonoras.
PAISAGEM SONORA
ZON
A
S
ASPECTOS QUANTITATIVOS ASPECTOS QUALITATIVOS
MEDIÇÕES ACÚSTICAS + IDENTIDADE SONORA Nível de pressão sonora
em LAeq(dB) PERCURSOS Sons que predominam ENTREVISTAS Sons predominantes considerados agradáveis ou desagradáveis MARCO SONORO
MAPA SONORO MEDIÇÕES AGRADÁVEL DESAGRADÁVEL
01 (Muito ruidoso) 70 – 75 (Ruidoso) 65 – 70
Tráfego de veículos, vento, música, interações sociais Vento Tráfego de veículos Tráfego de veículos 02 60 – 65 (Nem silencioso e nem ruidoso) 55 – 60 (Silencioso) Tráfego de veículos, mar, vento, interações sociais Mar Tráfego de veículos Mar 03 65 – 70 (Ruidoso) 50 – 55 (Muito silencioso) Vento, interações
sociais, obras Vento - -
04 (Ruidoso) 65 – 70 (Silencioso) 55 – 60 Tráfego de veículos, vento, interações sociais, obras Interações sociais Tráfego de veículos Tráfego de veículos 05 * - - Mar, tráfego irregular de motocicletas, vento, vendedores ambulantes Mar Tráfego irregular de motocicletas Mar
* Na zona 05 considerou-se apenas os aspectos qualitativos por nesse setor não existir circulação de veículos, tendo em vista que, neste trabalho, as análises quantitativas referem-se ao mapa sonoro de Natal/RN (FLORÊNCIO, 2018), cuja base é o ruído de tráfego.
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Ao comparar os níveis de pressão sonora observados no mapa sonoro e pelos aferidos em campo, nota-se uma discordância entre as identidades sonoras elencadas de cada zona. Essa variação acontece pela diferença dos métodos utilizados para a coleta de dados, pois as medições do mapeamento da cidade de Natal (FLORÊNCIO, 2018) além de mais extensas, tiveram seus cálculos realizados como se as medições estivessem a uma altura de 04 metros acima do nível do terreno, enquanto as medições para esse trabalho foram mais pontuais e nos cálculos considerou-se a mesma altura do medidor (1,5 metros), por isso estas foram apontadas como mais próximas à escala do usuário. Além disso, todas estas últimas medições resultaram em níveis sonoros inferiores aos apresentados no mapa sonoro (Figura 53). Por isso, também se agrega a esses dados as considerações obtidas pelo método de observação quanto a percepção da autora sobre a qualidade do ambiente sonoro, por também ter atuado como usuária do espaço durante as medições, os percursos e a realização das entrevistas - além das visitas informais ao local.
Figura 53 - Sobreposição dos resultados dos pontos de medição com o mapa sonoro (período diurno).
Fonte: Elaborada pela autora (2019).
Considerando os dois níveis sonoros obtidos em cada zona, com exceção da zona 05 (ver nota de rodapé do Quadro 2), as que obtiveram identidades sonoras menos destoantes foram a zona 01, em que se alterna entre “ruidoso” e “muito ruidoso”, e a zona 02, entre “silencioso” e “nem silencioso e nem ruidoso”.
A primeira zona se configura mais como ruidosa porque se situa em uma via arterial (Av. Engenheiro Roberto Freire) e por isso em todo seu trajeto o ruído de tráfego é o que mais predomina, sendo um dos marcos sonoros do universo de
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estudo, conduzindo os sons das atividades humanas e do vento ao segundo plano, mas ainda percebidos. Apesar de secundário, o vento ainda é um dos sons predominantes considerado agradável pela maioria dos entrevistados (Figuras 37 e 38), e possui um fluxo intenso por não possuir barreiras à chegada dos ventos, tendo em vista que a zona se situa no terreno mais elevado do recorte espacial (Figura 12).
Além dos veículos, a área é caracterizada pela constante circulação de pessoas nas calçadas, seja por locomoção, por transitar de um espaço a outro, seja para o uso dos diversos estabelecimentos de serviço e de comércio ao longo do setor, como restaurantes, hotéis, farmácias e até feira de artesanato. Os indivíduos que frequentam essa zona não possuem a intenção de permanecer no espaço ao ar livre se não for para esperar pelo transporte público nos pontos de ônibus, por exemplo, pois o fato de o ruído de tráfego predominar nessa zona, faz com que não seja tão interessante ao transeunte permanecer e desfrutar do potencial cênico-paisagístico que o local oferece ao olhar em direção ao mar, sem contar a inexistência de mobiliário adequado para tal finalidade.
A zona número 02 pode ser entendida como uma área de transição entre o fluxo intenso de veículos e de pessoas presente na Av. Eng. Roberto Freire e um mais reduzido ao adentrar a área estudada. Esse setor se inicia por um dos principais pontos de acesso à orla, em que os usuários chegam pela Rua Cláudio Gomes Teixeira, um dos limites do universo de estudo, e a seguem até o final, terminando em um dos acessos ao calçadão. Muitos veículos são estacionados nas proximidades da orla (como o final dessa última rua) ou então ao longo da Rua Francisco Gurgel, a via cenário da zona 02, e muitos dos fluxos identificados nesse setor se referem à caminhada dos indivíduos desde seus veículos até o calçadão, isso quando não vão caminhando desde a Av. Eng. Roberto Freire.
Por possuir uma maior proximidade com a orla do que com a via arterial (essa última citada), aos sons predominantes tem-se um acréscimo de som em comparação à zona 01, sendo tal adição o som do mar. Essa sonoridade passa a ser mais percebida a medida que se aproxima da orla, e nesse caso não apenas pela distância horizontal, mas também pela vertical, por conta das diferenças entre as curvas de nível presentes na área estudada. Assim, a zona tem como identidade sonora um aspecto mais neutro, em relação a ser considerada uma área ruidosa ou silenciosa, pois dos sons que predominam ao longo do trajeto,
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como o mar, o ruído de tráfego, o vento e a interação entre as pessoas, nenhum possui um nível de pressão sonora tão elevado na zona a ponto de incomodar e de ser tratado como um ruído, mas independente do quanto é percebido, o ruído de tráfego segue desagradando os usuários. Enquanto o mar, ainda não tão próximo do transeunte quanto poderia pela existência do calçadão entre a zona 02 e a praia, convida o indivíduo à orla não apenas pelo som do quebrar das ondas na praia, como também pela ótica, devido aos aspectos físicos do espaço que favorecem a criação de janelas visuais em direção ao mar (Figura 54).
Figura 54 - Janela visual.
Fonte: Acervo da autora (2019).
A zona 03 se configura como o setor mais segregado dos demais, não apenas espacialmente como também por possuir apenas 1 acesso à orla, que é justamente onde o calçadão termina, sendo por isso e pela pouca infraestrutura (não há mobiliário nessa extremidade da orla), que não apresenta tanta circulação de pessoas. Diferentemente das zonas 02 e 04, a zona 03 não denota um perfil atrativo para os indivíduos se não para frequentar os estabelecimentos ali dispostos, como os serviços de hospedagem e restaurantes ou até mesmo para acessar algumas das residências ali situadas. Quanto à identidade sonora do setor, entende-se que pode ser tratado como ruidoso ao se considerar sua proximidade com a Via Costeira e a rotatória que a conecta com a Av. Engenheiro Roberto Freire, como apresentado pelo mapa sonoro do município (FLORÊNCIO, 2018), por avaliar justamente o ruído de tráfego produzido a partir desses elementos viários.
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Contudo, pelas medições realizadas a nível do usuário, esse espaço pode se conferir como muito silencioso, pois apesar de sua proximidade com as vias anteriormente citadas, a zona 03 está em um nível mais baixo do terreno, além da presença linear de vegetação logo nos limites entre a via e o setor, o que não possui densidade suficiente para atuar como elemento de atenuação do nível de ruído entre a fonte (o tráfego na via) e o receptor (indivíduo) na zona, mas colabora com a qualidade do ambiente e com os aspectos psicológicos do usuário, por este não visualizar diretamente o tráfego por conta da barreira visual composta pelas árvores e assim não o identificar como gerador do som predominante.
Desse modo, dentre os sons predominantes encontram-se o vento, as interações sociais e o som de algumas das obras de construção presentes na área. Apesar de o tráfego de veículos ser identificado como uma das fontes sonoras - pois além da circulação de veículos nas vias lindeiras do universo de estudo também há fluxo nas vias locais da zona, esse fluxo não chega a ser tão alto a ponto de seu nível de ruído prevalecer sobre os demais. De acordo com as entrevistas, o som mecânico das obras não chega a incomodar, sendo tratado com indiferença quando percebido, bem como sobre os sons referentes aos aspectos sociais. Já os oriundos da natureza, como o vento, são bem abordados pelas pessoas quando questionadas sobre a identificação das fontes sonoras no espaço, sendo considerado como um som dos sons mais agradáveis no setor.
A zona número 04 possui semelhanças com a zona 01 no que se refere aos sons predominantes, por destacarem-se o vento, as interações sociais e o tráfego de veículos, este último sendo novamente o mais desagradável concomitantemente sendo a sonoridade mais marcante da área - o marco sonoro. Além desses, também predominam os ruídos de obras, pois os lotes dessa zona frequentemente estão alterando seus usos e passando por reformas, estimulando cada vez mais a diversidade de comércio e de serviços ofertados, o que reforça e intensifica a atividade turística na região. Por possuir grande variedade de usos e abranger a maioria dos acessos de veículos da Av. Eng. Roberto Freire ao universo do estudo e vice-versa, esse setor possui uma relação direta com a zona 01, e a sua proximidade com a via arterial confere à área o caráter ruidoso - ao considerar o mapa sonoro (Figura 27) - enquanto pelas medições pontuais é retratada como silenciosa.
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Ao se tratar da percepção do usuário, essa zona aparenta possuir similares níveis de pressão sonora quando comparados ao encontrados na zona 01, pois as duas se situam em diferentes elevações do terreno, estando a 04 em um nível mais baixo. Além disso, poucas são as pessoas que se utilizam exclusivamente dos espaços públicos desses setores com o intuito de permanência e lazer (sendo a maioria das atividades identificadas com o objetivo de locomoção), mas as que o fazem, não aparentam se importar com o ruído, tal como a Figura 55, em que um indivíduo se aproveita da topografia para descansar na calçada com sombreamento das árvores, e a Figura 56, onde um trabalhador se encontra em seu horário de descanso desfrutando de sombra e água de coco.
Figura 55 - Pessoa descansando (área entre as zonas 01 e 04).
Fonte: Acervo da autora (2019).
Figura 56 - Intervalo de trabalho (área entre as zonas 01 e 04).
Fonte: Acervo da autora (2019).
Ao se referir à zona 05, a diferença do ambiente sonoro em relação às outras zonas é logo percebida ao chegar ao calçadão (Figura 57), independentemente por qual acesso, pois ainda que hajam barreiras visuais (Figura 58) em determinados pontos, o som do mar é singular, facilmente distinguido dos demais. Tal distinção se dá pelo seu nível de pressão sonora sobrepor os dos outros sons, incluso os que também são considerados predominantes, a exemplo do vento, o qual consegue ser ainda mais presente nesse setor do que na zona 01, onde também não existem barreiras que impeçam a chegada dos ventos.
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Figura 57 - Chegada à orla.
Fonte: Acervo da autora (2019).
Figura 58 - Barreiras que desfavorecem a perspectiva para a praia.
Fonte: Acervo da autora (2019).
Porém, além dos sons oriundos da natureza, a orla em si é palco de diversas dinâmicas (Figura 51), desde as que envolvem os vendedores ambulantes, que se dividem entre a faixa de areia e o calçadão, e se apropriam algumas vezes de áreas privadas e ainda do próprio espaço público, ocupando parte da área destinada a passagem. Assim como os pedestres, também se encontram diversas bicicletas ao longo da zona, e conforme as entrevistas os usuários afirmaram que é comum a circulação de motocicletas, que além de ocorrer de maneira irregular, os ruídos provocados por tais veículos ocasionam bastante incômodo aos usuários do calçadão, sem contar a falta de segurança para os que caminham.
Assim, observou-se que os níveis de pressão sonora apresentados, tanto pelo mapa sonoro quanto pelas medições pontuais, ultrapassaram em algumas áreas os limites permitidos pelas normas estadual (NATAL, 2002) e nacional (ABNT, 2019), sendo elas partes das zonas 01, 02 e 04. Sabe-se que a poluição sonora é um
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problema crescente nas grandes cidades e possui impacto direto na qualidade de vida da população, mas mesmo que os níveis de ruído tenham se excedido em algumas dessas zonas, as dinâmicas continuam a se desenvolver, e pelo fato de o universo de estudo se tratar de uma área turística - fazer parte da ZET 01 - se configura como um espaço que tende a se urbanizar a cada ano, pois o turismo é um dos principais responsáveis pelo processo de urbanização de cidades tidas como destinos turísticos (SILVA, 2007), como é o caso de Natal. Isto posto, concomitantemente a esse processo surgem novos ruídos urbanos, e quanto maior a variedade de sons, mais facilmente o marco sonoro de um determinado local pode ser mascarado (SCHAFER, 2001).
Desta forma, se verifica que, em geral, existem duas paisagens sonoras presentes no universo de estudo: a que se inicia com o som do mar, se estendendo para a orla e indo em direção à Av. Eng. Roberto Freire; e a que se inicia nessa avenida com o ruído de tráfego e se entende em direção à orla (Figura 59). Em todas as zonas (com exceção da zona 03 por ser a mais segregada espacialmente) é possível identificar pelo menos um dos dois marcos sonoros da região, o mar e o ruído de tráfego, e essas duas paisagens se chocam em um determinado momento.
Figura 59 - Representação do diálogo entre as paisagens sonoras.
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Considerando as paisagens sonoras descritas, relacionam-se esses ambientes sonoros às atividades que acontecem no espaço urbano. De todos os sons encontrados no universo de estudo, os que predominam são aqueles relacionados à natureza, e as pessoas têm uma tendência a preferi-los. Esses tipos de sons, como representado no gráfico sobre as fontes sonoras (Figura 38), são declarados pelos usuários como sendo os mais agradáveis, a exemplo do som do mar e do vento. Contudo, como a maior parte do fluxo de pessoas e de veículos na região estudada tem relação com o turismo, o qual está sempre associado à praia de Ponta Negra, as dinâmicas de uso e de apropriação nas zonas estudadas possuem forte relação com o mar, sendo os principais agentes participantes os turistas e os moradores - da cidade ou do bairro. Assim, o principal marco sonoro do universo de estudo, como possivelmente também do bairro e até mesmo da cidade, trata-se do som do mar. A relação existente entre o indivíduo, as sonoridades e o uso do espaço também se reflete no aspecto visual, como representado na Figura 60, independente do clima e nível de ruído.
Figura 60 - Indivíduo descansando em mobiliário do calçadão.
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