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MEMORY MANAGEMENT

5.3 Page Translation

5.3.3 Page Tables

Os usuários com DM apresentam necessidades psicossociais, de autocuidado, de conhecimentos e habilidades (GOMES-VILLAS BOAS et al., 2009). Dentre os conhecimentos necessários, podem-se citar o reconhecimento de sinais e sintomas clássicos de hiper e hipoglicemia; os parâmetros normais para os níveis glicêmicos; manejo adequado do plano alimentar; os cuidados necessários na realização de exercícios físicos e sobre a importância de seguir o esquema terapêutico proposto, como uso regular de medicamentos (OLIVEIRA; VENCIO, 2015).

Ao considerar a relação entre conhecimento, práticas de autocuidado e controle metabólico, as atividades educativas devem contemplar e trabalhar questões que envolvam a aprendizagem acerca do DM. Na pesquisa anteriormente citada, os conhecimentos apresentados pelos usuários com DM refletiram diretamente em seus comportamentos de adesão, sendo que apenas 17,2% dos usuários demonstraram aderir às práticas de autocuidado(BELESTRE et al., 2007).

Nesse contexto, torna-se importante levantar os conhecimentos dos usuários em relação ao DM e trabalhá-los por meio de ações educativas. No entanto, as atividades educativas não devem ter como único objetivo a melhoria dos conhecimentos. Apesar de o conhecimento ser pré-requisito para o autocuidado, há diversos fatores que influenciam as atitudes e comportamentos em relação às ações de cuidado em DM. Dentre os diversos aspectos, devem-se considerar as crenças e valores, a presença de apoio social, grau de autonomia e

empoderamento para o autocuidado, bem como aspectos psicológicos(FUNNELL, et al., 2007).

O autocuidado é definido como um processo por meio do qual uma pessoa seja capaz de atuar em direção à prevenção, detecção e tratamento de sua doença para manutenção ou recuperação de seu estado de saúde. As capacidades de autocuidado são habilidades especializadas que se desenvolvem ao longo da vida e são Indispensáveis para a manutenção do bem estar, em especial quando existem problemas de saúde (VIEIRA, 2011; PEREIRA et al., 2009).

O conceito de autocuidado deriva do conceito de cuidado (LANGE, et al., 2006). Historicamente falando, o cuidado da saúde fazia parte do cuidado que as pessoas tinham do cuidar de si, da sua família e da sua comunidade. Cuidar da saúde e principalmente do corpo doente impossibilitado de trabalhar era responsabilidade das mulheres da família da qual o doente fazia parte (BRASIL, 2004).

A partir da profissionalização do cuidado, ocorre o uso crescente de tecnologias duras no cuidado da saúde, a privação progressiva dos direitos de informação, a decisão unilateral por parte dos profissionais de Saúde sobre quais cuidados o paciente necessita e a quase total ausência de participação deles nas decisões que afetam diretamente a sua saúde (LANGE et al., 2006).

Este contexto fez com que, em 1978, na Declaração de Alma-Ata, fosse destacada a necessidade de participação dos indivíduos, famílias e comunidades nas decisões que dizem respeito ao seu cuidado. A partir desta data, o direito à informação, ao conhecimento, aos recursos necessários para o autocuidado, ao apoio das instituições sanitárias, à participação decisiva dos usuários nos serviços nas questões referentes ao seu cuidado de saúde é visto como direito humano básico (LANGE et al., 2006).

É nesse contexto que nasce o conceito de autocuidado onde se incluem as

[...] observações sobre o que as pessoas fazem em benefício da sua saúde, o que a família ou os amigos oferecem para cuidar de um doente e o que os grupos sociais e/ou comunidades desenvolvem em benefício da saúde coletiva, assim como a parte que cabe às diferentes instituições sanitárias e profissionais de saúde (LANGE et al., 2006, p. 32).

É a pessoa que lida diariamente com sua condição crônica. Logo, o autocuidado será uma tarefa para toda a vida, para ela e para sua família. Portanto, a sua visão de futuro e de projetos sofrerão mudanças substanciais a partir do diagnóstico de uma condição crônica. Todos esses aspectos devem ser trabalhados e apoiados pelo profissional de saúde (AYRES, 2004).

Ou seja, o autocuidado vai muito além de mudanças necessárias de comportamentos ou de decisões unilaterais, sejam estas do próprio usuário, pela sua impossibilidade ou vulnerabilidade momentânea ou permanente, ou do profissional e do sistema de Saúde, por meio do conhecimento, poder de coerção e de recursos tecnológicos (BRASIL, 2014a).

Existem muitas evidências sobre o autocuidado e o DM, e ações nacionais com bons resultados no controle e na qualidade de vida da pessoa com DM (BRASIL, 2014a).

Em 2007, a Associação Americana de Educadores em Diabetes (American Association of Diabetes Educator – AADE) implantou um programa de educação na linha de empowerment approach (empoderamento) no qual o principal objetivo é desenvolver habilidades, mudanças, autonomia e responsabilidade compartilhada entre a pessoa, a sua família e a equipe de Saúde em relação ao DM. Os resultados finais desse programa são a melhora do controle, a mudança de comportamentos e a melhora da qualidade de vida com menos riscos e menor morbimortalidade (PEEPLES et al., 2007).

Após anos de avaliação e de estudos baseados em evidências, a AADE estabeleceu, em 2007, sete padrões necessários ou metas de educação para o autocuidado que levam a um melhor controle e qualidade de vida da pessoa com diabetes, listados no Quadro 4 (PEEPLES et al., 2007).

Quadro 4 – Padrões necessários à educação para o autocuidado.

Self-care Behavior (Comportamento do autocuidado)

Ação

Atividade física (Being active) Incorporação de atividade física no estilo de vida

Alimentação Saúdavel (Healthy eating) Incorporação do manejo nutricional no estilo de vida.

Medicação (Taking medication) Usar a medicação com segurança e para a máxima efetividade terapêutica. Monitorização (Monitoring) Monitorar e interpretar a glicemia e

outros parâmetros e usar os resultados na tomada de decisões.

Resolução de problemas (Problem solving)

Prevenir, detectar e tratar complicações agudas e outros problemas.

Enfrentamento saudável (Healthy coping)

Desenvolver estratégias personalizadas para acessar problemas psicossociais. Redução de riscos (Reducing risks) Prevenir, detectar e tratar complicações

crônicas. Fonte: Peeples, 2007.

Os usuários com DM precisam ter capacidade de cuidarem de si e, para isso, carecem de ter os recursos disponíveis, sejam eles pessoais, sociais ou financeiros. Nesse contexto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a educação para o autocuidado com vistas a prevenir e tratar as enfermidades crônicas (ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE, 2006).

As práticas educativas visam a atuar diretamente sobre as ações de autocuidado para influenciar a mudança no estilo de vida, melhorar a autoestima e oferecer suporte a esses usuários (ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE, 2006).

A educação em diabetes maximiza a efetividade do tratamento convencional e facilita o manejo de novas tecnologias (incluindo auto monitoramento de glicemia, análogos de insulina e sistema de infusão continua com insulina e monitorização continua com glicose). Seus resultados se tornam mais efetivos se houver disponível uma estrutura de educação, e que os diferentes processos de educação ocorram por intermédio de equipe multiprofissional preparada e trabalhando de forma interdisciplinar com interação, atenção e envolvimento das pessoas com diabetes e seus cuidadores em todas as etapas(OLIVEIRA; VENCIO, 2015).

Nessa perspectiva, no Brasil a Lei 11.347 de 2006 representa marco importante na garantia dos meios necessários para adesão ao tratamento e autocuidado no diabetes, onde pela instituição da Portaria do MS nº 2.583 de 10 de

outubro de 2007, ficam definidos elenco de medicamentos hipoglicemiantes e insumos para monitorização da glicemia capilar disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde aos usuários diabéticos.

Tal Portaria reforça ainda que os usuários diabéticos que usam insulina devem estar inscritos nos Programas de Educação para Diabéticos, promovidos pelas unidades de saúde do SUS, executados conforme descrito:

I - a participação de diabético pressupõe vínculo com a unidade de saúde do SUS responsável pela oferta do Programa de Educação, que deve estar inserido no processo terapêutico individual e coletivo, incluindo acompanhamento clínico e seguimento terapêutico, formalizados por meio dos devidos registros em prontuário;

II - as ações programáticas abordarão componentes do cuidado clínico, incluindo a promoção da saúde, o gerenciamento do cuidado e as atualizações técnicas relativas a diabetes mellitus;

III - as ações devem ter como objetivos o desenvolvimento da autonomia para o autocuidado, a construção de habilidades e o desenvolvimento de atitudes que conduzam à contínua melhoria do controle sobre a doença, objetivando o progressivo aumento da qualidade de vida e a redução das complicações do diabetes mellitus.