MEMORY MANAGEMENT
6.2 SEGMENT DESCRIPTORS AND PROTECTION
Os dados foram apresentados como medidas de frequência absoluta, relativa e de tendência central e dispersão (média e desvio padrão). A normalidade dos dados e ajustamento da distribuição à curva gaussiana foi realizado com o
teste de Kolmogorov Smirnov, medidas de Assimetria (skewness) e achatamento (kurtosis). As medidas de associação entre varáveis categóricas foram obtidas com o teste Exato de Fisher e entre as variáveis racionais com o teste r de Spearman. Foi utilizado um intervalo de confiança de 95% para um erro do tipo I (p < 0,05) do analista e todas as análises foram realizadas com o pacote estatística SPSS 20.0 for Windows.
Foi feita uma análise descritiva dos dados referentes às variáveis independentes socioeconômicas e demográficas, características metabólicas de controle da DM, e também da variável dependente adesão ao tratamento das dimensões do autocuidado de acordo com o QAD.
5. RESULTADOS
A população de estudo foi constituída por 98 diabéticos cadastrados e assistidos pela Estratégia de Saúde da Família de Nazaré e que possuíam prontuário na Unidade.
A tabela 1 abaixo mostra que a média de idade dos diabéticos foi de 64 anos (DP=9,8), 84,7% não usam insulina e 15,3% usam insulina.
Destacam-se, na caracterização sociodemográfica, predominância do gênero feminino (68,4%). Quanto ao estado civil 57% eram casados, 16% solteiros, 6% divorciados e 19% viúvos. Observou-se que o maior percentual (58%) recebiam salario menor ou igual a 2 salários mínimos, enquanto 33,7% recebem menos ou igual a um salario mínimo, sendo na sua maioria oriundo de aposentadorias e benefícios do governo, já que a maioria 76% estavam inativos no mercado de trabalho em detrimento de 24,5% que estavam ativos.
Concernente à escolaridade 45,9% tinham menos de 4 anos de estudo, enquanto 36,7% de 4 a 8 anos de estudo, 17% maior que oito anos e 45% possuíam o primeiro grau incompleto ou mais. Em relação ao tempo de diagnostico médico de Diabetes Mellitus, 54% informaram apresentar mais ou 10 anos de diagnostico enquanto 45,9% tinham menos de 10 anos de diagnostico.
Para a frequência de consultas ao enfermeiro e ao médico nos últimos 12 meses a contar do dia da coleta observou-se uma maior frequência de consultas ao médico (2,8 DP=1,8), em detrimento do profissional enfermeiro. E quanto a presença de outras morbidades metade (50%) da amostra tinham além do diabetes outros agravos (Tabela 1).
Tabela 1 - Características sociodemograficas e relativas ao diagnóstico da doença, Natal, 2016.
Variáveis Dependentes n (%) Média (dp) IC (95%)
Idade (anos) 64,2 (9,8) 62,3 – 66,2 Sexo Masculino 31 (31,6%) Feminino 67 (68,4%) Estado Civil Solteiro 16 (16,3%) Casado 57 (58,2%) Viúvo ou Divorciado 25 (25,5%) Renda <= 1 Salário 33 (33,7%) 2 ou mais Salários 65 (66,4%)
Moradores por Domicílio 3,2 (1,3) 2,9 – 3,4 Tem Trabalho 24 (24,5%) Inativo 76 (75,5%) Anos de Estudo < 4 anos 45 (45,9%) 4 a 8 anos 36 (36,7%) > 8 anos 17 (17,3%) Uso de Insulina Sim 15 (15,3%) Não 83 (84,7%) Tempo de Diagnóstico 10,0 (6,2) 8,7 – 11,2 < 10 anos 45 (45,9%) > = 10 anos 53 (54,1%) Consultas ao Enfermeiro 1,8 (1,8) 1,1 – 1,7 Consultas ao Médico 2,8 (1,8) 2,4 – 3,1 Agravos Diabetes 49 (50,0%) Mais de um agravo 49 (50,0%) Fonte: Autor.
A tabela 2 refere-se aos dados metabólicos e de peso, onde se observou que para o IMC 78,6% estavam acima do peso (incluindo sobrepeso e obesidade) e 21,4% classificados como IMC normal, nenhum participante apresentou IMC baixo peso. A classificação obedeceu ao disposto pela OMS (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2003), porém foi agrupado em baixo peso, normal e acima
do peso para facilitar a analise estatística. Para a medida da Hemoglobina glicada 67% apresentaram valores alterados, glicemia em jejum 51% apresentaram valores dentro da normalidade, colesterol total 61% apresentaram valores normais e para medidas de triglicerídeos 50% apresentaram valores dentro da normalidade.
Tabela 2- Características metabólicas e de distribuição de peso, Natal, 2016.
Variáveis Dependentes n % média (dp) IC (95%) Índice de Massa Corporal (kg/m2) 30,5 (8,8) 28,8 – 32,5
Baixo Peso 0 (0,0%) Normal 21 (21,4%) Acima do Peso 77 (78,6%) Hemoglobina Glicada 8,1 (2,5) 22,6 – 39,0 Normal 31 (33,0%) Alterado 63 (67,0%) Glicemia em Jejum 154,6 (74,0) 140,0 – 171,2 Normal 49 (51,0%) Alterado 47 (49,0%) Colesterol 195,9 (44,0) 187,0 – 205,6 Normal 61 (63,5%) Alterado 35 (36,5%) Triglicerídeos 168,3 (92,0) 148,8 – 187,6 Normal 49 (50,5%) Alterado 48 (49,5%) Fonte: Autor.
Os resultados obtidos no questionário QAD incluem dados sobre: alimentação geral, alimentação específica, atividade física, monitorização da glicemia, cuidado com os pés, medicação e tabagismo. Para facilitar a análise dos resultados, as atividades do QAD foram categorizada em ruim (escores de 0 - 3) ou boa (escores de 4 a 7).
A tabela 3 apresenta a descrição do autocuidado pelo QAD. Destacam os valores que obteve maior e menor média respectivamente, o que apresentou maior média foi “uso de insulina como recomendado” (8,7 DP=0,7) e uso da “medicação como recomendado” (6,7 DP=1,7). As atividades que apresentaram menores valores foi “avaliação recomendada da glicemia” (0,1 DP=0,4) e “prática de atividade física específica” (0,7 DP=0,8).
Tabela 03 - Avaliação dos itens do Questionário de Atividades de Autocuidado com Diabetes na amostra estudada. Natal, 2016.
Variáveis Dependentes média (dp) IC (95%) p25 p50 p75 Dados relativos à última semana
Dieta Saudável (dias) 3,1 (3,1) 2,5 – 3,7 0,0 3,0 7,0 Orientação de Dieta (dias) 3,4 (3,1) 2,8 – 4,1 0,0 3,0 7,0 Ingestão de Frutas e Verduras (dias) 4,5 (2,8) 3,9 – 5,1 2,0 7,0 7,0 Ingestão de Gordura (dias) 4,2 (2,6) 3,6 – 4,7 2,0 5,0 6,0 Ingestão de Doces (dias) 0,6 (1,3) 6,2 – 7,7 6,0 7,0 7,0 Prática de Atividade Física até 30min (dias) 1,3 (1,2) 0,8 – 1,7 0,0 0,0 2,0 Prática de Atividade Física Específica (dias) 0,7 (0,8) 0,3 – 1,1 0,0 0,0 0,0 Avaliação da Glicemia (dias) 0,2 (0,6) 0,1 – 0,4 0,0 0,0 0,0 Avaliação Recomendada da Glicemia (dias) 0,1 (0,4) 0,1 – 0,2 0,0 0,0 0,0 Exame dos Pés (dias) 5,5 (2,8) 4,0 – 6,0 6,0 7,0 7,0 Exame dos Calçados (dias) 5,0 (3,1) 4,4 – 5,7 0,0 7,0 7,0 Secagem dos Dedos (dias) 5,0 (3,1) 4,4 – 5,7 0,0 7,0 7,0 Uso Recomendado da Medicação (dias) 6,7 (1,4) 6,4 – 7,0 7,0 7,0 7,0 Uso Recomendado de Insulina (dias) 8,7 (0,7) 8,5 – 8,8 9,0 9,0 9,0 Uso Recomendado de Comprimidos (dias) 6,5 (1,6) 6,2 – 6,9 7,0 7,0 7,0 Fonte: Autor.
A tabela 4 mostra avaliação das associações entre as variáveis sociodemográficas (sexo, idade, estado civil, renda, ocupação, anos de estudo) e ainda uso de insulina e diagnostico e a variável alimentação geral, utilizando-se do teste exato de Fisher, constatou-se o p>0,05, o que representa não haver associações entre elas.
Tabela 4 - Associação entre a dimensão Alimentação Geral do QAD e as variáveis: sexo, estado civil, renda, ocupação, anos de estudo, uso de insulina e tempo de diagnóstico, Natal, 2016.
Características Alimentação Geral P valor# Ruim n(%) Boa n(%) Sexo Masculino 18 (18,4) 13 (13,3) 0,390 Feminino 32 (32,7) 35 (35,7) Estado Civil Solteiro 6 (6,1) 10 (10,2) 0,514 Casado 29 (29,6) 28 (28,6) Viúvo 12 (12,2) 7 (7,1) Divorciado 3 (3,1) 3 (3,1) Renda <= 1 Salário 18 (18,4) 15 (15,3) 0,263 Entre 1 e 2 Salários 26 (26,5) 31 (31,6) > 3 Salários 6 (6,1) 2 (2,0)
Ocupação Tem Trabalho 11 (11,2) 16 (16,4) 0,148
Inativo 39 (39,8) 32 (32,7) Anos de Estudo < 4 anos 28 (28,6) 17 (17,3) 0,106 4 a 8 anos 14 (14,3) 22 (22,4) > 8 anos 8 (8,2) 9 (9,2)
Uso de Insulina Sim 7 (7,1) 8 (8,2) 0,784
Não 43 (43,9) 40 (40,8) Tempo de diagnóstico < 10 anos 23 (23,5) 22 (22,4) 1,000 > = 10 anos 27 (27,6) 26 (26,5) # = Teste Exato de Fisher
Fonte: Autor.
A Tabela 5 mostra avaliação das associações entre as variáveis sociodemográficas , uso de insulina e diagnostico e a variável alimentação especifica, utilizando-se o teste e exato de Fisher. Nestas associações, constatou- se que o valor p >0,05, o que representa não haver associações entre elas.
Tabela 5 - Associação entre a dimensão Alimentação Específica do QAD e as variáveis: sexo, estado civil, renda, ocupação, anos de estudo, uso de insulina e tempo de diagnóstico. Natal, 2016.
Características Alimentação Específica P valor# Ruim n(%) Boa n(%) Sexo Masculino 2 (2,0) 29 (29,6) 0,497 Feminino 8 (8,2) 59 (60,2) Estado Civil Solteiro 2 (2,0) 14 (14,3) 0,238 Casado 5 (5,1) 52 (53,1) Viúvo 1 (1,0) 18 (18,4) Divorciado 2 (2,0) 4 (4,1) Renda <= 1 Salário 4 (4,1) 29 (29,6) 0,592 Entre 1 e 2 Salários 6 (6,1) 51 (52,0) > 3 Salários 0 (,0) 8 (8,2)
Ocupação Tem Trabalho 1 (1,0) 26 (26,6) 0,413
Inativo 9 (9,2) 62 (63,3) Anos de Estudo < 4 anos 6 (6,1) 39 (39,8) 0,503 4 a 8 anos 2 (2,0) 34 (34,7) > 8 anos 2 (2,0) 15 (15,3)
Uso de Insulina Sim 2 (2,0) 13 (13,3) 0,648
Não 8 (8,2) 75 (76,5) Tempo de diagnóstico < 10 anos 6 (6,1) 39 (39,8) 0,505 > = 10 anos 4 (4,1) 49 (50,0) # = Teste Exato de Fisher
Fonte: Autor.
A Tabela 6 apresenta associações entre as variáveis sociodemográficas, uso de insulina e diagnostico e a variável Atividade Física, utilizando-se o teste e exato de Fisher. Foram encontradas associações significativas para o variável sexo (p<0,001), em contrapartida as demais apresentaram valor de p>0,05, não havendo assim associações.
Tabela 6 - Associação entre a dimensão Atividade Física do QAD e as variáveis: sexo, estado civil, renda, ocupação, anos de estudo, uso de insulina e tempo de diagnóstico, Natal, 2016.
Características Atividade Física P valor# Ruim n(%) Boa n(%) Sexo Masculino 21 (21,4) 10 (10,2) 0,000
*
Feminino 64 (65,3) 3 (3,1) Estado Civil Solteiro 16 (16,3) 0 (0,0) 0,403 Casado 48 (49,0) 9 (9,2) Viúvo 16 (16,3) 3 (3,1) Divorciado 5 (5,1) 1 (1,0) Renda <= 1 Salário 28 (28,6) 5 (5,1) 0,508 Entre 1 e 2 Salários 49 (50,0) 8 (8,2) > 3 Salários 8 (8,2) 0 (0,0)Ocupação Tem Trabalho 23 (23,5) 4 (4,1) 0,697
Inativo 62 (63,3) 9 (9,2) Anos de Estudo < 4 anos 40 (40,8) 5 (5,1) 0,749 4 a 8 anos 30 (30,6) 6 (6,1) > 8 anos 15 (15,3) 2 (2,0)
Uso de Insulina Sim 15 (15,3) 0 (0,0) 0,098
Não 70 (71,4) 13 (13,3) Tempo de diagnóstico < 10 anos 38 (38,8) 7 (7,1) 0,565 > = 10 anos 47 (48,0) 6 (6,1)
# = Teste Exato de Fisher; * = Diferença significativa para p < 0,001
Fonte: Autor.
Quanto às associações entre as variáveis sociodemográficas, uso de insulina e tempo de diagnostico e a variável controle da glicemia não foi possível a realização do teste, pois todos foram classificados como “baixa adesão”.
Já a Tabela 8 e 9 a seguir apresentam associações das mesmas variáveis (sociodemográficas, uso de insulina e tempo de diagnostico) e a variável Cuidado com os pés e Uso de Medicação respectivamente. Onde pelo teste de Fisher
observou-se o valor p >0,05, para ambas as associações, o que representa não haver associações entre elas.
Tabela 7- Associação entre a dimensão Cuidado com os pés do QAD e as variáveis: sexo, estado civil, renda, ocupação, anos de estudo, uso de insulina e tempo de diagnóstico, Natal, 2016.
Características Cuidado com os Pés P valor# Ruim n(%) Boa n(%) Sexo Masculino 6 (6,1) 24 (24,5) 0,328 Feminino 21 (21,4) 44 (44,9) Estado Civil Solteiro 6 (6,1) 10 (10,2) 0,450 Casado 13 (13,3) 42 (42,9) Viúvo 5 (5,1) 13 (13,3) Divorciado 3 (3,1) 3 (3,1) Renda <= 1 Salário 13 (13,3) 19 (19,4) 0,138 Entre 1 e 2 Salários 13 (13,3) 42 (42,9) > 3 Salários 1 (1,0) 7 (7,1)
Ocupação Tem Trabalho 6 (6,1) 21 (21,5) 0,465
Inativo 21 (21,4) 47 (48,0) Anos de Estudo < 4 anos 15 (15,3) 29 (29,6) 0,220 4 a 8 anos 6 (6,1) 28 (28,6) > 8 anos 6 (6,1) 11 (11,2)
Uso de Insulina Sim 6 (6,1) 9 (9,2) 0,351
Não 21 (21,4) 59 (60,2) Tempo de diagnóstico < 10 anos 15 (15,3) 30 (30,6) 0,366 > = 10 anos 12 (12,2) 38 (38,8)
# = Teste Exato de Fisher
Tabela 8 - Associação entre a dimensão Uso de Medicação do QAD e as variáveis: sexo, estado civil, renda, ocupação, anos de estudo, uso de insulina e tempo de diagnóstico, Natal, 2016.
Características Uso de Medicação P valor# Ruim n(%) Boa n(%) Sexo Masculino 0 (0,0) 31 (31,6) 1,000 Feminino 2 (2,0) 65 (66,3) Estado Civil Solteiro 0 (0,0) 16 (16,3) 0,690 Casado 1 (1,0) 56 (57,1) Viúvo 1 (1,0) 18 (18,4) Divorciado 0 (0,0) 6 (6,1) Renda <= 1 Salário 1 (1,0) 32 (32,7) 0,057 Entre 1 e 2 Salários 0 (0,0) 57 (58,2) > 3 Salários 1 (1,0) 7 (7,1)
Ocupação Tem Trabalho 0 (0,0) 27 (27,6) 0,678
Inativo 2 (2,0) 69 (70,4) Anos de Estudo < 4 anos 1 (1,0) 44 (44,9) 0,795 4 a 8 anos 1 (1,0) 35 (35,7) > 8 anos 0 (0,0) 17 (17,3)
Uso de Insulina Sim 0 (0,0) 15 (15,3) 0,544
Não 2 (2,0) 81 (82,7) Tempo de diagnóstico < 10 anos 1 (1,0) 44 (44,9) 0,710 > = 10 anos 1 (1,0) 52 (53,1)
# = Teste Exato de Fisher
Fonte: Autor.
Com relação ao tabagismo 87 diabéticos (88,8%) referiram não ter fumado um cigarro, mesmo que uma tragada, durante os últimos sete dias, já 11% dos diabéticos participantes afirmaram ter fumado pelo menos um cigarro na última semana, uma média de 9,7 cigarros, como descrito na Tabela 10 abaixo.
Tabela 9 - Características descritivas relativas ao tabagismo, Natal, 2016.
Variáveis Dependentes n (%) média (desvio padrão) Dados relativos à última semana
Fumo
Não 87 (88,8%) Sim 11 (11,2%)
Se sim: Quantos Cigarros? 9,7 (5,3)
Tempo desde o Último Cigarro
Nunca fumou 43 (43,9%) > 2 anos 46 (46,9%) 1 a 2 anos 0 (0,0%) 4 a 12 meses 0 (0,0%) 1 a 3 meses 1 (1,0%) Último mês 0 (0,0%) No mesmo dia 8 (8,2%) Fonte: Autor.
Para as variáveis quantitativas de controle metabólico e peso (hemoglobina glicosilada, glicemia de jejum, colesterol, triglicerídeo e o IMC), foi realizado teste correlação de Sperman dado à característica não paramétrica dos dados. Observou-se que houve associação inversa entre as dimensões do QAD com parâmetros bioquímicos para uso de medicação e colesterol (p<0,001), associação positiva para IMC e Triglicerídeos, glicemia jejum e colesterol, colesterol e triglicerídeos, atividade física e cuidado com os pés. Além disso, houve associação entre o cuidado com pés e uso de medicação.
Tabela 10 - Associação entre as variáveis metabólicas e os domínios do QAD, Natal, 2016. HbA1c (%) Glic. Jejum (mg/dL) Colest. (mg/dl) Triglicérides (mg/dl) AG AE AF GL CP ME IMC (kg/m2) 0,10 0,17 0,20 0,41 ** -0,06 -0,09 -0,03 -0,05 0,08 -0,04 HbA1c (%) 0,012 0,25* 0,14 0,09 -0,17 0,10 -0,09 -0,05 -0,22* Glic. Jejum (mg/dl) 0,30* 0,22* -0,09 0,14 0,06 0,02 -0,10 -0,06 Colest. (mg/dl) 0,38** -0,15 -0,09 -0,13 -0,08 -0,25* 0,30** Triglicérides (mg/dl) -0,25* 0,02 0,09 0,02 0,11 -0,11 AG 0,23* -0,06 0,05 0,21* 0,15 AE -0,04 0,18 0,30* 0,04 AF -0,09 0,18 0,05 GL -0,09 0,01 CP 0,35**
IMC (kg/m2) = Índice de Massa Corporal; HbA1c (%) = Hemoglobina Glicada; Glic. Jejum (mg/dl) = Glicemia de Jejum; Colest. (mg/dl) = Colesterol total; AG= Alimentação Geral; AE = Alimentação Específica; AF = Atividade Física; GL = Monitoramento da Glicemia; CP = Cuidado com os Pés; ME = Uso de Medicação; ** = Correlação significante para p < 0,001; * = Correlação significante para p < 0,05;
6 DISCUSSÃO
O desenho transversal do presente estudo apresenta-se como limitação por não estabelecer relação de causa e efeito, mas por outro lado revelou associações importantes para o objeto do estudo.
6.1 CONDIÇÕES SOCIODEMOGRÁFICAS
No presente estudo foi encontrada maior proporção de mulheres diabéticas. Valores semelhantes repetiram-se também em dois estudos transversais com diabéticos atendidos na atenção primária, com proporção de 71,9% e 76,1% (ASSUNÇÃO; URSINE, 2008; ASSUNÇÃO; SANTOS; COSTA, 2002), contrario aos resultados do estudo de Ross, Baptista e Miranda (2015), onde maioria da população diabética da amostra foi do sexo masculino.
A faixa etária média encontrada foi de 64 anos, indicando que grande parcela da população estudada foi constituída por idosos. Segundo Banquedano et al. (2010), pessoas que se encontram nessa etapa do desenvolvimento têm exigências de autocuidado relacionadas à própria fase do ciclo vital, bem como a presença de comorbidades e complicações crônicas advindas do não controle metabólico.
Quanto à escolaridade foi observado que grande parcela (45,9%) estudou menos de quatro anos, resultado semelhante ao encontrado no estudo de Barros (2014) com diabéticos idosos em instituições de longa permanência no Recife-PE, onde foi aplicado o mesmo instrumento do presente estudo na avaliação do autocuidado, encontrando 55% da amostra com menos de 4 anos de estudo.
A baixa escolaridade pode está relacionada às dificuldades de acesso à escola no passado, esta condição representa um fator que influencia nas complicações crônicas, pela limitação do acesso às informações, em função do comprometimento das capacidades de leitura e escrita, afetando a compreensão das atividades de educação para a prevenção (BARROS, 2014). A escolaridade esta diretamente relacionada ao autocuidado, ou seja, quanto mais baixa a escolaridade, menor o autocuidado (BARBUI; COCO, 2002).
A renda apresentada foi de dois salários mínimos ou mais, a maior parte da renda recebida pelos usuários do estudo advém de aposentadorias e benefícios e muitas vezes são oriundas da aposentadoria também do conjugue.
Estudo transversal brasileiro, realizado em uma instituição especializada em diabetes no Ceará, avaliou a adesão ao tratamento do usuário com pé diabético. O déficit cognitivo, a baixa escolaridade, o nível socioeconômico, o déficit de conhecimento acerca da doença e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde foram os fatores identificados como contribuintes para a baixa adesão ao tratamento (MELO et al., 2011).
Quanto ao tempo de diagnostico da doença observou-se que 53% da amostra apresentaram 10 anos ou mais anos de diagnóstico. Em estudo realizado por Santos (2013) para avaliar a influência do tempo de diagnostico do diabetes e o autocuidado no contexto da estratégia de saúde da família o tempo de diagnostico não influenciou a adesão ao autocuidado, porém sabe-se que quanto maior o tempo de diagnóstico menor será a prevalência de adesão ao tratamento dos usuários e maior o risco de complicações advindas de um insatisfatório controle metabólico (RODRIGUES et al., 2012), bem como maior é possibilidade de aparecimento de complicações (CORTEZ et al., 2015).
Nessa direção, Arrelia et al. (2015) argumentam que o profissional de saúde precisa redobrar a atenção aos recém-diagnosticados, a fim de esclarecê-los sobre o caráter crônico da doença e a importância do seguimento regular do tratamento. Além disso, pode investigar possíveis percepções e crenças que possam vir a comprometer o seguimento do tratamento e a adesão às recomendações ofertadas pela equipe de saúde.
6.2 AUTOCUIDADO
Para a avaliação das atividades de autocuidado, destacam os itens que obtiveram o maior e o menor valor na escala total. Em relação aos itens de Alimentação Geral a amostra apresentou média de 3,1 dias (DP=3,1) quanto a seguir dieta; seguir dieta o numero de dias recomendado a média foi de 3,4 dias (DP=3,1), na categoria alimentação especifica observou-se a média maior para consumo de frutas, legumes e verduras, 4,5 dias (DP=2,8), o que indicou atividade protetora no manejo do diabetes, por contribuir na maior ingestão de fibras. Para
ingestão de doces a média de dias foi de 0,6 dias (DP=1,3), resultado também satisfatório.
Alguns estudos que utilizaram o mesmo instrumento para avaliar a adesão às atividades de autocuidado em diabetes na atenção primária à saúde apresentaram alguns resultados semelhantes e outros discrepantes.
Daniele, Vasconscelos e Coutinho (2014) avaliaram em estudo transversal o autocuidado em relação ao sexo em diabéticos na atenção básica, na cidade de Fortaleza CE, e obtiveram valores maiores no que se refere ao consumo de dieta saudável e a seguir orientações o numero de dias recomendado (5,3 e 4,8 respectivamente), valores maiores aos encontrados no presente estudo. Para a ingestão de legumes e frutas e alimentos ricos em gorduras os valores foram 4,2 e 4,2 semelhantes aos encontrados no presente estudo que foram 4,5 (DP=2,8) e 4,3 (DP=2,6) respectivamente.
Um estudo transversal com pacientes diabéticos atendidos em nível ambulatorial buscou avaliar a adesão ao autocuidado em Ribeirão Preto- SP (COELHO et al., 2015) e utilizou para isso o mesmo instrumento aplicado no presente estudo. Os autores encontraram para a dimensão dieta uma média de 5,0 dias, valor superior ao presente estudo; “seguir orientações o numero de dias recomendado” o valor da média (3,7) próximo ao valor deste estudo que foi de 3,4. É interessante destacar também que em relação ao consumo de doces a média (6,1) foi bem maior ao encontrado no presente estudo (0,6 dias).
Como a média de dias para os itens “ingestão de dieta saudável” e “orientações alimentares por profissionais de saúde capacitados” obtiveram valores menores que 4,0 dias, foram considerados como “adesão ruim”, o que foi semelhante ao encontrado em estudos que avaliaram a adesão a dieta utilizando outros instrumentos que não o QAD, como exemplo questionários de frequência alimentar.
A respeito de leites e derivados, vale ressaltar a importância da substituição de tais produtos da forma integral para a forma mais pobre em gorduras. Leite desnatado e seus derivados devem estar presentes na alimentação de indivíduos com DM tipo 2, por serem considerados componentes importantes de uma dieta saudável, fonte de proteínas de alto valor biológico e ainda por apresentarem baixo índice glicêmico. Limitar a ingestão de colesterol, ácidos graxos saturados e trans representa uma importante meta no consumo alimentar de diabéticos, pois tal
conduta tem como propósito reduzir o risco cardiovascular desses pacientes. No presente estudo, pôde-se observar que a média de consumo de carnes vermelhas, leite e derivados integrais apresentaram-se ligeiramente acima do proposto (SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA, 2005).
Para as associações da dimensão alimentação com características sociodemográficas não foram encontradas associações, o que corrobora com os resultados encontrados por Arrellias et al. (2015) avaliando a adesão à dieta, atividade física e uso de medicação em diabéticos no sudeste do Brasil, e por Benevida (2015) em estudo onde avaliou a adesão ao autocuidado em idosos em Recife-PE.
Estudos apontam a dificuldade em seguir as orientações dos profissionais, sendo a alimentação um desafio relevante para as pessoas que convivem com o DM (BARROS, 2014).
A literatura tem mostrado que comportamento relacionado aos hábitos alimentares é um dos desafios para o cuidado à saúde, principalmente pelos aspectos culturais, econômicos, emocionais, ambientais que os envolvem (BANQUEADO et al., 2010).
Em particular, as pessoas com DM devem, diariamente, tomar decisões para controlar sua doença, e estas decisões têm um maior impacto sobre seu bem-estar do que aquelas tomadas pelos profissionais de saúde. No entanto, os tratamentos que requerem decisões ou julgamentos por parte da pessoa estão mais fortemente associados à não adesão. Além disso, as crenças pessoais sobre a alimentação, especialmente em relação à existência de alimentos nocivos ou proibidos, são difíceis de serem mudadas, constituindo-se tabus que podem interferir na adesão ao autocuidado (XAVIER; BITTAR; ATAIDE, 2009).
Para que a adesão do diabético ao programa alimentar proposto seja satisfatório, é importante considerar seu estilo de vida, rotina de trabalho, nível socioeconômico, tipo de diabetes, medicação prescrita e hábitos alimentares anteriores ao DM. A adaptação da dieta aos hábitos alimentares preexistentes, sempre que possível, é a melhor conduta, pois, além do indivíduo, a família ficará mais integrada ao tratamento. Do ponto de vista econômico, o uso de alimentos já rotineiros e que sejam adequados promove maior flexibilidade na escolha e impede a substituição por outros, às vezes impróprios e mais caros (ASSUNÇÃO; URSINE, 2008).
Os resultados em relação à atividade física foram diferentes do item “alimentação”. No presente estudo o item “atividade física” apresentou baixa adesão, com média de 1,3 dias (DP=1,2) para adesão a “atividade física de 30 min” e mais baixa ainda para “atividade física especifica” que foi de 0,7 dias (DP=0,8).
Valores semelhantes ao item “prática de atividade física” foi encontrado por Gomides et al. (2013) em estudo onde avaliou as atividades de autocuidado de pessoas com DM que possuem úlceras e/ou amputações em membros inferiores na região sudeste do Brasil, utilizando o mesmo instrumento usado no presente estudo. Os pesquisadores encontraram adesão a pratica de “atividade física de 30 min” de 1,0 dia e “atividade física especifica” foi de 0,4 dias. Além desse, Villas- Boas et al. (2011) também encontrou baixa adesão a prática de atividade física ao avaliar a adesão a dieta e ao exercício físico utilizando para isso mesmo instrumento do presente estudo.
Resultados diferentes foram encontrados por Santos et al. (2014) em estudo transversal onde avaliou a adesão ao tratamento no diabetes e associações com parâmetros bioquímicos. Foram encontrados no item “atividade física de 30 min” um média 3,9 dias e para “atividade física especifica” média de 1,7 dias.
Quando se analisou a presença de associações das dimensões do autocuidado com características socioeconômicas observou-se que houve associação significativa para “atividade física” e a variável sexo, onde a adesão foi classificada como boa mais nos homens do que nas mulheres. Resultado semelhante corrobora com alguns estudos na literatura. No estudo de Daniele, Vasconscelos e Coutinho (2014), realizado na atenção básica no Ceará, os homens tinham uma prática de atividade física diária maior em detrimento das